Dossiê: Mulher Gato

Colaborador: André Ornelas (Marshall)

Ano que vem estréia Batman – The Dark Knight Rises, a aguardada conclusão da trilogia capitaneada por Christopher Nolan. O filme contará com aparições dos personagens Bane e Mulher Gato, que será interpretada pela bela atriz Anne Hathaway. Sem sombra de dúvida, a mera notícia da presença da Mulher Gato muito contribuiu para aumentar a ansiedade do público pelo filme. Enquanto a película não chega aos cinemas, voltemos algumas décadas no tempo a procura das origens da felina mais sensual dos quadrinhos. Afinal, Quem é a Mulher Gato e como veio a ser?

Anne Hathaway como Selina Kyle, a Mulher-Gato.

A Era de Ouro: Nasce uma ladra felina.

A Mulher Gato foi criada por Bob Kane e Bill Finger, a mesma dupla responsável pelo surgimento do Batman (embora Finger nem sempre seja lembrado), e é uma das personagens mais antigas e importantes do universo do Homem Morcego. As atrizes e divas do cinema dos anos 30 Jean Harlow e Hedy Lamarr teriam inspirado seus criadores e segundo algumas especulações, também a segunda esposa de Kane, Ruth Steel. Sua primeira aparição aconteceu na revista Batman nº 1 (1940), sob o pseudônimo genérico “The Cat”, sem máscara e sem uniforme especial. Entrementes, alguns traços clássicos da personagem já se insinuavam: sua caracterização como femme fatale e ladra de joias, atraindo e antagonizando Batman ao mesmo tempo.

Vale ressaltar que o Coringa fez sua estréia nas páginas da mesma revista, o que a torna um dos itens mais cobiçados do colecionismo de quadrinhos. Especula-se que existam atualmente cerca de 300 exemplares íntegros no mundo e recentemente um Batman nº 1 foi levado a leilão alcançando o preço de US$ 40.000.

As Atrizes Jean Harlow e Hedy Lamarr

Primeira aparição de Selina Kyle, então “The Cat” (Batman nº 1 1940).

Kane e Finger queriam acrescentar um pouco de “sex appeal” às histórias do Batman, sem ser de forma óbvia e rasa. Buscavam um interesse romântico para o Homem Morcego, mas não uma dama frágil e indefesa a ser salva na última página da história. Assim surgiu a ideia de uma personagem forte, de caráter ambíguo, que representasse um desafio e deixasse no ar um clima de mistério e sedução…como uma felina! O objetivo era conquistar leitores de ambos os sexos e não só pela bela aparência, mas principalmente pelas suas atitudes. Neste ponto vale frisar que o caráter volúvel e traiçoeiro da Mulher Gato constitui uma marca registrada indelével e é sem dúvida um mérito incontestável dos seus geniais criadores.

Criminosa, ladra, aventureira, sedutora, libertária, dominadora, eterna inimiga/amante do Batman – estas são apenas algumas das muitas facetas de sua personalidade. Criada para ser uma vilã, a Mulher Gato desafia o próprio sentido da palavra, que para ela adquiriu nova e extraordinária conotação. Uma vilã dentro de seus próprios termos, dedicada a satisfazer seus desejos e vaidades usando de ardil e malícia, Selina Kyle é uma mulher que se deleita no mundo dos homens, impondo sua vontade e conseguindo o que quer. Os limites de sua índole criminosa excluem o assassínio (exceto em poucas histórias posteriores e retiradas da cronologia), violência atroz e destruição em larga escala, contrastando com seu companheiro estreante, o Coringa, que já em sua primeira aparição mostrou-se um maníaco homicida.

Não demorou muito para que a Mulher Gato assumisse seu primeiro uniforme de inspiração felina, nada mais que uma exteriorização de sua marcante personalidade. O nome Seline Kyle, o pseudônimo Catwoman e o uniforme felino roxo com saia foram usados pela primeira vez em Batman nº 2 (1940), mas a personagem não apareceria na capa até Batman nº 42 (1947).

