Powers – Se não leu, leia!
Powers, escrita por Brian Michael Bendis e ilustrada por Michael Avon Oeming, é do tipo de HQ em que os prós superam os contras. Mas eles existem, inclusive, onde não aparentavam estar.
A trama narra o dia-a-dia de investigações dos detetives Christian Walker e Deena Pilgrim em uma cidade recheada de fantasias e crimes especiais. A dupla recém-formada é designada para casos complicados, geralmente envolvendo super-humanos – os Powers do título.
“Liguei pro Brian [Bendis] e disse algo como ‘quero fazer uma HQ policial, e quero usar esse estilo meio animação, tipo Bruce Timm/Alex Toth’.” – Michael Avon Oeming
O roteiro de Bendis, à primeira vista “excessivo” e visualmente “confuso”, se revela certeiro, e, além disso, cravejado por inúmeras referências da Cultura Pop em geral – principalmente do universo das Comics – criando assim, uma imediata simpatia pela obra. A aparente “má distribuição do texto” pelas páginas é na verdade um “mapa”, que guia nossa leitura – às vezes de maneira pouco convencional, com certo experimentalismo em sua diagramação visual – através da arte de Oeming, de estilo caricatural e traços simples, porém altamente expressiva nos detalhes.
Ágeis e repletos de pistas, os diálogos são excelentes. Salientando as diferenças na personalidade de ambas as figuras principais, acabam gerando um irresistível interesse por tudo o que envolve o experiente policial e sua “ardida” e perspicaz parceira, além de injetar boas doses de drama e humor à narrativa.
“Como é que você não ia me querer por perto? Eu sou totalmente demais. Uso essas roupinhas apertadas o dia todo. Isso deve ajudar, não?” – Deena Pilgrim
Todo esse conjunto de elementos positivos oferecido pelos autores, alimentam uma enorme expectativa, o que acaba por “causar” a primeira observação “negativa”.
Quando eu estava totalmente imerso, seduzido pela leitura, ela chegou ao fim, com resoluções ligeiramente abruptas. Não que seja algo que a estrague por completo, pois existe uma “mensagem” maior permeando os “crimes”, mas deixou um gosto amargo na boca, como se faltasse certo aprofundamento na trama.
Outro ponto negativo está na bela edição brasileira lançada em 2011 pela Panini. O livro, que compila as onze primeiras edições do título e material extra, possui defeitos em sua encadernação. Páginas duplas, que deveriam ser dispostas lado a lado, estão encartadas de maneira incorreta, gerando uma confusão na hora da leitura.
“Qualquer babaca consegue segurar a barra num dia tranquilo. Mas num dia de merda? É aí que você mostra pra todo mundo quem realmente é.” – Christian Walker
Tirando esses “probleminhas”, Powers (vencedora do Eisner Awards em 2001) cumpre o seu papel sendo atraente e agradável, faltando pouco para ser uma obra realmente poderosa.
Vou esperar pelos próximos capítulos.
[adendo] Tempos atrás foi anunciada uma adaptação televisiva para Powers, que contaria com Jason Patric (The Losers) e Lucy Punch (Bad Teacher) nos papéis principais. Porém, a produção foi paralisada por tempo indeterminado. Alguns fãs, no entanto, decidiram não esperar para ver como seria a sua HQ favorita nas telas, arregaçaram as mangas e o resultado foi um curta, que você pode conferir no link abaixo:
» Powers: Who Killer Retro Girl Fan Film










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Eu tenho e indico esse encadernado! É lindo, os dois arcos são foda e além de tudo, ainda tem uma sessão de e-mail’s de rolar de rir, além de artes conceituais e tudo mais. No tempo que comprei não tava por menos de cem, mas hoje eu não sei. Mas é um noir de super-heróis – por mais estranho que isso possa parecer – supimpa mesmo. Boa dica galera.