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Apocalipse Zumbi – Resenha do leitor

Texto enviado por Som Extremo e postado originalmente em seu site.

“Que Deus tenha piedade de meus inimigos, porque eu não terei!”. A frase do general George Patton, citada no livro, traduz toda a desesperança de seu conteúdo. Aliás, já fica o aviso de que essa obra é para quem tem estômago forte, e vai causar todo tipo de sentimento: ódio, revolta, temor, repugnância, pena, compaixão, e por aí vai.

O resumo da ópera é o seguinte: o mundo foi dominado por zumbis (aqui chamados de contaminados) sem explicação aparente. As pessoas simplesmente caíram todas no chão e começaram a se transformar em seres aterrorizantes, e com um detalhe: não se torna mortos-vivos que rastejam ou mancam. Não. Os bichos aqui são altamente fortes, ágeis, velozes e o pior, incansáveis.

Portanto, o foco da história não está em como surgiu a epidemia, mas em como o planeta ficou depois da tragédia – quatro anos depois, para ser mais exato.

As pessoas vivem em comunidades isoladas, entre elas o Ctesifonte, uma espécie de quartel que abriga os sobreviventes humanos. O local, comandado por Manes, vive no fio da navalha, com a convivência entre seus moradores tensa devido a uma ditadura não declarada de seu líder.

Para sobreviverem, enviam para as ruínas da cidade grupos de pessoas, chamadas batedores, para coletarem suprimentos para a comunidade. Um desses grupos sai e não retorna, e aí, Manes convoca alguns voluntários para resgatar os possíveis sobreviventes, dando início à jornada de terror.

O livro começa muito bem com uma introdução impressionante. A narração é de uma perseguição incrível, e conforme você lê, vai ficando sem fôlego ao acompanhar a correria. Sério, a descrição do cansaço físico do personagem faz qualquer um entrar em sua pele e sentir a falta de ar no peito. O mais surpreendente é o final da cena. Muito bom!

E já no primeiro capítulo, você percebe a preocupação do autor em se aprofundar no caráter dos personagens, como no caso de Lisa, a esposa do ditador Manes. Ele desenvolve essa estratégia para todos os personagens, explanando sobre como eram suas vidas antes da catástrofe,o que facilita conhecer suas reações ao longo da história.

A obra é pura ação! E é esse o caminho escolhido pelo autor por praticamente toda a obra, impressionante. Você acompanha os personagens, e sente calafrios, torcendo para que as situações não piorem. Só que elas pioram. E como pioram. Como podem sair tantas ideias sanguinolentas de um autor que já lançou livros ligados a psicologia educação? Imagine o que se passava na cabeça de Alexandre Callari ao conseguir passar para o papel tanta criatividade! Não foram poucas as vezes em que me peguei de olhos arregalados lendo a aventura. E pensar que toda a coisa acontece em um período de apenas um dia!

Se Apocalipse Zumbi fosse um filme (e tomara que se torne mesmo), sabem que ritmo de ação ele teria? Mais do que o de Adrenalina (Crank), protagonizado pelo excelente canastrão Jason Statham. Aliás, fica essa dica de filmaço.

Em sua primeira sequência de carnificina, ocorrida em um metrô, Callari conseguiu uma proeza e tanto ao detalhar cenas realmente chocantes. A sensação do policial ao ver a mãe segurando seu bebê é indescritível, só lendo mesmo. Uma coisa: você realmente prende a respiração nesse momento. Violento demais!

Outra cena marcante: a batalha dos batedores em cima do prédio é memorável, escrita de uma maneira tão rica que você visualiza todos os detalhes da luta. É tão intenso que daria um grande jogo de videogame.

E o que é aquela chuva de corpos no elevador? Sério, conforme fui lendo, tive até mal estar, e putz, que agonia. O escritor teve o sarcasmo de descrever a cena com detalhes mórbidos, uma pena não poder me estender para não estragar a surpresa. Pô, Callari, dá um descanso pra gente e pros personagens!

Outro negócio interessante do livro é que ele não se resume apenas a textos. Ao longo da história, várias ilustrações preenchem as páginas da obra, uma atitude ousada e bacana. Bom, já que falei em ilustrações, não poderia deixar de falar da capa do livro. Que obra-prima!!! Apesar de ter ficado escura (ao menos nessa versão que tenho comigo, doada PELO PRÓPRIO AUTOR!), você ainda percebe detalhes, como os poros na pele do contaminado. Linda de morrer (morrer – zumbis – mortos-vivos… pegaram a piada, pegaram?)