Capa de Batman nº 42 mostrando a Mulher Gato da Era de Ouro, com seu tradicional uniforme roxo.

A respeito do uniforme, a versão “roxo com saia”, embora não goze da preferência dos fãs, é considerada clássica, tendo sido usada até meados da década de 60 e retomado na década de 80 até o evento conhecido como Crise nas Infinitas Terras.

Prova do apelo clássico do uniforme é a sua utilização na excelente série de animação Batman – The Brave And The Bold, série esta inspirada nas histórias do Batman dos anos 50.

A Mulher Gato da série de animação “Batman – The Brave and The Bold”.

No rastro da gata: Primeiras histórias.

Em sua primeira aventura, a criminosa então chamada “The Cat” rouba um colar de diamantes atraindo atenção de outros criminosos e também da Dupla Dinâmica. Batman encontra a ladra e tenta convencê-la a desistir de seu estilo de vida, porém fascinado por sua beleza, acaba permitindo seu escape.

Na sua segunda aparição, já utilizando a fantasia felina e usando do codinome Mulher Gato, envolve-se novamente num roubo de jóias, safando-se revelando a Batman o paradeiro de um adversário muito mais mortal, o Coringa, para então desaparecer no Rio Gotham.

Um acontecimento inusitado: após quase uma década crimes, um tijolo atinge sua cabeça e desperta anos de memórias reprimidas. Selina alega ter sofrido de amnésia parcial nos últimos dez anos, e atribui seu estilo de vida criminoso a um efeito colateral da amnésia.

A história da amnésia, ou – uma primeira versão para a origem da Mulher Gato – foi contada em Batman nº 62 (1950), recentemente publicada no Brasil pela Panini, inclusa na Coleção DC 70 Anos: vol. 6 de outubro de 2008, com o título “A vida secreta da Mulher-Gato”. Na história, após a pancada na cabeça Selina passa a se recordar da sua vida antes de se tornar uma ladra. Ela seria uma aeromoça que após sofrer um acidente de avião se esqueceu do passado e se tornou uma criminosa.

Capa de Batman nº 62 – A Vida Secreta da Mulher Gato

Durante um certo tempo a história da amnésia foi aceita, não sem levantar suspeitas. A Mulher Gato viveu seus dias de “boa moça”, embora suas más ações passadas sempre lançassem uma sombra de dúvida na mente do Batman e dos leitores. Aperfeiçoava-se então o drama que tornaria a Mulher Gato tão fascinante.

Batman nº 65 (1951)

A capa acima explicitava a dúvida geral que pairava sobre o caráter da personagem. Nota-se que a Dupla Dinâmica examina fotos idênticas da Mulher Gato, cada qual advinda de um arquivo diferente. Uma extraída da “galeria dos malandros” e outra do fichário de “policiais disfarçados”.

O que falta em sutileza nesta capa sobra-lhe em classe. Icônica, apresenta a personagem em destaque, sobreposta aos heróis. A capa é tão clássica que foi reproduzida com outras 99 numa de cartões postais lançada em 2010 como parte das comemorações dos 75 anos da DC Comics.

Como diz o ditado “pau que nasce torto nunca se endireita” e assim a anunciada reforma de Selina Kyle não se mostrou duradoura. No nº 203 de Detective Comics (1954) ela retorna para sua vida de crimes, pegando pesando com a Batman e Robin.

