Soldado Universal: Juízo Final – Crítica

Já no início de Soldado Universal: Juíz Final, o filme que provavelmente encerra a franquia iniciada em 1992, o expectador recebe um soco no estômago, tamanha a brutalidade da sequência. Filmada inteira em primeira pessoa, no melhor estilo Doom, é difícil ficar indiferente ao que o protagonista é submetido (sem exagero). Diga-se de passagem, este filme abandona qualquer possibilidade de violência estilizada, efeitos visuais mirabolantes e requinte, em prol de crueza e verossimilhança (mesmo em se tratando de supersoldados).

É um filme saibroso e indigesto, direto, tenso e de alto-nível, que em vários momentos faz o espectador engolir em seco. Mérito total do diretor John Hyams, que reviveu a franquia em 2009, no também muito bom Soldado Universal 3: Regeneração. Hyams pegou os elementos do filme original (que era uma aventura com toques de humor) e expandiu seu universo, tornado-o tão denso e sufocante que faz o mundo de Jason Bourne parecer um passeio pelo parque. Se no filme anterior encontrávamos os soldados ainda resolvendo problemas para o governo e a este submetidos, aqui a história é outra. Luc Deveraux (Jean-Claude Van Damme) está desaparecido e a notícia que corre é que ele está juntando um grupo de rebeldes para enfrentar as pessoas responsáveis pela criação do projeto Soldado Universal. Seu segundo em comando é Andrew Scott, interpretado pelo sempre divertidamente canastrão Dolph Lundgren. O discurso dele é piegas e cheio de clichês, mas dentro do contexto, o espectador pode se permitir engolir. Esses antigos soldados ficam em puteiros soturnos e bares, amargando-se pela vida que levam/levaram, até serem convocados e se unirem à causa. Mas o governo não vai deixar isso passar em branco.

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É onde entra John (Scott Adkins), na verdade, o verdadeiro protagonista do filme. Sem que ele saiba (ele está desmemoriado), sua missão é encontrar esse grupo e dar cabo de todos. O filme acompanha a jornada dele para descobrir quem é e o que precisa fazer, mas como não podia deixar de ser, John não é o que parece.

Van Damme aparece menos tempo em tela ainda do que no filme anterior. Sua participação não deve somar mais do que 15 minutos. Mas o longa não decepciona os fãs por causa disso, pelo contrário. Adkins segura bem a onda; atormentado, porém focado, ele é a força que conduz a história. Mas o espectro de Luc Deveraux está presente todo o tempo. Aqui, ele tornou-se uma espécie de Coronel Walter Kurtz (da obra O Coração das Trevas, levada ao cinema com o título de Apocalipse Now) e não se trata de mero devaneio – as referências são claríssimas, em especial quando o filme engrena a marcha final e ruma para sua inevitável e pessimista conclusão!

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A cena final – que obviamente não vou contar – levanta questões problemáticas sobre poder e consciência. Vale a pena lutar por um mundo desarticulado como o que vivemos? De que vale o controle sobre um mundo tão abominável e cheio de erros? Por que não se entregar em vez de seguir lutando em nome de um ideal que, justamente por ser um ideal, é inatingível? Sim, questões filosóficas que estão presentes… Mas não se enganem ao ler esta crítica. Posso estar ressaltando um ou dois aspectos do roteiro e das entrelinhas que podem ser percebidas, mas, acima de tudo, o quarto exemplar da franquia é um soco no estômago, como disse no primeiro parágrafo!

Há um tempo, ao fazer a crítica do filme Jogos Letais, eu afirmei que Van Damme tinha decidido dar novo rumo à sua carreira e que todo seu material recente era muito bom. Continuo dizendo isso, mesmo que, desta vez, os méritos não sejam dele.

 

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  1. Muito boa critica Alexandre, realmente o “Regeneração” e o “Juízo Final”, são os melhores, tanto que, desconsidero o original devido o humor, para o que prometia ser um filme de ação, nem sei por que tem gente que detesta este dois filmes, se fosse fazer uma comparação com os filmes do Batman, sem medo de errar, a trilogia do Batman do Nolan e estes dois Soldados Universais dirigido pelo John Hyams estão no mesmo patamar… 😀

  2. ´Cara de todas as críticas que andei lendo a sua foi a melhor de todas..eu acabei de ver o filme na sky e como eles estão reprisando no telecine posso dizer que per o fôlego ao ver este filme várias vezes….muito bom este filme.

  3. Filmada inteira em primeira pessoa, no…. Só o início é em primeira pessoa…. Bom, assim como o anterior o filme é muito bom e cru. Mas discordo qnt as lutas estilizadas. Pois as lutas desse são mais estilizadas doq o 3o. Saltos mortais.. Etc… O regeneration sim tinha lutas bem realistas e brutais.. Cruas. Melhor q qq Batman do Nolan. Porém o defeito do filme q o impede de ser superior ao seu antecessor é muita história e pouca ação. A primeira cena de ação com Adkins se dá la pelas uma hora de filme. Depois so no final temos 3 sequencias uma atrás da outra. A história é ate boa. Consegui matar la pelos 0:40… Mas um filme q ostenta van Damme, Adkins, Lundgren e Pitbull espera-se bem mais cenas de porrada… E o final Luc… Sem comentários. Cameo do Lundgren. Etc.