Há poucos dias, tive a oportunidade de encontrar Callari quando faltavam cerca de 90 páginas para finalizar o livro, e contei que fiquei muito revoltado com o que acontece com Liza (a esposa de Manes, para relembrar). Sabem o que ele me respondeu? “É porque você ainda não leu até o final, cara”. E ele tinha razão, para meu inconformismo.

Ninguém é santo, pelo contrário, cada um carrega um demônio dentro de si. Não é uma história de mocinho e bandido, nenhum personagem sai incólume de Apocalipse Zumbi. E nem o leitor. Pois é, Callari faz questão de nos provocar com sua narração maldita. Além de tudo isso, o livro tem diversas particularidades. Não, não se trata de um simples livro de zumbis. Existem nomes exóticos de personagens (pesquise para conhecer as referências), várias críticas sociais e diferentes linhas filosóficas trabalhadas, tudo camuflado em “camadas”, como afirmou Callari diversas vezes. Cabe a quem lê sacar tudo isso.

Depois de tudo isso, é preciso reavivar a memória de todos e falar das outras peripécias de Apocalipse Zumbi. O livro, o primeiro do Brasil com o tema “zumbis”, segundo Callari, vem acompanhado de um CD com músicas heavy metal compostas pelo próprio escritor, que contratou a banda Dream Vision para gravá-la em estúdio. Além disso, para divulgar o lançamento, foi produzido um teaser/trailer (sim, um vídeo!) com cenas narradas no livro, e que podem ser conferidas aqui.

E para não passar despercebido, falemos um pouco da música, objetivo principal deste blog. O CD é um show! Tudo bem, o estilo de música – heavy metal tradicional – que a banda gravou foge um pouco da proposta do Som Extremo, mas como é um bônus que acompanha a obra literária, é justo analisar o conteúdo do pacote. Vou dizer que esse pessoal domina seus instrumentos. São incríveis! O trabalho de gravação e mixagem também é nota 10, sério mesmo. São 7 músicas que variam entre mais e menos agressivas, com destaques para as faixas de abertura – “Dujas” – que mostra como um heavy tradicional deve soar, e “Terror Blues”, cujo título já entrega o gênero da composição. Mas essa tem toques bem modernos e pesados.

Não é exagero afirmar que com Apocalipse Zumbi nasce o novo gênio nacional do horror – Alexandre Callari. Guardem esse nome. A obra está programada para ser uma trilogia. Uma trilogia de desesperança, porque o final do livro é só o começo…

NOTA 9,5

Compre o livro aqui.

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  1. EsleyEsley09-05-2011

    Caramba ai sim hein xD.
    Logo mais eu to comprando o Apocalipse Zumbi…

  2. Ainda não comprei o livro, mas diante dessa resenha fiquei com uma dúvida. Como pode ainda existir humanos, depois de passar 4 anos da epidemia, se os infectados são seres altamente “fortes, ágeis, velozes e o pior, incansáveis”?

    • Alexandre CallariAlexandre Callari09-05-2011

      Luis, olha só, sem estragar as surpresas, na verdade os contaminados do livro são apenas pessoas normais. O princípio que eu parto é outro, como eles são destituídos de qualquer trava mental/moral que nós temos por sermos seres sociais, os contaminados são muito mais brutais e selvagens – daí seu perigo. mas eles não são super-nada. se a pessoa era gorda e sedentária quando humana, o mesmo ocorre quando ela é contaminada. mas há algumas outras surpresas por trás da história, como a resenha bem colocou. Mas na verdade, pensando bem, mesmo se os contaminados fossem super-, eles careceriam ainda de algo que os humanos têm: raciocínio.

  3. snikt!!!snikt!!!09-06-2011

    Excelente resenha to louco pra ler o meu.

  4. Sérgio CazuSérgio Cazu09-07-2011

    Oi.