Detective Comics nº 203

Mas a carreira criminosa de Selina Kile conheceria outra interrupção logo em seguida, esta bem mais duradoura, em decorrência de um dos acontecimentos mais tristes na história dos quadrinhos. O ano era 1954, a Mulher Gato exibia suas cores de “bad girl”, sedutora, de chicote na mão, ameaçando não só as virtudes do Cruzado de Capa e seu Fiel Escudeiro, mas de toda a juventude americana. Ou assim achava o Dr. Fredric Wertham, autor do fatídico livro A Sedução dos Inocentes, publicado naquele mesmo ano. O livro forneceu a base para uma investigação do Congresso Americano que levou personagens, revistas e editoras inteiras, sem falar de seus autores e editores, ao limbo. Alguns nunca retornariam. A investigação culminaria na edição do Comics Code Authority, de nefasta lembrança (apenas neste ano de 2011 a DC Comics abandonaria o selo classificatório do Comic Code Authority).

A mulher gato era uma criminosa atraente (sob vários aspectos) e freqüentemente escapava ao final da história, afrontando disposições do Código:

Normas Gerais Parte A:

1. Crimes nunca devem ser apresentados de forma a criar simpatia para com o criminoso, promover a desconfiança das forças da lei e da justiça ou para inspirar os outros com o desejo de imitar os criminosos.
4. O crime dever ser descrito como uma atividade sórdida e desagradável.
5. Os criminosos não devem ser apresentados de com glamour ou ocupando posição que crie o desejo de emulação.
6. Em cada caso, bem triunfará sobre o mal eo criminoso punido por seus atos.”

Não há informações precisas sobre o banimento da Mulher Gato, apenas especulações.

Assim, de forma melancólica, encerrava-se a carreira da Mulher Gato na Era de Ouro dos comics, subjugada pela “caça as bruxas” que varreu a cultura americana em meados da década de 50. Eis a capa de sua última aparição naquele período:

Detective Comics nº 211 (1954)

Detective Comics nº 211 (1954)

Entretanto, uma personagem forte como a Mulher Gato não seria esquecida com facilidade. Ela ressurgiria – com um certo atraso é verdade – numa época em que muitos heróis e vilões foram reformulados, outros tantos foram criados e novos universos surgiram. Sob o cabresto da censura, uma nova Era nascia e havia necessidade de adaptar-se aos novos tempos. Foi uma época da imaginação levada aos seus extremos limites, para o bem e para o mal.

A Era de Prata: Renascimento.

Não há um consenso absoluto sobre o início da Era de Prata. Alguns dizem que o marco inicial se deu em 1955, com a primeira aparição do Caçador de Marte em Detective Comics nº 255, mas a maioria dos pesquisadores prefere o surgimento do novo Flash (Barry Allen) nas páginas da Showcase nº 4 em 1956.

Foram tempos estranhos para Batman e seus coadjuvantes. As histórias daquela época traziam o herói sofrendo todo o tipo de transformação bizarra. Multicolorido, bebê, alienígena e até o Batman zebra. Para contornar as acusações de homossexualismo envolvendo o Homem-Morcego e o Menino Prodígio foi criada uma “Família Morcego” com os acréscimos da Bat Mulher, Bat Moça, Ace, o Batcão e até o estranhíssimo Bat-Mirim.

As famílias de heróis eram muito comuns da Era de Prata, assim como super animais e estranhas mudanças temporárias que colocavam os personagens-título em situações absurdas.

Mas o que tudo isso tem a ver com a Mulher Gato afinal? Nada, absolutamente nada!

A mulher Gato não teve parte na “Bat Família” tão harmoniosamente formada. Ela simplesmente não se encaixava nas histórias inocentes dos primeiros anos da Era de Prata. Não havia espaço para a femme fatale felina e todo seu arsenal de artimanhas e seduções (sem falar no seu inseparável chicote e pose de dominatrix).

O período entre 1954 e 1964 é considerado uma década negra para o Batman. O interesse dos leitores arrefeceu e as vendas caíram dramaticamente, era necessário mudar os rumos ou naufragar.

A solução foi encontrada por um dos gigantes dos comics de todos os tempos. Julius Schwartz. O grande autor e editor começou lentamente a remover das histórias os elementos bizarros, desfez a Bat Família e trouxe de volta vilões clássicos, buscando roteiros mais próximos das originais histórias de detetive.

