Tron: O Legado – Crítica

Quando a Disney anunciou que faria um novo filme de Tron, decidi me preparar para o lançamento e corri para assistir a antiga produção, ainda inédita para mim: Tron – Uma Odisséia Eletrônica. Portanto, antes de falar do último grande blockbuster de 2010, permitam-me fazer alguns comentários sobre o primeiro filme.

O primeiro contato com os pioneiros efeitos especiais é impactante. Tudo é muito datado, a edição tinha que se virar como dava para criar aquele fictício mundo virtual, mais avançado do que a nossa tecnologia. A sensação de estranheza toma conta de você a princípio. Os cenários são quadrados, opacos, e em algumas cenas chega a faltar profundidade. Hoje em dia é engraçado imaginar que tudo aquilo significou uma grande evolução no cinema. Para os fãs de ficção cientifica da época, o filme deve ter sido um deleite (embora tenha sido fracasso de bilheteria). Para aqueles como eu, que assistiram nos dias de hoje, é esquisito. Mas como disse antes, apenas a princípio, logo os olhos se acostumam com o que está na tela e você passa a prestar mais atenção na aventura em si, que é muito divertida. Eu adorei o filme, ao final sentia orgulho de toda a equipe de produção por ter ousado apresentar ao mundo uma história como aquela, tão diferente de tudo. Estava preparado e ansioso para a continuação de 2010.

Com a estréia, veio a decepção. A história é mesmo uma sequência do clássico de 1982. Kevin Flynn, que no primeiro filme viveu uma aventura no mundo virtual para livrar sua empresa de softwares e vídeo-game de uma inteligência artificial soberana, agora divide seu tempo entre trabalhar na Encom, que de grande empresa se transformou em um conglomerado, e ficar com seu filho Sam. De repente, o cara desaparece sem vestígios, deixando seu filho sob tutela dos avós e a gerência de seu império nas mãos de acionistas inescrupulosos. Passam-se vários anos, somos apresentados novamente a Sam, agora adulto, que após uma pista fornecida por um amigo da família, descobre uma passagem secreta no velho escritório de seu pai e vai parar no mundo virtual de programas e gladiadores do qual sempre ouvira falar.

O filme é fraquíssimo, repleto de erros no roteiro, erros banais. Chega um ponto que dá vontade de brincar de “caça ao erro”, o que sem dúvida renderia uma brincadeira divertida. Cada ato se desenrola a partir de defeitos do enredo, sendo assim a história inteira saiu prejudicada. Vou falar um pouco desses problemas, se não quiser alguns spoilers, salte para o próximo assunto, logo após a listinha, e se você já assistiu raciocine comigo.

1- A descoberta da passagem secreta no salão de fliperamas por Sam decorreu de um bipe recebido por Alan Bradley, braço direito de seu pai. Atrás da passagem estava o escritório “abandonado” de Kevin Flynn e também o laser que transporta um usuário para dentro da grade virtual. Lá pro meio do filme, descobrimos que quem enviou o bipe na verdade foi Clu, personagem que é o vilão da trama e nunca saiu do mundo virtual. Pois bem, se Clu jamais saiu da grade e estava atrás do disco que contém os conhecimentos de Kevin, como ele conseguiu enviar um bipe pra Terra? Caramba, tudo se desenrola a partir desse bipe, algo que não poderia ter acontecido.

2- Descobrimos no meio da história que o plano de Clu era: permitir um encontro entre Sam e seu pai para que juntos eles tentassem chegar até o portal de passagem ao mundo real. Na ocasião, ele usaria todos os seus recursos para capturar Kevin e lhe tomar seu disco, necessário para um programa poder atravessar o portal e se materializar na Terra. Acontece que logo no inicio do filme, Clu já tentou matar Sam nos jogos de arena, antes mesmo de seu pai descobrir que ele estava na grade, uma atitude contra seu próprio plano. Podemos dizer que o antagonista teve sorte de Sam ter escapado, pois por um momento “se esqueceu” que precisava do rapaz vivo.

