Para jogar: Brink

Aproveitando o gancho da resenha que fiz do Rage, não podia deixar de mencionar outro FPS que prometeu bastante e, agora que foi lançado, não esta causando tanto alarde quanto esperado. No dia 10 de maio, depois de inúmeras alterações na data de lançamento, Brink finalmente ficou disponível para gamers do mundo todo. Comprei o game através do Steam e até agora não estou muito impressionado. Não me arrependo, mas até agora o jogo não teve o impacto que Crysis 2, por exemplo, teve.

Brink acontece em Ark, uma cidade flutuante que esta prestes a entrar em colapso graças a uma iminente guerra civil.  Originalmente, Ark foi construída como um experimento de como seria uma cidade auto-suficiente e ecologicamente correta. Devido ao aumento incontrolável dos níveis oceânicos no planeta Terra, Ark acabou se tornando o lar não dos fundadores e seus descendentes, mas também para milhares de refugiados. Naturalmente, a tensão entre esses dois grupos começa a escalar.

No lado bom das coisas, Brink é praticamente o FPS mais complexo e dinâmico que eu já joguei nesses últimos anos. Dependendo da classe do personagem escolhido, você será capaz de completar apenas objetivos específicos. Suas opções são: soldado, engenheiro, operador e médico. Todos possuem habilidades secundárias que você não deve deixar de cumprir se pretende ajudar o seu time a alcançar os objetivos. A dinâmica é baseada toda no trabalho em equipe e é essencial enquanto você ganha pontos estratégicos para isolar o outro time (parece Battlefield BC2, mas é bem mais complexo).

O fator mais legal e inovador em Brink ficam por conta da customização do seu personagem. Como se trata de um FPS, você só vê mesmo seu personagem no menu, ou seja, a customização mesmo fica mais para impressionar os outros jogadores. Através de um sistema de pontuação de XP (experiência), você ganha acesso a novas estéticas para seu soldado. Mas nada que se prenda apenas a aparência: a customização se espalha para todos os aspectos, incluindo a jogabilidade em. Por exemplo, em Brink você conta com um sistema de interação de cenário, baseado no “esporte” Le Parkour. Personagens menores e mais articulados são mais ágeis na hora de atravessar a ambientação caótica do universo de Brink. Em contrapartida, os brutamontes apesar de menos ágeis suportam muito mais dano. Aprimorações para as armas e as habilidades para cada classe são praticamente infinitas, mudando até o som dos disparos.

Em uma era em que cada jogo lançado tem gráficos absurdamente sensacionais, não esperamos nada menos do que realismo completo. Os gráficos do jogo são mais inovadores do que impressionantes. A Splash Damage criou um visual único. Cada personagem tem seu estilo próprio (alguns extremamente exagerados) que combina muito bem com a cidade Ark e todas as suas cores e estilo futurista. Uma mistura cartoon de arte cyberpunk com ambientação steampunk.

Brink foi feito para os fãs de multiplayer que gostam do trabalho em equipe (no estilo de Killing Floor e Left 4 Dead) e para ser sincero, poucos jogos oferecem essa experiência em modo multiplayer online. Com tantas otimizações possíveis entre personagens, armas e habilidades, Brink cria uma verdadeira rede de amigos dispostos a cooperar para conquistar objetivos que redem XP a todos os envolvidos. A utilização do microfone é essencial para o sucesso das missões. A grande falha deste jogo fica por conta da campanha single-player. A inteligência artificial dos seus companheiros é irritante. Às vezes é impossível completar uma missão com 100% de sucesso, simplesmente por falta de atenção dos programadores quanto a esse aspecto. Não da para confiar nem quando precisam atirar no inimigo, que também não é nenhum Einstein. Parece que você esta imerso em um jogo cheio de bugs. E outro erro também, foi colocar esses inúteis na porção multiplayer do game. Ou seja, se você esta jogando multiplayer contra algum amigo seu e no seu time existe algum bot, você estará em extrema desvantagem.

No geral, Brink pode ser considerado como um jogo decente e também uma lição para outras produtoras que resolvem dar mais atenção ao multiplayer e esquecem completamente da campanha.  De qualquer forma, acredito que na medida em que mais e mais gamers compram esse jogo e preenchem os lobbys online, fica mais seguro investir. Para quem gosta do trabalho em equipe em jogos multiplayer, Brink não deixa a desejar e promete, com o tempo, ser uma experiência online recompensadora.

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Leonardo Chacel é formado em Publicidade. Depois de cinco anos como livreiro, chutou o pau da barraca e virou tatuador e gamer porque jogar e desenhar é o que faz de melhor. Além de escrever sobre games para o P&N escreve sobre música (só as boas) em seu blog Overdose Contínua.

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