O palco estava sendo armado para retorno triunfante da Mulher Gato.

Como prelúdio, a revista Batman nº 176 (1965) trouxe reimpressões de histórias antigas, incluindo “Princess of Plunder”, publicada originalmente em Batman nº 10 (1942).

Batman nº 10 (1942)

Quis o destino (ou o editor) que a reestreia da Mulher Gato se desse numa história em duas partes publicada na revista Superman’s Girlfriend, Lois Lane nº 70 (novembro de 1966) e Lois Lane… nº 71 (janeiro de 1967).

Eis a capa histórica que marca o renascimento da Mulher Gato na Era de Prata:

Nota-se que a Mulher gato está usando calças. A primeira vista pode parecer que se trata de uma versão mais bem comportada do uniforme antigo, escondendo as belas pernas da vilã. Embora tal interpretação não possa ser totalmente desprezada, há uma outra possível ou provável: O uso de calças é um ato de desafio e sinal de modernidade, posto que naquele tempo a saia era a vestimenta adequadas as mulheres da sociedade. Nota-se o contraste com o visual “boa moça” de Lois Laine. O retorno da Mulher Gato nas páginas de Lois Lane nº 70 é quase uma declaração de guerra: “Estou de volta para afrontar as boas moças e transformar os homens (Super Homens no caso) em meus bichos de estimação”!

Logo após, a Ladra Felina retornou ao seio das “bat revistas”, em Detective Comics nº 369 (novembro de 1967) e Batman nº 197 (dezembro de 1967). Nesta última entraria em cena com um uniforme verde inspirado na série de TV estrelada por Adam West e Burt Ward:

Batman nº 197

A Mulher Gato da Terra-2 (Terra Paralela).

Obs.: A história da Mulher Gato da Terra Paralela começa na era de Prata e estende-se Era de Bronze adentro.

A Terra-2 (Terra Paralela no Brasil) teve sua primeira aparição na revista The Flash nº 123 (1961) e foi criada para explicar como os personagens da Era de Prata – Lanterna Verde (Hal Jordan) e Flash (Barry Allen) por exemplo, apareciam em histórias com os seus homónimos da Era de Ouro, Alan Scot e Jay Jarrick. A continuidade da Terra-2 incluía todos os heróis clássicos da Era de Ouro como a Sociedade da Justiça da América, cujas carreiras começaram pouco antes do início da II Guerra Mundial.

Entrementes, enquanto alguns heróis da Terra-2 possuiam identidades diversas de suas contrapartes da Terra-1 (Flash, Lanterna Verde), outros eram praticamente idênticos, compatilhando os mesmos nomes civis, como Bruce Wayne e Selina Kile.

Enquanto a Mulher Gato da Terra-1, após um breve período de reforma, retornou a sua vida de crimes (a história da amnésia, como visto acima) a Mulher Gato da Terra-2 seguiu caminho totalmente diverso.

Após o episódio da amnésia Selina renunciou definitivamente à sua vida de criminosa e revelou sua identidade secreta ao Batman e passou a trabalhar ao lado da lei e da ordem. Ela ajudou Batman e Robin em alguns casos, inclusive prendendo um homem que tentou trazê-la de volta para o crime. Mas seu período heróico foi breve e Selina pendurou a capa e capuz, entregado seu arsenal para o Comissário de Polícia James Gordon.

Selina Kyle tornou-se proprietária de uma loja de animais em Gotham City, buscando uma vida normal, no entanto, teria ainda uma breve recaída criminosa, antes de endireitar definitivamente e abandonar a identidade de Mulher Gato de uma vez por todas….ou quase.