3- Kevin Flynn, no primeiro filme quando era mais jovem, enfrentou uma ameaça quase onipresente e saiu vitorioso, mas ele não consegue sobrepujar Clu, oponente bem menos astuto que o anterior, e fica preso na grade virtual por 25 anos. E não me digam que é porque ele estava velho, pois quando foi capturado estava no auge de sua inteligência. Mas até aí tudo bem, o problema é que Sam, bem menos qualificado que o pai e sem jamais ter pisado no mundo virtual, surge e destrói o vilão em menos de um dia! Antes que se completem 24 horas o inexperiente rapaz dá conta de tudo o que manteve seu pai preso durante anos. O meninão derrota os guardas de Clu como se fosse treinado para lutar a vida toda! Forçaram a barra.

4- Se Clu faz uma “lavagem cerebral” nos programas que habitam a grade, para que todos venham para seu lado e o sigam cegamente, porque diabos ele fez aquele discurso para convencer a população de que seus objetivos de invasão da Terra eram corretos? Ele não precisava incentivar ninguém com o falatório, só tinham programas dominados ouvindo sua proclamação, para esses, basta dar a ordem que eles logo executam, já que perderam a opinião própria. Mas claro, precisava de um discurso pra explicar (mais ainda) suas ideias para o público e dar tempo necessário pros mocinhos virarem o jogo.

Esses quatro pontos são os principais, mas tem muito mais do que isso. O próprio objetivo de Clu chega a não ter sentido. Após conseguir deixar o mundo virtual concebido por Kevil Flynn livre de imperfeições (segue spoiler), o antagonista quer destruir o planeta Terra, um lugar imperfeito demais segundo seus critérios. Ao que parece os roteiristas tinham que dar um jeito de elevar a ameaça a proporções globais e aproximar o perigo do espectador. Bela maneira de fazer isso, usando uma fórmula clichê, defasada e, pior ainda, que não cabe nessa história.

O enredo é insosso, vítima das várias mãos pelas quais passou até chegar a versão final, com diálogos pobres repletos de frases de efeito, alguns personagens desnecessários e desfechos previsíveis.

Mas todos nós já devíamos ter esperado por isso desde o princípio, quando contrataram o inexperiente diretor Joseph Kosinski, que nunca havia feito um filme antes, trabalhando apenas em comerciais de TV. Porque esse cara foi escolhido? Kosinski é famoso por usar muito bem o CG em seus vídeos, ele tem a pegada tecnológica que a Disney ansiava e que é predominante em Tron, mas o principal motivo está no fato de ser sua estréia no cinema. A produção queria um diretor inexpressivo, sem voz para impor um estilo próprio e peitar todas as exigências. Não é um filme de um diretor, é um filme dos estúdios Disney.

Uma das coisas boas derivada disso tudo são os efeitos especiais. Somos engolidos pela tela e jogados dentro de um mundo com visual fascinante, perfeito! Eles não modificaram os elementos originais de Uma Odisséia Eletrônica, mas os atualizaram para que funcionassem melhor. Estão lá as motos de combate, as naves com pilares que formam um M, o comboio que viaja por um fio de luz, as roupas de neon, os discos, tudo com mais detalhes e capricho. Abençoada seja a tecnologia de hoje, não é senhores produtores? Novas ideias foram acrescentadas também, é claro. Temos novos veículos e a grade virtual se assemelha com a Terra devido a influencia de seu programador Kevin Flynn. Se no filme de 1982 os cenários tinham que ser construídos a partir de formas geométricas, hoje a imaginação pode trabalhar livremente para criar uma ambientação bem mais cativante.

O que dizer das cenas de luta então? SÃO ÓTIMAS! É uma pena que o roteiro irá me impedir de comprar o DVD, porque caso contrário eu iria voltar toda hora para absorver melhor os movimentos da coreografia dos combates com discos, que são de arregalar os olhos. Mas a melhor cena sem dúvida é a disputa das motocicletas, impressionante! É bem interessante a idéia das motos deixarem um rastro sólido que deve ser usado para fazer seu oponente trombar e ser derrotado. Se ainda não assistiu (espero que tenha pulado os spoilers), confira essa cena divulgada antes da estréia e que não está presente no filme, só pra ter uma leve noção do que estou dizendo (não se compara com a mostrada na telona, mas é legal mesmo assim).

