Café com Quadrinhos

Bem vindos à nova coluna do Pipoca e Nanquim, de autoria do novo colaborador do site, André Craveiro. Vocês já conferiram sua estréia por aqui na matéria sobre os verdadeiros Heróis da TV, nesse link, e além disso, ele também já escreveu resenhas de quadrinhos para o Universo HQ (aqui e aqui). Seus textos são excelentes, como vocês irão comprovar ao ler esse post de estréia da coluna “Café com Quadrinhos”, que será publicada constantemente de hoje em diante. Com vocês, André Craveiro.

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Café com quadrinhos?

De fato, à primeira vista o título desta coluna de estreia é um pouco esquisito – ou não. Mas tudo se explicará no seu devido tempo, meus caros.

Como agora passa um pouco da meia noite, aqui estou eu acompanhando de uma bela caneca fumegante de café expresso e tomando por conveniente prestar homenagem a essa maravilhosa bebida tipicamente… mundial.

Por sinal, um bom café é sempre uma bem-vinda companhia em qualquer leitura da nona arte. Sejamos sinceros: quem não aprecia um expresso ao leite enquanto lê algum encadernado de qualidade? Ou ainda naquela livraria próxima, que oferece um acervo vasto de HQs e livros prontos para serem folheados ao aroma inconfundível de um cappuccino feito na hora? Ou ainda um moca espumante?

Falo por experiência própria. E com bons motivos, visto que sou apaixonado por ambos.

Semana passada, aproveitei a expectativa do iminente feriadão de carnaval e adiantei-me rumo à livraria mais próxima de casa, esperando encontrar algo novo para ler e, quem sabe, algum lançamento em quadrinhos aguardando meu suado – e deveras contado – dinheiro.

Como parei definitivamente com quaisquer títulos regulares, meus esforços têm sido compensados com menos dispêndio oneroso e maior qualidade com materiais selecionados, ainda que relativamente caros.

Adquiri um livro (Depois da escuridão, de Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe, cuja leitura eu recomendo veementemente!) e um encadernado: Jonah Hex – Origens, da editora Panini. Tive sorte de ainda achar este último, tendo em vista que fora lançado recentemente, mas creio que já esteja fora de circulação das bancas e demais pontos de venda.

Enfim, compras feitas, hora de voltar para o conforto do lar.

No caminho, passo por uma cafeteria aconchegante, cujas mesas postas do lado de fora prontamente atraíram minha atenção. Mas não somente isso: aquele cheiro vindo de dentro, grãos torrados, espuma caramelada saindo das máquinas, o puro perfume do café fresco… não resisti. E olhem que minha carteira já estava magra.

Sentei-me numa cadeira ao canto da porta de entrada, coloquei minhas compras sobre a pequena mesa arredondada em madeira bem trabalhada e pus a acenar para alguma atendente que, gentilmente, prestou-se a um trabalho célere e eficiente. Como minhas economias estavam exíguas, sorri e contentei-me em pedir um pequeno expresso com leite.

Enquanto aguardava meu singelo pedido chegar, meti a mão na sacola e retirei o encadernado do pistoleiro desfigurado da DC Comics. Comecei a ler sua primeira história e mal havia chegado à metade do primeiro capítulo quando meu café pousou diante de mim.

Clima moderadamente frio, meio da tarde, café delicioso, excelente leitura em mãos e (pelos menos ali) nenhuma preocupação urgente: sorri. Eis a fórmula para um dos simples prazeres da vida, que infelizmente vêm se perdendo na correria involuntária do nosso cotidiano.

Essa constante e maldita anulação dos bons momentos particulares, em detrimento das obrigações rotineiras do trabalho ou dos estudos, faz com que a oportunidade em desfrutar certos “momentos de graça”, como este, sejam vistos com enorme excitação.

Algo tão simples, tão básico, praticamente alienígena em tempos atuais.

Estamos tão presos aos complexos relacionamentos profissionais e sociais que, não raro, almejamos alguns meros instantes de liberdade desse estado de restrição.

Desperdiçamos tempo em demasia para os outros e aspiramos um pouco que seja para nós, quando o contrário deveria ser o correto. Deveria.

À noite, terminei minha leitura iniciada aos goles do cremoso expresso vespertino. Excelente história, por sinal: roteiro enxuto e bem conduzido, sem contar uma pequena variedade de ótimos artistas – mas ainda prefiro o brasileiro Luke Ross nos desenhos. Resta parabenizar a Panini pelo lançamento desta coleção de qualidade, e que venham os outros álbuns.

Ah, claro: terminei o encadernado ao lado do cafezinho doméstico básico. Puro, mas ainda assim um café. Ou seja, mais uma qualidade garantida.

Mais um prazer conquistado.

E você, leitor? Vai um bom café aí na sua leitura?

 

Deixe uma resposta

  1. Hoje o Pipoca e Nanquim está a 1000 por hora hein!
    Fez a alegria do meu domingo pacato.

    Esse texto está ótimo, vou até passar um cafézinho e começar a ler minha nova aquisição, 100%, aquela HQ recentemente indicada por aqui.

    Parabéns pelo texto André!
    beijos

  2. Muito bom o texto!
    O Pipoca e Nanquim vem se consolidando como uns dos maiores blogs sobre a nona arte deste país!
    Parabéns, mesmo!

  3. Caramba, esse texto dá a maior vontade de fazer a mesma coisa, sair pra uma livraria, comprar um belo encadernado, parar numa cafeteria e aproveitar a tarde lendo e curtindo um belo café. Escelente mesmo, texto acachapante.

  4. Meus caros, fico muito grato pelos elogios. Obrigado mesmo!

    Meu objetivo nesta coluna é manter um texto leve, descontraído e simples sobre vááários temas informais de quadrinhos e afins.

    Recomendo vivamente a leita de HQs com um bom café do lado.Comprem a cafeteira Dolce Gusto, da Nestlé: suas vidas melhoram com isso e tudo fica mais leve!

    Abraços!

  5. Quando morava em SP uma cafeteria todas as noites fazia parte de minha rotina. Ia para um Frans Café, no bairro Moema, desligava celular e pager e ficava por volta de uma hora tomando um (mentira, eram vários) cafezinho e lia o jornal do dia, a Veja ou outra revista e, é claro, quadrinhos. Esse é um costume comum na Europa – França e Itália são recheadas de cafeterias – e na capital do Estado, bastante gente faz isso também. Tenho saudades desse costume – mas estou certo que voltarei a ele um dia.

  6. Coringa, valeu pelo elogio meu caro, bom saber que nosso trabalho consegue agradar! Valeu cara, continue sempre por aqui.

    E Paula, esqueci de mencionar no meu comentário anterior, fiquei super feliz em saber que adquiriu 100% após ler a matéria aqui do site que o Daniel escreveu, muito legal!! Assim que terminar de ler, conta pra gente o que achou, beleza? Eu vou comprar essa também, estou louco pra ler.

  7. Café com Quadrinhos, uma das melhores combinações possíveis, assim como quadrinhos e rock and roll 😀

    ótimo texto, parabéns!