Mulher-Maravilha: Piloto da Série Cancelada – Crítica

40 minutos de tortura!

Só assim para definir o que foi assistir Mulher-Maravilha, o recente piloto baseado na personagem, feito para a televisão norte-americana e que despertou tanta polêmica. Foi um daqueles momentos macabros da vida, no qual minutos parecem horas e se arrastam indefinidamente. Realmente o negócio é tão ruim quanto aparenta (talvez pior) – e motivos não faltam. Roteiro, atuações, efeitos especiais, coreografia, direção, fotografia, figurino… Nada se salva nesse festival de equívocos.

Felizmente, por algum motivo, algo raro ocorreu, e os executivos da Warner tiveram um rompante de bom senso e decidiram cancelar essa série antes que o estrago fosse maior (e você sabe que executivos da Warner já aprovaram coisas como Aço, Mulher-Gato, Jonah Hex e Birds of Prey, né?). Nossa sanidade agradece.

A verdade é uma só. As antas que conceberam esse piloto partiram do princípio que Smalville estava próximo do fim e a enorme audiência que acompanha a série desde o início iria ficar órfã. Logo, nada melhor do que outro sériado de super-heróis para acolhê-la. Mas o que eles perderam de vista é que Smalville, quer você goste ou não, é uma série muito bem feita. Vamos dar a mão à palmatória e reconhecer o ótimo trabalho que os produtores fizeram. De uma forma geral, ela ao menos sempre procurou respeitar os cânones de Superman e, acima de tudo, escolheu o elenco certo, pois Tom Welling e Michael Rosenbaum transbordam carisma, além dos bons coadjuvantes que vieram depois. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito da insossa Adrianne Palicki, a atriz que faz o papel da Mulher-Maravilha.

Bem, em primeiro lugar, o nome da série é Mulher-Maravilha. MULHER!!! Não Moça-maravilha! Se bem que ela não convenceria nem se estivesse interpretando a Dianinha (nome pelo qual a Ebal chamava Donna Troy). Adrianne é bonitinha e tudo, mas a verdade é que ela é a típica coadjuvante de Barrados no Baile, não uma amazona. A atriz não convence em momento algum, com ou sem uniforme. Ela atua mal, tem os trejeitos errados, carece do porte adequado para ser a Embaixadora das Amazonas, não tem presença, carisma e nem mesmo o corpo certo para ser Diana. Ela é magra e sem uma grama de músculos – e não sabe lutar (afinal se ao menos ela soubesse artes marciais, teria ao menos entregado boas sequências de luta)!

O roteiro é outra piada, que tenta jogar uma luz sobre a discussão da produção e venda de drogas ilegais e o grave problema que a indústria farmacêutica se tornou no mundo contemporâneo. Mas quer saber? É tudo tão chavão e superficial que é melhor deixar o roteiro para lá. Os diálogos são particularmente constrangedores, como quando há uma discussão corporativista acerca da aparência da boneca da Mulher-Maravilha. Tudo banal ao extremo (fora o tremendo mau gosto). Bom, em resumo, basta dizer que a história já começa com Diana conhecida por todos nos EUA, atuando como Mulher-Maravilha livremente, e perseguindo aqueles que a polícia não consegue alcançar. Existe o habitual papo superficial do vigilantismo e seus efeitos, pessoas que sobre tudo que é assunto aconselham aqui e ali, sem na verdade dizer coisa alguma, um pouco daforça do capitalismo… Tudo fragmentos de ideias que levam para absolutamente lugar nenhum.

Elizabeth Hurley faz o papel da vilã, Veronica Cale, dona das tais indústrias farmacêuticas que produzem os já citados  esteroides que estão levando atletas à morte em todo o país (péssima ideia, certo? Se a pessoa morre quando usa, a lista de clientes diminui drasticamente). Ela aparece em meia dúzia de cenas e prova que continua tão linda quanto canastrona. Elizabeth não sabe atuar, mas perto do resto do elenco, fica parecendo Julianne Moore. Os coadjuvantes sequer merecem ser citados e só não são menos constrangedores do que:

a)      O uniforme (isso todos já viram pelas fotos);

b)      As cenas de luta (o final é particularmente emblemático, quando ela enfrenta uma dúzia de bombadões);

c)       O avião invisível (que na verdade é branco);

d)      Os furos de roteiro (tem momentos que fazem produções italianas da década de 80 parecerem verossímeis).

Mulher-Maravilha é o fundo do poço para a Warner Bros e a DC Comics. Sério! Nem sei por que perdi tanto tempo escrevendo esse texto para tamanha tosqueira, já que o melhor seria condenar essa calamidade ao esquecimento. De qualquer modo, caso você esteja disposto a conferir por conta própria (e risco), pode assistir ao filme aqui. Boa sorte.

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  1. Cara! Não sei se tu é corajoso, ou se são ossos do oficio rsrs
    Fico puto ao ver como uma heroina tão foda, com uma mitologia tão legal é tão mal aproveitada.
    Mas ha esperança…ou não.
    O diretor Nicolas Winding Refn, á frente do filme Drive que ainda vai estrear, andou comentando que se seu proximo filme Logan´s Run (remake) der certo,ele terá carta verde pra fazer um filme da amazona gostoza badass.
    Ele disse também que adoraria que a atriz fosse Christina Hendricks. Ao meu ver, não combina tinha que ser uma pegada mais Alex Ross, uma mulher mais madura e forte. É esperar e torcer.

  2. Nada além do esperado esse piloto. Começou já pela escolha da atriz, ela não tem nada da Mulher Maravilha. Aí vem todo o conflito com a indústria farmacêutica. A Warner teve o bom senso de cancelar a série dessa vez. Espero que um dia a Diana recebe o tratamento que merece. Ótima resenha.