Infelizmente não pude assistir Tron em 3D, que deve ter ficado magnífico com toda a beleza dos efeitos visuais. A experiência em três dimensões só se inicia quando Sam é levado para o mundo virtual, uma boa sacada da Disney baseando-se no clássico filme O Mágico de Oz, que fez o mesmo em sua época ao deixar tudo colorido quando Dorothy adentrava na terra mágica. Com certeza Tron se torna mais interessante se for conferido imerso no 3D, que pode fazer você se sentir dentro da grade virtual. E tinha que ter ficado magnífico mesmo, afinal o filme todo aposta nisso e nos efeitos, em detrimento de um bom roteiro.

Outro petardo de O Legado é a trilha sonora da dupla de franceses Daft Punk, especialistas em música eletrônica. Minha namorada, que foi ao cinema comigo, disse ao terminar a sessão: “Esse filme não seria nada sem aquela trilha sonora”, e tenho que concordar com ela, é a trilha que fornece o clima certo à história. A música tema, Derezzed, foi muito bem concebida, é marcante, creio que um dia poderá figurar entre os principais temas de filmes já feitos. Será que é exagero alegar uma coisa dessas? Ouçam abaixo e me digam depois (estou embalado nela enquanto digito).

Falando do elenco um pouquinho, é claro que sem um diretor de comando firme a atuação acabaria prejudicada. Exceto por Jeff Bridges, nenhum outro salva. Garrett Hedlund, o moço fodão que vai chutar bundas no mundo virtual, é bem fraquinho, mas como nunca tinha visto ele atuar em outro filme tenho que dar um desconto, início de carreira é complicado. Li vários elogios a Michael Sheen, que interpreta Castor, dono de uma boate de música eletrônica e personalidade lendária da grade, mas sei lá, não que ele esteja ruim em sua atuação, mas não gostei de seu personagem. Olivia Wilde, no papel de Quorra, única sobrevivente de uma nova espécie de programas, também está fraca, mas pelo menos não quiseram vendê-la somente como a fodona gostosa da história, embora sua beleza permitisse totalmente isso.

E claro, não posso me esquecer de mencionar a atuação de Jeff Bridges como o vilão Clu. O ator fez dois papéis, o do velho Kevin Flynn, em carne e osso mesmo, e na captura de movimentos para Clu, sua versão digital que nunca envelhece. Se a grande novidade de Uma Odisséia Eletrônica estava no uso excessivo de CG, em O Legado está no fato de ter um personagem inteiramente computadorizado ocupando um papel de destaque na trama. Eu particularmente não vejo isso como grande novidade e também não achei Clu tão convincente como a Disney prometeu que seria. Eles alegaram que seria perfeito, que ninguém ia notar que não é real, mas vejam abaixo e me digam se não é claramente uma animação?

No final, fiquei com pena da Disney, que investiu o valor estimado de 200 milhões de dólares e até agora a bilheteria não cobriu seus gastos, mesmo com toda a publicidade gerada antes da estréia. Tron é o primeiro filme a ser divulgado em três Comic Cons seguidas, desde 2008, fizeram também conferências com blogueiros do mundo todo, vários vídeos teaser e um monte, mas um monte mesmo, de propaganda nas ruas. A divulgação foi bem trabalhada, só que não adianta nada criar uma grande expectativa se essa não for satisfeita ou superada no momento mais importante: a hora de ver o filme.

E você, concorda com minha crítica? Identificou mais erros de roteiro ou consegue defender os que eu apontei? Gostou das cenas de batalha? Achou Clu realista? Concorda com minha opinião sobre a trilha sonora? Deixe seu comentário, ele é extremamente bem-vindo.

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  1. Grande Bruno!

    Gostei muito da sua crítica.

    Não procurei assistir de novo filme de 1982 – pelo que me lembro, o roteiro é fraco também – e fui ver Tron Legacy na estréia, em 3D.

