Evil Dead (2013) – Crítica

Estreou na última sexta-feira em cinemas de todo país a nova versão de um clássico do terror, Evil Dead. Em tempos de refilmagens descartáveis, o que tranquilizou os fãs foi o envolvimento de Sam Haimmi, diretor do original, na produção. O trailer, bastante sanguinolento, causou expectativa ao alardear que se tratava do “filme mais assustador que você verá na sua vida”.

Bem, o Pipoca foi dar uma conferida no filme, convidado para a pré-estreia pelos colegas do Zumbicast, e apesar de todo o barulho, Evil Dead não é tão assustador assim. Mas também não é nada descartável para os fãs do gênero.

A refilmagem (que na verdade pode até ser considerada como uma continuação, mas falaremos disso depois) contém doses cavalares de gore, ao ponto até da coisa ficar meio over. É um filme aflitivo e claustrofóbico, que tem algumas cenas de tensão, mas que em momento algum causa “medo”, se é que isso é possível chegar a tanto em um filme hoje em dia.

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O longa é dirigido pelo estreante Fede Alvarez, um uruguaio que só havia feito curtas-metragens na sua carreira até então. A intenção de Haimmi é clara – entregar a direção para um cineasta novo, que trouxesse uma visão inovadora e antenada aos tempos atuais, tal qual o fizera o próprio Haimmi no filme original de 1981 que, aliás, já é uma refilmagem de um curta seu chamado Within the Woods, de 1978. Alvarez tem a mão pesada e está disposto a mostrar serviço. Logo de cara, ele cortou todo o humor negro presente nas versões anteriores e que era a marca característica da série. A intenção era deixar o seu filme o mais denso possível, sem distrair o espectador, confinando-o num estado permanente de tensão, mas, o problema foi que, ao fazer isso, Alvarez fez com que o filme se levasse a sério demais. Não há nenhum alívio cômico, nada que crie alguma empatia com os personagens e, por conseguinte, só o que resta é a matança desenfreada. Se não empatizamos, ficamos raivosos por causa das tradicionais escolhas imbecis que os personagens realizam em tela – e isso tira parte da força do filme.

É neste aspecto que o novo Evil Dead perde feio para o original. Apesar de todas as mortes e cenas aflitivas (e elas são muito aflitivas), dos efeitos visuais bem superiores e da atmosfera constante de terror que dura do primeiro ao último minuto, faltou o quesito originalidade. Desde seu primeiro longa, Haimmi mostrava um estilo seu que é inconfundível até hoje – o mesmo não pode ser dito de Alvarez. Dito isso, vamos aos méritos da nova versão.

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Em primeiro lugar, o filme é esperto o bastante para não tentar construir um novo Ash. O carisma de Bruce Campbell não seria facilmente substituído e, logo de cara, ao examinar os expoentes do pequeno elenco, o espectador saca que não teremos um Ash. Mas nem por isso o longa deixa de encontrar uma boa solução para substituir o amalucado herói e, quando engata seu terceiro ato, oferece uma boa reviravolta que é ao mesmo tempo uma homenagem e um ponto de partida novo para a série. Isso é bacana, porque, por este Evil Dead não ser exatamente uma refilmagem, nem uma continuação, mas um amálgama entre ambos, abre-se um leque enorme de possibilidades para os filmes futuros – que provavelmente virão, já que o longa vem fazendo uma boa carreira nos cinemas.

Para os fãs de gore, não há com o que se preocupar: como já foi dito, o filme contém doses cavalares de sangue e gosmeira!!! Cavalares mesmo, com direito a um final absolutamente épico que é o que qualquer fã de sangue falso sempre sonhou em ver no cinema. O meio da produção perde um pouco para o início e o final, e dá alguma canseira ao espectador. Quem sabe uns 15 minutinhos a menos teriam feito bem ao filme, mas nada que comprometa o resultado final.

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O elenco é puxado pela atriz Jane Levy (Mia), que até então carece de qualquer destaque em sua carreira, mas que está muito bem. Seu olhar alucinado quando conversa com o irmão David no quarto (a cena é mostrada no trailer) é de arrepiar. Os demais não fedem, nem cheiram, mas também não comprometem.

Claro que há uma centena de buracos no roteiro, mas quem está preocupado com isso? No final das contas, se você vai assistir a um filme chamado Evil Dead, não é com o tetxo que está preocupado, certo? Eu dou ao filme um sonoro 7, confirmando que dentro do que se propõe a ser e mostrar, o longa cumpre com as expectativas.

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  1. eu estou bem ansioso por esse filme e pretendo vê-lo no cinema,mas eu tenho a leve noção de que não vai ser tão bom quanto o de sam haimmi. Pra mim um grande problema dos filmes de terror hoje em dia é o excesso de cg e a falta da boa e velha maquiagem bem feita,que ao meus olhos trazem algo diferente ao filme.Entre todos estes remakes péssimos que invadem os cinemas tenho esperança que este eu goste

  2. Só uma correção, o nome do diretor original se escreve Raimi.

    Ainda não vi essa nova versão. Alias não pretendo ver tão cedo, tenho um pouco de birra com refilmagens em geral.

