SPARTACUS – CRÍTICA

Começou a ser exibida recentemente nos EUA a terceira temporada de Spartacus, uma série que pode não ser a melhor maravilha do universo (estando no nível de monólitos como Game of Thrones e Breaking Bad), mas ao menos merece algum destaque por se caracterizar como boa diversão, dotada de alguns momentos audaciosos e grandes atuações. Na verdade, a taxa de aprovação da série no site IMDB é surpreendentemente alta: 8,7.

Eu disse “surpreendente”? Talvez. Muita gente torceu o nariz para Spartacus quando a série estreou já no seu primeiro episódio, taxando-a de uma cópia mal feita de 300, o excelente filme de 2006 de Zack Snyder cuja estética inovadora e violência estilizada, na época, balançou Hollywood e tornou o longa um enorme sucesso de público e crítica. Bem, cabe dizer que essas pessoas estão absolutamente certas. Ou melhor, não estão totalmente erradas.

spartacus+photosO caso é que a opção feita pelos produtores de Spartacus, quer tenha sido uma homenagem ou descarada picaretagem, realmente força o espectador num primeiro momento a dirimi-la como um 300 mal feito que, para piorar, não goza nem das qualidades do diretos Snyder e nem do orçamento polpudo de uma mega-produção de Hollywood.

A câmera lenta excessiva nas cenas de luta, seguida de aceleração das imagens, sangue em CGI que espirra em abundância na tela com a consistência de água, saltos acrobáticos dos personagens fazendo caras e bocas, imagem metalizada e, até mesmo o figurino, tudo remete a 300. Então, resta a pergunta: Por que alguém deveria assistir a alguma coisa que é, obviamente, uma cópia de segunda categoria?

Talvez por que a cópia não seja, afinal, tanta cópia assim, ainda que isso só fique evidente alguns episódios para frente.

Spartacus tem duas vantagens que levam facilmente (quase) qualquer espectador a continuar acompanhando a série: a atuação selvagem e perfeita de John Hanna no papel de Batiatus e a beleza da eterna Xena, Lucy Lawless, como Lucretia, sua esposa. Além disso, a série traz doses cavalares de nudez e sexo (em geral com mulheres lindas), momentos bastante engraçados e bizarros, e um profundo senso de irmandade – todas coisas que respeito. Então, da minha parte, resolvi tentar superar o trauma da cópia malfeita e continuar. E fico feliz por tê-lo feito.

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Lucy-Lawless-SpartacusNão que a série abandone qualquer uma das características inspiradas em 300 citadas acima – na verdade, ela até as acentua. Mas tudo torna-se tremendamente mais divertido com o passar do tempo. O espectador acaba se acostumando com o exagero, que se torna a principal característica estética da série, se diverte com os diálogos (muitas vezes os roteiristas brincam e colocam expressões coloquiais do dia a dia contemporâneo na boca dos romanos que viveram antes de Cristo) e se deixa envolver pelas maquinações políticas de um bando de hienas que querem devorar umas às outras e ascender ao poder de Roma.

A história é ambientada em Cápua e se passa praticamente inteira dentro de um Ludus (centro de treinamento de gladiadores) de propriedade de Batiatus, uma herança do seu honrado e renomado pai. É para lá que um escravo capturado na Tracia é levado, Spartacus, um homem de espírito indomável que subitamente se vê separado do amor da sua vida pelos romanos. Spartacus (interpretado por Andy Whitfield) tem potencial para se tornar um guerreiro poderosíssimo, contudo ele não quer saber de nada disso e se recusa a se submeter às vontades de Batiatus. Assim, dentro do Ludus, é que a verdadeira diversão começa.

Há um grupo enorme de gladiadores, “liderado” pelo galês Crixus (Manu Bennett), que jamais fora derrotado na arena. No começo, achei que a atuação de Bennett era forçada e chata, mas depois comecei a perceber certos nuances no personagem, o olhar, a expressão corporal, a voz sempre sussurrada, e concluí que o ator faz um grande trabalho com seu personagem, tornando-o muito mais do que uma máquina de matar perfeita. Aliás, cabe um parêntese dizendo que Bennett recentemente viveu o vilão Exterminador, na série do Arqueiro verde, Arrow.

post-107385-1319378866Todos no Ludus são treinados pelo cão fiel de Batiatus, o Doctore (Peter Mensah), que tenta manter os guerreiros na linha e prepará-los para a arena, e cuja participação vai crescendo gradativamente na série.

