Top 10 Quadrinhos da Década por Shazam!

Aproveitando o fim dessa década o Pipoca e Nanquim se uniu a empreitada de nosso amigo Doctor Doctor do SOC! TUM! POW! e montamos listas com as 10 melhores HQs da década (só entrou na lista obras que foram lançadas também aqui no Brasil). Você irá acompanhar durante todos os dias dessa semana as listas de cada um dos apresentadores do Pipoca (Alexandre, Daniel e Bruno) e dos redatores do SOC! (Doctor Doctor e Shazam), bem como textos explicando o por que destas obras figurarem entre as top 10.

O critério básico para esta seleção é que, obviamente, a HQ represente essa década (ou seja, que tenha sido lançada majoritariamente nos anos OO) e tenha sido lançada no Brasil entre 2001 e 2010. Não entraram nesta lista relançamentos de outras décadas como Preacher, WatchmenCavaleiro das Trevas e outros.

Vale lembrar também que nenhum dos autores do SOC! ou do Pipoca leram tudo  o que saiu nesta década (tá pensando o que somos milinários a toa na vida?), de modo que nas respectivas listas aparecerão somente histórias lidas.

Dito isso, confira abaixo a lista de Shazam!, redator do SOC:

  • Y – O Último Homem – A premissa é simples e poderia fazer um escritor novato facilmente cair em toneladas de clichês. Mas não Brian K. Vaughan. A trajetória de Yorrick Brown e Ampersand revela tudo que o ser humano pode ser em momentos de desespero, onde nossas convicções são testadas e muitas vezes vão por água abaixo. Ler Y: O Último Homem é fazer perguntas a si mesmo de modo que às vezes podemos não gostar das respostas. E mesmo assim, não dá pra parar de ler. (Panini, 2010).
  • Grandes Astros – Superman – Quando li a primeira vez, não achei grande coisa. Aliás, achei que a obra ia contra muita coisa da visão que tenho do azulão e seu universo. Talvez seja pelo fato de que odeio diversos elementos da Era de Ouro e da Era de Prata no herói. Pra mim, ele começou a ser coerente da origem criada por John Byrne em diante. Mas depois que li inteira, numa tacada só, sem a espera de um mês para o outro, fiquei estupefato. Mesmo com a arte enfadonha de Frank Quitely (eu não gosto dele, ok; pode tacar as pedras), essa história de Superman me conquistou não pela abordagem feita com o herói (coisa que realmente não gostei muito), mas pelas camadas ocultas habilmente construídas por Grant Morrison de como trabalhar certas características do Superman para que ele continue atual. É a prova de que sim como fazer boas histórias com ele. (Panini, 2007-08).

  • Justiça – Aqui minha criança interna começa a falar. Essa maxisérie da DC é uma elegia a uma época mais inocente e infantil das HQs, que não volta mais. É onde vi de novo os personagens como os conheci, sem alterações bizarras de visual, sem elementos de sagas que os descaracterizaram e outros erros editoriais/roteirísticos. São os super-heróis da DC em sua mais pura essência. E a história por si só é angustiante e uma das poucas vezes em que parece que os vilões estão realmente conseguindo o que querem, tornando-se muito mais ameaçadores do que são. Destaque para o Capitão Marvel, que tem seu melhor momento desde O Reino do Amanhã. Belíssimo trabalho do co-roteirista Jim Krueger e o desenhista Doug Braithwaite com pinturas de Alex Ross, também co-roteirista. (Panini, 2007-08).
  • Liga da Justiça vs. Vingadores – Olha a criança aí de novo. Qual leitor de quadrinhos que se preze não desejou ver esse encontro e ainda que acontecesse de forma magistral? E se você fosse um nerd como eu, que viu nos anos 80 a possibilidade se tornando real e depois evaporando com o cancelamento do projeto? E se anos depois, acontecesse o primeiro encontro maciço da Marvel com a DC e fosse uma porcaria? Você ficaria frustradíssimo, certo? E eis que tudo foi consertado de forma brilhante por Kurt Busiek e George Perez. História épica ao melhor estilo anos 70/80, com um clima que só as duas maiores equipes dos quadrinhos poderia proporcionar. Sem enrolação e direto ao ponto, é uma verdadeira aula de como fazer HQs de super-heróis. Há polêmicas também? Com certeza, mas ver Superman empunhando Mjolnir e o escudo do Capitão América e de forma nem um pouco gratuita (odeio quando rola assim) é o ponto alto da série para qualquer leitor que vive e respira quadrinhos. (Panini, 2004).

  • A Liga Extraordinária – Há personagens, não importa de que mídia, que são literalmente imortais de tão bem escritos e tão bem construídos. Pegue um punhado deles e deixe com um escritor do naipe de Alan Moore e pronto: clássico instantâneo. Ver personagens como o Homem-Invisível, Dr. Jekyl e Capitão Nemo juntos e ainda de forma respeitosa e ao mesmo tempo diferente é quase um novo levante da literatura clássica, mas com desenhos. É o velho barbudo fazendo o que sabe melhor e ainda se divertindo com isso. (Devir, 2003-04 e 2010; Pandora Books, 2001 e 2003; Panini, 2010).
  • Samurai X*– Esqueça a animação, caso a sua lembrança mais forte de Kenshin e companhia seja sua versão em movimento, que foi mal adaptada e ainda sofreu com cortes da censura. Estamos falando de quadrinhos, então o mangá é o que importa. Pop e ao mesmo tempo profundo, a saga criada por Nobuhiro Watsuki é toneladas de pura emoção e nós na garganta. É uma das obras mais contundentes que se fala de redenção, segundas chances e esperança. Há um clima forte de dúvida no ar e cheguei mesmo a pensar dubiamente sobre o destino final do personagem. E quando você acha que está perdido, pensando que errou o final, para o bem ou para o mal, Watsuki te surpreende e no final, não resta mais nada além de lágrimas. Vale atentar que esta obra foi lançada no Japão do meio pro final da década de 90, porém começou a ser publicada por aqui somente em maio de 2001. Ou seja, a não ser que você saiba japonês e tivesse oportunidade e condições de importar ou pagar o olho da cara na Liberdade em São Paulo, a obra só chegou ao leitor brasileiro a partir de 2001. Portanto, considerando o ISBN da versão nacional de Samurai X, ela é sim desta década para nós leitores tupiniquins. (JBC, 2001-03).

