X-Men: First Class – Crítica

Está tudo ao contrario esse ano. Minha expectativa depositada em Thor era imensa, eu acreditava que seria o melhor filme de super-herói de 2011, ao contrário de First Class, que a cada foto e trailer divulgados caía mais no meu conceito. Com a estréia de ambos o inverso aconteceu. O primeiro me decepcionou bastante, nem de longe foi o filme que eu esperava. Não achei ruim, mas confesso que me decepcionei (diferente de meus amigos do PN). Já o segundo, foi mais do que uma grande surpresa. Fui ao cinema com a certeza de que assistiria algo do mesmo nível de X-Men Origens: Wolverine, e sai de lá com o melhor filme já feito sobre os mutantes.

Isso mesmo, Brian Singer concebeu dois excelentes filmes dos filhos do átomo, isso é inegável, mas o prequel do diretor de Kick-Ass, Matthew Vaughn, consegue ser ainda melhor (e Singer não deixa de ter parte nesse resultado, já que atuou como produtor). Ao término da película bate aquela vontade de conferir novamente as primeiras adaptações, sob a ótica dos acontecimentos aqui apresentados, e fica a sensação de que cenas inéditas deveriam ser incluídas nos mesmos, para deixar toda a franquia ainda mais alinhada. Por exemplo, poderiam mostrar como Mística e Xavier encaram um ao outro após tantos anos, já que a relação entre os dois é muito mais intensa do que vimos em X-Men 1 e 2. Menções aos personagens Banshee, Fera e Destrutor também seriam legais. Mas, sonhar com esses updates não leva a lugar nenhum, já que nunca irão ocorrer.

Reparem que sequer menciono o terceiro e o quarto filme, pra mim eles não existem. Pelo que parece a aventura solo de Wolverine também foi ignorada pela Fox, já que temos discrepâncias entre esse e First Class.

O que me incomodava nessa nova produção eram os personagens escalados para compor a primeira classe. Mas até isso se mostrou uma escolha acertada. Os membros da equipe protagonista não são os primeiros alunos do “Instituto Xavier para Jovens Superdotados”, não senhor, esses continuam sendo Ciclope, Tempestade, Jean Grey, enfim, nossos mutantes preferidos. Aqui a escola do Professor X sequer foi inaugurada. O que temos são jovens recrutados por ele e Magneto para serem treinados no uso de seus poderes e atuarem em uma missão de paz junto a CIA. Embora seja completamente diferente das histórias em quadrinhos, funcionou para a mitologia estabelecida no cinema. É a velha questão: os fãs não têm nada contra mudanças, desde que sejam boas mudanças.

E de modificações a história está cheia. Foi Fera quem criou o Cérebro (tal como em Novos X-Men ele criou o Cérebra); Moira MacTaggert é uma agente do governo; Alex Summers é mais velho que Scott Summers; a irmã de criação de Charles é Mística e não o Fanático; o capacete de magneto foi feito pelos russos como um presente a Sebastian Shaw e por aí vai. Não tive nenhum problema com isso, até aí os outros longametragens também estão repletos de licenças criativas.

A revelação dos mutantes ao mundo é o elemento chave desse filme. Para os humanos, essa é uma informação chocante. Eles são vistos com medo, uma ameaça que precisa ser exterminada. Para os mutantes, o sentimento é de alívio e felicidade, pois cada um deles temia ser o único anormal da sociedade. Não é fácil ser um pária, muito menos ser um pária solitário. Vemos emoção nos olhos do jovem Charles quando ele encontra uma pequena mutante invadindo sua casa, e novamente após duas décadas, ao se deparar com alguém tão poderoso quanto Erik Lehnsherr (Magneto) e com uma mulher telepata, como ele.

Com isso entram em jogo as diferenças ideológicas dos personagens, o maior trunfo da história. Xavier está engajado em uma luta pela inclusão dos mutantes na sociedade, desejando aceitação e convivência pacifica. Já Erik não acredita na raça humana, na verdade ele os abomina, posiciona-se como um ser de uma raça superior, que só tem a acrescentar para o mundo, e sabemos suas razões, contempladas no início do filme. Vaughn consegue o brilhantismo de nos fazer compreender ambos os lados. Não somos capazes de tirar a razão de nenhum dos dois. É fácil se compadecer com a amargura de Magneto, fomos testemunhas de sua tragédia na infância, ao passo de que é impossível não simpatizar com a doutrina de Xavier, mesmo sabendo que ele descende de uma família privilegiada e não encarou o que há de pior na índole humana.

