Minha Estante #12 – Daniel Werneck

Olá, leitores e colecionadores do Brasil!

Hoje vamos conhecer a coleção de Daniel Werneck, curador do FIQ. Sua estante é bem diversificada e abriga diversas raridades e itens inusitados. Preparados?! Então leia a entrevista.

Olá, Daniel, obrigado pela participação! Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e contasse um pouco sobre você.

Meu nome é Daniel Leal Werneck, sou professor de cinema de animação na UFMG, curador do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) de BH, e quadrinista de meia-noite às seis!

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista? Você ainda tem esse exemplar na coleção?

Ao longo da vida eu sempre tive esses momentos de epifania, quando li uma história ou vi uma página que me deu uma descarga inesperada de hormônios no cérebro. As lembranças mais antigas que eu tenho de ler quadrinhos remontam às férias da minha infância, quando eu passava dias intermináveis sem nada para fazer sob um calor desumano. Em casa eu também brincava muito de fazer quadrinhos, pegava um monte de papel com desenhos de canetinha e grampeava no meio, desenhava a capa com título, fazia editorial, sessão de cartas… Os quadrinhos que eu me lembro de ler há mais tempo incluem uma coleção do Pato Donald do Carl Barks, a coleção completa do Tintin, vários livros do Astérix e do Lucky Luke. Eu também lia muitas tirinhas em jornais, sempre fui fã do Laerte e do Angeli, e outras tirinhas americanas eu também lia em coletâneas impressas como a revista Patota: Hagar, o Horrível, Recruta Zero, Peanuts, B.C., O Mago de Id, e Kid Farofa. Morro de saudades da página de tirinhas do O Globo, uma página inteira de quadrinhos todo dia no jornal… hoje em dia nem jornal mais as pessoas lêem!

Quando você  percebeu que não tinha mais volta, era um colecionador inveterado?

Lá pelos 10 anos eu já tinha virado um viciado irrecuperável. Nem as garotas e a chegada da puberdade me desviavam a atenção dos quadrinhos, o que terminou resultando em sérios problemas psicológ… bem, isso não vem ao caso agora! Os quadrinhos que eu ganhava esporadicamente não eram mais suficientes, e eu comecei a fazer expedições em bancas de revistas por toda a cidade atrás de novos quadrinhos que eu pudesse colecionar. Todo dinheiro que caía na minha mão eu gastava com quadrinhos. Roubava troco de padaria, economizava dinheiro de lanche na escola, qualquer centavo que eu podia eu gastava com quadrinhos. Minha coleção logo virou uma gibiteca freqüentada por todo o pessoal da rua e meus pais começaram a reclamar da bagunça e do espaço que os gibis ocupavam no meu quarto.

Alguns exemplares da minha coleção de MAD. Essas são da época da editora Vecchi. Influência fundamental na minha formação filosófica!

Desde criança sempre curti ler livros teóricos sobre quadrinhos. Esses são alguns dos meus favoritos. O Shazam está autografado pelo querido Álvaro De Moya. Aquele livro da direita eu nunca mais vi em lugar algum, acho que é bem raro.

Calafrio e Mestres do Terror. Engraçado como muita gente não lembra dessas revistas. Foram vitais na minha formação: além dos ótimos (e péssimos) quadrinhos, vinham sempre com várias matérias sobre história dos quadrinhos. Aprendi demais lendo elas. Também gostava de copiar desenhos delas, e re-escrever as histórias em forma de prosa na minha máquina de escrever. Infância útil!

Quando era criança, me alimentava muito desses gibis europeus que saíam em Portugal e eram vendidos em tudo quanto era livraria, e até em bancas de jornal. Tinha de tudo, eu lia qualquer uma que passasse na minha frente.

E quando decidiu levar essa paixão a sério mesmo, estudar, debater e posteriormente dar aulas?

