Joquempô – Publicação que precisa continuar

Recentemente eu acompanhei uma série que passava no canal à cabo AXN chamada Flashforward. Vi muita gente criticando essa série na internet e, apesar de compreender as críticas, jamais concordei com elas. Por isso muito me surpreendeu quando soube que a série seria cancelada após a primeira temporada; ou seja, EU FIQUEI SEM SABER O FINAL DA HISTÓRIA.

Foi algo deveras decepcionante, como se Lost tivesse sido cancelada logo após os primeiros 20 e poucos episódios. Compreendo as questões mercadológicas que estão por trás da decisão de cancelar uma série, mas na condição de expectador (e fã), obviamente não as endosso.

Enfim, Flashforward me dava a impressão que mal havia começado a esquentar e BUM, foi cancelada. A mesma sensação eu tenho com esta grande revista publicada pela Devir, Joquempô – exceto que neste caso, ela não foi cancelada, o segundo número apenas não saiu. E isso é frustrante, pois comecei a ler Joquempô, uma HQ escrita por Rogério Vilela e desenhada por Nelson Cosentino, sem nenhuma expectativa, contudo fui arrebatado pela trama e, quando tudo parecia prestes a engrenar, BUM, a história acaba – o que nos deixa ansiosos pelo próximo volume. Enfim, Joquempô PRECISA CONTINUAR.

A trama deixa o leitor meio em desespero ao não entregar quase nada sobre o que está acontecendo, mas tudo começa com um quadrinhista que acorda de um coma de três anos e meio. É o ano de 2014, a Copa do Mundo no Brasil está chegando (e Ronaldinho é o técnico da seleção), o carnaval foi estendido por 10 dias, Hugo Chavez é uma ameaça quase fora de controle, tudo isso (e muito mais) narrado por meio de telejornais num recurso similar ao que Miller usa em Cavaleiro das Trevas para ambientar a história.

Anjos e demônios (ou ao menos parecem ser) aparecem e desaparecem interagindo com os personagens da trama, enquanto Marcel, nosso quadrinhista, é envolvido à sua revelia em uma espécie de jogo envolvendo numerologia e enigmas – tudo maravilhosamente bem narrado e desenhado. Joquempô tem grandes chances de se tornar algo realmente importante na história do quadrinho nacional – claro que, para isso, ele tem que continuar.

Sua trama parece ser tão complexa quanto a das séries que citei – Lost e Flashforward – mas não se engane ao pensar que trata-se apenas de uma coleção de retalhos e referências. O autor teve um grande trabalho de pesquisa em cima dos temas que aborda e isso fica claro a cada quadro, sendo que vários deles guardam boas surpresas, revelando coisas que o texto não conta. É preciso estar atento para perceber.

Joquempô é mais uma HQ que se deu bem ao receber o incentivo do Proac – o que me deixa bastante feliz ao ver que produções de qualidade estão resultando desse incentivo do governo. A qualidade da impressão é boa e a ilustração da capa eu acho sensacional, apesar do verde brilhante esquisito atrás do logotipo que não tem um grande apelo comercial e na verdade espanta os leitores, pois dá uma cara de “amador”. Não se engane com esse verde feio da capa, Joquempô não tem nada de amador. É uma história madura e penetrante, que merece ser conhecida – e continuada.

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  1. Concordo com tudo o que você falou no seu post Alexandre, eu particularmente estou muito frustrado por essa revista ainda não ter chegado ao segundo número. Comprei a primeira edição já com uma boa expectativa, pois havia lido uma matéria de um jornal local sobre ela, lembro que quando peguei a revista a li rapidamente e já fiquei no aguardo do próximo número, que diziam iria sair no segundo semestre de 2010. Mas assim como vc, estou aguardando até agora pelo lançamento do número 2, q eu espero anciosamente q saia.