Essa disputa é transmitida para o espectador por meio dos diálogos de um com o outro. Eles são os pilares que sustentam toda a trama. A química entre os atores James McAvoy e Michael Fassbender é excelente, não podia ser melhor. Quando os dois estão juntos na tela, pode esperar, pois a cena vai ser boa. Embora tenham convicções opostas, ambos se respeitam e são amigos, até o momento da inevitável separação.

Aliás, esse é outro ponto alto de Primeira Classe. Embora o público conheça o final, já que se trata de um background dos outros filmes, ficamos ansiosos pelo modo como tudo irá se desenrolar. Quando acontece, não tem como não vibrar. Sério, na hora em que Erik dá seu primeiro passo rumo à concretização de sua vingança, eu desencostei da cadeira e soltei um baixinho “puta que pariu!”. É muito foda!

A galera na internet só está dizendo que Fassbender mandou melhor que McAvoy na atuação porque ele teve situações mais marcantes no roteiro. A cena da taberna na Argentina é sensacional! Ele controlando a âncora do barco também é muito boa, e erguendo o submarino, parando os mísseis, torturando o diretor do banco com seu dente de metal. Um momento melhor que o outro. O ator é muito competente, sem dúvida, mas o interprete do Xavier não fica atrás e consegue nos emocionar. Palmas para os dois, em pé de igualdade. Patrick Stewart e Ian McKellen devem estar orgulhosos.

Até mesmo os atores secundários estão impecáveis, cada um com suas próprias motivações e grau de importância. Até mesmo os vilões Azazel (Jason Flemyng) e Tornado (Álex González), que não possuem falas, saíram-se bem, já que arrebentam nas cenas de luta que lhes cabem. Destaque para Mística (Jennifer Lawrence) e Emma Frost (January Jones), sendo que a última me surpreendeu. Não achava que ela tinha os dotes adequados para viver a Rainha Branca, mas a moça é turbinada. Kevin Bacon nos entrega seu melhor papel em anos, um vilão (Sebastian Shaw) difícil de enfrentar, inteligente e com sede de poder, com um objetivo obscuro de proporções avassaladoras. Um verdadeiro megalomaníaco, tal como o clima do filme exige.

Falando em cenas de luta e ação, as poucas existentes (algo que não é um ponto fraco) são ótimas. Só pra ser um pouquinho polêmico, digo sem medo nenhum que são melhores que as de Thor. Elas seguram o fôlego, são bem filmadas e trazem excelentes performances. Azazel invadindo o pavilhão da CIA não foi mais legal que Noturno na Casa Branca, mas ficou incrível, do tipo “que foda o cara de pele vermelha, quero esse poder para mim”, sabe? Banshee e Destrutor contra Angel; Fera versus Azazel; Erik invadindo a mansão do político soviético; a batalha final com Sebastian; são cenas muito bem construídas. Detalhe: sempre com uma tensão maior por trás, que eleva o desafio dos X-Men, no caso, o conflito calcado na realidade entre EUA e Rússia com os mísseis cubanos em 1962. Aqui a ameaça é de apelo global, não está só no Novo México. Uma boa sacada foram as cenas reais do presidente Kennedy inseridas em preto e branco.

O único “porém” de tudo isso são, talvez, os efeitos especiais. Sim, digo “talvez” porque durante a sessão isso não me incomodou em nada, mas dá pra perceber que são fracos e que várias pessoas irão chiar, mas não é de todo ruim. “O Fera parece um boneco de pelúcia!” você vai me dizer. “Ok”, eu digo, só que não atrapalha o bom andamento da trama, isso só prova que um bom filme não depende da computação gráfica. Fica a lição para a Fox: invistam mais em pessoal competente, dêem a eles liberdade para usar a imaginação e preocupem-se menos com o delírio visual. Mas tudo bem, pelo jeito X-Men 3 já os ensinou.

