As Tiras Clássicas do Pelezinho – Crítica

Nem nos anos 1970 nem hoje havia de se esperar menos da fusão entre o maior futebolista e o maior cartunista de nosso país. Há quase 40 anos, depois de diversas conversas, negociações e planejamentos Pelé e Maurício de Sousa puseram no papel o Pelézinho, personagem fruto da mistura da genialidade de cada um dos dois.

A editora Panini Comics em 2012 resgata nosso craque dos quadrinhos com duas publicações, uma delas em questão nesta resenha: As Tiras Clássicas do Pelezinho vol. 1

Neste primeiro volume temos os primeiros passos, chutes, dribles e gols da versão em quadrinhos do craque nos campos, em várias histórias contadas em apenas três, dois, ou até apenas um quadrinho com quase sempre com piadas referentes à futebol e manias do Pelé original .

São histórias curtas porém geniais e é incrível como um único esporte pode gerar tantas histórias, aqui nossa arte do futebol é traduzida de forma divertida, pura e ainda assim malandra, como o futebol moleque deve ser. Para Pelezinho, a bola não passa de um brinquedo e o futebol antes de um jogo, é uma diversão.

Também vemos a criação de dribles, recursos e catimbas do nosso futebol, por exemplo temos a paradinha, recurso polêmico nos tempos atuais mas há 4 décadas sendo usado pelo próprio Pelé.

Pelezinho já nasceu com a bola no pé, mas apesar do traço e características similares, jamais se encontrou com a Turma da Mônica, Maurício decidiu criar uma turma separada, planejada à partir das recordações da infância de Pelé.

Essa republicação também mostra a diferença nos quadrinhos infantis da época e de hoje: Pelé tem amigos que falam palavrões, em várias tirinhas armas de fogo estão presentes e há até agressões físicas executadas e sofridas pelos personagens, tantas diferenças aos quadrinhos da Mônica de hoje em dia ganham uma explicação de diversas tiras em um glossário ao fim da edição.

Sem dúvida Pelezinho hoje sofreria muito com o politicamente correto e perderia muito de sua qualidade, mas mais curioso é refletir se alguma criança daquela época se tornou boca suja ou violenta graças ao trabalho de Maurícío de Sousa, acredito que não.

Não há como não gostar do Pelezinho. Independente de seu time do coração, Pelezinho é patrimônio nacional, e é uma delícia ler suas tirinhas, não importa a idade de quem as aprecia, esta edição já é um item de coleção, para se ler e guardar para sempre.

Infelizmente a partir de 1986 (salvo duas edições especiais em 1990) Pelezinho nunca mais viu sua bola nem as bancas brasileiras, não se sabe ainda se novas aventuras serão produzidas, mas se forem, certamente não serão como as de antigamente, se na época que Pelé jogava futebol o jogo era de outra forma, os quadrinhos também mudaram muito de uns tempos para cá.

Minha avaliação: 10/10

Deixe uma resposta

  1. As duas edições do Pelezinho são as que eu mais aguardava nesse mês. Ok teve o Sandman 3.

    Guardo com carinho as revistas dos anos 80. Gostava muito. E essa coleção historica da Monica republicando as revistas na integra é fantastica. Pena que a do Pelezinho condensa 3 edições. Preferia se viesse 3 separadas, mas tudo bem.

    E o humor da epoca, livre da besteira do politicamente correto é maravilhoso. Tanto que as edições da Mônica e do Cebolinha dos anos 70 são um arraso. Espero que essa coleção continue. Tem muitas historias para contar.