Highschool of the Dead – lindas colegiais matando zumbis! Que belo mangá!

Desde que a Conrad colocou em bancas seu primeiro mangá no padrão oriental de leitura, em novembro do ano 2000, os quadrinhos japoneses se tornaram uma verdadeira febre em todo o território nacional. A largada foi dada com duas séries que já possuíam apelo entre os brasileiros, Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, mas de lá pra cá o crescimento nesse segmento de publicações foi exponencial, tanto em quantidade, na variedade de títulos, quanto em qualidade gráfica e editorial. Com várias editoras atuando nesse mercado, hoje ninguém pode reclamar de falta de opções de leitura.

Lobo Solitário, Dragon Ball, Berserker, Angel Sanctuary, Monster, Battle Royale, Yu Yu Hakusho, Gantz, Love Hina, Samurai X, One Piece, Naruto, Evangelion, enfim, muita coisa boa já saiu e continua saindo por aqui, para desespero dos nossos bolsos. Em meio a tanto material, dois autores desconhecidos conseguiram se destacar pegando carona em um fenômeno mundial do entretenimento: os zumbis!! Highschool of the Dead, série escrita por Daisuke Sato com arte de Shouji Sato, teve sua primeira edição lançada em abril de 2010, pelo selo Planet Mangá da Panini, que acertou na escolha do material. Ora, se já vimos o tema em filmes norte-americanos, europeus e até mesmo nacionais (você não conhece Mangue Negro e Capital dos Mortos? Corre atrás!), em livros de diversos tipos, incluindo o Apocalipse Zumbi escrito por nosso amigo Alexandre Callari, em games, em séries de TV e etc, estava mais do que na hora de termos um mangá com os famosos e temidos devoradores de carne humana!

A trama não poderia ser diferente do habitual: pessoas forçadas a conviver e a sobreviver durante uma infestação de zumbis. A introdução ocorre em uma escola de ensino médio, onde vemos uma grande confusão de alunos fugindo e lutando contra infectados, e logo somos apresentados a alguns dos personagens principais. Em seguida, por meio de um flashback, vemos o momento em que, naquela mesma manhã, o inferno começou. Como em toda epidemia, o mal se alastra que nem fogo em cima de palha. Quando um homem estranho e violento se aproxima dos portões do colégio, alguns professores e funcionários precisam expulsá-lo. Bastou um valentão atrevido se aproximar descuidado para levar a primeira mordida e pronto, os contaminados começaram a se multiplicar.

Por toda a primeira edição vemos os alunos e uma linda médica da escola se virando para sobreviver. Uma gama de pessoas com diferentes personalidades confinadas em um ambiente extremamente hostil, situação mais que suficiente para gerar cenas de ação emocionantes e conflitos de interesses dos mais variados. Já no fim do primeiro número os sobreviventes escapam do colégio para o cenário exterior e terminam divididos em dois grupos, preparados para enfrentar todas as ameaças que esse mundo caótico agora irá jogar para cima deles. Pouco mais de 150 páginas de leitura e você se verá obrigado a continuar acompanhando.

O mais interessante da história são os elementos típicos da cultura nipônica nesse contexto de apocalipse zumbi. De colegiais sensuais com saia de pregas a praticantes de kendô cortando cabeças, quem está familiarizado em ler mangás certamente irá se divertir. E por se tratar de uma série adulta, restrita a maiores de 18 anos, mulheres bonitas com peitos enormes é o que não falta (tem até zumbis com peitos enormes), fornecendo aos marmanjos a oportunidade de ver decotes e peças íntimas quando entram em confronto com os zumbis, de um jeito que só os japoneses conseguem desenhar.

A propósito, essa é justamente uma das grandes qualidades da arte de Shouji Sato: as suas mulheres são maravilhosas. Ele desenha personagens femininas como poucos, explorando suas formas pelos ângulos mais inusitados. A beleza do “sexo frágil” é um dos principais atrativos de Highschool of the Dead, tanto que as capas sempre trazem estampada uma das garotas da série. Tal sensualidade vem direto dos hentais (mangás eróticos), um dos estilos mais trabalhados por Shouji Sato em sua carreira de desenhista.

Mas, existem bem mais coisas para serem elogiadas no traço de Shouji. Ele tem um grande conhecimento de anatomia e expressões faciais, o que torna seus personagens bastante verossímeis – basta uma única olhadela deles para sabermos o que estão pensando. Tal domínio em representar o corpo humano rende as melhores cenas de mutilação que uma história de zumbis pode querer. O negócio chega a ser gore, de tão violento. Os mortos-vivos perdem olhos, tripas, cérebro e muito sangue quando são golpeados pelos sobreviventes – e claro que o inverso também acontece quando alguém acaba vítima das garras e mordidas deles. O artista não poupa o estômago do leitor e representa tudo da forma mais realista possível.

É necessário comentar também as cenas de ação. Shouji Sato é perito em movimentação, ele consegue utilizar as rachuras (aquelas linhas que denotam movimento e velocidade) sem deixar as páginas visualmente poluídas, auxiliando totalmente na composição. Além disso, o desenhista faz uso de todos os elementos possíveis para “animar” sua narrativa gráfica. As roupas dos personagens, cabelo, onomatopeias, balões, sangue espirrado e até mesmo os peitos das mulheres servem como recurso para garantir a sensação de movimento. Isso é espetacular! E o mais importante, na contramão de muitos comics e mangás que tem por aí, as sequências de combate de HotD não são confusas.