O grande responsável por tantos pontos positivos é, sem dúvida nenhuma, Matthew Vaughn. O sujeito se mostrou um diretor em plena forma, conduzindo a história com ousadia e reviravoltas, extraindo o melhor de seus atores. Para mencionar algumas cenas chaves que atestam seu talento, temos a virada de plano no escritório de Sebastian Shaw, com o Magneto ainda menino durante a Segunda Guerra Mundial. Emma Frost aparentemente detida na cabine de interrogatório. As invasões psíquicas de Charles Xavier, principalmente quando ele domina os olhos do general da embarcação russa. A conversa de Magneto com o banqueiro. A rápida jogada de cenas do recrutamento, culminando no melhor momento de todos: a aparição relâmpago de Wolverine com seu “fuck”. E divirta-se capturando os pequenos easter-eggs espalhados do principio ao fim.

X-Men: Primeira Classe conseguiu reviver magistralmente a franquia dos mutantes da Marvel no cinema, e o fez da melhor possível, com uma trama coesa e inteligente, combinando elementos dos quadrinhos com fatos reais, personagens carismáticos, ritmo empolgante e, o mais incrível, se posicionando acima das expectativas.

E não deixe de assistir nosso videocast especial sobre os quadrinhos de First Class.

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  1. Respeito sua opiniao Bruno, mas to afim de ler um artigo do Bruno ou do Alexandre, ja que discordo de quase tudo que vc falou. O filme ta longe de ser bom. A January Jonnes como Emma Frost ta loooooooooonge de convencer. As atuacoes do MaCvoy e do Fassbender sao realmente boas, especialmente do Fassbender. A melhor atuacao pra mim fica com o Bacon, que nos trouxe um Sebastian Shaw realmente convincente.

    Isso pq nao entrarei numa onda de fanboy e criticar a escolha do nome (nada relacionado aos quadrinhos) e as mudancas na mitologia.

    Avaliando como filme per si, ele fica de fraco a normal, ja Thor para mim foi muito bom. Creio que ate lanterna verde sera melhor que o first class. Pode ser pq minhas expectativas diante dos videos foram opostas as suas, achava q veria um filme sensacional, mas nao. Ah, a cena do wolverine foi a segunda melhor do filme em minha opiniao (melhor mesmo so a cena final do magneto na ilha, que me lembrou a era do apocalypse). Enfim, X-men sao meus herois favoritos e eles ainda nao tiveram uma adaptacao a altura…

  2. E ae Felipe, beleza?

    O Daniel e o Alexandre provevelmente vão expor suas opiniões aqui nos comentários mesmo.

    Essa é a graça dos textos aqui do PN, eles não tem a pretensão de serem a última palavra ou verdade absoluta, longe disso, apenas mostram uma opinião de um fã, assim como todos vcs, com espaço para "discussão", uma conversa mesmo.

    O Alexandre e o Daniel adoraram o filme do Thor, já eu sai do cinema triste com a decepção (juro, fiquei triste) porque esperava um baita filme e me desapontei. Já X-Men, não sei como vc não gostou, hehe, achei muito bom mesmo (como vc pode ler).

    A January Jones não teve muita oportunidade de aparecer, mas achei que é uma atriz de presença. Se o filme desse mais espaço pra ela, acredito que faria um bom trabalho.

    Mas em uma coisa ambos concordamos: Lanterna Verde tem tudo pra ser melhor que First Class, sem dúvida! Tomara que eu não saia do cinema triste de novo XD.

    Valeu cara!

  3. ps: Claro, essa é a minha opinião! Isso sem falar que gosto mais do Thor dos quadrinhos do que de X-Men…

    Lanterna Verde ainda estou muito com o pé atrás… tomara que eu morda a língua como fiz com First Class.

  4. Ao contrário de Felipe, concordo com Bruno na maioria dos pontos que ele colocou. Achei o filme muito além do que transparecia através do MKT da FOX. Fassbender, McAvoy e Bacon garantem o investimento. Só fiquei meio desapontado, como ja foi dito no artigo, com alguns efeitos visuais: Banshee voando ficou meio tosco e o fera também. Esperava algo mais símio, com braços grandes e pernas curtas e super força… sei lá.
    A única coisa que discordo (em partes) do Bruno é sobre a Frost, ele é uma delícia, porém é submissa de mais a Shaw, não consegui captar sua inteligência maquiavélica, nem mesmo quando isso foi trabalhado quando estava presa na CIA.
    Tudo bem que isso nem afetou o todo. Achei bem massa o filme e assistiria novamente fácil fácil.