Lá pelo final dos anos 1980 e início dos 1990 eu comecei a ler quadrinhos mais adultos – e entender! A revista Animal teve um impacto indelével na minha mente juvenil em formação. Também saiu no Brasil a Cripta do Terror e eu era fascinado pela história dos bastidores da revista, a perseguição do governo, a censura. Também comecei a entender melhor o humor político do Laerte, do Angeli, e do Henfil. Depois li Maus que também me mostrou que quadrinhos não eram apenas engraçados e divertidos, mas também podiam ter um impacto humanizador muito forte, algo que eu só fui descobrir no cinema e na literatura algum tempo depois. Com o tempo eu também fui me interessando cada vez mais pela história dos quadrinhos, pelas técnicas de desenho e reprodução, e o fascinante universo dos quadrinhos de maneira geral. Na faculdade sofri muita perseguição dos professores da escola de arte que odiavam quadrinhos mesmo sem conhecer nada, então segui carreira acadêmica para tentar reverter um pouco esse cenário de preconceito e ignorância.

Parte da minha minguada coleção de Animal, uma das melhores revistas de quadrinhos do mundo, que reunia o que havia de melhor nos quadrinhos europeus e brasileiros, além do insano fanzine Mau que vinha dentro. Foi essa revista que salvou a minha vida, se não fosse por ela hoje eu poderia ser bancário ou contador.

Quantas HQs você  tem?

Não faço a menor idéia. Não fico contanto nem catalogando muito. Eu nunca tive espaço adequado para minha coleção, então ela sempre ficou em pilhas e caixas. Nunca tive saco para contar, mas são dois armários lotados, para desespero da minha mulher e da faxineira… Uma vez eu morei sozinho por 4 meses e a melhor coisa que eu fiz nessa época foi tirar todos os meus gibis das caixas e espalhar pelo quarto inteiro, colocando uma pilha do lado da outra, classificadas por tema e assunto. Foi lindo ver todos aqueles gibis um do lado do outro, mas depois que virei pai de família tive que esconder tudo de novo para meu filho não rasgar nada sem querer. Agora é um problema, eu já não tenho aonde guardar os meus quadrinhos, e ele já está começando a colecionar os dele…

A maior parte da minha coleção fica enfiada nesse armário, onde normalmente deveriam haver roupas... Todas as minhas roupas ficam enfiadas em uma portinha, todo o resto do meu escritório tem livros, revistas e outras coisas do tipo.

Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Tem várias coisas, prefiro mostrar com as fotos!

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Difícil dizer. Uma vez comprei um Contrato com Deus em um sebo, 10 minutos antes de um outro cara aparecer procurando ele. Hoje esse livro tem um autógrafo do Will Eisner. Também comprei em um sebo um Super Heróis Shell #0, um dos primeiros gibis de super-heróis que saiu no Brasil, cheio de erros de tradução e adaptação. Meu Akira japonês também saiu barato. Também tenho uma pilha de gibis do Fantasma que deve valer uns 600 reais, e ganhei de graça do meu tio. Agora, em termos de raridade, eu tenho muitos fanzines que provavelmente nem os próprios autores guardaram… Essa semana mesmo eu recebi o jornalzinho da UFMG, e na capa tinha 3 revistas dos anos 1970 que eram parte do acervo da universidade, e que estavam em uma exposição na reitoria sobre literatura underground dos anos 1960 e 1970… adivinhem: uma das revistas, eu tenho! Comprei baratinho em algum sebo e nem sabia o que era. Agora guardo a revista junto com o jornal para ajudar a contextualizar. Passaram-se mais de 10 anos até que eu descobrisse o que era aquela revista, mas agora consegui!

Autógrafo do Will Eisner. Sem comentários.

Super-Heróis Shell número zero! Possivelmente um dos gibis mais raros e importantes da minha coleção. Foi o primeiro gibi da Marvel publicado pela Ebal. Vinha uns textos explicando quem eram os personagens, porque quase ninguém conhecia.

Um xodó da minha coleção: encadernado japonês da série Akira, um marco dos mangás e uma das minhas HQs favoritas. Comprei barato em um sebo, não sei como!

Paguei uma boa grana nesse O Tico-Tico. Até que saiu barato, porque esse número é de 1952 - se fosse da época de seu lançamento, custaria muito mais... É muito interessante folhear um gibi e sentir a maré de historicidade que emana dele. Imaginem vocês, nessa época O Tico-Tico estava em seu quadragésimo sétimo ano de atividades... quem aprendeu a ler com ele, já podia ter até netos... E essa edição aqui ainda é de antes do Elvis Presley aparecer...