Batiatus levou seu Ludus praticamente à falência por causa dos seus excessos e da sua inabilidade como gestor, mas fará de tudo para recuperar os bons dias e superar as glórias que seu pai (a quem vive à sombra) obtivera. Sua esposa pede, escondida de seu marido, favores sexuais a Crixus, que por sua vez, ama a escrava pessoal dela, Naevia (Lesley-Ann Brandt). Claro que se Lucretia descobrir isso, todos estarão em maus lençóis.

Crixus pega birra imediatamente por Spartacus que, por sua vez, quer a qualquer custo tirar a vida de Glaber (Craig Parker), o Pretor que invadiu a Tracia e o capturou. Glaber aparece pouco nesta primeira temporada, mas sua ofídia esposa Ilithyia (Viva Bianca) desempenha importante papel na trama. Em poucos episódios, uma enorme intriga está armada, envolvendo todos das maneiras mais sórdidas e intrincadas possíveis.

A primeira temporada, chamada Sangue e Areia, acaba com um banho de sangue empolgante e inimaginável, e com uma enorme reviravolta na história.

Para a segunda temporada, um problema grave irrompeu. O protagonista Andy Whitfield foi diagnosticado com um linfoma em 2010, e deu início imediato ao tratamento. Disposta a esperar sua recuperação, a produção resolveu filmar uma minissérie em seis episódios chamada Deuses da Arena, que se passa antes dos eventos de Sangue e Areia e narra a ascensão de Batiatus ao poder. A recepção do público foi boa (mesmo sem a presença do personagem principal), mostrando que os roteiristas e produtores haviam criado um universo coeso e atraente que, de certo modo, era independente do seu protagonista. O herói destes episódios é Gannicus (Dustin Clare), um gladiador que fora verdadeira uma lenda antes da chegada de Crixus e Spartacus e que havia conseguido sua liberdade. A série é tão boa quanto a primeira temporada e potencializa tudo, desde os palavrões até as cenas de sexo, incluindo muito sangue falso, as tramoias e boas lutas na Arena.

spartacus_blood_and_sand_2010_2722_posterInfelizmente, Andy Whitfield faleceu em 2011, devido a complicações da sua doença e, para a segunda temporada da série, Vingança, os produtores o substituíram pelo ator Liam McIntyre, cujo carisma é relativamente menor que o de Andy, mas que ainda assim consegue fazer um bom trabalho. Eles também apostaram no sucesso de Gannicus e trouxeram o personagem de volta, criando espaço para todos brilharem na trama.

Embora demore a engrenar e, por volta do episódio três e quatro fique um pouco pedante, essa segunda temporada chama a atenção quando o personagem Glaber decide parar de se esquivar e de ficar por baixo perante sua esposa (que maquina nas suas costas) e o Senado de Roma, e mostra sua verdadeira cara. É quando o ator Craig Parker dá um show. Ele se torna um monstro perigosíssimo e implacável. Sua presença é a melhor coisa dessa temporada e cada vez que ele aparece, não dá para desgrudar os olhos da tela. O personagem Spartacus se perde em discursos chatos (e excessivos), decisões arbitrárias, um idealismo que beira a cafonice, e irrita pela forma com que trata a jovem e bela Mira (Katrina Law), escrava que está apaixonada por ele. Ainda assim, de quando em quando, ele se redime com o público, ao agir como verdadeiro herói, lembrando por que viemos a gostar dele em primeiro lugar.

O final da segunda temporada está entre os melhores já produzidos em séries de ação da televisão norte-americana. Sem exagero. É brutal, visceral, não faz concessões, muito bem filmado e épico! A cena envolvendo Lucretia e Ilithyia ficará gravada na mente de todos que assistirem, tamanha a audácia da produção. Fica, portanto, a dica para todos que quiserem conhecer uma série que nem de longe tenta ser uma recriação acurada dos tempos de Roma (como é o caso da minissérie homônima), mas que empolga e funciona como bom entretenimento, regada à sexo, violência e intrigas, com boas atuações e uma produção razoavelmente bem cuidada.

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  1. Pelos deuses!!!!!!!!
    Essa serie é realmente muito foda e a critica do Callari ficou muito boa, transmitindo exatamente aquilo que eu senti enquanto assistia. quase não passei do primeiro episodio, mas depois a gente fica viciado e não desgruda os olhos da tela .as cenas de sexo e violencia são muito bem vindas, mas o roteiro e a trama são de primeira.

