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From Dust – Brincando de Deus e Resolvendo Quebra-cabeças

Às vezes, quando tenho um tempo livre, dou uma olhada na minha prateleira e no meu HD e me encontro em um impasse: Entre jogos zerados e alguns inacabados, eu fico sem inspiração para me aventurar em um jogo conhecido. É isso que acontece quando são lançados praticamente dez jogos por semana. De qualquer forma, recentemente me deparei com um que me arrancou da apatia catatônica dos meus jogos.

Já nos primeiros minutos de From Dust, dois jogos antigos me vieram à mente: Lemmings e Populous. Não que o jogo se baseie nas mecânicas desses dois títulos, mas a essência destes clássicos está presente nesse lançamento excelente da Ubisoft.

Você é uma espécie de Deus/Guia/Espírito de uma tribo primitiva, a qual você deve guiar pela topografia caótica, movendo pedaços do solo e redirecionando água e lava, criando muralhas que protegem os totens e as vilas. A cada totem conquistado por sua tribo, ocorre uma oração e danças em homenagem ao seu nome. Assim, seus poderes de manipular o terreno aumentam. From Dust é uma mistura perfeita entre brincar de Deus e resolver quebra-cabeças alterando o meio ambiente para proteger seus “adeptos”. O visual da tribo é bem elaborado: uma mistura perfeita da cultura Maia com algumas tribos sul-africanas e os sons de cada membro (gritos, cantos, etc.) é realista o suficiente, combinando perfeitamente com a narração (em uma língua desconhecida) e a ambientação do mundo, com uma sensação de estar fazendo parte dos primeiros anos do planeta Terra.

A jogabilidade é fácil e utiliza a típica visão global de jogos de RTS que lhe ajuda a direcionar sua tribo pelas belíssimas paisagens do jogo. Apesar do simples conceito, o terreno e os ataques da mãe natureza não facilitam sua vida. Oceanos ferozes, rios que secam e causam mortes na tribo, incêndios, vulcões e, graficamente impressionantes, os tsunamis impiedosos que preenchem o mapa inteiro deixando apenas picos de montanhas visíveis.

A primeira coisa que rouba sua atenção nos gráficos é a água: as intermináveis ondas e o azul do mar no vai e vem rítmico hipnotizam qualquer um. Quando me deparei com um tsunami que praticamente engoliu meus fiéis (estes aos gritos), devastando toda uma comunidade, a qual eu não estava preparado para defender, eu fiquei chocado com a beleza do visual desta catástrofe. Um vago sentimento de culpa não foi o suficiente para esconder um leve sorriso meu.  A física é sensacional e, creio eu, fiel ao que seria a realidade de um tsunami. Um amontoado de terra mal posicionado pode levar à extinção de seus seguidores, seja com água ou lava. Um aspecto interessante dessa dinâmica, é que cenário nunca é o mesmo, devido às tamanhas modificações feitas para salvar a tribo, o que torna o jogo uma experiência gratificante quando você decidir jogar novamente. Não existe um caminho único para From Dust.

Esse game realmente é algo inovador em termos de jogabilidade. A liberdade para completar os níveis na maneira que você achar melhor é muito gratificante. Uma dica, os caminhos mais fáceis para o próximo nível não são os mais divertidos, e eu, intoxicado pela idéia de ser um Deus, sempre fazia questão de exigir uma exploração completa dos cenários à custa do bem estar de meus fiéis. Precisa dizer que o jogo automaticamente lhe faz filosofar sobre o papel de um Deus?

Apesar das cenas entre os níveis serem um pouco repetitivas, são de altíssima qualidade gráfica, místicas e com uma trilha sonora digna de John Williams.  O único glitch que encontrei foi quando minha tribo simplesmente decidiu ficar parada em frente à passagem que leva ao próximo nível. Fiquei revoltado e, como um bom Deus, fiz chover lava quente em cima de um por um dos meus fiéis. Foi um glitch divertido.

Você sabe que um jogo é bom no momento em que você para de jogar, acha que se passaram duas horas e, na verdade, foram dez horas seguidas de diversão e você fica querendo mais e mais. A última vez que me comprometi tanto assim com um jogo foi com Mass Effect 2 e Portal 2. Com a crescente falta de originalidade dos games atuais, From Dust exercita mais a lógica do que os reflexos. Por $14,99 na Steam, fica a impressão de ter pagado muito pouco por um jogo tão sensacional. From Dust, daqui a alguns anos, vai entrar para a liga dos clássicos obrigatórios.

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Leonardo Chacel é formado em Publicidade. Depois de cinco anos como livreiro, chutou o pau da barraca e virou tatuador e gamer porque jogar e desenhar é o que faz de melhor. Além de escrever sobre games para o PN escreve sobre música (só as boas) em seu blog Overdose Contínua.

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Sobre o autor

Leo ChacelÉ formado em Publicidade. Depois de cinco anos como livreiro, chutou o pau da barraca e virou tatuador e gamer porque jogar e desenhar é o que faz de melhor. Além de escrever sobre games para o PN escreve sobre música (só as boas) em seu blog Overdose Contínua.Ver todas as publicações de Leo Chacel →

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  1. To só aguardando uma promoçãozinha pra adquirir esse. O game design foi feito pelo mesmo cara do Another World, jogo que eu aprovo (apesar de curto), então não tem erro com FtD

  2. Sérgio CazuSérgio Cazu09-03-2011

    Oi.

    Muito interessante cara. Eu sou louco por games e não lembro de nenhum jogo do gênero. Fiquei me coçando para jogar, principalmente por causa dos efeitos sonoros que devem ser ótimos, como você descreveu. Vou dar uma conferida no gameplay, as screenshots estão boas, mas me deixaram com fome de jogo.

    Obrigado por compartilhar, parabéns.
    Um ótimo final de semana e um forte abraço.

    Sérgio Cazu

    • Crash OverrideCrash Override09-03-2011

       Olá Sérgio,

      Valeu pelo comentário. Vai por mim, o jogo, apesar de simples em sua premissa e mecânica é muito recompensador. Não tem erro: joga, zera, deixa guardado pra jogar de novo sem dúvida.

      Abraço!

  3. Yuri AndreoliYuri Andreoli09-10-2011

    O jogo é muito bom, fazia tempo que eu não jogava um jogo ate zerar.
    Otimo, vale a pena! Tinha que ser maior, pra curtir mais ainda.

    Vale a pena…