    Eu não esperava muita coisa quando tive o meu primeiro contato visual com o livro, devo ter sido preconceituoso devido a minha falta de estima patriota. Depois de ler essa crítica bem construída e assistir ao vídeo produzido percebi que estava completamente enganado. Fui pego de surpresa, pois parece ser uma história alucinante. O tipo de literatura nacional que vale a pena conhecer. Em uma época onde quase todos se denominam escritores, porém poucos são, raros os conseguem produzir algo que, realmente, vale a pena algum dinheiro e um bom tempo dedicado a leitura. Aparentemente é o caso desse livro do Alexandre que parece valer muito cada centavo e tempo lendo. Uma produção nacional que vale a pena ser conferida, o que me deixa bastante orgulhoso e ao mesmo tempo honrado por ter a oportunidade de ler na minha língua nativa sem esperar por traduções – já que meu inglês é intermediário – ou publicações atrasadas de editoras.
    O vídeo merece destaque, nos primeiros segundos achei que fosse apenas algumas fotos ao som de uma boa música erudita, mais um engano da minha parte. O vídeo tem até a participação da equipe do Pipoca & Nanquim. Ênfase no Alexandre no papel de Manes – esse nome me é familiar, mas não lembro de onde – que consegue em poucas cenas de atuação passar uma postura firme e ao mesmo tempo insegura, aquela disposta a fazer tudo para sobreviver, que conhecemos bem na pele do Rick Grimes de The Walking Dead. Sobre o Zago, aquele era o Zago mesmo ou era o Felipe Neto? A semelhança nunca foi tão grande. E a cara impagável que o Daniel Lopes faz de: “Hummm,  o que faço agora”. São poucos as produções literárias que vem acompanhadas de videos – eu não lembro de nenhuma – e principalmente CD com um bom som, é um pacote incrível, que para mim é algo inovador, merece destaque.
    Trilogia? Ótimo, será uma série gostosa de se ler. Filme? Levando em conta algumas cenas descritas na crítica e a trama seria um filme muitíssimo interessante, ainda mais se fosse de produção nacional, uma chance de superar os filmes estrangeiros em roteiro, produção e direção. Se você tiver isso em mente Alexandre, por favor, não desista e traga muito orgulho para o nós.
    Sobre ser o primeiro livro brasileiro de zumbis, vou ter que discordar. Eu acredito que seja o primeiro bom a ser lançado, por que houve outros títulos, porém em formato e-book. Não era um livrinho vagabundo, era bem trabalho até. Eu não me recordava o nome do livro, muito menos o autor, sei apenas que encontrei no Blog Vertigem tempos atrás, fui lá pegar o link para o comentário não ficar vago ou duvidoso.
    http://vertigemhq.blogspot.com/2011/02/e-book-nacional-frequencia-2.html
    Se eu estiver enganado, peço desculpas pelo transtorno. No mais parabéns ao Alexandre, que depois de sua invejável estante, que me deixou com olhos brilhando, e agora com muito orgulho pelo seu lançamento, que eu não vou perder, é claro. E espero que os outros também não.

    Obrigado por compartilhar, um ótimo feriado para vocês. Aquele abraço!

    Sérgio Cazu

    • Alexandre CallariAlexandre Callari09-07-2011

      Olá Sergio,
      Nossa, obrigado pela confiança e por todas essas palavras gentis. O sonho de transformar Apocalipse Zumbi em filme persiste – e seria a coroação final de um esforço sobre-humano. Quando as pessoas vêem o produto final chegar às livrarias, elas têm contato apenas com o resultado final de um processo – e desconhecem todo o trabalho que ele requeriu (coisa que você parece entender muito bem).
      É como ver alguém se formando na Faculdade, aquela festa com todos os momentos felizes não refletem os 4 anos de trabalho duro para chegar até ali. Novamente, obrigado.

      Quanto ao livro que você citou, vou pesquisar. Jamais quis correr na frente de ninguém, apenas pesquisei bastante e não havia encontrado nada. A conclusão que cheguei é que se existia algum trabalho anterior ao meu, ele era obscuro demais. Quando o Gonçalo Junior, autor do prefácio, e verdadeira autoridade me disse que durante suas pesquisas para escrever a Encicopédia dos Monstros ele também não encontrou nada, julguei que o meu deveria ser mesmo o primeiro.

      Felizmente esse livro é um e-book e não estou sendo tão injusto.

      No mais, grande abraço e espero que curta a leitura.

  5. Sérgio CazuSérgio Cazu09-07-2011

    Oi.