Você  tem ciúmes da sua coleção?

Não é bem ciúmes, mas eu tenho alma de museólogo com elas. Eu me sinto o dono de um canil para cachorros abandonados, que retira gibis amassados, rasgados e mofados do fundo das prateleiras e dou a eles um lar digno para viverem. Muito gibi da minha coleção eu ganhei de gente que ia jogar fora, ou que queria liberar espaço em casa, ou então o cara casou e a mulher mandou ele se livrar dos gibis. Eu pego tudo para mim, sou tipo um santo protetor dos gibis desamparados. Acho que eu devo ter medo de morrer ou algo do tipo, só sei que eu gosto muito de ter gibis à minha volta, gosto do cheiro do papel, essas coisas. Se eu fico muito tempo em um ambiente que não tem nenhum gibi por perto, eu começo a passar mal.

Você prefere mais comprar os quadrinhos no ato de seu lançamento ou investe mais em material antigo?

Normalmente eu leio coisas novas em scans na internet. Se gosto mesmo do livro, acabo comprando alguma edição decente, com capa mole mesmo, sem frescura. Muita coisa nova não sai no Brasil, então eu nem procuro nas livrarias. Nos últimos anos eu comprei muito pouco quadrinho, porque nunca tenho dinheiro sobrando para isso, gasto tudo com fraldas e coisas do tipo. Quando compro, geralmente são coisas independentes, ou então velharias de sebo. Quanto mais esquisito, obscuro e antigo, melhor.

Sempre que posso, compro quadrinhos independentes pela internet para ajudar os autores e guardar cópias de papel de quadrinhos que li e curti. Essa aqui é de um quadrinista canadense.

Aquisição recente e que mudou minha vida: The Art of Harvey Kurtzman. Simplesmente genial.

Uma daquelas coisas estranhas que caem aleatóriamente na nossa vida e mudam nossa cabeça para sempre. Achei essa revista em uma livraria super careta aqui de BH. É uma antologia de quadrinhos indies onde cada número tem um tema. Nessa edição, eles abordaram o sistema prisional americano, e tem muitas histórias feitas por detentos. É muito impressionante, e me fez enxergar uma nova concepção de quadrinhos e o que eles podem ser.

Em sua opinião, qual foi a melhor editora a lançar quadrinhos aqui no Brasil?

É difícil dizer. Tem duas coisas que precisam ser levadas em consideração: a qualidade do material, e a qualidade das edições mesmo. No primeiro quesito, o Brasil já teve editoras sensacionais, como a EBAL e a Artenova. A Abril teve seu momento nos anos 1980 e 1990. Hoje em dia, temos muitas novas editoras, bem menores que essas antigas, mas com muita qualidade de repertório e qualidade editorial mesmo, do objeto livro em si. A Conrad por exemplo é muito irregular, mas costuma tomar muito cuidado com a qualidade de seus livros, e tem um acervo muito bom. A Companhia das Letras também está fazendo bonito, o catálogo deles está excelente e melhorando ainda mais, e os livros são muito bem feitos. A Zarabatana também faz um trabalho incrível. Acho que são minhas três favoritas do momento, mas boto muita fé na Barba Negra também.

Você guarda muita “porcaria” ou se desfaz imediatamente do que acha ruim?

Eu nunca fiz terapia, mas estou conversando comigo mesmo e tentando me convencer a sumir com algumas coisas que eu não leio nunca. O problema é que eu me recuso a jogar no lixo qualquer artefato cultural. Só de saber o trabalho que deu para escrever, desenhar e imprimir aquele gibi, eu já fico cansado, e não tenho coragem de mandar um gibi para a reciclagem para virar saco de pão. Hoje em dia eu tenho mais contato com a Gibiteca de Belo Horizonte, e acho que se eu mandar alguns gibis para lá eles vão ser bem cuidados, e vão ser lidos, que é o mais importante. Não adianta nada eles ficarem trancados aqui em casa, prefiro deixar que a molecada leia tudo. Um dia eu prometo que vou sentar com calma e encher uma caixa com gibis para serem doados. Quanto à porcaria, isso é relativo: eu tenho um gibi muito ruim que foi escrito pelo Stan Lee antes de criar o Homem-Aranha, então apesar de eu nunca mais ler esse gibi, preciso guardá-lo para fins de pesquisa.

