Entrevista com Caeto, autor de Memória de Elefante

 

Caeto - Arquivo pessoal

Caeto - Arquivo pessoal

É com muita satisfação que o P&N apresenta a vocês mais uma entrevista! Dessa vez tivemos uma conversa muito bacana com Caeto, autor que depois de muito ralar com Zines e produções independentes conseguiu lançar sua HQ auto-biográfica, Memória de Elefante, pela Quadrinhos na Cia. A HQ foi um dos grandes destaques de 2010 e figurou em diversas listas das melhores do ano, nós do Pipoca e Nanquim adoramos a obra e já até a indicamos no videocast 41 – Baseado em Fatos Reais, confere lá para mais informações. Então meus amigos, não durmam no ponto, vejam a entrevista abaixo e em seguida corra atrás do seu exemplar dessa fantástica graphic novel. Ou melhor, participe de nossa promoção para ganhar um exemplar autografado pelo Caeto! Confira!

P&N: Oi, Caeto! Como foi seu começo com a produção de HQs? Achamos bacana seu início com a Sociedade Radiotiva e a Glamour Popular, o relato pode vir a ajudar e incentivar quadrinhistas que estão começando e querem ou já produzem Zines.

Caeto:  Com uns nove, dez anos fazia fanzine com os amigos da escola nessa época comecei a fazer história em quadrinhos. Mais tarde com uns dezoito anos comecei a fazer o fanzine Sociedade Radioativa com o Ulisses Garcez e o Pedro Angeli.

O fanzine durou uns 10 anos, e foi o ponto decisivo de incentivo, pra que eu e uma galera continuássemos fazendo quadrinhos, fazer parte de um grupo foi bom para todos que estavam ali, por que ficava mais fácil conseguir publicar um fanzine coletivo, tanto na divisão da grana de gráfica, quanto na divulgação do material.

Quando resolvi sair do Sociedade pra me concentrar apenas no meu trabalho, fiz o zine Glamour Popular que foi um ensaio do que veria a ser o livro Memória de Elefante

P&N: Conte-nos como foi seu primeiro contato com a editora Companhia das Letras?

Caeto: Eu soube pelo Rafael Coutinho que a Companhia ia abrir um selo de quadrinhos. Eu já tinha o roteiro escrito do Memória de Elefante e mais vinte paginas desenhadas, mandei um e-mail para o André Conti que é o editor do selo Quadrinhos na Cia, levei o que eu tinha pronto pra ele ler, ele leu meu trabalho e gostou, daí mostrou pra outras pessoas dentro da editora e elas gostaram também, daí rolou a parceria.

P&N: Você se preocupou em retratar todos os cenários iguais aos originais? O sítio de seu pai, a casa da família do Shaquil, os bares, enfim, todos os cenários existem de verdade, você usou fotos para desenhá-los?

Caeto: Desenhei os cenários bem parecidos com os lugares sim, apesar de simplificar tudo no desenho, mas não usei muitas fotos pra isso.

P&N: Como foi o processo de criação de Memória de Elefante? Você primeiro escreveu todo o roteiro para depois desenhar ou pensava em tudo à medida que desenhava? Fale um pouco sobre isso e diga quanto tempo levou para finalizar a obra.

Caeto: Eu achei que iria conseguir fazer HQ ao mesmo tempo em que desenhava ela, mas me dei conta que estava andando muito devagar fazendo assim. Quando comecei a escrever o roteiro eu pensei que ia demorar duas semanas pra terminar, por que achava que já tinha toda a história na cabeça, fui terminar de escrever seis meses depois.

Quando levei o roteiro na editora eu sabia que muito do texto ia mudar na hora de desenhar e falei isso pro André antes dele ler, eu disse que ali estava a estrutura da história.

Eu mudei muito do texto na hora de desenhar, acrescentei coisas também, quando a editora recebeu o quadrinho finalizado, a HQ passou na mão de um revisor que fez vários acertos finais no texto. Rolou uma parceria muito legal com a editora eu gostei de trabalhar assim, acho que o livro ganhou muito com isso.

Me dei conta de que ter um roteiro escrito na mão facilita muito na hora de desenhar.

P&N: Como foi a aceitação dos amigos e familiares retratados na graphic novel, eles gostaram do resultado, alguém ficou puto, emocionado ou coisa assim?

Caeto: A Maioria das pessoas gostou, se emocionou, mas teve quem ficou puto sim.

P&N: Qual a trilha sonora mais indicada para se ouvir enquanto lê Memória de Elefante?

Caeto: Várias trilhas, uma banda pra cada seqüência, em algum lugar tem Patife Band e em outro tem Patti Smith e muito mais.

P&N: Você fica fuçando na internet em busca das criticas ao seu quadrinho? Qual é o sentimento quando se depara com comentários ruins?

Caeto: Sim eu faço isso. Quando me deparo com uma critica ruim eu fico chateado, mas eu levo umas observações em consideração, quando vejo que o cara sabe do que esta falando. Sempre dá pra aprender umas coisas, repensar alguns pontos do trabalho.

Eu só não gosto de critica quando sei que é uma coisa pessoal, que o cara não esta avaliando o meu trabalho e sim quem eu sou, daí eu pego mal o cara.

P&N: E os planos para o futuro Caeto, pode adiantar pra gente algumas novidades?

Caeto: Estou escrevendo meu próximo álbum, vai falar da minha infância na Vila Madalena, vai ter um momento mais atual também e umas surpresas.

P&N: Pergunta manjada, mas que todo mundo gosta de saber, quais são as cinco HQs que mais gostou de ler na vida?

Caeto: Maus, Persépolis, Epilético, todas as Hqs do Tiago Judas, as inesquecíveis do Laerte na Circo, Black Hole, Daniel Clowes e muitos outros mestres.

P&N: Deixe uma mensagem para os leitores do Pipoca.

Caeto: Faça você mesmo.

Leia aqui as primeiras páginas de Memória de Elefante.

Conheça outros trabalhos de Caeto em seu blog.

Memória de Elefante
Autor: Caeto
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 232
Quanto: R$ 39,00

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  1. Cara, essa última frase expressa tudo o que eu quero nos quadrinhos brasileiros: a liberdade “punk rock” de criar. Parabéns pela obra, Caeto!

  2. Comprei a graphic novel e estou gostando bastante. As hqs – independentes ou não – nacionais nos últimos tempos estão cada vez melhores.