Entrevista com Marco Oliveira, Autor das Tiras Overdose Homeopática

Olá, pessoal!

Dessa vez o Pipoca e Nanquim bateu um papo com Marco Oliveira, autor do blog Overdose Homeopática.
Estranhou o nome? De começo, eu também, mas ele cai como uma luva para descrever as tiras ali publicadas, elas são pequenas, com cores estranhas e quando se experimenta pela primeira vez não tem mais volta, você irá procurá-las pelo menos três vezes por semana. Algumas dessas “pílulas” são mais fortes, outras mais suaves, os efeitos variam de pessoa para pessoa, mas cá entre nós, é sempre muito bom. Espero que a overdose demore pelo menos uns cinquenta anos para acontecer definitivamente.

Olá, Marco! Para começar, gostaria que se apresentasse aos leitores do Pipoca e Nanquim.

Fala aí, galera, sou Marco Oliveira, 28 anos, autor das tiras do blog Overdose Homeopática. Tarado em leitura. Mantenho relações sexuais com vários livros.

Como começou sua carreira como desenhista?

Comecei a desenhar muito cedo. No jardim de infância meus desenhos já ficavam mais bacanas que os das professoras, que tentavam ensinar aos alunos aqueles homens-palito horrendos, feitos com lápis-de-cor mal apontados. Elas desenhavam muito mal e a atenção acabava caindo sobre os meus. Assim foi até a adolescência, quando comprei um violão e deixe os desenhos totalmente de lado por mais de 10 anos. Retomei há uns dois anos, com enorme disposição pra criar minhas próprias tiras, mas com a mesma dificuldade que tinham as professoras lá da infância. Não foi como voltar a andar de bicicleta, eu não sabia desenhar mais nada, pés, mãos, poses. Tive que me empenhar bastante pra reaprender tudo em dois anos.

Então, eu digo que minha carreira como desenhista começou exatamente agora.

Quais são suas maiores influências no âmbito ilustração?

Tudo aquilo que leio e gosto me influencia, mesmo que não seja essa a intenção. Todo traço, cor ou tipo de narrativa que me agrada, automaticamente vai para o acervo de influências e formação. Então, alguns autores do que já li, leio e aprecio: Crumb, Moebius, Peter Kuper, Laerte, Angeli, Mauricio de Sousa, Fernando Gonsales, Adão, Daniel Lafayette, Manara, Jean Galvão, Dahmer, Galvão Bertazzi e mais uma pancada de nego bom que tem na praça.

Quando surgiu o Overdose Homeopática e como ele tem te ajudado na divulgação do seu trabalho?

Passei a infância e adolescência revirando os jornais que encontrava, atrás da página das tiras. Eu as saboreava a pensava em quão fodão era fazer aquilo, desenhar tiras. E o blog é o resumo disso. Todas as tiras ali foram feitas com o mesmo tesão que eu tinha quando lia as tiras nos jornais.

O blog é uma vitrine que funciona. Se vou ou não ter retorno, depende exclusivamente da qualidade do material que vou expôr, e é onde mais me dedico. O Overdose Homeopática é o meu cartão de visitas, mesmo que eu não saia distribuindo por aí, ele está lá para quem interessar.

Quanto tempo por dia você dedica ao blog e as mídias sociais?

Vamos lá. Uma tira, do esboço à postagem, pode levar de 1 à 3 horas de trabalho. Ultimamente sempre tem um ou outro desenho pra fazer por fora do blog, uma hq, trabalhos pra salões de humor, então posso dizer que me dedico aos desenhos umas 4 horas diárias.

Quanto às mídias sociais, só Twitter (@marc_liveira) e já está ótimo.

Depois de dois anos publicando suas tiras você já possui um número legal de visitantes diários? Esse público participa dando um feedback positivo?

Acabei abandonando o contador de visitas, mas da última vez que vi, estava na faixa de 600 a 1000 visitas diárias e grande parte de leitores assíduos, e ainda deve estar nessa faixa, um excelente número, penso eu. Apesar do fato de eu interagir com o público quase que somente pelas tiras, o feedback é muito bom.