Quem se lembra dos loucos anos 1990, quando todo mês saía nas bancas uma graphic novel de altíssima qualidade a preços acessíveis?

Mais dois exemplos da excelente Coleção Graphic Novel da Editora Abril, que deixou saudade e marcou toda uma geração de quadrinheiros!

Vocês se lembram de como era o mundo antes da internet? Quando esse gibi chegou em Belo Horizonte, pessoas que eu nunca tinha visto na vida me paravam na rua e perguntavam "você é o cara que encomendou aquele Sin City que está lá na loja?" Eu virei uma espécie de celebridade local porque eu tinha esse livro. Era muito estranho.

Revista da Abril que misturava quadrinhos brasileiros e de outros países. Era bem irregular, mas no geral tem um clima muito gostoso, que se perdeu nos quadrinhos de hoje, sei lá por que.

Na época em que a Image bombava, eu não tinha mais saco para super-heróis normais. No entanto, vivia comprando qualquer esquisitisse que chegasse dos EUA. Quem se lembra do Trencher? Os desenhos do Keith Giffen eram lindos!

Você  acompanha séries mensais hoje em dia ou prefere comprar encadernados, edições definitivas, hardcovers e tal?

Eu não tenho conseguido acompanhar nem os aniversários da minha família, imagina se eu vou conseguir acompanhar gibi. Mas eu nunca tive saco para acompanhar séries, eu odeio novela e coisas do tipo, prefiro sentar com o gibi inteiro no colo e ler tudo até o fim. Quando a Abril lançava Mai – A garota sensitiva eu ficava passando mal esperando a próxima edição. Fiquei de saco cheio. Nessa época meus amigos também liam X-Men e eu não tinha a menor paciência para aquela novela interminável. Então hoje não acompanho nenhuma série, só acompanho os autores e artistas que eu curto.

Como você  organiza suas revistas e quais técnicas usavam para conservá-las?

Eu tento guardar tudo separado por tema e assunto, porque quando estou criando minhas histórias eu preciso de muita referência. Separo as de terror, as antigonas, as tirinhas, coisas assim. Também separo por formato para facilitar o armazenamento. Quanto à conservação, eu mantenho os gibis longe da luz do sol, e mantenho um bom estoque de naftalinas nos armários, mas é só isso. Não uso saquinhos de plástico nem nada do tipo.

Tem alguma história triste na sua vida de colecionador?

Sim, todas as inúmeras vezes que eu vi um gibi que queria comprar mas não tinha dinheiro! Mas isso faz parte do esporte, se eu fosse rico e comprasse tudo que visse pela frente não ia ter a mesma graça, ia banalizar. Prefiro me sentir como um caçador, explorando a cidade atrás de gibis raros, com dinheiro suficiente apenas para um deles, e precisando mirar bem para acertar na compra certa. Que mentira idiota, é claro que eu preferia ser rico… Que droga…

Você  tem alguma mania de colecionador? Ou melhor: eu sei que, como colecionador, você tem algumas manias, quais são?

Eu fiquei tentando pensar em alguma, mas não consegui. Eu só me preocupo com a integridade física dos meus livros e revistas, não quero que eles dobrem nem amassem nem nada, e tomo cuidado para não dar traça nos armários. Fora isso, acho que não tem nada de mais. Mas por outro lado, todo maluco sempre acha que não tem nada de errado com ele…

Outro mangá esquisito que eu tenho é essa edição do Gen Pés Descalços traduzida para o Esperanto!

Tenho várias edições desse mangá. Elas datam de 1967 e 1968. Não tenho certeza de que revista é essa, mas dentro tem histórias do Fantomas. Comprei isso de um colega de escola. Aqui em Belo Horizonte existem muito poucos imigrantes de origem japonesa, então foi mesmo uma grande sorte minha ter conhecido esse cara. Fomos amigos no colégio todo, desenhávamos quadrinhos ao invés de estudar álgebra. Hoje ele é um famoso repórter futebolístico aqui em Belo Horizonte.