    Deixei o cinema pensativo. Tron Legacy é mais um exemplo de produção a buscar exclusivamente impacto visual e cagar para roteiro e interpretações. Mais um na esteira de Avatar e Alice (olha a Disney de novo), aprofundando – este é um termo bem correto – uma tendência de filmes rasos porém "bonitos". É triste, muito triste.

    Divagações a parte, gostaria de considerar os erros no roteiro que vc apontou. Não concordo com alguns e explico o porque.

    falha 1 – Como Clu conseguiu enviar um bip pra Terra?

    Não vejo como falha de roteiro. O fato de Clu não conseguir transpor o portal por si mesmo não implica necessariamente que ele não possa ter enviado um sinal para a Terra. Como ele fez isso? Ele poderia ter explicado todo um processo pseudo tecnológico complicado que demandou muitos esfroços e levou anos e anos, resultando no envio do sinal mas….que diferença faria? Isso acrescentaria algo ao filme? Creio que não. A meu ver prejudicaria mais a trama, que já não é boa, e teria uma "pausa explicativa" tediosa. Odeio filmes "explicadinhos". Ao fim e ao cabo, aceitar que o envio do sinal foi possível depende apenas de mais uma dose de "suspensão de descrença". Há alguma coisa no roteiro do filme que aponte objetivamente a impossibilidade do envio do sinal? Se sua resposta for sim, então há falha de roteiro. Se a resposta for não, não há falha, a meu ver.

    2 – Clu se esqueceu que precisava do rapaz vivo – Não creio. Clu precisava que pai e filho se encontrassem. Ele esperava que a presença do filho revelasse o pai. Todavia, ele não poderia fingir amizade com o rapaz, isso não funcionaria. O que ele faz então? Assim que toma conhecimento da presença de Sam na Grade (e este momento é discutível, se no momento de seu acesso ou apenas qdo são colocados frente a frente) Clu expõe Sam. O coloca no lugar mais visto por toda a Grade: Os Jogos. Por que ele faz isso? Acredito que ele esperava que Kevin, vendo o filho em situação de risco, se revelasse, tentasse um resgate ou algo parecido. E foi quase isso o acontecido. No meu modo de ver Clu não quis destruir Sam naquele momento, ele apenas deu a entender que sim, fazendo de Sam uma isca.

    3 – Com esse eu concordo de ponta a ponta!

    Pra finalizar, três pontos:

    Entre as sequência de ação, gostei mais das naves de luz que das motos de luz.

    Me decepcionei também com a trilha sonora. Pelo tanto que foi falado, esperava muito mais. Empolgamentes msm só dois momentos: a "balada" e o discurso do Clu para o exercíto. Fora isso, nada que vá ser lembrado daqui seis meses.

    Tron Legacy é aborrecido demais. Fazia tempo que não via tantos espreguiçadas e ouvia tantos bocejos numa sala de cinema. Se alguém em meio aos cerca de 200 espectadores na mesma sessão se empolgou com o filme…o fez de maneira discretíssima.

    É isso, desculpem escrever demais!

    Gostaria de dar uma lida na minha crítica do filme?

    http://areaumseteum.blogspot.com/2010/12/eu-fui-a

    É muito aquém da sua, um dia eu chego lá.

    Abraço!

  2. Opa Marshaal, obrigado pelo elogio à minha crítica! Fico feliz que tenha gostado. Fui ler a sua no Área 171 (sem essa de que está aquém da minha, você manda muito bem nos seus posts) e como assim você não gostou da trilha sonora? Caramba, eu achei ela muito bem bolada, combinou muito para o filme e deu o clima certo, gostei mesmo. Agora deixe-me comentar seus pontos quanto aos erros.

    1- Com certeza dar uma explicação pseudo-tecnológica que tornasse possível enviar um bipe de um mundo a outro sem nem mesmo conhecer o dono do outro aparelho de bipe (sei lá como isso funciona, tem um número pra discar? Se tiver pior ainda!) seria perder tempo demais! Mas é aí que está a coisa, veja que solução mais vergonhosa a dessas roteiristas para fazer o menino chegar na grade: "Ah, vamos falar que chegou um bipe e beleza, nem precisa explicar nada, o que importa é que o moleque tem que cair na armadilha". Putz, se fosse um e-mail eu até engolia mais fácil, por ter ligação com computadores, mas Bipe??? Colocaram Bipe só pro Alan, personagem do primeiro filme interpretado pelo mesmo ator, poder ter uma participação como "membro das antigas". Isso é solução de roteirista preguiçoso e sem competência.

