Entrevista com Estevão Ribeiro, autor de Os Passarinhos e Pequenos Heróis

Olá, queridos leitores!

É com grande satisfação que apresentamos a vocês a entrevista com o  roteirista e ilustrador  Estevão Ribeiro, criador das tirinhas cômicas Os Passarinhos, do projeto em quadrinhos Pequenos Heróis e autor do livro de terror A Corrente.

Se você não conferiu nenhuma dessas obras, não sabe o que está perdendo.

Os Passarinhos é  uma das melhores tirinhas da atualidade para se acompanhar, humor sutil, repleto de referências bacanas, Hector e Afonso são extremamente cativantes e a galeria de personagens coadjuvantes é fantástica, destaque para Piu Gaiman e Paulo, o Coelho.

Pequenos Heróis é um obra encantadora, sem dúvida um dos  melhores lançamentos de 2010. A homenagem prestada por Estevão e os artistas que o acompanharam aos heróis da DC são de uma inocência e inspiração raras. Impossível não se emocionar com as crianças e seus atos heróicos cotidianos ali retratados.

O livro A Corrente para quem gosta de um bom thriller de suspense é imperdível. Você simplesmente não vai tirar os olhos do livro, pois a história do hacker Roberto Morate, da insana Bruna e seus malditos spams é tensa do início ao fim.

Ficou curioso?? Então leia a a conversa a baixo, conheça melhor Estevão Ribeiro.

Olá, Estevão, fale-nos um pouco sobre seu começo de carreira. De onde surgiu a decisão de desenhar e publicar quadrinhos?

Olá! Os quadrinhos sempre estiveram na minha vida. Meus irmãos colecionavam quadrinhos da Marvel e DC, além de Disney. Eu, como o caçula, sempre herdava as revistas velhas. Sempre tive vontade de escrever quadrinhos, eu ilustrava todas as minhas redações. Cheguei a ganhar como prêmio na 3ª série um “Resta 1”, fazendo uma história em quadrinhos sobre escovação dos dentes.

Aos 14 anos escrevia histórias, aos 18 desisti de vez de desenhar e começaram as parcerias com desenhistas. No dia 03 de maio de 2000, publiquei a primeira página do Tristão, um vigilante de máscara branca, no jornal Notícia Agora, no Espírito Santo. No ano seguinte, lancei Tristão pela editora Escala, pelo selo Graphic Talents.

Como você conheceu o pessoal da Balão Editorial, que lançou suas tiras de Hector & Afonso e outros livros?

O Guilherme Kroll é um entusiasta dos quadrinhos desde sempre, escreve para o site Universo HQ e por isso conhece muitos artistas nacionais. Como ele acompanha meu trabalho há tempos, desde a primeira hq do Tristão em 2001, logo ficamos amigos e ele conheceu outros trabalhos que lancei ao longo dos anos. Quando Os Passarinhos alcançou um relativo sucesso na Internet, eu resolvi fazer uma antologia das tiras e tentar uma pré-venda entre os leitores do blog. Aí o Kroll, juntamente com as duas sócias, resolveram adiantar um plano que estava sendo posto em prática mais devagar: divulgar a editora. Era interesse associar a editora a um produto forte e para mim havia muito interessem em publicar por uma editora.

A Balão lançou apenas Os Passarinhos por enquanto, mas temos planos de outros trabalhos em breve.

Porque optou lançar Os Passarinhos em tamanho tão pequeno, com apenas uma tira por página? Sabe se os leitores aprovaram o formato?

A maioria dos leitores aprovou, mas as livrarias não. Eu tenho tentado trabalhar um conceito de “Livro Presente”. Oferecer uma boa capa, formato diferenciado e economia na produção. Fazer um livro no formato de uma tira é bom, pois deixa o trabalho mais volumoso e o formato chama atenção – prova disso é a sua pergunta.

Por outro lado é mais fácil de ser extraviado e as livrarias podem amargar prejuízo. Mas as pequenas lojas têm colocado próximo ao caixa e nas seções de presentes, atingindo a proposta do formato. Além disso, a venda pela Internet foi favorecida com o formato, que cabe dentro de uma carta comum. O segundo álbum sairá neste formato também.

O Hector (escritor, sonhador e inocente) e o Afonso (crítico, ácido e contestador) são, em essência, representações de você mesmo?

Sim, em parte. Acho que eles são representações do que vivo. O Hector tem muito de mim sim, o Afonso também, mas das pessoas em volta, principalmente. Minha esposa faz as vezes do Afonso, meu enteado (de nove anos) faz o Hector, com suas perguntas ingênuas. Às vezes sou simplesmente eu, refletindo sobre o que eu faço (escrever, desenhar) ou sou eu dando um choque de realidade num passarinho sonhador.