    • Essa série, para mim, foi simplesmente a melhor! Antes, já havia assistido algumas (The Walking Dead, Breaking Bad, Game of Thrones) mas essa superou todas as outras…

  2. Eu achei muito fraca essa série, abaixo da média.

    Os pontos negativos desvalorizam demais, um personagem ou outro que tem um certo carisma, a maioria passam despercebidos… nem tive a coragem de ver a segunda temporada.

    Muitos reclamam dos efeitos especiais mal feitos dessa série, porém acho que é uma questão de adaptar certos efeitos ou não. Séries como stargate ou battlestar galactica, que são mais antigas e seus efeitos são meio datados, eu consigo ver numa boa sem me encomodar.

    Muito bom o texto Alexandre!

    abraços

  3. Desculpe, Callari, mas Spartacus é bem superior ao 300, do Snyder. 300 possui história fraca (assim como a serie do Frank Miller), cheia de momentos piegas e soluções idiotas para revelar o traidor espartano (a cena da morte do traidor, em frente a todos, com uma bolsa carregada de dinheiro persa só para provar pra todo mundo que ele era um canalha foi uma solução fraca de roteiro). Spartacus surpreende, pelo menos. Todo mundo vai levar em conta o primeiro episódio para julgar a série inteira. Todos fazem isso. Mas essa segunda temporada, mesmo sem a presença do ator Andy Whitfield, é MELHOR que as anteriores por avançar a história de Spartacus até o seu derradeiro final, que é essa terceira temporada. O que é muito, visto que somos inundados de séries intermináves, que vão perdendo a força e o sentido quando se alongam demais (Lost é o exemplo máximo e Dexter pode ser colocada nesse nível, depois de sua sofrível 6a temporada).

  4. Primeiro descobrimos que o Jamie era a pessoa perseguindo a Rosie na floresta na noite em que ela morreu. A garota havia flagrado uma reunião sigilosa entre ele, Michael Ames e Nicole Jackson. E pra garantir que a aliança que eles pretendiam formar não fosse prejudicada, Jamie tentou calar a Rosie e acabou se excedendo — só não gostei muito como forçaram o lado “psycho” do personagem no final. Mas não foi ele quem efetivamente matou a garota, e sim sua própria tia. A surpresa da toda essa revelação ficou mais pelo modo como Rosie foi morta, do que por quem. Terry tomou a decisão de afundar o carro em que Rosie estava no porta-malas pra acabar de vez com a situação que preocupava seu amado Michael Ames, com quem pretendia fugir. O problema foi que Terry não tinha ideia de que era a sobrinha que estava no carro. Achei que a morte acidental (se é que podemos classificá-la assim) de Rosie Larsen foi um bom desfecho… E se não, pelo menos proporcionou a excelente cena em que Linden e Holder desmascaram a “assassina”, seguido pelo momento em que Stan e Mitch tomam conhecimento do triste fato. Mesmo que não aprovou a trama, deve reconhecer que pelo menos atuações brilhantes a série teve. O elenco sempre mandou muito bem, e acho nunca vou conseguiu ver a Mireille Enos como outra pessoa a não ser a Det. Sarah Linden. Com o crescimento de seu personagem na segunda temporada, Joel Kinnaman também pode mostrar todo seu talento — e até garantiu o papel de novo Robocop nos cinemas! Michelle Forbes pôde se mostrar mais na primeira temporada, enquanto Bret Sexten continuou detonando como o pai de Rosie. Até a atriz Jamie Anne Allman se destacou como a Terry… Digo “até” porque não imaginava que ela fosse tão boa.

  5. Seu comentario é um lixo….

    Volta pra escola, rapaz ou vc tem que usar lente de correção.

    Essa seria detona 300 aquele lixo de exagero….

    Spartacus simplesmente, INCRÍVEL…..

