Mauricio de Sousa e Osamu Tezuka juntos! – Fomos ao evento de lançamento

No último dia 28 de fevereiro, um seleto grupo de jornalistas e blogueiros foi convidado a ir até a loja Saraiva do Shopping Center Norte, em São Paulo, para um bate-papo com o maior mestre da história das HQs nacionais, o incomparável Mauricio de Sousa. O motivo? O lançamento da edição #43 da Turma da Mônica Jovem, que traz um crossover entre os personagens de Mauricio com os de outro mestre das HQs, Osamu Tezuka, criador de obras seminais como Astro Boy, A Princesa e o Cavaleiro e Kimba, o Leão Branco.

Como Tezuka já está fora das bancas brasileiras há algum tempo, é cabível dizer que ele é considerado o pai do mangá e sua influência sobre os quadrinhos japoneses (e mundiais) é sentida até hoje. Uma de suas obras-primas, a coleção Buda, foi lançada no Brasil com grande sucesso pela Conrad.

Tezuka e Mauricio estabeleceram uma profunda amizade na década de 1970 que perdurou até a morte do criador japonês, em 1989. Durante esse período, eles fizeram dezenas de planos, sempre com o objetivo de cruzarem suas criações, porém nunca deu certo. Hoje, mais de 2 décadas após a morte de Osamu, o sonho vira realidade. E em grande estilo, já que trata-se da primeira vez que os personagens do grande mestre são produzidos não só fora do Japão, mas também por outro estúdio. É uma vitória para Mauricio, que atesta a força que ele tem hoje no mercado internacional.

No evento, foi exibido um belo vídeo mostrando fotos da amizade entre os dois artistas e, na sequência, uma visita que representantes brasileiros fizeram ao estúdio de Tezuka. Bastante saudosista, o vídeo louvava o gênio criativo do japonês e servia de preâmbulo para apresentá-lo a quem não conhecia seu trabalho dentro da sala, tudo regado a comes e bebes (nada alcoólico, claro).

Depois, Mauricio começou a responder perguntas dos freqüentes, inclusive deste que estava presente. Ele explicou, por exemplo, que o crossover foi lançado dentro da série Turma da Mônica Jovem por causa da necessidade de lançá-lo com velocidade e urgência, respeitando os prazos estabelecidos com a parceira japonesa. Nada impede, contudo, que a história (dividida em 2 partes) seja posteriormente compilada em um encadernado. E, acima de tudo, se o projeto for bem sucedido em termos financeiros e agradar a ambas as partes, nada impede que ele receba continuidade.

Mauricio fez grandes anúncios. Por exemplo, mencionou que quase tudo já estava fechado para seu contrato com o jogador Neymar para transformá-lo em personagem e que, com a proximidade da Copa de Mundo, seu sonho era poder colocá-lo ao lado do já consagrado Ronaldinho e também trazer de volta o primeiro sucesso do gênero de seu estúdio, Pelezinho, baseado no maior jogador de todos os tempos. Apesar dos entraves que cercam a empreitada, Mauricio segue firme.

Ele contou que tem um projeto educacional junto ao governo chinês por meio do qual mais de 200 milhões de crianças são alfabetizadas. Um número de respeito! Segundo ele, o Itamarati tem sido vital no auxílio de todas as suas grandes incursões internacionais, porém ele encontra certa dificuldade em fazer o mesmo em nosso próprio país. Suas exatas palavras, em dado momento, foram: “Eu tenho tentado fazer um projeto parecido no Brasil, mas está difícil. Mas tudo bem, enquanto não dá certo, eu sigo alfabetizando as crianças da forma como tenho feito todos esses anos, informalmente”.

E ele está certo. Naquela sala, havia 5 gerações de pessoas que cresceram alfabetizadas pelos quadrinhos da Turma da Mônica! Presente no evento, estava um dos braços direitos de Mauricio, grande amigo do Pipoca e dos quadrinhos nacionais de forma geral, Sidney Gusman. Ambos destacaram a notícia de que a previsão este ano é que a Mauricio de Sousa Produções disponibilize 100 livros no mercado até o final do ano. Se isso não é alfabetizar, não sabemos o que é!

Em um momento muito comovente, Mauricio foi perguntado qual havia sido, de todas as fases de sua carreira longeva, a melhor, a mais marcante. Sua resposta foi seminal: “Hoje. Sem dúvida, é sempre o hoje! Eu não posso mexer no que já foi, mas posso viver o hoje e planejar o amanhã! Dentro de minha filosofia de vida, é o que faço!”. Uma lição de vida, que me fez refletir naquele momento.

Ele também discorreu bastante sobre a revista em si, que já está nas bancas e que breve será sorteada para você, leitor, aqui no Pipoca e Nanquim, tirou fotos com todos os blogueiros presentes (alguns bastante jovens, com 10 ou 12 anos) e falou a certa altura: “Daqui a 500 anos, quando as pessoas forem estudar nossa época, para saber a forma com que se pensava, falava e agia, os assuntos em voga, as preocupações sociais e culturais, as correntes políticas em voga, o estudo dos quadrinhos será tão ou mais importante que a própria literatura”.

