Contos de Conan – Parte 4

Fernando Neesser Aragão, editor do site Crônicas da Cimeria, cedeu gentilmente ao PN uma série de quatro contos inéditos de Conan. Os pastiches, todos de alta qualidade, são de sua autoria – e você poderá acompanhá-los semanalmente aqui no Pipoca. Os anteriores você lê aqui, aqui e aqui! Se os leitores aprovarem, traremos mais contos inéditos do cimério e outras criações de Howard. Por ora, esperamos que vocês gostem desta justa homenagem ao bárbaro mais famoso dos quadrinhos.

Além das Colinas

(por Fernando Neeser de Aragão)

Descendentes dos gigantescos macacos brancos das neves – os quais haviam sido expulsos, há muitos milênios para o norte, pelos primeiros hiborianos –, o povo alto e forte de Nordheim (com aparência e cultura humanas, desde há muitos séculos antes de Conan) se divide entre os ruivos de Vanaheim – os vanires – e os loiros de Asgard – os aesires. Todos, contudo, desconhecem sua ancestralidade simiesca – tanto os bárbaros de pele clara das planícies nevadas, quanto o adolescente moreno das colinas escuras que se aproxima daquela tribo de aesires.

A maioria deles usa elmos decorados com chifres. Todos usam coletes de malha metálica sob as roupas de pele. Todos estão armados – a maioria com espadas e arcos, e alguns com lanças e machados. Quase todos usam enormes escudos de madeira. São homens musculosos, de feições duras e barbas douradas.

Aqueles loiros, ao verem um jovem cimério se aproximar com um escudo vanir na mão e uma bolsa de pele na outra, ficam desconfiados, com espadas, machados, flechas e lanças de prontidão. Contudo, eles sabem que os cimérios só usam cotas-de-malha quando as roubam de invasores vindos do norte, como eles – ou ao invadirem o norte, como aqueles taciturnos guerreiros de cabelos negros faziam. E – pelo fato de cobrir braços e pernas, além do tronco – aquela cota-de-malha, usada pelo rapaz moreno, não é aesir nem vanir. Não havia qualquer indício de que o jovem, tão alto quanto eles, fosse espião dos vanires – exceto pelo escudo – ou houvesse roubado algum aesir. Niord, um homem de aproximadamente 40 anos e líder daquela tribo aesir, fica intrigado.

Sem pensar duas vezes, o cimério tira, da bolsa de pele, a ruiva cabeça decepada de um vanir.

– Era um batedor, se esgueirando pela sua tribo, para ver as possibilidades de invadi-la. – diz o jovem moreno – E os companheiros de tribo dele estão a caminho… ouçam!

Sem pensar duas vezes, o rapaz deixa a cabeça cair ao chão nevado, vira as costas para os aesires e desembainha a espada, pronto para a invasão iminente.

Os ruivos de Vanaheim se aproximam como lobos, num bando furioso. Haviam encontrado o corpo decapitado de seu batedor sobre a neve e seguido as pegadas do jovem cimério, de nome Conan. Para um vanir não havia insulto pior do que levarem a cabeça de um dos seus mortos.

Os guerreiros de cabelos dourados, por sua vez, ficam de prontidão, com suas espadas, escudos, machados, lanças e arcos preparados. De escudos prontos, os aesires se defendem da chuva de flechas vanires que se precipita sobre eles. Apenas um loiro morre, enquanto outro é ferido na perna. Mesmo que a flecha o deixasse aleijado, ele continuaria sendo aceito na tribo. Apesar dos aesires e vanires terem o costume – desconhecido e ignorado pelo cimério – de matar qualquer criança de seu povo que nasça defeituosa, eles consideram “superficiais” quaisquer ferimentos que não causem a morte.

