Quadrinhos para o Dia das Mães

Nosso dever como leitor de quadrinhos é tentar levar esse hobby ao maior número de pessoas possível.

Eu já consegui fazer com que alguns de meus amigos, que sequer leram um livro inteiro na vida, viciassem em determinadas HQs. Havia um rapaz que trabalhava comigo que nunca chegava ao final de suas leituras. Ele as abandonava no meio porque não lia com frequência, demorava muito e no final das contas deixava de lado – até decidir ler The Walking Dead, de tanto eu martelar a história em sua cabeça. O cara viciou, terminou em três dias todos os números da série de Robert Kirkman, e depois passou para Y, o Último Homem. Hoje ele não trabalha mais comigo, não sei se continuou lendo longe da minha influência, mas já foi um começo.

Também fiz meu antigo chefe (hoje um grande amigo) se interessar pela nona arte. Ele adorou ler o mangá Monster (pena que a Conrad não publicou tudo) e agora está comprando as edições definitivas de Sandman, da Panini. Eu dei de presente um monte de gibis da Disney para o filho dele, além de uns quadrinhos de super-herói da Editora Abril, e hoje o garoto, de uns 10 anos de idade eu suponho, lê de tudo. Fico feliz por ter contribuído um pouco para isso.

Minha irmã de 13 anos vem me pedindo uns quadrinhos emprestados de uns tempos pra cá. Ela já leu Calvin e Haroldo, Baby Blues, Macanudo e Peanuts. Tirinhas são excelentes para introduzir jovens e crianças nos quadrinhos. Eu fico em cima apenas para garantir que os encadernados não voltem com alguma lesão, já que a menina não é conhecida por seu cuidado com as coisas.

Meu irmão? Não, esse é impossível de fazer ler qualquer coisa. Tentei quando ele era mais novo, mas hoje o bicho rosna só de me aproximar. Deixa quieto. Minha namorada é meu atual objetivo, estou quase lá! Ela começou a ler Persepólis e já leu Coraline, sem contar os quadrinhos de Turma da Mônica Jovem, que despertam nela um misterioso fascínio que nem eu compreendo (acreditam que nunca li nenhum número dessa série?).

E tem nossos pais, oras bolas!! Nada melhor do que aproveitar o dia das mães como desculpa para apresentar os quadrinhos para sua mãe! A minha já leu Stardust, do Neil Gaiman (é um livro, mas está valendo), e algumas tiras da Mafalda! Aproveitei a data comemorativa de hoje para lhe dar Ao Coração da Tempestade, do Will Eisner. Mas é claro, não é toda HQ que seu pai ou sua mãe irão gostar de ler, você tem que escolher com cuidado. Apenas histórias fechadas, de preferência com temas adultos, algumas com base em fatos reais, outras mais engraçadas. Está certo que cada mãe tem seus próprios gostos (e eu conheço os da minha), mas existem histórias com potencial para agradar qualquer uma, sem chance de erro.

Apresento uma breve lista de títulos que podem iniciar sua mãe de uma vez por todas nos quadrinhos.

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BORDADOS (Quadrinhos na Cia.)
Esse quadrinho foi escrito pra sua mãe! A graphic novel sobre o grupo de mulheres iranianas reunidas durante o chá da tarde para contar casos de relacionamentos amorosos é muito, mas muito legal. Ainda mais por se tratar de um tema totalmente tabu para as iranianas, o sexo! Uma HQ tranquila, deliciosa de ser lida, bastante curiosa e divertida, do tipo que se termina em uma tacada só. Leia mais sobre Bordados aqui.

RETALHOS (Quadrinhos na Cia.)
Um tijolo de quase 600 páginas, de leitura tão prazerosa que flui com uma rapidez de nos fazer desejar a cada página para nunca chegar ao final. Uma das melhores publicações de 2009. Sem dúvida nenhuma esse romance pode se tornar livro de cabeceira da sua mãe. Aliás, o Daniel Lopes declarou no Twitter que foi essa que ele escolheu para presentear sua progenitora hoje.

O CAÇADOR DE PIPAS EM QUADRINHOS (Nova Fronteira)
Acabamos de fazer um belo especial sobre essa adaptação. A história de Amir e Hassan arrancou lagrimas de pessoas do mundo inteiro, o livro foi um Best-seller merecido e o filme é bem legal. Agora a HQ chega ao Brasil e também consegue emocionar, de forma muito mais sucinta, transpondo para os quadros apenas os elementos mais importantes da obra literária. Mesmo que sua mãe já tenha lido o livro, ela certamente irá gostar do quadrinho. Saiba mais aqui.

MAUS (Cia. Das Letras)
O holocausto dos judeus é um fato que sempre consegue emocionar, e Maus é simplesmente umas das melhores histórias já escritas sobre o assunto. Se sua mãe assistiu O Pianista e chorou do início ao fim, ela certamente irá concordar em conferir a maior obra de Art Spiegelman. Esse é um caso raro de HQ densa capaz de agradar qualquer um.