  • Vagabond – A história de Miyamoto Musashi não é novidade. Há diversas versões em quase todas as mídias. É de aceitação quase geral que a adaptação literária de Eiji Yoshikawa é a melhor já feita. Já a li e discordo. Seria, se não fosse por este mangá de Takehiko Inoue. Ok, ok, Inoue usa como principal fonte justamente o livro de Yoshikawa, mas convenhamos: o derivado superou a fonte. Se fosse qualquer outro desenhista no mundo, jamais teria feito um trabalho tão perfeito, onde dá pra sentir o cheiro da disciplina e dedicação nipônicas a tudo que esse povo faz. E Inoue é um verdadeiro deus dos quadrinhos, demonstrando uma avalanche de sensibilidade a cada pincelada e parece que a história do maior samurai de todos os tempos estava esperando por ele para ser posta em imagens. E sim, chega a ser melhor do que algumas versões clássicas no cinema, o que não é pouca coisa. Ao ler, você se sente no Japão feudal, como se fosse um nativo e não tivesse outra vida. Você sente a essência do Bushido e do significado de uma coisa singela e magnífica chamada vida. (Conrad, 2001-06).
  • Os Supremos – Reconheço, foi Authority que inaugurou essa maneira de fazer quadrinhos de heróis, mas essa equipe da Image tem uma desvantagem perante os personagens da Marvel: não são icônicos. Ver esse tipo de abordagem com personagens que fizeram a felicidade (e ainda fazem) de diversas gerações de leitores é algo sem descrição. Mark Millar captou perfeitamente o que era cada um e deu um banho de realidade neles de forma que parece que eles vivem no mesmo mundo que nós. É o Watchmen da atual década, mas com uma veia mais pop do que filosófica. É um dos raros casos em que é impossível ter acertado mais visualmente do que aquilo que foi criado, cortesia do único artista que poderia ter participado de um trabalho assim: Bryan Hitch. E o trabalho da dupla fica ainda mais evidente depois do crime cometido pela Marvel do terceiro volume em diante, coisa que estão tentando consertar agora. (Panini, 2002-07)

  • Homem-Aranha Ultimate – Marvel, vamos bater um papo sério? O que diabos é a “Saga do Clone”? O que foi aquela atrocidade de “gêmeos da Gwen”? Que diabos (opa!) é aquela pataquada com o Mefisto? Como é que podem destruir de forma tão bombástica seu maior patrimônio? E sabe o que é pior? Depois de tudo que foi feito com a versão século XXI do personagem, eles continuam a cometer falhas graves com a versão clássica. Homem-Aranha Ultimate é tudo o que o Aranha tradicional deveria ser, calcado na versão de Stan Lee e Steve Ditko. Brian Michael Bendis é o herdeiro legítimo do legado do Sr. Excelsior no personagem, tratando ele como sempre deveria ter sido tratado. É quadrinhos de heróis como quadrinhos de heróis deveriam ser feitos. Sem megasagas, sem spin-offs, sem exageros. Arroz com feijão muito do bem cozinhado. É difícil fazer assim, Marvel? (Panini, 2002-atual).
  • Death Note – Leia a primeira edição e você não largará mais essa história. Leia a primeira edição e você ir reler até conseguir colocar as mãos na segunda. Na terceira. E assim por diante. É porrada psicológica pra perder o fôlego e todas as estribeiras. Tudo bem que o final ficou um tiquinho aquém – final esse imposto pela editora a contragosto do roteirista Tsugumi Ohba – mas é muito melhor do que praticamente quase tudo que apareceu em tudo quanto é lugar. O traço magistral de Takeshi Obata é algo além de qualquer descrição. O conteúdo corre por diversos temas com diversas camadas que pode virar uma discussão filosófica eterna sobre o que é certo e errado, sobre os fins justificarem os meios, sobre a Lei de Talião e sobre qualquer outra coisa que você possa – e provavelmente vai – encontrar nas páginas desse tesouro da nona arte. Se quer saber, caso ainda não tenha lido, pare de acessar a internet e vá buscar Death Note. Você irá me agradecer pro resto da vida. (JBC, 2007-08).

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  1. Dignissima a lista! Gostei principalmente de ter incluido os mangás, tanto Samurai X quando Vagabond são ótimas histórias independente de qualquer desavença entre fãns de comics e mangás. Death Note então eu até comparo aos melhores roteristas das hq's pois alcançou um nível foda. Li todas as outras hq's, menos Justiça inteira so tenho metade dela, e são muito boas! O que mais me surpreendeu foi Y The Last Man, nossa! Não achava que era possível bolar uma ficção científica tão boa na atualidade. A Liga mostra personagens que amamos, All Star um novo folego assim como Ultimate e croosover da LJA X Vingadores é fenomenal! Supremos pra mim também foi o melhor da década, é a unica hq's que insisto em colecionar sem maiores restrições.