  5. Eu gostei do filme! Não dá pra falar que é um "X-Men Begins", também não achei melhor que os dois primeiros da franquia.
    Motivos:
    Elenco de coadjuvantes muito pouco carismáticos para os fãs e principalmente para o grande público, Banshee, Destrutor, Angel, Tornado, Darwin não possuem praticamente nenhum apelo, ao contrário de uma Jean Grey, Ciclope ou mesmo Anjo. Se ainda tivessem sido melhor trabalhados podia até convencer, mas tem personagem ali que literalmente entra mudo e sai calado. Fico com pena do ator que fez o Tornado.
    January Jonnes definitivamente não me conveceu no papel da extremamente sedutora Emma Frost. Apesar dela andar o tempo de lingerie, faltou um sexy appeal ali! A única cena que convence foi ela “torturando” o coronel russo. Precisa ser uma atriz que comesse mais paçoquinha.
    Me parece que a FOX ficou com medo de liberar muito dinheiro pra esse filme, usaram a grana que tinha pra contratar o Matthew Vaughn, o Fassbender , McAvoy e Bacon (que alias não devem ter cachês caríssimos), depois faltou para os efeitos visuais, que em muitas passagens estão sofríveis. O Fera como pontuado na crítica virou um Muppet Baby, os bambolês do Destrutor ficaram feios e a absorção de energia do Sebastian Shaw tbm não convenceu.

    Mas enfim, o filme foi muito bem conduzido, a direção de Vaughn merece todos elogios que vem recebendo, o filme é didático sem ser enfadonho e mescla ação, humor e drama na medida que qualquer fã de X-Men esperava.
    E realmente consegue explicar e esmiuçar o conflito entre Xavier e Magneto.
    Valeu o ingresso e foi uma boa surpresa, mas definitivamente não fiquei deslumbrado.

  6. Pô, Bruno! Você assistiu quantas vezes o filme? Porque você lembra de muitos detalhes, eh! rsrs

    Deu pra perceber que você gostou mesmo do filme, espero achar a mesma coisa dele!

    Bem que eles podiam fazer um pequeno curta contando a história do Magneto inspirada na HQ "Magneto – Testamento", ou mesmo um filme solo quem sabe…

    Bom, vídeocast assistido e a crítica lida. Já está na hora de eu ir ver o filme no cinema! =P

  7. Depois de ler essa crítica, fiquei com mais vontade ainda de ver o filme. Pena que aqui em Maceió só tenha cópias dubladas! Puta que p…

    Enfim, a premissa é animadora mesmo. E venho apostando forte no talento do Michael Fassbender (como nos filmes Centurião e Bastardos Inglórios), um dos grandes nomes em ascensão atualmente. Torço para que uma nova franquia de qualidade venha a surgir a partir deste primeiro episódio.

    E, por quê não, uma futura ligação com outros filmes do Universo Marvel? Sonhar não custa.

    O jeito vai ser esperar o DVD ou Blu-ray ou baixar na net.

  8. O Filme ta perfeito!
    First Class! Me tirou a azia que o filme de Thor deixou no meu estomago.

    Minha opinião

  9. Eu gostei MUITO do filme, um dos melhores feitos pela Marvel na minha opinião, o destaque do filme foi realmente Xavier e MAgneto uma grande atuação pois voce via a bondade no Charles e o ódio no olhar do Magneto, fenomenal.

    • Rosa

      Concordo com você, foi o melhor filme produzido pela Marvel, talvez o segundo Hulk foi melhor que o primeiro.
      Adorei o X MEN

  10. mano eu odiei com todo meu coração foi o primeiro filme de herói que sai da sala antes de acabar lixo dos lixo na minha opinião e claro
    pra mim 1° classe sem a formação original não cola comigo
    e ja ao contrario de vc amei THOOOOOOOOOOOOOOOORRRRRRR! um dos mais fodas da marvel alias vou assistir de novo falow pessoas

    • opiniao é claro cada um tem a sua mais uma pessoa que nao soube admirar um filme com tanto conteudo e atuaçoes impecaveis nao entende nada de cinema mesmo

  11. a sua critica ta impecavel, x men first class é de arrepiar os cabelos.muito muito bom mesmo, nossa a cena do magneto levantando o sub marino impecavel, a trilha sonora impecavel kevin bacon como vilao impecavel.concordo com tudo oq vc disse. e arrisco em dizer que é o melhor filme da franquia obs(pena que os efeitos especiais nao sao la de grande qualidade ja que sou fã dos filmes com grandes efeitos)bjinho