Diariamente nascem centenas de blogs de tirinhas. Qual você acha que é o motivo de fracasso da maioria deles?

É que faltam alguns temperos, como interesse, empenho, tesão, vocação… Galera resolve fazer tiras, cria o blog e já quer brilhar nas passarelas, quer milhões de comentários e ser reconhecido na internet, enquanto isso, o que interessa de fato, que é a qualidade do material, fica de lado. Passam o dia divulgando seus quadrinhos em zilhões de sites e mídias sociais e se esquecem de que, antes, é preciso deixar um trabalho bacana pro pessoal que vai chegar com a divulgação.

É isso. O pessoal confunde o alvo.

E as inspirações para criar suas tiras, surgem do acaso ou as vezes precisa parar e ficar matutando até surgir alguma idéia?

Nada. As idéias surgem o tempo todo, matuto mais é na hora de resolvê-las bem graficamente, o número de quadros, tipo de arte, balões. Um tempo atrás as idéias não vinham com freqüência, mas parece que criei um mecanismo de captação de possíveis tiras, qualquer sacanagem que ouço já jogo pro banco de dados “isso dá uma bela e escrota tira!”. Procuro manter uma média de 3 tiras semanais, mas se fosse preciso criar tiras diárias, com certeza o “captador” funcionaria direitinho.

Qual foi a tira mais polêmica que já publicou?

Pode soar estranho, mas não considero minhas tiras polêmicas, nem um pouco, talvez sejam inadequadas para públicos mais frágeis, donzelas em perigo ou mocinhos desavisados, mas não são polêmicas.  O teor é adulto, mas nada gratuito. Indicaria para padres, na boa. Toda putaria ou pornografia que há por ali, está desempenhando um papel. Se a cena for de sexo, e a boa representação exigir que seja uma trepada explícita, assim vou fazê-la, e sem pudor nenhum. Também não vou fazer desenho pornográfico onde não há necessidade, pra não desviar o foco da idéia.

A polêmica é bom carro-chefe, mas não me leva pra zona certa.

Você têm algum trabalho impresso no âmbito dos quadrinhos?

Sou colaborador da mídia impressa infantil Cri-cri daqui de São Carlos, elaborada pelo meu grande amigo Iéio, onde contribuo com uma tira para a garotada. E acredite, sinto uma grande dificuldade mas consigo fazer tirinhas para a molecada.

O que está por vir, respondo na próxima pergunta.

Pode adiantar pra gente alguns planos prestes a serem realizados? Não rola uma antologia impressa do Overdose Homeopática? Seria sensacional!

Vou esperar amadurecer mais um pouco, mas é certo que vou lançar minhas tiras num álbum impresso. Estive pensando, pro agora, numa revista pequena, tipo fanzine, pouca tiragem, para os leitores do blog, sem fins lucrativos. Notícias em breve.

Participo do Calendário Pindura ano que vem, com 2 ilustrações.

Sem previsões de lançamento: colaborei numa graphic novel d’Os Sátyros e também da Jam da HQMix “O crime do Teishouko Preto”.

Planejo, junto com o roteirista Marcelo Saravá, lançar um material independente. Além de projeto que minha mãe mandou dizer que é segredo.

Marco, obrigado pela entrevista! Agora deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e ilustradores do mundo a fora.

Um grande beijo pros leitores e telespectadores do Pipoca e Nanquim, beijos pro Alexandre Callari, Bruno Zago, Daniel Lopes e um especial para a Xuxa.

Não usem filtro solar.

Muitíssimo obrigado.

N.E: Se você não se enquadra no chamado “público mais frágil” , já deveria ter ido visitar o Overdose Homeopática!! Com o perdão da palavra, é FODA!

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  1. Grande Marcão! Artista de verdade! Ele tem um defeito grave: não conhecer Star Wars! Ah, isso é imperdoável!rs… Mas é um cara bacana e as tiras são ótimas! Colocando São Carlos no mapa das artes gráficas com grande honra e respeito! Parabéns ao Marcão e ao Pipoca! Abraços!

  2. Descubro cada coisa excelente aqui no Pipoca! Já vicei nas tiras do Marco. Essa do Clube da Fruta é genial!