Dragon Age 2

Como todo RPG que se preze, a gratificação com os aspectos gerais do jogo não é imediata. É uma tradição do gênero e deve ser conquistada aos poucos: entendendo a história do universo no qual seu personagem se encontra, construindo as características desse personagem e por fim, conhecendo e se adaptando ao mundo que lhe é apresentado. Após esses detalhes indispensáveis, a recompensa além de muito bem vinda, é inevitável.

Em busca de abrigo na cidade de Kirkwall, Hawke e sua família são refugiados  de Ferelden, vítima da influência maligna (The Blight) do primeiro jogo. Após essa premissa, o enredo se foca na ascenção de Hawke como “refugiado que todos odeiam” à “líder de Kirkwall”. A introdução da história é longa e requer atenção assim como as primeiras horas do jogo. Nada de se jogar no primeiro mato que aparecer girando sua espada para todos os lados. Paciência é essencial.

A grande diferença entre os dois jogos da série é que, agora, você não tem a chance de criar seu próprio personagem. Em Origins éramos presenteados com a possibilidade de escolher o sexo, raça e classe, criando um protagonista totalmente personalizado. Em DA2 você é Hawke, guerreiro humano do Reinado de Ferelden e ponto final. As costumizações de aparência, sexo e classe se dão no mesmo formato de Mass Effect: você adiciona detalhes em um personagem previamente criado. Outra diferença é que, de cara, você vai perceber que esse game é mais direcionado aos consoles do que ao PC. Os sistemas de batalha são mais parecidos com um jogo de ação do que com um RPG clássico. Não é ruim de forma alguma, mas é bem diferente.

Uma vez que Dragon Age 2 encontra seu ritmo, ele não o perde mais e o jogo começa a tomar conta do seu cérebro. Parte dessa hipnose toda se dá por conta de Thedas, um universo estilo Térra-Média e completamente majestoso. Claro que é cheio dos clichês esperados de uma aventura medieval, mas os detalhes fazem a toda a diferença. A teologia e política de Thedas constroem um mundo de paisagem psicológica fantástica. Intolerância, escravidão e opressão dão forma a este universo sensacional. Assim como Mass Effect, você fica se perguntando se esse mundo já não existia em alguma dimensão paralela muito antes da BioWare pensar em mostrá-lo aos gamers.

Verdade, todas essas características fascinantes fazem parte do primeiro jogo. Mas como DA2 é situado todo na cidade de Kirkwall e seus arredores, esses detalhes estão mais em evidência do que no seu antecessor. Cada distrito na cidade está lotado de personagens ocupados com seu dia a dia: comerciantes oferecendo itens de segunda mão, mulheres lavando roupa, crianças brincando, ladrões saqueando, sujeitos, que lhe oferecem incubências por um punhado de moedas. Cada um com sua história meticulosamente elaborada. O cidadãos de DA2 são a veia pulsante desse universo. A cidade rapidamente se torna seu lar.

Diferente de Origins, desta vez o game caprichou nos diálogos, que são proferidos de forma muito mais confortável e convincente. A arte de dialogar é essencial à vitalidade do jogo.  Em vez da atitude, foi dado mais atenção ao tom com o qual as frases são utilizadas por Hawke. Dessa vez, você vai ser avisado se o tom de uma de suas falas pode causar uma batalha. Como um fã do gênero desde pequeno, posso dizer que o sistema de diálogo é um dos melhores já criados para um game de RPG.

Depois de se estabelecer em Kirkwall e formar sua gang, o aspecto social começa a ficar em evidência no game. Os melhores diálogos são com os membros do seu “partido”, onde cada um conta com suas crenças, habilidades e passados distintos. Quanto a relação deles com você, seus acompanhantes não vão deixar de verbalizar suas opiniões quando concordam ou discordam de suas ações, o que lhe ajuda a entender as vontades e atitudes de cada um de seus companheiros. O importante é que a BioWare decidiu transformá-los em algo mais dimensional do que simples ferramentas de guerra.

Falando em batalhas, DA2 é infinitamente mais dinâmico e liso. Você pode trocar de personagem com um simples botão ou ordená-lo pelo cenário pausando o jogo e utlizando o controle para delegar comandos ou encantos. Quando as batalhas começam, são mais rápidas e barulhentas com espadas em constante colisão e inimigos explodindo em chuvas de sangue. Em luta, cada classe rende ao jogo uma sensação totalmente diferente e você constantemente se vicia em ficar alternando entre pancadas violentíssimas com os guerreiros ou bolas de fogo com um mago.

As missões são bem simples, algo que pode deixar um gamer mais exigente como eu a desejar, já que em outras áreas o jogo foi tão cuidadosamente elaborado. Mesmo assim, não são singelas o suficiente para você ter a sensação de que estão “enchendo linguiça” com a história. As menores tarefas podem revelar partes essenciais da trama.

Assim como Mass Effect, com muita facilidade, o universo de Dragon Age 2 começa a habitar seu subconsciente até quando você não está jogando: você se lembra de uma missão complicada, de um comentário tosco de um dos seus companheiros ou de um cenário realmente magnífico. O que mais fica claro com esse game, é que a BioWare é insuperável em elaborar e construir mundos extremamente convincentes e com uma história de suporte invejável. Sem restrição alguma, já estou ancioso por Dragon Age 3.

Dragon Age 2 (Bioware/EA Games)
Xbox 360, Playstation 3 e PC

Sistema Operacional: Windows XP / Windows Vista / Windows 7
Processador: Intel Core 2 Duo 1.8 GHz / AMD Athlon 64 X2 1.8 GHz
Memória: 1GB (1.5 GB no Windows Vista e 7)
HD: 7GB
Placa de Video: ATI Radeon HD 2600 Pro 256 MB / NVIDIA GeForce 7900 GS 256 MB

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  1. Muito boa a sua análise, eu me surpreendi com Dragon Age 2, a forma como a historia se desenvolve é magnifica, assim como os personagens, o que acaba sendo frustrante é a repetição de cenários, mas nada que prejudique muito o jogo.

  2. Essa resenha me deixou seco pra jogar Dragon Age 2.
    O primeiro jogo já era fodão…esse deve ser ainda melhor.
    Só não curto a ídeia de não poder "montar" o personagem.

    Valeu!

  3. Caramba, meu primeiro comentário aqui porque tinha que dizer isso: além de videocasts, podcasts e matérias de cinema e quadrinhos, vocês também postam sobre games!!!!!! Maravilhoso! Parabéns ao site e ao colaborador, vou ler todas as resenhas dos games agora, dá licença!