CICATRIZES (Leya Cult)
Arte sequencial de uma qualidade impar! Uma autobiografia de David Small, que narra como foi crescer em uma família totalmente disfuncional, com uma mãe maluca, um pai que não o amava e uma avó que incendiou a própria casa, ceifando a vida de seu avô. Cicatrizes transborda sentimentos graças a seu texto e desenhos em plena harmonia, saiba mais aqui. Pode não ser uma história romântica e muito menos engraçadinha, mas é um drama e tanto e sua mãe vai gostar de conhecer.

A FORÇA DA VIDA (Devir)
Todas as obras do Will Eisner são capazes de agradar sua mãe, mas essa em especial, por mostrar um tema que a maioria dos pais já passou ou ainda vivenciam: a luta pelo sustento diário da família. Passa-se durante a grande depressão econômica que abalou os EUA nos anos 30, com vários personagens amarrados em uma trama extremamente tocante. Já mencionada nesse programa aqui.

BABY BLUES – O BEBÊ CHEGOU… E AGORA? (Devir)
Posso garantir uma coisa sobre sua mãe: ela já teve pelo menos um filho! Então é certo que esse quadrinho irá diverti-la, e muito! Uma compilação das premiadas tirinhas de Rick Kirkman e Jerry Scott, sobre uma fase difícil para qualquer casal: o nascimento do primeiro bebê. E retrata com muito bom humor, fugindo das piadas óbvias ao mesmo tempo em que mostra situações comuns do dia-a-dia com um filho pequeno. Vale ainda mais se ela estiver grávida de novo.

FUN HOME – UMA TRAGICOMÉDIA EM FAMÍLIA (Conrad)
Uma história autobiográfica de Alison Bechdel, sobre a convivência entre pai e filha, desde criança até a vida adulta, ressaltando as diferenças gritantes de cada um, que os fizeram ser tão importantes na vida um do outro. A filha sempre apresentou gostos mais masculinos do que femininos, ao passo de que seu pai um dia se revelou homossexual. Uma graphic novel muito cativante, vencedora de vários prêmios importantes em 2006 e 2007. Sua mãe pode muito bem gostar.

JUBIABÁ, DE JORGE AMADO (Quadrinhos na Cia.)
Qualquer adaptação literária nacional é uma boa escolha como presente à sua mãe (ou filho, ou irmão, qualquer um), mas destaco aqui Jubiabá, com desenhos e textos de Spacca. Mostra a vida de Antônio Balduíno, negro baiano que sempre foi órfão e cresceu em meio aos moleques de rua depois de ser expulso da casa em que trabalhava. Já foi ladrão, boxeador, domador de urso, marinheiro, enfim, fez de tudo para sobreviver. Típica história de um malandro brasileiro, muito legal, com desenhos e cores excepcionais.

Está certo que esse post chegou em cima da hora, mas se você ainda não presenteou sua mãe, essas HQs são uma boa pedida, e se você já prestou as devidas homenagens com uma bela lembrança, não se esqueça dessas recomendações no ano que vem!

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  1. Eu já consegui fazer minha mãe entender que nem todos os quadrinhos são de heróis, e ela ficou muito orgulhosa de ter aprendido o que é uma graphic novel. Mas infelizemente ainda não consegui convencê-la a ler nenhum… um dia eu chego lá.

  2. Diana já que mencionou o preconceito com Hqs eu já tentei fazer minha mãe ler hqs só que ela olhou com uma visão de genero de livro infantil
    mas espero que com esta lista de hqs possa mudar a concepção de quadrinhos .

  3. a minha mae entende isso ela mesmo lia os quadrinhos dos irmãos e conhece todos os personagens principalmente os heróis da marvel mas ela ainda prefere os quadrinhos mais para crianças como a turma da Monica ela diz que é menos estressante do que ler sobre heróis.

    também venho incentivando meus amigos a lerem empresto alguns de meus números para incentiva los e eles até estão começando a gostar mas o que mas os incentivou foram os filmes.

    Meu irmão começou a ler junto comigo e na minha escola estou tentando montar um grupo de leitura de quadrinhos para poder conversar sobre eles na ultima semana falamos sobre death note , e nao só quem gosta de quadrinhos veio mas a minha professor que nao gostava e nao entendia nada sobre mangas e quadrinhos até pediu o volume da minha amiga emprestado para ler.

    alguns colegas meus gostam só da arte dos quadrinhos mas já um pequeno passo para passar a ler.

    Concluindo acho sim podemos trazer os quadrinhos de volta ao auge deles no brasil incentivando um pouco aqui um pouco ali nós vamos crescendo no brasil e trazer os quadrinhos de volta para o auge deles

  4. Achei uma super coincidência eu também ter dado Retalhos para minha mãe nesse Dia das Mães, agora é esperar para ver se ela vai curtir… =)

  5. Então, na verdade minha mãe cresceu lendo Asterix, mas acho que ela ainda não conseguiu absorver a idéia de uma HQ como coisa “séria”, de que adultos poderiam gostar também.

  6. Já estou anotando todas as dicas pensando no Natal!

    Ótimo post de referência. Pq eu nunca pensei em presentear minha mãe com Retalhos? É perfeito!