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Resenha: Homem de Ferro Noir

Quem acompanha mês a mês as edições de quadrinhos mensais de super-heróis, de fato, já não aguenta mais revisar a origem dos mesmos, é cansativo quase todos os anos alguma edição contar desde o início as aventuras de determinado personagem, mas aos iniciantes nesse mundo, e que não têm o mesmo hábito, conhecer o passado é importante.

Nesse meio termo, a Marvel lançou o selo Noir, com minisséries protagonizadas por alguns heróis de sua biblioteca em aventuras fechadas e com uma nova interpretação, sendo recriados em uma época diferente ao tempo original dos mesmos.

Essa linha de quadrinhos quase steampunk da Marvel consegue reunir os dois nichos citados no início: Atrai os leitores que não acompanham HQ com frequência, pois não exige vasto conhecimento do universo Marvel e também atrai os leitores mais maduros, que verão seus já conhecidos heróis apresentados de uma nova forma.

Assim, a linha Noir parece ter agradado também os leitores brasileiros, que já podem conferir o quarto encadernado lançado por aqui, desta vez estrelando o Homem de Ferro, com roteiros de Scott Snyder e desenhos de Manuel Garcia.

Snyder sabe muito bem fazer histórias fechadas e sem firulas, e apresenta um Tony Stark com fortes influências de Indiana Jones e Nathan Drake: Tony é um aventureiro, com problemas cardíacos e vivendo no conturbado período da 2a guerra mundial, parte em busca do Orichalcum, o ‘metal dos Deuses’, suposta fonte de energia no lendário reino de Atlântida. A misteriosa tecnologia também desperta interesse de Barão Zemo e sua corja nazista, antagonistas da trama.

A diferença entre os outros personagens (e semelhança com o Tony Stark original) é que Tony nesta aventura também é um genial e milionário engenheiro, que tem em seu poder a tecnologia herdada por seu pai para a construção de uma poderosa armadura, avançadíssima para sua época. É curioso que, sendo Tony bilionário nos anos 30, onde era possível tomar um copo de Coca-Cola com 5 centavos de dólar, ele seria muito mais rico e poderoso que nos tempos atuais, pois com os ajustes da inflação com o passar dos anos, nos tempos atuais o dinheiro vale bem menos.

Tony, que tem posteriormente suas aventuras relatadas em contos publicados na revista que possui o curioso nome de Marvels, inicia então mais uma expedição, dessa vez ao lado de seus tradicionais escudeiros Jarvis, Jim Rhodes e Pepper Potts. Além da companhia de Namor em uma versão Corto Maltesiana, operando como comandante de barcos e submarinos.

Mas, infelizmente, esta aventura de Tony não é grande coisa. Apesar do enredo interessante, os desenhos são de qualidade muito inferior, Manuel Garcia combinado com a arte-final de Lorenzo Ruggiero parecem artistas presos nos anos 90. Talvez seja questão de gosto, mas os desenhos me incomodam, não me deixam apreciar a história mais do que gostaria.

*SPOILER (Selecione o texto com o cursor do mouse para ler)

Scott também mostra uma “futura redundância” em seu roteiro: Em uma cena de fuga já ao fim da história, temos Tony e seus amigos em uma “moto” fugindo de um castelo nazista, cena idêntica ao fim da boa história Vampiro Americano: Seleção Natural, publicado no Brasil também pela Panini, em abril de 2012. Apesar da história do selo vertigo ter seu lançamento no Brasil anterior à história analisada neste review, o spin-off de Vampiro Americano foi lançado nos EUA depois de Homem de Ferro Noir, mas é estranho (ou falta de criatividade) em apenas um ano de diferença entre as duas publicações Scott usar exatamente o mesmo artifício em sua narrativa, além de ambas terem nazistas como vilões.

Tecnicamente a edição segue os mesmos padrões das outras publicações do selo Noir: Capa dura, papel couché e preço interessante: R$21,90. Além da história completa, a edição tem como complemento as capas originais, roteiro da primeira parte da aventura e um prefácio não creditado.

Apesar de dispensável, é uma boa leitura a quem já acompanha o universo Noir e quer ter sua coleção completa. Já com seu quarto volume lançado no Brasil, fica a torcida para que os 6 volumes restantes também sejam lançados por aqui, e tomara que as histórias sejam superiores a esta.

Nota: 5/10.

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Sobre o autor

MawaMawa é na verdade Marcos Santana, um cara indeciso que não conseguiu escolher apenas um hobby para seguir. Por isso, acompanha tudo que pode sobre quadrinhos, cinema, séries, música, games, esportes e, sempre que pode, escreve textos sobre os assuntos que mais gosta.Ver todas as publicações de Mawa →

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  1. Júlio CésarJúlio César07-17-2012

    Não comprei essa edição ainda. Pelo visto vou pegar mais para frente, priorizando o Volume 1 de Sandman que vai sair logo logo.

  2. Dr. ManhattanDr. Manhattan07-17-2012

    Tive a mesma impressão que o camarada Mawa… a arte não caiu muito bem e o roteiro não foi aqueeeeela coisa sensacional, ainda assim, o Snyder conseguiu me surpreender… algumas pequenas referências a elementos do universo “tradicional” colocadas na trama foram bem bacanas.

  3. Bob NerdBob Nerd07-18-2012

    Essa parece ser a mais fraca das publicações do selo Noir aqui no Brasil. Tenho a do Homem Aranha (que ainda não li) e achei a premissa dos X-Men Noir muito interessante.

  4. Luiz PLuiz P07-22-2012

    A premissa é bastante interessante, mas ainda sou meio pé atrás com essa linha Noir.
    Comprei a edição dos X-Men e achei mediana.
    Talvez, o grande problema sejam os artistas inexpressivos. Manuel Garcia é, no máximo mediano, mas sua arte em nada remete ao estilo noir. Esse tipo de série funcionaria bem com arte de caras como Alex Maleev ou Michael Gaydos.
    Este selo me lembra o extinto mangáverso, com estilização genéricas e distante da proposta original.