    2- Entendo que ele fez aquilo pra chamar atenção do pai e etc, mas concorda que, em termos de planos do vilão, essa solução é arriscada, mas em termos de roteiro ela é um pretexto para colocar ação no filme? É arriscado porque: e se o Kevin Flynn não visse seu filho na grade? E se ele não aparecesse? Clu teria que matá-lo de verdade ou então passar vergonha perante todos os programas que assistiam o espetáculo. Se eu fosse Clu arrumaria outro esquema mais às escondidas, cedo ou tarde o moleque me levaria ao pai dele. Mas claro, tinha que ter as sequências de ação, então a cena se justifica, e aí sua explicação me convence totalmente, de fato, o garoto era uma isca e Clu queria que todos pensassem que ele ia matá-lo. Mas, se não fosse por Quorra, o filme acabaria ali. Falho em termos de atitude de personagem se formos pensar na coisa toda como real, útil para os roteiristas prosseguirem com o filme sem ter que bolar algo mais verossimil.

    3- Essa foi mesom demais né? Huahuahauha.

    Rapaz, quando você mencionou o discurso dele pro exército eu lembrei de outra falha de roteiro, coloquei lá em cima, a número 4, dá uma lida e veja se concorda. Bem lembrado Marshall!

    E cara, acredita que não curti a batalha das naves no final? Achei que faltou empolgação ali, o negócio tinha que ser mais emocionante, as coisas deviam acontecer em cima da hora, o público tinha que torcer, vibrar, e isso não aconteceu. Na cena das motos também não teve isso, mas por ser no começo do filme isso é um pouco menos necessário. Mas acho que por ter várias camadas de chão na batalha de motos eu achei tudo mais interessante, era uma luta num labirinto, muito criativo.

    No geral, concordamos que gastamos dinheiro atoa no cinema hehe. Um abração Marshall, aguardo a tréplica hehe! Valeu pelo comentário gigante, gostei muito e fique feliz que tenha gostado!

  3. Ainda bem que eu pago meia hehehe.

    Vamos a tréplica.

    Falha 1 – Realmente, dar o "start" na trama a partir do envio do bip é um truque barato, uma solução simplória. Mas considere o seguinte: o roteiro COMO UM TODO é fraco e simplório. Sem meias palavras, é uma historinha de merda. No meio de tanta falta de inspiração, a questão do bip não me fez nem cócegas, uma estupidez num contexto estúpido. Teria sido melhor se o próprio Sam tivesse contato com a msg, de alguma maneira mais sutil, mas enfim, quando digo que não é uma falha é pelo fato de pelo menos isso não representar uma contradição do roteiro.

    Falha 2 – Concordo que funciona como um pretexto para colocar acão no filme. E falha miseravelmente como tal. Isso vale para todas as sequências de ação do filme: não adianta a sequência ser movimentada, explosões, etc etc. O que conquista o público é a TENSÃO EMOCIONAL da coisa. AS MOTIVAÇÕES, os sentimentos e as circunstâncias, em suma, toda a carga dramática do filme. Coisa que Tron Legacy SIMPLESMENTE NÃO TEM. Todo aquele espetáculo visual é lindo, mas vazio. Uma corrida de motos no labirinto…e aí? A perseguição das Naves pelo menos tinha um sentido de urgência, de conclusão. Voltando ao roteiro, só posso conjecturar. Era uma aposta do Clu. Se não funcionasse, ele teria de trapacear, já que controlava todo aquele sistema. De certo modo era arriscado, até porque parece que o Kevin passou 20 anos fazendo extritamente…nada na grade. E parece que Clu não tinha conhecimento da existência de Quorra. Mas pelo menos ele fez questão de divulgar que Sam era um usuário antes do combate de motos. Um fato assim inusitado tinha chances de chamar a atenção do Kevin.