  6. odeio quando vem um cara q se acha o dono da verdade
    Copia fula de 300?
    entao so por que 300 apareceu com aquela nova pespectiva de filmagem mais ninguem no mundo pode fazer igual?
    achei muito fraco seus argumentos pra desmerecer a serie…
    tem uma ótima historia com personagens que a cada episodio que se passa vc vai se apegando mais e mais.
    as cenas de luta muito empolgantes de tirar o folego, tramas, falsidade, traiçoes, sexo e revelaçoes, que inclusive é o nome do capitulo 11 “revelaçoes” putzs que episodio perfeito que serie perfeita
    agora eu gosto muito de 300 mas nao tem pé nem kbça

  7. de longe a MELHOR SÉRIE a que já assisti… e olha que já assisti a muitas… uma pena ter apenas 3 temporadas, já que é viciante… 300 foi sim muito bom, mas foi um filme (um dos que mais gostei tb), mas a série não fica devendo… apesar dos desafios durante a gravação, tendo em vista o adoecimento do personagem principal, a série continuava intrigante e entusiasmava cada vez mais!
    PARABÉNS pela crítica…

  8. Estou na 3a temporada e ainda não consegui ver na atuação do Crixus todo esse valor apontado pela crítica. Me lembra muito o cigano Igor, no início eu me irritava agora vejo graça nas suas expressões (nada expressivas). Outro detalhe importantíssimo que notei foi a vacilação sem tamanho da produção da série: SILICONE na Roma antiga???
    Sim, na 1as temporadas os vilões ganharam de lavada: que time Batiatus e Cia (Ashur incluido)!
    Ótima crítica

  9. Concordo c a crítica, achei esse a melhor série já produzida, acabei de ver o ultimo capitulo e chorei como uma criança…fico feliz pelos momentos que essa trama me proporcionou. Vai deixar saudades mas acabou no seu devido tempo

  10. Eu como um fã fico triste pelo fim da serie, mas também fico eufórico por uma criação de uma das melhores series já criadas pelo homem. Eu não queria que o fim fosse daquele jeito, foi muito triste, acho que todo mundo achou que o SPARTACUS ia ganhar a guerra e que os Deuses iam ajudar-lo a ganhar….. Mais não foi o que todos pesamos, mais e assim mesmo, tudo que e bom dura pouco………… kkk
    Repito novamente, umas das melhores series já criadas….
    Foda-se os Deuses kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • Cara, a história é em fatos reais, não vi a 4ª temporada ainda, mas sei que Spartacus morre na guerra final assim como os escravos são todos crucificados no caminho de Roma, se fizerem algo diferente disso no final, ai vai zuar todo o fato histórico real com um ficção tola só porque é bonitinho o mocinho ganhar no final. A história é triste mas foi um mártir para a questão de luta pela liberdade social, e até hoje é uma série recomendada para quem estuda o assunto.

  11. Série ótima foi lamentável perder o Andy whitfield mas o Lian tbm fez o seu papel mto bem e por ser em temporadas diferentes o impacto não foi tão doloroso apesar de ser o personagem principal mas pra mim podia ter parado na terceira assim q o Glaber morreu pq a quarta eu achei uma porcaria Naevia fazendo intrigas crixus só fazendo merda até conseguir morrer Gannicus crucificado pqp e spartacus pego pelas costas mostrou q o jeito covarde de Roma prevaleceu… mas se é história tudo bem só q não consigo assistir pra mim e o só ate terceira.

  12. Cara gosto muito de Game of Thrones, mas Spartacus consegue tocar o coração de um modo incrível e o último episódio da quarta temporada é maravilhoso, Spartacus brigando com Marcus e lembrando de tudo que passou até então é muito fóda que até me arrancou lágrimas kk. Outra série que recomendo é Vikings.

  13. Tudo fraco nessa série! Cenografia nível amador, texto, atuações, envolvimento nota zero, clichês, efeitos especiais nem se fala… Fui assistir achando que me depararia com algo nível “Vickings” ou “The Tudors” mas foi uma decepção não vale assistir nem o primeiro capítulo, cheguei a dar risada de tão fraca! Não entendo como ainda está classificada com 5 estrelas na Netflix, uma estrela somente ainda é muito!

    • Eu assisti Vikings, e achei que iria assistir algo do mesmo nível, mas não foi.. Essa série é decepcionante, efeitos fracos, fraquisimos, reparem na neve, logo nos primeiros capítulos é notável o ridículo da produção, e aquele sangue que espirra!!um filme com efeitos de desenho?lembrou os games da década de 90..Não consegui assistir o terceiro episódio da primeira temporada.

  14. Não acho isso, a série foi totalmente fiel a história real! Como falar dos gladiadores que eram tão parecidos com o desejo de luta com os espartanos? Então me responde como fz uma série com esse tema que não seja parecida com 300? já que a história real é parecida!