Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… – Os Primeiros Dias do Herói Aracnídeo – Coleção Marvel Knights

Colaborador: Cleverson Braga (@cleverson)

“Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.” É difícil encontrar alguém no mundo que tenha lido quadrinhos uma única vez na vida e não conheça essa frase já tão batida, quiçá a mais clichê da arte sequencial. Com ponto de partida calcado nesse pensamento filosófico a Marvel incumbiu David Lapham de contar (de novo) sob outro olhar (de novo) a origem do cabeça de teia.

Lapham já trabalhou em vários títulos da Marvel e da DC Comics, além de selos menores e/ou independentes, e sua publicação de maior “barulho” foi Balas Perdidas (Stray Bullets), série de histórias dramáticas que lhe renderam o prêmio Eisner em 96 e 97, justamente o estilo de narrativa premiado que trouxe para Homem-Aranha: Com grandes poderes…

O roteirista dota de tremenda facilidade em aproveitar diálogos e monólogos, obtendo deles uma intimidade capaz de inserir o leitor na história, dentro da mente do personagem. O uso constante de reflexões sobre as ações e reações do protagonista contribui para acender e manter brilhando a chama da curiosidade e da tensão que acompanha cada troca de página.

Apesar da origem do amigão da vizinhança ter sido contada tantas vezes quanto a do Superman, David Lapham consegue conduzir essa versão de maneira um pouco (só um pouco) menos repetitiva. Ao invés de vermos o pequeno gênio incompreendido que sofre um acidente, perde o tio e segue a vida ajudando o mundo, temos a história do perdedor do colégio que anseia por popularidade para impressionar a garota pela qual está apaixonado.

Aqui, Peter aparece por muito tempo no mundo do Telecatch (programa de luta-livre), evento que sempre foi deixado meio de lado nas histórias antigas do personagem, até mesmo em seu primeiro filme. O domínio de seus poderes também é explorado aos poucos, bem como seus atos como herói. A maioria de suas primeiras ações se desenrola com propósitos desvirtuados ou mesmo como consequências de incidentes. O autor trabalha um jovem Homem-Aranha nada altruísta, somente após essa fase inicial ele passaria a atuar em prol de outras pessoas. Tal personalidade é evidenciada em todas as passagens da revista, seja em cenas com o azucrinado Peter Parker em identidade civil ou sob a indumentária de aracnídeo.

Tio Ben é uma presença constante, apresentado como o pilar da casa dos Parker, sempre em busca de soluções e explicações para qualquer necessidade, provando que o famoso jargão filosófico herdado pelos quadrinhos não poderia ter sido proferido por outra pessoa. Até J. J. Jameson é mostrado sob outra perspectiva, o roteiro justifica muito bem as razões de sua implicância com o recém-surgido super-herói nova iorquino, não se trata de um sentimento gratuito.

Ao lado de Lapham, Tony Harris assumiu o lápis da obra e aproveita o melhor de dois de seus trabalhos anteriores: os traços “old school” simplistas de Starman e o realismo de Ex Machina. Essa combinação acabou por soar como uma grande homenagem a outros artistas que passaram pelas edições do HA na década de 60 e 70, quando os personagens eram mais retos ou redondinhos, sem muitos músculos definidos. Alguns poderão notar também a semelhança do Tio Ben com Stan “The Man” Lee, o criador do super-herói. Entretanto, é notável que seu estilo de arte apresenta variações ao longo dos capítulos, podendo incomodar os mais implicantes/críticos.

Ao passo que o arco surpreende por ter criatividade ao abordar uma origem batida, a trama carece de profundidade. As sequencias de ação são sempre entrecortadas por draminhas corriqueiros de brigas na escola e busca pela namoradinha, o que faz a história sofrer de vários “altos e baixos”. É compreensível a intenção do roteiro, mas muita coisa poderia ser cortada ou trabalhada de outra forma. Apesar de tal ponto negativo, a leitura não fica comprometida.

Homem-Aranha: Com grandes poderes… é uma boa iniciação para leitores que desejam se familiarizar com o personagem, até porque as melhores histórias de seus primeiros dias estão “perdidas” nos saudosos formatinhos da Abril. Também é um bom título para aqueles que querem começar a ler quadrinhos agora, assim como todas as outras quatro edições da Coleção Marvel Knights da Panini.

Uma digna visita e homenagem ao passado do Homem-Aranha, obrigatório na prateleira de seus fãs.

Leia também resenhas de outros títulos da Coleção Marvel Knights:
Namor: As Profundezas

Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… (Capa Dura)

Editora: Panini Comics

Autores: David Lapham (roteiro) e Tony Harris (arte)

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 124

Lançamento: Março de 2010

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Cleverson Braga é designer gráfico por formação, publicitário por ocupação e colecionador por obsessão. Fã de carteirinha da Marvel e de zumbis, além de cinéfilo relapso. Sobrevive em Joinville/SC e é um dos fundadores do blog Baú Pirata e participante de seus podcasts.

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  1. Realmente foi uma bela maneira de recontar a história, dei sorte de pegar na AF, a Comix tava vendendo por R$:10,00.
    Os traços ficaram bem legais, o homem aranha fico feio, como um nerd tende a ser e não todo galã, isso foi importante, além de abordar mais seus dias de lutador e o 4ºfantastico.

  2. Cara, esse foi o meu primeiro gibi q eu começei compra mensalmente, eu gostei muito viu!
    Achei a historia muito boa, e a parte do quartteto fantastico fiko legal!E fora os desenhos, muito bons ehim!!Naum só ele como a coleção inteira eu recomendo ehim!!