    Eu não esperava muita coisa quando tive o meu primeiro contato visual com o livro, devo ter sido preconceituoso devido a minha falta de estima patriota. Depois de ler essa crítica bem construída e assistir ao vídeo produzido percebi que estava completamente enganado. Fui pego de surpresa, pois parece ser uma história alucinante. O tipo de literatura nacional que vale a pena conhecer. Em uma época onde quase todos se denominam escritores, porém poucos são, raros os conseguem produzir algo que, realmente, vale a pena algum dinheiro e um bom tempo dedicado a leitura. Aparentemente é o caso desse livro do Alexandre que parece valer muito cada centavo e tempo lendo. Uma produção nacional que vale a pena ser conferida, o que me deixa bastante orgulhoso e ao mesmo tempo honrado por ter a oportunidade de ler na minha língua nativa sem esperar por traduções – já que meu inglês é intermediário – ou publicações atrasadas de editoras.
    O vídeo merece destaque, nos primeiros segundos achei que fosse apenas algumas fotos ao som de uma boa música erudita, mais um engano da minha parte. O vídeo tem até a participação da equipe do Pipoca & Nanquim. Ênfase no Alexandre no papel de Manes – esse nome me é familiar, mas não lembro de onde – que consegue em poucas cenas de atuação passar uma postura firme e ao mesmo tempo insegura, aquela disposta a fazer tudo para sobreviver, que conhecemos bem na pele do Rick Grimes de The Walking Dead. Sobre o Zago, aquele era o Zago mesmo ou era o Felipe Neto? A semelhança nunca foi tão grande. E a cara impagável que o Daniel Lopes faz de: “Hummm,  o que faço agora”. São poucos as produções literárias que vem acompanhadas de videos – eu não lembro de nenhuma – e principalmente CD com um bom som, é um pacote incrível, que para mim é algo inovador, merece destaque.
    Trilogia? Ótimo, será uma série gostosa de se ler. Filme? Levando em conta algumas cenas descritas na crítica e a trama seria um filme muitíssimo interessante, ainda mais se fosse de produção nacional, uma chance de superar os filmes estrangeiros em roteiro, produção e direção. Se você tiver isso em mente Alexandre, por favor, não desista e traga muito orgulho para o nós.
    Sobre ser o primeiro livro brasileiro de zumbis, vou ter que discordar. Eu acredito que seja o primeiro bom a ser lançado, por que houve outros títulos, porém em formato e-book. Não era um livrinho vagabundo, era bem trabalho até. Eu não me recordava o nome do livro, muito menos o autor, sei apenas que encontrei no Blog Vertigem tempos atrás, fui lá pegar o link para o comentário não ficar vago ou duvidoso.
    http://vertigemhq.blogspot.com/2011/02/e-book-nacional-frequencia-2.html
    Se eu estiver enganado, peço desculpas pelo transtorno. No mais parabéns ao Alexandre, que depois de sua invejável estante, que me deixou com olhos brilhando, e agora com muito orgulho pelo seu lançamento, que eu não vou perder, é claro. E espero que os outros também não.

    Obrigado por compartilhar, um ótimo feriado para vocês. Aquele abraço!

    Sérgio Cazu

  6. ulisses howlettulisses howlett11-08-2011

    Fala ai Alexandre, beleza.
    Cara comecei a ler na segunda feira passada dia 31 e terminei ontem. Não consegui mais parar de ler, sem puxar o saco mas foi uma das melhores hitórias que já li, você começa a ler e não consegue parar mais pois a história é totalmente eletrizante, empolgante, repugnante, nojenta, revoltante, violente, sangrenta - resumindo, tudo aquilo que gostamos de ler.
    A cada capítulo que você lê se empolga mais, pois vários elementos do cinema zumbi estão lá bem como homenagens a Robert E. Howard (Criador de Conan), gladiadores, vikings e muitos outras referencias a cultura pop em geral (alias o Alexandre é um referencia pop ambulante).
    No mais, fico no aguardo do volume dois e que ele seja tão emocionante quando o primeiro.
    Parabens Calari, sucesso e que você continue com essa mente sadica para que tenhamos não somente o vol. 2 mas sim um 3, 4, e assim vai.
    E que Dujas (ou seria Judas) queime no marmore fumegante de Mefisto.

     

  7. Gabrihell138Gabrihell13812-05-2011

    É bacana,mas logo de cara se ve quem é o traidor e como as pessoas o seguem sem ao menos contestar dão um ar muito obvio!mas não são zumbis são?enfim ancioso pelo segundo!

  8. castellcastell03-02-2012

    gente, o negócio ta ficando sério, agora estão ensinando como sobreviver a zumbis na Universidade…

    http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,curso-sobre-zumbis-ensina-como-agir-em-tragedias,842776,0.htm

    já estou garantindo a minha edição do livro do callari urgente!!