Falando em Japão, tenho alguns poucos exemplares de uma coisa muito bizarra que não existe mais: foto-novelas. Essa aqui é sobre um grupo de pilotos kamikaze.

Catálogo de uma exposição do Art Spiegelman que aconteceu no Rio de Janeiro. O conteúdo é fascinante, um dos meus livros favoritos, cheio de making ofs e artigos. Paguei 10 reais.

Quais são seus cinco personagens favoritos?

Se o seu pai e a sua mãe estivessem afogando e você só tivesse uma bóia, qual dos dois você salvaria? OK, vou tentar… Corto Maltese, Daigoro (Lobo Solitário), V (de Vingança), Snoopy e a mulher batata de Como Uma Luva De Veludo Moldada em Ferro.

Eu ia te perguntar quais são suas 10 HQs favoritas, mas não vou mais! Quero saber quais são as 5 melhores HQs lançadas depois de 2000?

Eightball 23: The Death Ray (2004)

The League of Extraordinary Gentlemen – vol. 2 (2004)

Black Hole (2005)

Asterios Polyp (2009)

Tales Designed To Thrizzle (2009)

Como pode ver, tem mais de 10 anos eu não consigo acompanhar o mercado europeu e o japonês…

Melhor quadrinho que eu pensei que era de depois de 2000, mas era exatamente de 2000: Jimmy Corrigan.

Melhor quadrinho que saiu no ocidente em 2002, mas é de 1998: Uzumaki.

Melhores quadrinhos dos anos 2000 que eu ainda não li: Fables, Promethea, Bone, Julius Knipl, Real Estate Photographer: The Beauty Supply District.

Melhor quadrinhos de 2000 que eu não gostei: Scott Pilgrim.

Melhor quadrinho depois de 2000 que ainda não lançou o final: X’ed Out.

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Uma vez eu quis achar um quadrinho underground de 1975 sobre uma mulher amputada que descobria um submundo de orgias sexuais de amputados. Depois que eu consegui encontrar isso scanneado, nunca mais duvidei de nada. Eu ia dizer que é difícil achar quadrinhos nacionais antigos, mas outro dia baixei A Garra Cinzenta completo em PDF, então até isso está rolando. OK, tem uma coisa que eu nunca achei para baixar direito: o Pogo completo do Walt Kelly. Eu sei que existe em livro, mas eu não tenho grana para comprar, e nunca achei em CBR. Mas um dia aparece…

O lendário Gibi, tão popular que virou sinônimo de revista em quadrinhos no Brasil, como Bom Bril e Coca-Cola. Por que não existem mais essas revistas com um montão de quadrinhos diferentes na mesma revista?

Gosto de colecionar quadrinhos de super-heróis brasileiros, como Fantar, Escorpião, Judoka, e o Raio Negro. Essa capa é de uma re-edição do Raio Negro que saiu nos anos 1990 pela saudosa editora ICEA, que também publicava as revistas Mephisto e Guerreiros de Jobah.

Essa aqui é de um quadrinista americano chamado Michael Neno. O gibi dele é uma espécie de Jack Kirby pós-estruturalista com pitadas de psicodelia e absurdismo. Cativante!

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Outro dia eu reli Vida Boa do Fábio Zimbres, que é fantástico, mas o senso de humor não é para qualquer um. O Zimbres é um grande mestre. Fora isso estou relendo muita coisa antiga para pesquisar para o livro que estou desenhando atualmente. Muito Peanuts, Calvin e Haroldo, Krazy Kat, e principalmente três tirinhas que eu não lia há muitos anos e que são bem melhores do que eu me lembrava: Recruta Zero, Hagar, o Horrível e principalmente Kid Farofa.