Conte-nos sobre o processo de criação de Pequenos Heróis. Porque decidiu fazê-la sem nenhum balão de texto?

Pequenos Heróis era, no início, um projeto de curtas-metragens animados. A idéia de fazer histórias sem falas é uma comodidade operacional: se o trabalho estiver num festival não necessitasse legenda e tradução.

Quando o projeto não vingou, acabei chamando Mário César, que trabalhou comigo na história A Demente do álbum Contos Tristes e ele desenhou a história “Superbro”.

A partir daí usei o material ilustrado pelo Mário para explicar o projeto para outras pessoas. Era complicado explicar que eu estava escrevendo histórias de crianças e adolescentes que homenageavam os heróis da DC que não apareciam…

Os artistas e os leitores achavam que teria quebra de Copyright, mas depois que viam a história do Mário entendiam o projeto. E gostavam.

Sobre a falta de balões é como te falei: comodidade operacional. Assim temos um material que pode ser entendido por crianças ou pode ser exportado sem problemas.

Qual seu critério para a seleção dos desenhistas envolvidos em Pequenos Heróis e como foi a experiência de trabalhar com esses profissionais?

Foi estranho. Eu chamei umas pessoas que não estavam na mídia, mas tinham um traço promissor. Ou faziam alguns trabalhos, mas não estavam ainda na vitrine, sabe? Do outro lado vem o Mário, que conhecia a galera que já trabalhava com revistas, ou dava aula de desenhos. Eu perguntava para eles o que eles gostariam de desenhar (ou o Mário me sugeria para um personagem específico) e tudo foi se acertando. No final, todos ficaram felizes com os resultados.

Aliás, todos são ótimos para trabalhar. Tínhamos um problema grave de prazo. Na verdade, o problema era (e continua sendo) DINHEIRO. Todos que participaram não ganharam pela produção e era mais que justo que eles deixassem o trabalho para as horas vagas e cuidassem dos seus trabalhos. E quem disse que artista tem hora vaga?

Com isso o trabalho demorou três anos para sair. Mas o resultado está aí, bonito pacas. É meu orgulho.

O Resultado foi sensacional! Inclusive, Parabéns!

Pelo que soubemos, está nos seus planos fazer uma versão de Pequenos Heróis com os personagens da Marvel, o projeto já está encaminhado? Pode nos contar quais são os oito escolhidos bem como algum artista já confirmado?

Não são oito, na verdade, é uma pá de gente, mas como estamos sem prazos e eu ainda preciso mexer em todas as histórias, melhor eu não contar os novos integrantes da trupe (nossa, que palavra velha!). Posso adiantar que da turma anterior, apenas a Chiella (Fernanda) não quis participar, por causa do excesso de trabalhos.

Certamente existem milhares de desenhistas e roteiristas talentosos que desejam lançar quadrinhos por uma editora como a Devir, conte pra eles sobre sua experiência na negociação de Pequenos Heróis.

Olha, a Devir é uma das empresas mais “acessíveis” para trabalhos. Só que tem uma coisa: ela, com a maioria das editoras, não trabalham com adiantamento de direitos autorais. Então, apresentar um projeto é… apresentar um projeto, apenas. Não é garantia de publicação, de impressão de seu trabalho. Até porque o mercado é instável e tem, como você mesmo falou, milhares de desenhistas talentosos com projetos nas mãos. Quem tiver o mais interessante e, o mais importante, pronto para publicar, tem maiores chances de trabalhar com a Devir.

Como tem sido a recepção do seu livro A Corrente? O processo criativo para escrever literatura é muito diferente do escrever roteiros para HQs?

Ainda é cedo para dizer, os acertos são feitos semestrais. O livro é bem diagramado e a capa chama a atenção, mas é baixa tiragem, o que torna mais difícil de ser vendido.

Mas as críticas ao livro tem sido animadoras e tenho fé que este livro chegue a muitas mãos este ano. Sobre o processo criativo, eu acho extremamente parecido, uma vez que minha estrutura de texto de romance é bem descritiva, como os roteiros de quadrinhos, o que funciona com histórias narradas em terceira pessoa. Para terror isso passa um isolamento do leitor. O narrador não é um personagem, não está ali para sofrer junto com o leitor. Ele dá as informações, conta o que aconteceu ou está acontecendo com alguém em cena e esse cenário literário me agrada.

Pergunta difícil. Como você trabalha com livros e quadrinhos, se um dia tivesse adura missão de escolher continuar com apenas um dos dois, por qual optaria e por quê?