No momento seguinte, os aesires devolvem a saraivada de flechas sobre os vanires que avançam temerariamente sobre eles, derrubando a primeira fileira de ruivos e deixando uma quantidade muito maior de baixas entre ruivos que entre loiros. Terminadas as flechas – capazes de voarem mais de 500 metros nas mãos dos arqueiros de Nordheim –, ambos os grupos inimigos largam seus arcos e se lançam ao ataque.

Niord estripa o mais adiantado dos vanires com sua espada, ao mesmo tempo em que racha o crânio de outro com o machado. Um terceiro tenta atingir o líder aesir por trás, mas é morto por uma estocada nas costas, dada pelo recém-chegado cimério.

Com a estupenda força que um bárbaro possui, mesmo na velhice, o esguio Gorm detém o braço de um ruivo com sua mão esquerda e arremete-lhe a espada no peito, fazendo-o cair para trás, com o coração transpassado.

Um dos aesires decepa a cabeça de um vanir, num jato de sangue sobre a neve, e em seguida é morto por outro ruivo, com uma lança no peito. Este, por sua vez, não vive o bastante para se vangloriar, pois é atingido por uma flecha aesir no pescoço.

Agachando-se como uma pantera, uma jovem guerreira aesir, de nome Gullvia, se esquiva do golpe de espada de outro vanir e lhe decepa a perna esquerda na altura do joelho, para, no momento seguinte, abrir a cabeça ruiva de seu inimigo caído, num jato de sangue e miolos sobre o rosto enfurecido da jovem loira.

Outro vanir tenta abrir o torso de um jovem aesir com um giro de sua espada, mas este se esquiva, dando um salto para trás, e o desarma como contragolpe. O ruivo acerta um chute nas gônadas do loiro e, largando a própria arma, começa a estrangular o aesir com uma chave-de-braço por trás. O aesir, desesperado com a asfixia, tateia por sua arma na neve e, ao achá-la, esmaga a testa de seu pretenso assassino ruivo com o cabo da espada, à qual acabara de recuperar.

Com as costas coladas às da bela Gullvia, e quase invulnerável em sua armadura de cota-de-malha, Conan decepa a cabeça de um atacante vanir num giro sangrento, ao mesmo tempo em que a aesir atrás do cimério mata outro ruivo, ao cravar a espada no pescoço do mesmo. Ambos os vanires cambaleiam e caem sobre a neve já tingida de vermelho. Como todos os cimérios, Conan é um lutador mais de ofensiva que de defensiva. Assim, ele se afasta da jovem e corre atrás do agrupamento mais próximo de guerreiros vanires, em meio àquele caos de gritos de morte e triunfo, e do entrechocar de armas metálicas e de escudos de madeira.

Um corpulento vanir investe contra Horsa, fazendo-o recuar aos primeiros golpes de sua espada. Mas, apesar de mais leve, o aesir tem agilidade e resistência superiores, de modo que, alguns minutos depois, o loiro reage contra seu adversário, de tal maneira que somente a habilidade espadachim do ruivo o salva da velocidade cegante de Horsa. Então, o loiro acerta um murro no queixo do vanir, derrubando-o sobre a neve com a barba um pouco mais vermelha. Agarrando uma ensangüentada adaga vanir caída ao chão, ele se esquiva de um mortal giro descendente da espada de Horsa e se ergue de um pulo. Na investida seguinte, o ruivo tem que cruzar a espada e adaga para aparar o giro do loiro; no momento seguinte, o aesir acerta um poderoso chute na parte lateral do joelho do vanir e, em seguida, enquanto o ruivo cai ao chão, atravessa-lhe o pescoço taurino com a espada. O vanir morre, soltando golfadas de sangue pela boca e narinas.

