Friquinique – Quadrinhos estranhos para gente normal, e vice-versa

O sociólogo americano Erving Goffman define o estigma como um traço de identificação imediata da diferença de um sujeito em relação a seu grupo, e entende o estigmatizado como alguém que “compra” essa diferença e passa a viver a partir dela. Mutilados, cultivadores de comportamentos aberrantes e deformidades em geral entram nessa lista, e são exibidos como aberrações nos palcos e telas desde que o mundo é mundo.

Mas o que fazem os freaks quando não estão “em exibição”? qual o cotidiano dos “inadequados”? Por quais dramas passam quando a dramatização acaba e o pano baixa?

É esta a resposta que os quadrinistas da Beleléu tentam dar em Friquinique, que está em pré-venda de 16 de setembro a 2 de novembro no site da editora, e será lançado em novembro no Festival Internacional de Quadrinhos, FIQ, em Belo Horizonte. O preço promocional no período da pré-venda é R$ 59,90 (com frete grátis para todo o Brasil).

Segundo Stêvz, que edita a coleção, Friquinique é um “Um livro de quadrinhos esquisitos, para pessoas que não se olham no espelho nem gostam de piquenique”. O livro é uma edição de luxo, com 192 páginas em capa dura, reunindo o material publicado ao longo de 2010 no site de cultura visual Ideafixa, acrescido de 64 páginas de material inédito, com narrativas fechadas de Rafael Sica, Eduardo Medeiros, Elcerdo e Stêvz.

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Carrossel dos esquisitos

Friquinique traz histórias de personagens deslocados e esquisitões, mas de bom coração (nem sempre). Embora com uma galeria digna de freak shows circenses, o enfoque das narrativas está no cotidiano das figuras, na melancolia e na solidão. Em momentos que vão do singelo ao grotesco, os artistas constroem um universo rico e de poderosas nuances. A beleza está nos olhos de quem vê, mas, nesse título, o papel do leitor vai além do de mero observador, ao ser convidado a manipular o livro. Com encartes surpresa de histórias paralelas, uma sobrecapa que se desdobra em pôster e o marcador de páginas em fita de cetim preta, o livro em si se torna um freak.

Além do livro, títulos paralelos completam o universo de Friquinique, como o gibi “Rudolfo e a Maquininha de Encolher Pensamento”, de tiragem artesanal limitada e numerada pelos próprios autores, que será publicado semanalmente ao longo da pré-venda.

Os 4 encartes do livro, também são disponibilizados como teasers em edição artesanal por demanda, e dois microvídeos em animação no site acrescentam uma outra dimensão ao trabalho. Para saber mais e tirar qualquer dúvida, visite o site do projeto.

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Beleléu

Criado em 2009, Beleléu é um selo de publicações independentes do Rio de Janeiro especializado em quadrinhos autorais e artes gráficas. Publicou os livros coletivos Belelé(2009), Calendário Pindura (calendário anual publicado desde 2008), Monstros (2012), Aparecida Blues (2011, de Biu e Stêvz), e Se a Vida Fosse Como a Internet (2012, de Pablo Carranza), vencedor do 25º Trófeu HQMix – prêmio mais importante de quadrinhos do país -, na categoria Publicação de Humor Gráfico. O Calendário Pindura, foi exposto na 10ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, em São Paulo. Em 2013 lançou os livros Tension de La Passion, A Intrusa (de Bruno Azevêdo, em coedição com a Pitomba!) e dois volumes de A Importante das Palavras Ordem É (de Stêvz), livros de aforismos que inauguram a Coleção Sem Figura, braço de literatura da editora. A Beleléu é hoje referência no universo das narrativas gráficas no Brasil.

Sobre os autores

Eduardo Medeiros, 31, é quadrinista e ilustrador. Trabalhou nos longas-metragem Wood & Stock Sexo Orégano e Rock n Roll e Forever Gaya, da Otto Desenhos Animados, e nos curtas Leonél-pé-de-vento (2006) e A Última Reunião Dançante (2012) ambos pela Cartunaria. Ilustrou para as editoras Moderna, Abril, Saraiva, Ática, Globo, Scipione, FTD, para a Folha de S. Paulo e Revista da Cultura, e publicou os quadrinhos MondoUrbano (Devir), MSP+50 (Panini), Strange Tales (Marvel Comics), Roberto (IGjovem), Gazzara (Narval Comix) e Sopa de Salsicha (Cia. das Letras), dentre outros.

Rafael Sica nasceu em 1979, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Suas tiras já foram publicadas em grandes veículos de imprensa. Recentemente lançou o livro Tobogã, e o projeto 1000 Quadros, ambos pelo selo Narval Comix. Mantém a série Ordinário em seu blog, reunida em livro pela Companhia das Letras em 2011 e faz parte do grupo Bestiário, responsável pela revista Picabu.

Stêvz é cartunista, animador, designer gráfico e músico. Editor da Beleléu, publicou os livros Aparecida Blues, e A Importante da Palavras Ordem É, em 2011. Editou os livros Se a VidaFosse Como a Internet, Monstros, e o Calendário Pindura. Junto com Elcerdo animou, em 2012, vinhetas para os programas Casseta e Planeta Vai Fundo, da Rede Globo; Trash Hour e Tosco TV, do Canal Brasil, onde dublou o personagem principal da série Vida Boa, de Fabio Zimbres. Teve trabalhos publicados em coletâneas em Portugal, França, Espanha, Peru e Eslovênia.

Tiago Elcerdo Lacerda é ilustrador profissional desde 2005 e trabalha também com quadrinhos e animação. Seus trabalhos incluem ilustrações para jornais como O Globo, Folha de S. Paulo, Le Monde Diplomatique e revistas como Monet, VIP, Trip, Época, Superinteressante e Galileu. É um dos idealizadores e autor da editora Beleléu. Animador entre 2005 e 2012 na Toscographics Desenhos Animados, publicou o livro Bebê Gigante, em 2011, pela Narval Comix.

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