Persona – O jogo mais absurdo de todos os tempos

Lançado pela Grow, Persona, o jogo mais absurdo de todos os tempos, propõe que os jogadores reflitam sobre si mesmos enquanto têm seus rostos fundidos por meio de um vidro especial. Para completar a experiência amalucada, junto do jogo vinha encartado um LP de 10 polegadas que ajuda a criar o clima da partida.

Se esta não é a experiência mais insólita no mundo dos jogos, então eu não sei o que é.

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A história do jogo começa em 1973, quando o artista plástico italiano Roberto Campadello expõem na 12ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo sua obra chamada Casa Dourada, que consistia em um grupo de espelhos nos quais as pessoas viam suas imagens refletidas se misturarem com a dos outros visitantes. No ano seguinte, graças ao sucesso alcançado na Bienal, Roberto abre o bar Persona, no bairro paulistano Bixiga. No local, faz uma adaptação de sua obra Casa Dourada, mas em tamanho reduzido, com apenas um único espelho e disponível só para dois participantes de cada vez, nasce a grande atração do bar.

Em 1975, com bar Persona já um tremendo sucesso, Luis Carlini –  que pouco depois iria fundar a banda Tutti Frutti – resolveu fazer uma trilha sonora para a brincadeira, gravando tudo de forma bem caseira, possivelmente usando apenas um gravador de duas pistas.

Todo esse cenário fez com que a empresa Grow se interessasse pelo jogo e possibilitou que no início dos anos 80 ele chegasse às lojas de todo o Brasil. Era um vidro/espelho, duas velas com castiçais, um pôster com o verso contendo as instruções e, como a cereja do bolo, um disco de 10 polegadas com as músicas compostas para ele.

Apesar de supercaprichada, a versão comercial do jogo gerou uma série de brigas entre Roberto Campadello e os diretores da Grow e acabou acarretando o fim prematuro da produção, tornando o disco numa raridade garimpada no mundo inteiro.

E então, já conhecia essa história? Já jogou Persona? Ouviu esse disco? Conta pra gente!

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Ouça o disco!

[Imagens encontradas na internet.]

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  1. Tive a honra de conhecer o Sr Roberto. Grande homem, figura, um gênio.

    Ele faleceu em 2012, em Visconde de Mauá, local onde mantinha o seu estudio. O Estudio ainda existe e quem mantém é seu filho Daniel Campadello.

    • Eu trabalhava no personinha o segundo bar dele. Eu tinha 17 anos… Roberto era doidão
      Confesso que fiquei impactada ao ver essa imagem. Eu tinha medo de entrar no Persona por causa desses espelhos

    • Tive essa experiência muito interessante no fim da década de 80 , talvez 90 ou 91, no Bar Persona no Bixiga, em SãoPaulo.
      A casa era mesmo muito agradável, musica boa, bebidas, gente circulando…
      Lembro-me que estávamos dançando, rindo, e nos divertindo como era de se esperar para alguém que “ralava de segunda a sexta”, e queríamos apenas nos divertir em um ambiente que traduzi-se nossa personalidade.
      O bar era Cult, talvez meio marginal, pois ali se reuniam pessoas não muito convencionais, pessoas que gostavam de música, no sentido mais amplo, a atmosfera era inebriante, a luz era fraca, quase as escuras… um tanto sinistra, nos remetia, a nada convencional, podia-se estar na pista com música ao vivo, no bar, em mesas… ou simplesmente jogando dardos em um alvo.
      E lá pelas 3 ou 4 da madrugada, me aparece um sujeito magro, alto, pálido, de cabelos lambidos, roupa toda preta, com uma seriedade de assustar, nos falando ao ouvido…
      Observamos vocês durante essa noite, existe um “Jogo” que gostaríamos que vocês experimentassem, se quiserem me acompanhem… mas… sem mais perguntas.
      Bem, é óbvio que topamos, e depois de sairmos pelos fundos do bar e subirmos uma escada escura, nos deram dois castiçais… velas acesas… não ouvíamos mais a música, o silencio era absoluto, caminhávamos num corredor estreito, logo a frente em meio a escuridão subíamos uma escada de madeira, muito velha pois o Bar funcionava em uma casa centenária, e podíamos observar a ação do tempo nos degraus gastos pelo tempo, o clima era mesmo muito interessante.
      Finalmente até que chegamos a um quarto… em que foi colocado entre eu e minha namorada, uma espécie de vidro espelhado, na mais completa escuridão, velas acessas novamente… seguindo as instruções que nos foi dada de uma forma … começamos a movimentar as velas de forma a iluminar nossas faces por setores… causando um efeito de mesclagem de nossas características faciais.
      Ficamos ali por volta de usn 20 ou 30 minutos, tendo essa experiência muito interessante.
      Isso estava apenas em minha memória até hoje, quando li num blog que estas experiências estavam sendo gravadas, e que fazia parte de uma história.