No momento seguinte, outro vanir, com um machado em cada mão, investe contra Conan. Este, usando seu escudo, roubado do vanir que decapitara antes de encontrar os aesires de Niord, apara o primeiro golpe do agigantado ruivo que o ataca, empurrando este com a própria proteção que usara contra o machado do rival. Em seguida, o jovem moreno gira a espada, tentando estripar o vanir, mas este se esquiva e cruza os dois machados, aparando um segundo golpe de Conan, e, descruzando os machados, empurra o jovem cimério à sua frente. Logo, o atacante de barba ruiva erra um golpe com o machado esquerdo e, ao investir com o direito, a lâmina deste fica presa no escudo nórdico de madeira usado por Conan. Este, aproveitando que o ruivo chegou perto demais, enfia a espada na cota-de-malha do vanir, de modo que a ponta desta atravessa peito, costelas e coração do ruivo, até se sobressair pelas costas do musculoso atacante barbado.

Então, todos ouvem um grito:

– Taave está morto!

Logo, Conan e os aesires percebem que o vanir morto pelo cimério era líder do bando, o qual bate em retirada.

* * *

Após a batalha, as demais mulheres da tribo saem ao campo, para arrebentarem os miolos dos inimigos feridos com pedras, ou lhes cortarem as gargantas com facas. Se fosse na Ciméria, Conan pensa, todas as mulheres lutariam como tigresas, como aquela linda jovem espadachim. No entanto, as aesires – bem como suas vizinhas de Vanaheim – só lutam quando acuadas; Gullvia foi a única que participou ativamente da batalha.

De qualquer modo, o adolescente cimério, por ter enfrentado inimigos ainda mais fortes e ágeis que os próprios aquilonianos de Venarium, sente uma onda ainda maior de alegria e triunfo que na sua primeira batalha, ocorrida meses antes. Sem contar que, pelo fato inédito de um homem das colinas cimérias lutar pelos aesires, um cimério é, pela primeira vez, acolhido e bem-vindo entre aquele povo loiro.

Embora as mulheres preferidas dos aesires sejam um pouco mais magras que as cimérias, as loiras de Asgard têm seios generosos, os quais atraem o desejo do adolescente Conan – além disso, suas peles e revoltos cabelos, bem mais claros que os do povo da Ciméria, fazem aquele recém-chegado jovem moreno se lembrar dos gunderlandeses que enfrentara em Venarium. A diferença é que os cabelos dos aesires são de um dourado bem mais intenso que o daquele povo de cabelos claros do norte da Aquilônia – a cabeleira dos bárbaros de Asgard possui um dourado vivo que captura a luz flamejante do sol. Sem contar que seus olhos, tão azuis quanto os do jovem cimério, percebem detalhes microscópicos desconhecidos aos olhos dos civilizados. Apenas Conan tem uma visão ainda melhor que os aesires, vez que, ao contrário dos loiros, que cresceram em planícies nevadas e ensolaradas, o cimério vivia até pouco tempo atrás numa região de florestas escuras e quase sempre nublada.

Após terem cremado os corpos de seus mortos em piras funerárias e curado seus ferimentos, os aesires acenderam duas grandes fogueiras dentro do círculo de cabanas, além de fogueiras menores ao redor da aldeia – estas últimas, para manter as feras à distância.

As cabanas aesires diferem das cimérias por serem feitas com caniços, barro e pele de cavalo – havendo um predomínio maior das tendas de pele de cavalo. Aquele povo loiro ri abertamente, não apenas nas batalhas, mas também nos banquetes ao ar livre, onde gamos inteiros são assados e a cerveja espumante, preparada num enorme caldeirão, é servida em canecas de madeira e chifres ocos de boi. Nestes banquetes noturnos, organizados após as longas batalhas diurnas, aqueles bravos guerreiros do norte gargalham ao som de canções bárbaras a noite toda.

