Uma Breve História dos Jogos de Tabuleiro (Parte 1)

O mercado de jogos está em franca expansão. A cada ano são lançados centenas de títulos. Alguns chegam a vender mais de 18 milhões de unidades. Assasin’s Creed, Call of Duty ou Gears of War? Na verdade estou falando sobre jogos de tabuleiro.

Alguém ainda joga isso? Quando começo a falar sobre o assunto está é geralmente uma das primeiras perguntas que surgem. Se falarmos de Brasil, a resposta é: poucos. Na Europa e nos Estados Unidos a resposta seria milhões de pessoas. O mercado de jogos de tabuleiro passou por grandes transformações a partir da década de 90. Empresas tradicionais do setor se reinventaram e dezenas de novas empresas surgiram tornando o setor extremamente competitivo e aberto a inovações.

Mas, antes de falarmos sobre o cenário atual vamos falar um pouco como tudo isso surgiu.

De volta as cavernas

Todas as culturas conhecidas tem algum tipo de jogo de tabuleiro, um dos mais populares é o xadrez, que remonta na sua forma primitiva há o século VI na Índia (Apesar de ninguém saber suas verdadeiras origens, ao certo).

Uma das teorias mais aceitas sobre a origem dos jogos é que eles tiveram Seu surgimento relacionada a praticas e crenças religiosas que acabaram tendo sua utilização desmistificada a acabaram sendo praticados com fins lúdicos.

Os mais antigos conhecidos datam da antiga Suméria e Egito – estes, infelizmente, estão há muito tempo fora de catálogo!

O Jogo Real de Ur é o mais antigo encontrado com um conjunto de peças completo. Sua idade é estimada em 4500 anos. Ele é originário da cidade-estado de Ur, capital do estado Sumério e cidade natal do personagem bíblico Abrão, que deu (segundo a bíblia e o alcorão) origem aos povos judeu e árabe.

Outro jogo popular na antiguidades foi o egípcio Senet ou Senat (a esquerda) que tem 3.500 anos de idade. Era conhecido como “Jogo de passagem da alma” e é citado no “Livro dos Mortos” egípcio.

Mancala

Mancala

Outro jogo que usa elementos simples é o  Mancala, na verdade uma família de aproximadamente 200 jogos com regras semelhantes, chamados jogos de semeadura e colheita,  que podiam ser jogados utilizando-se simplesmente pedras ou sementes em um tabuleiro escavado no chão. O jogo é popular até hoje e é praticado em diversas regiões da África e Ásia. Cada jogador, ou time dependendo da variante, move suas peças através do tabuleiro com o objetivo de capturar o maior número possível de peças dos adversários.

E surgem os Jogos de Tabuleiro Modernos (1860 – 1960)

Na metade do século XIX, pequenos fabricantes começaram a produzir versão dos jogos clássicos e novos jogos para atender a demanda da classe média emergente, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Com o passar dos anos os pequenos produtores de jogos formaram uma lucrativa indústria cultural.

Os primeiros jogos industriais tinham pouca ou nenhuma preocupação com estratégia e utilizavam mecânicas bem simples pelos padrões atuais.

The Checkered Game of Life

The Checkered Game of Life

A era moderna dos jogos de tabuleiro começa com a publicação do Jogo da Vida (The Checkered Game of Life) criado pela Milton Bradley Company (hoje uma subdivisão da Hasbro), que vendeu mais de 45000 cópias no seu ano de lançamento, em 1860. Como muitos jogos do século 19, ele tinha uma forte mensagem de moral. Basicamente o começava na infância e terminava numa próspera e rica velhice. O jogo original de Bradley não possuía dados (já que eram considerados itens para jogos de azar naquela época) e sim um teetotum. As regras do jogo foram reescritas por Reuben Klamer (que abreviou o nome para The Game of Life) em 1960 pelo aniversário de um século.

Monopoly (Banco Imobiliário no Brasil) de 1904 é sem dúvida, o jogo de tabuleiro mais popular de todos os tempos.

Ele foi baseado no jogo The Landlord’s Game de Elizabeth J. Magie Phillips, que o criou com a proposta de ser uma “ferramenta” para ensinar a teoria do economista Henry George sobre taxa simples. A versão com as regras atuais foi lançada apenas em 1935.