Por volta de 1955, Selina Kyle e Bruce Wayne retomam seu relacionamento e no verão daquele ano os dois se casam. Selina estava aposentada da vida de aventureira fantasiada mas Bruce Wayne continuava a atuar como Batman. O casal teve uma filha, Helena Wayne, que acabaria por seguir os passos de seus pais e cresceria para se tornar a Caçadora da Terra-2.

Em 1976, o passado criminal de Selina a alcançou novamente. Um de seus ex-subordinados, chamado “Silk” Cernak chantageou-a para que retomasse sua identidade de Mulher Gato, usando uma fotografia falsificada que a implicava no assassinato de um policial de Gotham City. Cernak forçou a Mulher Gato a roubar o Gotham City Civic Center. O Comissário Gordon intervém com o auxílio de Batman, já bastante envelhecido. Durante a luta com os capangas de Cernak, Batman chuta uma arma da mão de um deles. A arma dispara e atinge a Mulher Gato no peito, derrubando-a de um mezanino. Ela morre nos braços do Batman, afirmando:  “Perdoe-me querido, eu só fiz isso por você”.

Logo após a morte de sua mãe, Helena Wayne vestiu o traje da Caçadora e trouxe “Silky” Cernak à justiça. Silky confessou a adulteração da fotografia e ficou claro que Selina Kyle nunca tinha assassinado alguém em sua vida.

(Algumas histórias dos anos 60 e início dos 70 mostraram a Mulher Gato cometendo assassinatos. Hoje essas histórias são atribuídas a outras realidades, não pertencendo nem a Terra-1 nem a Terra-2).

Em 1979 o Batman da Terra-2 segue sua amada e morre lutando contra um fugitivo chamado Bill Jensen, (Adventure Comics nº 462). Um mago chamado Fredric Vaux havia concedido poderes místico a Jensen como parte de um plano para destruir todos os super-heróis. Esta história foi publicada com destaque no Brasil na série Os Grandes Álbuns em Quadrinhos da ed. Ebal e causou grande comoção.

O Robin e a Caçadora da Terra 2 também viriam a morrer durante a Crise nas Infinitas Terras, em 1985, fechando um ciclo e eliminando os últimos vestígios daquela que poderia ser chamada de “a verdadeira Bat Família”.

A Terra-2 foi retroativamente eliminada da cronologia pelos acontecimentos de Crise nas Infinitas Terras, mas foi recentemente reintegrada a continuidade do Universo DC, que já está prestes a sofrer nova reformulação. Até onde se sabe, Mulher Gato, Batman, Robin e Caçadora da Era de Ouro continuam falecidos. De certa forma é triste pensar que nos seus túmulos repousam as versões originais dos heróis que encantaram a primeira geração de leitores de quadrinhos.

E este foi um breve resumo das aventuras da Mulher Gato de duas eras e duas terras. Apenas um arranhão na rica bibliografia de uma das personagens mais marcantes dos quadrinhos, cujo fascínio parece desconhecer a passagem das décadas.

Espero que tenham gostado. 

André Ornelas (Marshall) é um amante das Histórias em Quadrinhos. Colecionador, leitor ávido, nostálgico e ranzinza, tem apreço especial pelos clássicos. Se sente a vontade em sebos e cultiva grande interesse pela história das Histórias em Quadrinhos. Dono de um senso de humor corrosivo, suas opiniões costumam ser firmes e contundentes. É redator do site www.area171.com.br e seu personagem preferido é o Capitão Marvel.

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  1. Marshall muito bom esse dossiê! Falando sobre o novo filme a tempo atrás quando li que Anne interpretaria a mulher gato, fiquei morrendo de vontade de ver ela na roupa colante com as orelhinhas de gato. A decepção esse visual novo do uniforme com um óculos horrível.

  2. Belo post, um verdadeiro guia para entender a história da Mulher Gato.
    Não sei quanto a vcs, mas eu achei a Anne Hathaway deliciosa como Selina.
    Só faltou as orelinhas, rabo não precisa, quanto mais aparecer a bunda dela, melhor.

    Abs!