Independente de qual trabalho eu escolhesse, eu não seria totalmente feliz. Sou aquele irmão mais novo que vê o irmão mais velho brincar com a bola e corre atrás da bola, chora para tê-la. E quando o irmão mais velho vai pegar o carrinho, eu largo a bola e vou chorar pelo carrinho. Quadrinhos, livros e TV para mim são projetos que eu preciso ter o “poder” de fazer quando tiver vontade ou quanto quiserem.

Voltando a Pequenos Heróis, qual a sensação de se deparar com seu quadrinho nas listas de melhores lançamentos de 2010 e outras resenhas positivas? O mesmo para o inverso, teve algum comentário que te desagradou?

É uma satisfação, ainda mais com tanta gente boa. Estar na mesma lista que Danilo Beyruth, um cara que tem andado pelo mercado de quadrinhos a passos largos. Fazer parte da história de pessoas assim, como coadjuvante de luxo, é gratificante.

Pequeno Heróis tem claras intenções de alcançar o público estrangeiro, já pintou algum contato ou elogios de fora do Brasil?

Nós estamos publicando nos EUA em formato de E-book pela editora 215Ink. Segundo o Mário César, o editor da empresa tem muito interesse em levar o álbum para a Comicon. Estamos esperando uma formalização para comemorar nosso contato com o público americano.

Muito obrigado pela entrevista Estevão e parabéns pelo seu trabalho! Para encerrar, deixe uma mensagem para os leitores do Pipoca e Nanquim.

Eu agradeço a oportunidade e convido a galera a conhecer o meu trabalho no blog. Além de tirinhas do Hector & Afonso, lá tem notícias de outros trabalhos em desenvolvimento e dos próximos lançamentos, como O LIVRO DOS GATOS, um Conto Gráfico que ouso chamar de livro infantil. Esse livro sairá pela Llyr Editorial, selo de fantasia da editora carioca Usina de Letras e conta a história de cinco gatos de condições diversas que são forçados a se reunirem por um triste motivo. Parte da renda desse livro vai para duas ONGs que cuidam de animais abandonados.

Espero vocês lá!

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Não perca tempo, visite o blog Os Passarinhos agora! Certamente irá se encantar por Hector & Afonso.

Visite também a lojinha do Estevão e adquira seu exemplar de Os Passarinhos pela bagatela de 10,00.

Procure nas lojas de sua preferência a HQ Pequenos Heróis e o livro A Corrente. Ambos são altamente recomendados!


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  1. Aoooonnn… que fofura esses passarinhos!

    Visitei o blog do Estevão e me encantei pelo Hector…podia sair um bichinho de pelúcia dele né?!

    Parabéns pela entrevista e obrigada pela dica desses fofinhos!

    Beijos

  2. Entrevista muito bacana, eu comprei mês passado Pequenos Heróis e achi sensacional, pena que acaba muito rápido!!!

    Aguardando o da Marvel agora e rezando pra não sair daqui 3 anos só.

    Abs

  3. Pingback: [Atualizado] Hector e Afonso – Os Passarinhos

  4. “A VITÓRIA PERTENCE AO MAIS PERSEVERANTE..
    “O SUCESSO É A SOMA DE PEQUENOS ESFORÇOS”…

    Parabenizo e homenageio por meio deste o ESCRITOR ESTEVÃO RIBEIRO e toda a equipe pelo lançamento do livro “O LIVRO DOS GATOS”. Parabéns pelo EXCELENTE TRABALHO, DETERMINAÇÃO E PROFISSIONALISMO, realizado neste belíssimo trabalho e um brinde pelo SUCESSO! O potencial de trabalho de vocês é de grande valor para a comunicação brasileira. Recebam esta singela homenagem com meus sinceros votos de muitas realizações e planos futuros. Desejo nestas poucas palavras votos de muita SABEDORIA, CONHECIMENTO, ENTENDIMENTO e principalmente DISCERNIMENTO em todos os seus caminhos. Acabei de depositar na conta de vocês a importância de muitos DIAS, SEMANAS, MESES E ANOS DE FELICIDADE E PROSPERIDADE, SAÚDE, PAZ, AMOR e que Deus estenda às mãos sobre vocês e toda sua família e acrescente 100 por cento de juros em cima de tudo isso.

    “A MAIOR RECOMPENSA PELO TRABALHO NÃO É O QUE A PESSOA GANHA, MAS O QUE ELA TORNA- SE ATRAVÉS DELE.”

    DESEJO SUCESSO A TODOS!

    PAULINHO Solução
    http://www.paulinhosolucao.blogspot.com
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    Salto/SP