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Serenity: A Luta pelo Amanhã – Crítica

Lembro-me perfeitamente de quando Serenity foi lançado em DVD no Brasil. Fiquei instigado para assisti-lo, havia lido críticas positivas sobre o mesmo, mas por um motivo ou outro acabei deixando passar. De qualquer maneira isso acabou sendo bom, pois, definitivamente, para uma total apreciação de Serenity é necessário o background da série de TV Firefly. Não que o filme não funcione sozinho, mas a experiência só será completa se você conhecer toda a história desta epopeia das galáxias, sua produção e seu estranho cancelamento após o término da primeira temporada.

A criação, direção e roteirização da “franquia”, por assim dizer, é de Joss Whedon, que também deu origem aos conhecidos personagens da TV Buffy e Angel. Em 2012, ele foi responsável pela terceira maior bilheteria do cinema com um dos maiores filmes nerds de todos os tempos, Os Vingadores, o qual dirigiu e roteirizou.

Com uma larga experiência em TV, Whedon desenvolveu este “faroeste espacial” deveras interessante, com personagens autênticos, empolgantes e episódios extremamente divertidos. Apostando pesado na computação gráfica, o projeto ganhou o prêmio Emmy de melhores efeitos especiais – que chamavam mesmo muita atenção, levando em conta o baixo orçamento disponível.

No entanto, estranhamente, o “produto” não agradou a FOX, que cancelou tudo logo após a primeira temporada, deixando centenas de milhares de fãs frustrados e furiosos, como, por exemplo, Sheldon Cooper (The Big Bang Theory), que cita esporadicamente a série. Buscando então dar um desfecho a esta trama que havia apenas começado, Whedon achou na Universal a possibilidade de um ponto final digno de nota. E foi o que aconteceu, pois Serenity é uma grande obra de sci-fi.

O universo criado pelo diretor é diferenciado. No futuro, a raça humana teve de deixar a Terra, habitando outros planetas e sistemas. Só que não existem espécies alienígenas imensidão adentro, somos os únicos habitantes da galáxia. Estes sobreviventes são descendentes de duas etnias remanescentes: os chineses e os nativos da língua inglesa. Por isso, todos sempre praguejam no idioma oriental.

Serenity (que é o nome da nave do grupo) apresenta de forma criativa uma tripulação de amigos, hora contrabandistas, hora bem feitores, que vaga pelo universo sem destino aparente. Eles são comandados pelo herói de guerra Mal, que lutou pelo exército Independente, dizimado pela supremacia da Aliança, sendo o sepulcro mor deste conflito o Vale Serenity.

O fato é que uma das passageiras é procurada pela Aliança. River sempre foi fantástica em tudo que fez, mas depois de sofrer com experimentos em seu cérebro, a garota nunca mais foi a mesma. Seu irmão, Simon, conseguiu resgatá-la, mas a perseguição se tornou implacável, ganhando diferentes rumos quando os verdadeiros planos da Aliança são expostos.

O elenco conta com: Nathan Fillion, como o engraçado e contraditório capitão Mal; Gina Torres, como a sidekick Zoë; o hilário Alan Tudyk encarna o piloto Wash; a linda Morena Baccarin é a acompanhante Inara; o sempre devagar Adam Baldwin faz o meliante Jayne; Jewel Staite encanta como a mecânica Kaylee; Sean Maher interpreta o doutor Simon (Maher é o mais fraco de todos os atores); Summer Glau é a misteriosa River e Ron Glass é o pastor Book. Todos os citados participaram de Firefly, já no longa temos também a participação de Chiwetel Ejiofor, David Krumholtz e Sarah Paulson.

Nem todas as respostas de Firefly são reveladas. Os homens de mãos azuis, por exemplo, não são completamente explorados. No entanto, a construção do passado dos temíveis Reavers é incrível. Estes seres malditos e violentos realmente geram apreensão, ainda mais por suas histórias que envolvem incansáveis estupros, canibalismo e o uso de pele humana como vestimenta. Destaque também para a emboscada criada por Mal, envolvendo Reavers e a Aliança, que é realmente eletrizante.

Um espírito de honradez é o mote principal do roteiro de Serenity. Decisões importantes precisam ser tomadas diante da autocracia da Aliança, e para isso sacrifícios são feitos. É justo afirmar que falta certa consistência no texto em alguns momentos, mas nada que prejudique o resultado geral.

No final, Serenity é obrigatório para quem curte o tema ficção científica (e de quebra faroeste). Joss Whedon realizou uma condução eficiente (este foi seu primeiro grande trabalho como diretor), adaptou sua cria dignamente para o cinema e operou um milagre com o orçamento de míseros R$ 40 milhões de dólares. Apesar de funcionar independentemente, como disse antes, o filme será 100% aproveitado somente pelos fãs de Firefly, que podem entender como Simon e River escaparam do hospital pela primeira vez, ver relacionamentos de longa data (e de pura enrolação) finalmente se consumando, apreciar o tema da série nos créditos finais e por aí vai.

Mais críticas como essa você encontra em Crítica Daquele Filme.

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Sobre o autor

Ronaldo D ArcadiaJornalista guerrilheiro, entusiasta de games ligeiramente sangrentos. Já teve banda de Heavy Metal, hoje toca Beatles no violão. Ama a sétima arte de forma visceral, prefere dramas reais - pois acha que a vida em certos momentos é incrível demais para ser verdade. Já escreveu sobre cinema, música e jogos em alguns lugares, hoje é editor do site Crítica Daquele Filme... e precisa fazer mais exercícios.Ver todas as publicações de Ronaldo D Arcadia →

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  1. Diego NunesDiego Nunes08-02-2012

    Existe box nacional da série de TV? Fiquei bastante interessado, mas só achei o o box internacional e o preço está para lá de salgado.

  2. TiagoTiago08-02-2012

    Cara, esta série é muito massa. E acho este filme muito legal, tanto que tenho ele na minha coleção hehe Minha namorada já cansou de ver ele hehehe
    Vale muito a pena.
    Ótimo resenha e dica pra quem não viu ainda.

    http://palitosnerds.blogspot.com.br/

  3. A série Firefly é uma das melhores da história, sem dúvida. Meu ódio da Fox aumenta cada vez que uma nova maravilha dessas é cancelada, sem motivo nenhum, já que estava bem no começo. Eles não esperavam uma audiência gigantesca nas primeiras semanas né? Além de terem metido a mão na ordem dos episódios entre outras coisas… Não gostei tanto do filme quanto da série, mas com certeza ele fecha muito bem a história!
    Para o Diego Nunes: Cara, acredito que não exista o Box nacional… nunca consegui encontrar. O jeito foi eu apelar para métodos “alternativos”.

  4. Só um P.S.
    Jewel Staite encanta no primeiro episódio! E o personagem dela é muito legal, mesmo.

  5. Rafael NogueiraRafael Nogueira08-07-2012

    O filme tem no Netflix mas a série não. A algum tempo estou curioso pra assistir, vou dar uma caçada na série. Uma temporada é moleza pra assistir. Pelos comentários já vi que terei raiva da Fox no final.