Bruce Lee, My Brother – Crítica

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, esta biografia do mais conhecido artista marcial de todos os tempos não é um filme que trata de artes marciais. Na verdade, Bruce Lee, My Brother (2010) é um grande drama, narrado por Robert Lee, irmão mais novo de Bruce, que retoma os principais momentos da vida do Pequeno Dragão, desde seu nascimento até o momento em que ele embarca para os EUA.

Assim, o que temos é uma sucessão de fatos até então desconhecidos (ou muito pouco mencionados) contados por alguém que foi testemunha ocular dos eventos.

O filme é muito bem produzido, com destaque para algumas atuações excelentes (em especial Tony Leung Ka Fai, que interpreta o pai de Bruce), mas infelizmente falta carisma para Aarif Rahman, o protagonista, que além de não se parecer com Bruce fisicamente, também não atua muito bem. Ele até entrega alguns momentos interessantes, como quando Bruce tenta salvar um amigo do submundo das drogas, e chega a imitar certos maneirismos que o Bruce original abusava em seus filmes, porém acaba sendo o ponto mais fraco do longa.

Desde o começo o espectador é avisado por Robert Lee que aquela é a história do homem, não do mito. Como consequência, há muitos momentos piegas, com câmera lenta e música de piano ao fundo. O sentimentalismo não é barato, pois percebe-se que trata-se de uma justa e sincera homenagem de pessoas que conheciam e amavam Bruce; ao mesmo tempo, o espectador (que não tem nada a ver com isso) pode chegar a ficar entediado em algumas cenas. Por outro lado, há passagens assombrosas que irão acertar em cheio os fãs de Bruce.

Por exemplo, quando o Japão ocupa a China durante a Segunda Guerra Mundial, a casa do pai de Bruce é invadida por militares japoneses que querem tratar de negócios. O resultado é uma cena para lá de tensa quando a tia de Bruce resolve atacar um chinês que acompanhava o grupo militar, batendo em seu rosto e chamando-o de traidor. Há também o famoso torneio de boxe que Bruce lutou e venceu, o qual hoje em dia tornou-se lendário. Robert Lee explica que se tratava de um torneio amador e que seu irmão resolveu se inscrever apenas dois meses antes por conta de uma briga que tivera com o atual campeão. Aliás, Robert deixa claro que Bruce foi aprender Wing Chun apenas para lutar melhor no torneio, sem saber que esse seria o fato que mudaria sua vida por completo.

É de conhecimento público que Bruce Lee era brigão e encrenqueiro na China. O filme não se esquiva desse fato, mas ao mesmo tempo, evita dar destaque a ele, preferindo se concentrar nos laços de amizade que Bruce tinha, em como ele desenvolveu seu amor pelo cinema e dança, e em uma paixão adolescente jamais correspondida. Também mostra com muito respeito seus primeiros ensinamentos nas artes marciais com o mestre Yip Man e, por fim, desmistifica os problemas com gangues e com a máfia que fizeram com que seu pai, temendo por sua vida, tomasse a decisão de enviá-lo para os EUA.

Bruce Lee, My Brother não é uma obra prima, mas está longe de ser a bomba tendenciosa que foi Dragão – a História de Bruce Lee (1993), filme norte-americano baseado no livro escrito pela esposa de Bruce, Linda Lee. Irá agradar aos curiosos e fãs do ator, mas como se passa em uma fase anterior da conhecida, carece de lutas e ação – o que pode desagradar parte da audiência.

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  1. Pois é assistí adorei a produçao e o protagonista defechas momentos legais tais o da luta no celeiro contr o boxeador que ele solta um grito super inspirador,mas dexou um sentimento de quero mais pois tinha acabado de assistir “legend of bruce lee, onde tem praticamente toda sua vida mas com uma produçao pobre. bçs.

  2. Assisti o filme em mandarim, e como não conheço a língua muita coisa se perde, entretanto, entendI que era um filme mais sobre sua relação familiar e entre amigos. Realmente te gostei, mas espero que chegue logo dublado ou legendado para poder entender tudo.