Mantendo o nível de seu parceiro, Daisuke Sato consegue empolgar com o roteiro. Tal como Walking Dead, o foco não está na causa da epidemia, e sim na relação do grupo de sobreviventes e na luta contra os zumbis. O escritor consegue dosar bem os momentos de ação e sensualidade, entregando na medida certa aquilo que seu desenhista mais se diverte em fazer. Seu elenco de personagens é bem variado, indo do mais ingênuo até o mais psicótico, e a cada edição novas pessoas são apresentadas. É a fórmula de qualquer trama de sucesso: bons personagens, capazes de despertar sentimentos de afeto ou raiva nos leitores, e também de tristeza, quando alguém querido pega o elevador rumo ao mundo de cima.

Só não pense que a série é parecida com a supracitada Walking Dead, na verdade seu tom é completamente diferente – o que é bom. Highschool of the Dead é uma HQ mais agitada, dinâmica, com uma forte pitada de humor e alguns trechos meio cartunescos, que contrastam com o clima de trevas e violência em que se pauta a cerne da obra. Talvez os leitores não muito familiarizados com mangás e animes estranhem um pouco, devido a alguns exageros típicos do modo oriental de contar histórias, mas, como disse antes, se você gosta de quadrinhos japoneses e gosta de zumbis com certeza irá aprovar (se for homem, pois a combinação de violência e erotismo pode não agradar algumas leitoras).

O título fez bastante sucesso no Japão e nos EUA, entrando mais de uma vez para a lista do The New York Times de mangás mais vendidos. No Brasil, a recepção também foi boa, com os exemplares (de periodicidade bimestral) vendendo rapidamente em lojas como a Comix. Entretanto, a publicação de HotD sofreu uma pausa em abril de 2011, após seis edições, voltando a sair somente agora, em julho de 2012, o que é uma ótima notícia para os fãs. Esse hiato também ocorreu no Japão, em razão de uma temporária interrupção por parte dos autores, portanto, o Brasil alcançou as edições originais e agora vai seguir paralelamente na publicação. Se você ainda não conhecia, aproveite o retorno às bancas e corra atrás dos primeiros números para começar a acompanhar.

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  2. Excelente análise!! Sou um grande fã dessa série! De fato, a mistura de humor, erotismo, ação e drama é impressionante. Gosto principalmente do fato da história ser fortemente inspirada em Romero, sobretudo em se tratando da caracterização dos zumbis e do desenvolvimento psicológico dos personagens. Acho que só faltou dar a dica do anime, que também é excelente, principalmente no quesito erotismo: nossa, o episódio 06 tem uma cena em que as meninas tomam banhos juntas – caramba, viu! Há também um OVA, que tem uma história bem fraquinha, mas tem a dose de erotismo bastante elevada. Enfim, não leio muito mangá, mas sou fã de zumbi, e acredito que quem é fã de zumbi realmente precisa conhecer HOTD. Um abraço.

  3. Se não me engano esse manga foi adaptado em anime. A história parece-me a mesma. Tem uns 10, 15 episódios. O manga ainda não li, mas o anime assisti alguns episódios. Não chega a ser um hentai, mas é um ecchi bem maroto. Dei uma busca rápida na internet, mas não encontrei as edições antigas para comprar. Aqui no Brasil foi publicado com esse nome mesmo? Abraço.

    • ja to ate9 com comee7o de tendinite de tanto aazaluitr isso e9 que nem chegar na igreja as 18h em ponto em um casamento programado para as 21H e querer a noiva no altar !!!! a serie passa nos EUA de segunda ou tere7a a noite, entao o pessoal do site corre que nem locos e colocam a versao original e dai na madruga de tere7a pra quarta a gente fica tremendo esperando liberarem com a legenda !!! Vale a pena a adrenalina !! e o pessoal do site TA DE NOTA 10 trazendo os episodios o mais em cima do lane7amento !!! fu-di-do !!! vo ver todos aqui !!!!

  4. Ótima análise!! Sou um grande fã dessa série! De fato, a mistura de humor, erotismo, ação e drama é impressionante. Gosto principalmente do fato da história ser fortemente inspirada em Romero, sobretudo em se tratando da caracterização dos zumbis e do desenvolvimento psicológico dos personagens. Acho que só faltou mesmo dar a dica do anime, que também é excelente, principalmente no quesito erotismo: em especial o episódio 06, em que as meninas tomam banho. Há também um OVA, que tem uma história bem fraquinha, mas com a dose de erotismo bem mais elevada. Enfim, não leio muito mangá, mas acredito que quem é fã de zumbi, como eu, precisa muito conhecer HOTD. Um abraço.

    • De fato, tem bastante erotismo (eu não chamaria de putaria). Mas, eu pelo menos, não vejo mal nisso. Está certo que tem alguns abusos (como o cordão da arma enroscando nos seios da mulher e etc), mas são exageros típicos de mangá, dá pra relevar. Certeza que em um real apocalipse zumbi a putaria não deixaria de existir XD…

  5. Bah Bruno… Eu olhei o anime e achei bem exagerado no erotismo e em algumas partes parece que eles colocam situações sexuais (uma, na verdade) de forma que parece ser só pra agradar os leitores, indo muito além dos exageros típicos… Tem um clima muito legal (como quase tudo de apocalipse zumbi), isso com certeza! Mas acho que uma mão mais leve (ou talvez uma escrita mais madura em algumas partes) seria melhor.

  6. Gostei da analise. Ainda nao conhecia esse mangá mas acho que vou dar uma chance.
    Vou aproveitar e ver o Anime tbm.
    Obrigado pela dica.

  7. viva HOTD \o/ eu adoooro o anime e preciso baixar logo o manga (pq comprar não dá ç_ç) pra ver a historia toda kkkk eu e meu amigo até fizemos cosplay XD

  8. Bruno, você sabe se o anime vai ter continuação? Porque é osso a gente assistir os 12 episódios esperando pelo final da coisa e acabar do nada. Não li o mangá ainda, mas o anime é muito bom! Valeu a dica 😀

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