      http://pipocaenanquim.com.br/musica/persona-o-jogo-mais-absurdo-de-todos-os-tempos/#

  2. Eu lembro bem de minhas tias jogando em um velho casarão que a família morou era assustador quando começava tocar o disco e na parte musica água mole pedra dura nossa eu meus primos saiamos correndo.. Ate hoje essa maldita melodia ecoa em meu pensamento.
    Obs: Tenho 38 anos!!!

  3. sim, trabalhei la…. um dos meus primeiros trabalhos, fazendo performance, sapateando entre as mesas….bons tempos….

  4. Informação errada aí, hein!
    Não é pré Tuttui Frutti.
    O Tutti Frutti com ma Rita Lee existiu entre 1973 e 1978.
    Atrás do porto tem uma cidade é de 1974.

  5. Entrei no Persona uma noite saindo do cineclube Bexiga junto com uma amiga, o porteiro do bar nos chamou e perguntou se já conhecíamos o show especial da casa, era um homem negro muito alto e nos conduziu ao porão onde haviam 3 ou 4 espelhos, tudo estava escuro só a luz das velas, ele nos fez sentar uma de cada lado do espelho, nos deu os castiçais e nos ajudou a colocar a luz no ponto certo em que você fica dividido ao meio e a outra metade visível da imagem é da pessoa que se encontra do outro lado do vidro\espelho, então nos deixou sozinhas e ficamos um tempão brincando, fazendo caretas, foi uma experiência incrível e inesquecível, eu tinha 16 anos na época e me marcou profundamente, adorei saber da história do bar, até agora (estou com 50 anos) nunca tinha ouvido nem lido nem conhecido ninguém que soubesse algo sobre o Persona, obrigado

  6. Me chamo Hélio e sou colecionador de discos de vinil. Outro dia ganhei este disco, porém não consegui até hoje os outros itens que completavam o kit do jogo.

    Alguém poderia me dizer como conseguir tais itens, por favor?

  7. Tenho jogo original completo PERSONA de Roberto Campadello. Disco zerado no plástico original , espelho (original), instruções com pouco de desgaste do tempo mas tudo perfeito estado, etc. Persona da XII Bienal Sao Paulo O Jogo das Mutações. Se houver interessados aceito oferta.

  8. Minha namorada, nos anos 80, gostava muito de I Ching, e tinha esse jogo. Fizemos umas jogadas, as nossas caras se misturando no espelho. Ela me deu o espelho, o disco com as instruções do jogo, que guardo até hoje. Muito bom o som.

    • Oi Jair! Escuta, estou querendo reproduzir essa instalação aqui em Brasília (só pela farra mesmo). Você poderia me descrever o espelho? É um vidro comum, um espelho com alguma transparência, como é que é isso? Porque me parece ser a peça fundamental da instalação, né? Visto num ambiente com iluminação normal, ele parece um espelho ou um vidro? Um abraço! Davi.

  9. Conheci o Persona Pub e o Roberto nos primeiros 80s. Era o ponto de reuniao da minha turma. O Bexiga era maravilhoso, as pessoas entravam e saiam dos bares ou ficavam na rua diretamente, batendo papo, bebendo alguma coisa, decidindo qual espetáculo assistir. Era um agito muito legal. No persona havia músicos de jazz, artistas vários, até uma chacrete vi uma vez. O Sincro Jazz do Pete Wooley tocava ai. O pianista Hildebrando com o contrabaixista Chiquinho. O pianista argentino Leo costumava fazer grandes performances com sua técnica incrivel. O jogo de espelhos estava no porao. O que no entendo é por que é chamado de “absurdo” nesse artigo. De absurdo nao tem nada…