Apesar de ser considerado hoje, ultrapassado em termos de mecânicas, ainda tem uma importância fundamental, pois milhares de jogadores tem seu primeiro contato com jogos de tabuleiro através dele.

No Brasil, o jogo War (Risk na versão americana) é o jogo de tabuleiro mais popular. Foi criado pelo diretor de cinema Albert Lamorisse com o nome de La Conquête Du Monde (a Conquista do Mundo) em 1957, na França e logo foi comprado pela Hasbro e distribuído nos Estados Unidos.

Nesse jogo, o tabuleiro é um mapa mundial dividido em territórios que são ganhos e perdidos pelos jogadores. Na versão brasileira do jogo cada jogador recebe uma carta com um objetivo e vence aquele que conseguir completá-lo. As batalhas por territórios são definidas por lances de dados de seis faces.

Outros clássicos do período incluem o jogo de corrida Sorry (1934) (Chispa! no Brasil) e o jogo de investigação Clue (1946), publicado no Brasil como Detetive e em Portugal como Cluedo.

Embora a estratégia e diplomacia certamente desempenhem um papel na vitória ou derrota, a sorte era um fator importante nestes jogos. Houve exceções, porém, Scrabble (1948), por exemplo, mais conhecido no Brasil com o nome de Palavras Cruzadas é um jogo de tabuleiro em que 2-4 jogadores procuram marcar pontos formando palavras interligadas usando pedras com letras num quadro dividido em 225 casas (15 x 15). O jogo foi inventado em 1938 pelo arquiteto Alfred Mosher Butts, com o nome de Criss Cross, depois recriado e rebatizado por James Brunot em 1949, e a partir de então comercializado nos Estados Unidos da América, de onde se espalhou por todo o mundo.

Boa parte dos jogos criados no período continuam sendo produzidos até hoje.

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  1. No Brasil, infelizmente, ainda estamos presos ao esquema war/banco imobiliário/jogo da vida/detetive, e quando falamos em jogos de tabuleiro são esses que vêm à mente das pessoas. Poucas pessoas gostam porque esses jogos são, se não simples demais, ou dependentes da sorte demais, extremamente chatos (uma partida de war dura horas, e isso quando não rola desavenças)! As empresas de jogo só agora estão começando a descobrir o leque gigantesco de estilos e jogos diferentes que existem nos States e na Europa, e mesmo assim em passos lentos estão trazendo alguns poucos e ainda relativamente simples ao Brasil. Será que um dia veremos traduzido por aqui preciosidades como 7 Wonders, Dominion, Agricola, Carcassonne ou quaisquer milhares de outros bons existentes?

  2. Jogos de Tabuleiros são fantásticos, sempre que me chamarem irei jogar, e ensinarei para os meus filhos e filhos dos meus filhos haha. Até hoje tenho como preferido o fantástico, scotland and yard. 

  3. Seu texto é interessante, embora careça de uma revisão. Sobre os jogos de tabuleiro, realmente sua popularidade caiu muito junto ao grande público no Brasil, embora ainda seja comum entre grupos, digamos, mais “cult”. Mas há ainda aqueles jogos que talvez não se encaixem nessa categoria, mas que não devemos deixar de mencionar, como os RPGs, que têm seu público fiel. 
    O que sei é que as empresas que produzem esses jogos estão tentando adaptá-los aos gostos das pessoas, deixando-os mais “tech”. Por exemplo, dia desses vi um vídeo no site do The New York Times que mostrava uma nova versão de Monopoly, onde o dinheiro é substituído por cartões de crédito/débito e há uma torre computadorizada no centro do tabuleiro que faz o papel do banqueiro.

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  7. Olá, amei a matéria vai me ajudar muito! Aposto que vou tirar um 10 graças a vocês!
    Eu amo jogar detetive, banco imobiliário entre outros que não vem na memoria, agradeço mais uma vez Brigada!
    Beijos G. Figueiredo.*

  8. Olá, primeiramente parabéns pela matéria sobre os jogos de tabuleiros! Muito interessante. Vai me ajudar muito nas minhas pesquisas.

    Bom, eu estou fazendo um TCC sobre jogos de tabuleiro e gostaria de saber se você pode me indicar o nome de algum livro que fale sobre jogos de tabuleiro? Estou precisando me aprofundar nesse assunto.

    Desde já agradeço! 🙂