Entrevista com Danilo Beyruth, autor de Bando de Dois

Mais uma entrevista do PN para vocês, dessa vez batemos um papo com Danilo Beyruth, roteirista e ilustrador que já se firmou como um dos maiores nomes dos quadrinhos do nosso país, seu personagem Necronauta, que começou em uma revista independente, veio a compor a antologia Popgun, da Image, que ganhou um prêmio Eisner e angariou uma enorme quantidade de críticas positivas, o que fez a HQM decidir lançar o primeiro volume das histórias desse cativante personagem aqui em nossa terrinha. No ano passado, Beyruth lançou o “faroeste- feijoada” Bando de Dois, que é outra obra sensacional e não a toa arrancou reviews favoráveis dos mais diversos jornalistas, além de figurar entre as melhores do ano em praticamente todas as listas que pintaram nos sites especializados no fim do ano.

Com vocês, o talentoso e simpático Danilo Beyruth.

P&N: Olá, Danilo! Como foi seu começo de carreira? Quando desenhar passou a ser fonte de renda?

Danilo: De certa forma, eu sempre desenhei como trabalho. Quando comecei a trabalhar, como estagiário em uma agência de propaganda, meu trabalho já tinha a ver com desenho. Foi por desenhar que consegui a oportunidade. Fiz muita ilustração e storyboard dentro da agência, mas com o tempo o trabalho foi migrando mais pra direção de arte em si. Quando larguei o trabalho em agência, me tornei ilustrador, de novo trabalhando com desenho.
A carreira de ilustrador é diferente de um emprego convencional. Quando aparece um trabalho tudo rola muito rápido e os prazos são curtos. Você tem que ser capaz de fazer muita coisa em pouco tempo e com pouca margem de erro. O contraponto disso, é que entre um trabalho e outro você fica livre, sem ter que mostrar serviço ou bater cartão, e é aproveitando esses momentos que eu comecei a fazer HQ. Mas HQ ainda não é a minha principal fonte de renda.

P&N:  Existe alguma chance de você resgatar o irmão mal do Elvis, o EvilKing, e publicar essa HQ?

Danilo: Sim, claro. Mas estou guardando isso pra mais pra frente. Ainda acho que meu trabalho não está maduro o suficiente pra desenvolver essa história do jeito que eu gostaria. Além disso, queria que fosse um gibi de banca, serializado.

P&N:  Conte um pouquinho sobre como foi o processo para obter os incentivos fiscais do Governo de São Paulo (ProAC) para publicar Bando de Dois.

Danilo: Eu e o Cláudio [Martini, editor da Zarabatana]  já tínhamos fechado de fazer o Bando de Dois havia alguns meses, e eu já tinha o roteiro fechado e já estava começando a fazer a arte. Quando soubemos que o ProAc tinha aberto inscrições, juntamos o material, montamos o projeto com toda a HQ já decupada e 10 páginas finalizadas e mandamos pra Secretaria de Cultura. Deu certo e o projeto foi produzido com o incentivo. O ProAc ajudou muito, mas teríamos feito da mesma forma.

P&N:  Com o sucesso de Bando de Dois, lançar mais quadrinhos no estilo “faroeste brasileiro” está nos seus planos? Se não, com qual outro tema pretende trabalhar?

Danilo: Gostaria de fazer uma continuação para o Bando de Dois mais pra frente, ainda sem data. Acho que existem outros cenários brasileiros que podem sofrer o mesmo tratamento. Mas no futuro próximo quero continuar o Necronauta e fazer HQs de horror e de ficção científica.

 P&N:  Cara, sobre Bando de Dois, a idéia de um mapa de tesouro atrás de um tapa-olho é muito boa, bem como a do vilarejo com a barragem contra areia, de onde vêm essas inspirações?

Danilo: É tudo parte de um acumulado de livros, filmes e histórias que li e assisti que serve como base pra criar novas combinações. Hoje em dia nada é novo, tudo é uma nova versão de um clichê mais velho. É o jeito que você recombina elementos que renovam a mistura, como você subverte o próprio clichê.

P&N:  Ainda em Bando de Dois, você explorou os personagens e cenários através de ângulos inusitados, algo incrível, bem cinematográfico, o que você usa como referência?

Danilo: De novo, esse acumulo de cinema, livros e HQs. O meu objetivo não é ser cinematográfico, mas usar a linguagem da HQ de forma a contar bem a história.

P&N:  Qual a sensação de ver Bando de Dois figurar em várias listas de melhores HQs de 2010, muitas vezes na primeira posição?

Danilo: É muito recompensador. É mais de um ano de trabalho sacrificando o tempo com a família, com os amigos e com lazer pra fazer um trabalho que eu acredito.

P&N:  Quais atores você escolheria para interpretar o Necronauta, Tinhoso e Caveira de Boi em suas respectivas adaptações para o cinema?

Danilo: Paul Bettany ou Mads Mikkelsen pro Necronauta, Fábio Lago pro Tinhoso e um jovem e magro Gerard Depardieu para o Cavêra.

P&N:  Já tem previsão para o lançamento do próximo volume do Necronauta?

Danilo: 2011, mas ainda sem data.

P&N:  É verdade que quem trabalha como quadrinista perde um pouco a vontade de ler outros quadrinhos? De qualquer forma, quais HQs você mais gostou de ler na vida?

Danilo: Não, pelo menos no meu caso. Você perde um pouco a diversão, porque é muito fácil de começar a analisar o trabalho ao invés de só ler. HQs preferidas são: os primeiros 100 números do Quarteto Fantástico, Bone, Cerebus, Lobo Solitário, Planetary, Appleseed, BPRD, MAD e Den pra falar só algumas.

P&N:  Deixe uma mensagem para os leitores do Pipoca e Nanquim.

Danilo: Muito obrigado a todos, espero que gostem do Bando de Dois e do Necronauta. E obrigado a todo pessoal do Pipoca e Nanquim!

 

Cena da história de Danilo para o álbum MSP+50

Cena da história de Danilo para o álbum MSP+50

Viste também o blog do Danilo Beyruth

Necronauta

Autor: Danilo Beyruth
Editora: HQM
Páginas: 88
Quanto: R$ 29,90

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Bando de Dois

Autor: Danilo Beyruth
Editora: Zarabatana
Páginas: 96
Quanto: R$ 36,00

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  1. Mais uma entrevista muito boa, parabéns!

    "Hoje em dia nada é novo, tudo é uma nova versão de um clichê mais velho. É o jeito que você recombina elementos que renovam a mistura, como você subverte o próprio clichê." Danilo

    Quentin Tarantino daria a mesma resposta, com certeza!

    Me interessei bastante pelas obras do autor!

  2. Muito legal as palavras de Danilo Beyruth.

    Adorei Bando de Dois e agora fiquei com vontade de comprar Necronauta, não fazia nem idéia que ele já tinha ganho um eisner.

  3. Muito legal a entrevista, tive a oportunidade de conhecer o Danilo peosslamente e adquirir Necronauta e Bando de Dois autografados!

    recomendo as duas obras!

    abraços