  3. Eu sinceramente não gostei muito do filme.

    Realmente considerei esperta a decisão de não construir um novo Ash, mas a verdade é que ele fez muita falta. Não ter o humor característico foi um tiro no pé, deixou o filme meio forçado, ou como você bem disse, o filme se levou a sério demais.

    Defendo a opinião de que apenas os filmes ruins devem ser refilmados pra ser melhorados, não havia a necessidade de mexer com Evil Dead.

  4. O filme parece estranho a primeira vista,com furos no roteiro e decisoes idiotas,porem cabem perfeitamente dentro do contexto,sendo que eles ja estao condenados des do momento em q entram na cabana,e a vontade dos personagens ja nao eh a real,pois eles sofrem uma influencia terrivel da entidade que esta apenas se deleitando com os personagens intao,toda decisao tomada por eles,nada mais eh do que a estencao da vontade da entidade,assim como no original,antes mesmo deles encontrarem o neconomicom,as personagens ja demonstram algum tipo de comportamento diferente

  5. Como todas as refilmagens de filmes de terror, este novo Evil Dead é péssimo. A única diversão é o elenco “Malhação” (= “gente bonita” = gente idiota), que sofre mortes violentas. É muito legal ver este tipo de sub-raça ser destroçada, mutilada, etc. MAS VOLTANDO AO FILME: O original dá de 1000 a 0. Cotação: PÉSSIMO.

  6. “Graduou-se em Letras. É escritor, tradutor, palestrante, aficionado por cinema e quadrinhos e atualmente é editor da DC Comics no Brasil. No passado também trabalhou com música e artes marciais. Autor de vários livros, dentre eles Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos, Branca de Neve, Desvendando nelson Rodrigues e da série Quadrinhos no Cinema, ao lado de Daniel e Bruno”
    Com tudo isso, ainda não sabe que o sobrenome do diretor da franquia original é RAIMI? Ta bom então…

    • Fala, Alexandre!

      Assisti o filme um dia desses e voltei aqui para comentar a sua crítica.

      Para um filme que se vendia como “O filme mais assustador que você verá na sua vida”, ele ficou devendo bastante.

      Contudo para um filme que se chama “Evil Dead”, ele me agradou. Mesmo com os seus vários furos de roteiro e clichês apresentados. Gostei bastante da atuação da atriz Jane Levy no filme.

      Gostei também desse remake ter mudado o estilo do filme, deixando ele mais tenso. Mas o problema ai é básico. Para causar medo, você não pode ficar mostrando a todo momento o demônio em cena. Além disso, o estilo gore, ainda que muito bem feito, também desvia o medo das pessoas.

      Aliás, assim como você disse, também não sei se algum filme pode causar “medo” hoje em dia.

      Ah, teve uma cena que foi muito engraçada no filme, não sei se foi proposital. Aquela cena em que a mulher fica sem os dois braços e depois reclama de uma dor no rosto. =P

      Até.

  7. Boa…
    Gostei da crítica… Alíviou meus pensamentos porque com o grupo de amigos que assisti todos acharam o filme muito bom, e só eu achando que o filme ficou devendo?
    Concorco com crítico que diz que o filme cumpre com o prometeu: Têm muito gore naquilo. Inclusive, muito bem feito.
    Até aqui, o filme chega na média, que é 6. Ótimo! Agora… Conseguir chegar até 10, faltam ainda 4 pontos, e talvez ficaram devendo em certos aspectos.
    Achei um filme pesado… Com imagens e palavras sobrecarregadas, ainda mais para quem é religioso.
    Personagens… Com qual se identificar?
    Enfim… Cumpre com o que promete, mas fica devendo em outros aspectos… Não é o melhor filme de terror, mas explora bem o tema(demônio).

  8. cara…deu medo..mistura de serra elétrica com filme de demonios..

    ha muito tempo nao fehcava os zóios..assistindo algum filme

  9. Com certeza não é um filme de medo. Quando o tinhoso pode ser morto por balaço ou serra elétrica, toda atmosfera de medo fica comprometida. Tais elementos mundanos deveriam ser inúteis a fim de criar um sentimento de impotência, que dá, além de medo, muita agonia.

    Achei-o cru demais também. Não curto muito alívio cômico, mas a ausência dele fica pior, com certeza. No meio o filme ficou maçante, só queria ver todo mundo morto logo para ganhar mais meia hora de sono.

    Achei ruim. Bem fraco.

    Mas a crítica tá legal!

  10. Bom, eu nunca assisti o original, mas a idéia de ser “O filme mais assustador que você vai ver na vida” me atraiu. “A Morte do Demônio” não é de longe isso tudo mas desde que assisti esse filme, ele é o meu preferido. Mistura terror com gore e é super tenso, certo que certa hora do filme fica meio chato, mas no final do filme, me deu aquela sensação de que o filme cumprio, em parte, com sua meta.