Daniel muito obrigado pela entrevista! Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Freqüentem as gibitecas e sebos da sua cidade. Quando for a uma livraria, perguntem pela sessão de quadrinhos. Levem quadrinhos para o trabalho, a faculdade, a academia. Mostrem os livros para seus conhecidos, comentem, incentivem eles a ler. Leiam quadrinhos em público, em cafés, bares, restaurantes, bancos de praça, filas. Formem clubes de leitura de quadrinhos. Incentivem as crianças para que continuem lendo quadrinhos mesmo depois de adultas. Quando precisarem comprar um presente de aniversário, dia das mães, dia dos namorados, natal, comprem quadrinhos, especialmente para pessoas que não têm o hábito de ler quadrinhos. Fiquem atentos aos quadrinhos independentes, aos artistas que estão aparecendo agora. Vão a todos os encontros, convenções e lançamentos de livros que puderem. E acima de tudo, peguem um lápis e um papel e vamos fazer quadrinhos, porque o mundo sempre precisa de mais!

Meu livro de cabeceira: o criador do Coringa organizou essa coleçao de tiras antigas comentadas pelos maiores craques dos quadrinhos, gente como Mort Walker e Milton Caniff e Walt Kelly. É cheio de coisas obscuras maravilhosas, um tesouro sem fim de inspiração.

O que diabos esse gibizinho estúpido sobre uma supermodel está fazendo na minha coleção? (1/2)

Ora essa, mas então era assim que o Stan Lee pagava o aluguel antes de inventar o Homem-Aranha! E pensar que esse gibi saiu no Brasil! (2/2)

Aquisição recente: um lote de "El Víbora"s encadernadas que ganhei de um amigão meu que é basco e me trouxe uma sacola cheia desses gibis tão lendários. Impossível explicar o quanto isso vale pra mim.

Revista para jovens de 1947 que ganhei de uma leitora do meu Twitter, cuja identidade será preservada por motivos de segurança dela e da família dela. Vejam só que preciosidade esses quadrinhos super esquisitos. "Os Enganos de Pituca na Bahia"

Outro presente dos meus grandes amigos que moram na Espanha: a madrinha do meu filho trouxe esse catálogo de uma exposição do Wallace Wood que aconteceu lá em Barcelona. É um calhamaço enorme, maravilhoso, de um artista que eu amo muito. Só dava pra comprar direto no museu, não tem isso pra vender na Amazon nem nada do tipo.

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  1. Esse é o Minha Estante mais “Off-Road” que apareceu por aqui.
    Essa coleção é um museu dos quadrinhos. Onde um guia vai te explicando e contando a história de cada quadrinho, (a maioria novidades pra mim)
    contando não só sobre a peça em si, mas tb a história do achado, da garimpagem, da exploração que deve ser tão interessante quanto.
    Realmente tudo isso não deveria ficar em um quarto, mas como o próprio Daniel disse: “prefiro deixar que a molecada leia tudo.”

  2. Em alguns aspectos parece mais minha biblioteca, que têm livros até debaixo do monitor. Muito boa essa Minha Estante, esse colecionador é meio underground.

  3. Sabia que nesse mato tinha coelhos, e que coelhos!
    Pode escrever palavrão aqui? Porque c… Daniel, que coleção foda!

    Não é a toa que a cada reunião do Clube de Leitura na Gibiteca fico pensando “o que será que o Daniel vai levar…?”.

    Bela entrevista, respostas supimpas (ainda está em uso esta palavra?) desse cara que conhece MUITO de HQ e ainda é DJ e barman p…!

    Grande abraço!

  4. conozco a daniel personalmente y es un cara apasionado por los cuadrinhos,muito boa coleccion y fantasticas sus explicaciones,gracias daniel,obrigado brasil.

  5. Puta bagunça o armário de HQs dele! Inegável que tem muita coisa excelente, mas podia ter mais cuidado com elas.

  6. Vários quadrinhos que foram mostrados ali, eu nem sabia que existia.
    Parabéns pelas edições e um belo puxão de orelha pela falta de zelo pela mesma.

  7. muito bom ver a coleção de alguém que se parece mais com a gente, com pouca grana, pouco espaço e gostando de coisas variadas e não só de um segmento específico e coisas que circulam o mainstream. o Daniel é tipo um arqueólogo nesse sentido, e são dessas coleções que a gente mais conhece coisa nova, verdadeiras obras primas que por alguma série de desventuras acabou por ficarem completamente esquecidas.
    o melhor é tipo “olha essa aqui que foda, paguei 10 reais haha”
    mta inveja haha!