O cimério fica extasiado e contagiado com tanta alegria – quase inexistente entre seu povo, e da qual ouvira o avô falar, quando este lhe contava sobre os povos hiborianos que vivem ao sul da Ciméria. Através dos sorridentes Niord, Horsa e Gorm – este último, um dos homens mais velhos daquela tribo –, o cimério fica sabendo que a concepção de vida pós-morte daqueles homens de barbas loiras é menos sombria que a dos taciturnos moradores das colinas escuras ao sul. Enquanto os conterrâneos de Conan acreditam que o mundo dos mortos é um lugar frio e sem sol, sempre envolto em névoas, onde fantasmas errantes lamentam pela eternidade, os aesires crêem em planícies geladas – não muito diferentes daquelas nas quais eles vivem – e em corredores fechados, os quais compõem um lugar chamado Valhalla, governado por Ymir, o Gigante de Gelo e principal divindade daquele povo loiro, bem como de seus vizinhos de Vanaheim.

Ao ser interrogado sobre o motivo de ter ido se aliar aos aesires, Conan fala em como os relatos de seu avô – aliados à sua primeira batalha e à morte do velho Tassach – o deixaram cada vez mais entediado com o cotidiano de sua terra natal. Embora o falecido Tassach lhe tivesse falado das maravilhas do sul, o cimério preferira se aliar a saqueadores tão fortes a ágeis quanto ele. Tal elogio, aliado ao fato de Conan ter lutado por eles, deixa os aesires lisonjeados e aumenta ainda mais a amizade dos loiros por aquele jovem forasteiro.

Casais de desgrenhados cabelos dourados bebem cerveja e hidromel, gargalham e se beijam, ao som das canções. Os homens cortejam as mulheres ostentando proezas, e com relatos de rapina e matanças. Tais relatos de batalha e massacres atraem até a mais esquiva das mais selvagens belezas de Nordheim. E assim, Conan conta para Gullvia – que é filha caçula do velho Gorm – todos os detalhes do que viu em fez em Venarium, alguns meses antes.

* * *

Embora a pele de Gullvia seja rosada pelo sol de Nordheim, seus firmes seios fartos – assim como seu corpo – são tão alvos quanto a neve que recobre aquelas planícies. Somente os bicos pontiagudos daquele busto são tão rosados quanto a pele do rosto da filha caçula de Gorm. Não muito diferente dos cimérios, o amor das mulheres aesires é como uma chama devoradora que destrói a fraqueza.

Assim, no momento em que Conan despe a parte superior da armadura de cota-de-malha, Gullvia fica seminua e o abraça feroz e apaixonadamente, pressionando-lhe os lábios nos dela, e os grandes e desnudos seios redondos no musculoso peito peludo do jovem cimério. Este, por sua vez, beija a jovem loira na boca, olhos, bochecha, pescoço e seios, fazendo-a gemer e ofegar de prazer e desejo. Logo depois, despidos de suas respectivas tangas e totalmente nus, os dois bárbaros já estão ofegando de prazer, devido à relação carnal que lhes lateja cada vez mais nas genitálias unidas e palpitantes, levando Gullvia a morder e arranhar pescoço e torso de Conan, e desembocando num intenso orgasmo onde o jovem casal atinge o ápice do prazer e desejo, como uma bola de neve que aumenta de tamanho antes do impacto explosivo.

Após breves minutos de descanso, o filho de Criomnthan e a filha de Gorm têm outra não menos prazerosa relação sexual, na qual o cimério massageia o clitóris e morde o busto volumoso e firme de Gullvia, ao mesmo tempo em que esta arranha as fortes costas nuas de Conan, durante aquele segundo orgasmo, no qual a aesir enrosca as pernas no torso nu do cimério. Ela nunca havia sentido tanto prazer assim, apesar de ser sexualmente experiente.

Somente mais tarde, finalmente levados pelo sono, o jovem casal de bárbaros adormece sobre seu estrado de peles, dentro daquela tenda também de peles, com seus corpos aliviados pela doce mistura de cansaço e prazer, decorrente de horas fazendo sexo.

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  1. Fechando com chave de ouro!. Espero que em 2012 novos contos apareçam aqui no pipoca e nanquim!.