Um mestre em plena atividade!

E aguardem, em breve aqui no Pipoca e Nanquim um programa especial sobre Mauricio de Sousa, com sorteio de algumas edições desse belíssimo especial!

Fotos retiradas do endereço http://www.saraivaconteudo.com.br/Blogs/Post/44347.

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    • Maurício de Sousa com a Turma da Mônica iniciou dezenas de milhares de crianças brasileiras na leitura, inclusive eu, o Daniel e o Alexandre. Isso você precisa reconhecer e levar em consideração.

      • Quem inicia as crianças na leitura são os pais, irmãos e professores. É no mínimo muita presunção do sr Maurício de Souza afirmar que é responsável por isso.

        Nunca gostei de Monica, nunca li, gostava dos super-heróis e da Disney, dos contos de fadas. Essa importância do Maurício é pura invenção.

        Nunca vi Disney afirmando que alfabetizou as crianças americanas, só no Brasil que tem essas bizarrices.

        • Não é o Mauricio que diz isso, são seus fãs. Curiosamente, eu que pedia pra minha mãe comprar os quadrinhos da Mônica, nunca partiu dela, partia de mim. Claro, a família é mesmo a responsável pela alfabetização, mas sinto orgulho desses personagens genuinamente brasileiros e tão maravilhosos.

          E está explicado porque você não gota: nunca leu, como mesmo disse.

          Pra que tanto desgosto quanto a isso? O que te fez de ruim?

          • Também não entendi o porquê do posicionamento tão radical do Tavares.
            Sem dúvida os pais e os professores são responsáveis sim pela introdução e desenvolvimento desse “gosto” pela leitura nas crianças, comigo também foi assim. Ganhei minha primeira HQ quando tinha 2 anos de idade e, coincidentemente foi da Turma da Mônica. Assim como o Bruno, depois disso, quando passei a “entender da vida”, eu SEMPRE pedia pra minha mãe mais e mais revistinhas. Leio Turma da Mônica até hoje (e outras coisas mais) e não tiro o mérito hora nenhuma do Maurício, por espalhar tudo isso durante tanto tempo assim.

      • Bom, eu até respeito. Mas grande parte disso se deve aos pais preferirem comprar a Turma da Mônica para os filho.
        Particularmente não acho ruim, mas não seria o primeiro gibi que daria a ninguém.
        Outro dia vi um pai tentando empurrar um gibi da Mônica para o filho e o moleque não desistiu até conseguir trocar por “Batman: os bravos e destemidos”. Pensei comigo: “Esse moleque é dos meus”.

  1. Turma da Mônica exerce sua função de incentivar criançsa a leitura em geral.
    Turma da Mônica Jovem acho ridículo e desnecessário. Principalmente por terem adotado o estilo Mangá (quantas crianças eu já presenciei perderem o interesse na obra simplesmente por não ser colorida). Que orgulho de ter a Turma da Mônica como uma grande obra nacional, criada e produzida por artistas brasileiros, cujas historinhas são levadas para vários países.

    Agora, juntar a Mônica jovem com os personagens do Tezuka é bizarro. O público alvo da Mônica jovem nem faz idéia do que seja a obra de Osamu Tezuka. Eles nem tem noção do seja o Astro Boy…

    • Talvez seja justamente essa a intenção, Tito…apesentar algo a mais para as crianças que se quer sabem o que é Tezuka.
      By the way, achei MUITO boa essa edição.

    • Ah, e sem esquecer o principal: o público-alvo já vem no próprio título da revista: “Turma da Mônica JOVEM”. Crianças leem? Sem dúvida, mas esse é um título direcionado. 😉

  2. Também aprendi a ler com a Turma da Mônica. Por incrível que pareça, o Maurício sofre muito preconceito simplesmente por que alcançou sucesso com sua obra. Aos que não tiveram a oportunidade de crescer lendo a turminha, recomendo que dêem uma chance à Dentuça. Garanto que não vão se arrepender. E se é realmente um apreciador de quadrinhos, saiba reconhecer a importância que o Maurício de Souza teve e tem para a divulgação da arte sequencial.

  3. O engraçado é o preconceito contra o Mauricio vim de quem gosta de quadrinhos, é como um “roqueiro” ter preconceito contra o Elvis.

    Enfim, Mauricio merece respeito, até para quem não gosta. E 99,9% das pessoas começaram a ler com a turma da Dentuça.

    Longa vida a turma.

  4. Desculpa o palavreado mas quem foi o cuzão que corroborou com isso tudo??? Porra gozar com o pau dos outros eh foda! O mauricio de Sousa eh um merda não eh porq vc tinha Turma da Monica pra ler na infancia q e era nacional q isso torna algo de qalidade PQP!!!!