Planeta dos Macacos: A Origem – Crítica

Quando anunciaram este prelúdio à saga, eu torci o nariz (como a maioria). Não que a saga de Planeta dos Macacos não seja sensacional, muito pelo contrário, foi uma das coisas mais inventivas que já tenha aparecido no cinema. Contudo Tim Burton conseguiu enfiar os pés pelas mãos e destruir a franquia em sua visão da história, então restava o temor do que mais seria feito.

O diretor anunciado, Rupert Wyatt, não aliviou as expectativas. Ele não tinha qualquer experiência para dirigir um longa com essa envergadura e o astro James Franco, apesar de estar em ascensão (principalmente após 127 Horas), ainda tem muito arroz para comer até segurar um filme como esse nas costas. Todos meus medos, porém, foram infundados, pois Planeta dos Macacos: A Origem, o novo exemplar da franquia, é um filmão.

Logo de cara já destaco o ponto baixo do filme: os efeitos especiais. Apesar de a computação gráfica ter avançado muito nos últimos anos, a verdade é que ela ainda é incapaz de criar com verossimilhança criaturas que fazem parte de nossa realidade. CGI se dá muito melhor criando monstros esquisitos que nossos olhos jamais viram (e, portanto, não têm referência), do que reproduzindo animais que todos conhecem no mínimo de programas vistos na National Geographic. O comportamento dos símios, a textura dos pelos, as expressões faciais, tudo fica meio falso, mesmo com a técnica de captura de movimentos.

O macaco central, César, é interpretado por Andy Serkis, em uma óbvia tentativa de repetir o sucesso obtido com King Kong e, principalmente, O Senhor dos Anéis. O resultado fica aquém de ambas as produções. Porém, o interessante é que passado alguns momentos do início do filme, o expectador logo se acostuma com a visão dos macacos digitais e qualquer incômodo é deixado para trás à medida que o roteiro (bastante envolvente, por sinal) se desenrola.

A história gira em torno do cientista Will Rodman (James Franco), que desenvolve uma droga experimental para ajudar pessoas que sofrem de Alzheimer. Na verdade, seu próprio pai (John Lithgow) padece da doença e cansado de vê-lo deteriorando diante de seus olhos, resolve fazer algo a respeito. A droga revela-se funcional, mas uma série de infelizes eventos faz com que a diretoria da corporação de Rodman suspenda os estudos e elimine todas as cobaias, os chimpanzés. Por um golpe de sorte, um bebê chimpanzé sobrevive e é levado para casa por Rodman, que logo fica estupefato com a inteligência do bicho.

O que sucede daí por diante é o desenvolvimento da sagacidade do animal que, a partir do momento em que atinge a idade adulta, prova ser o verdadeiro protagonista do filme, deixando todos os humanos para trás. O personagem de James Franco recebe um interesse amoroso, a veterinária Freida Pinto (interpretada por Caroline Aranha) que nada mais é do que um colírio para os olhos dos marmanjos, e que visa evitar um elenco só de homens (e macacos). Ela simplesmente não faz nada na trama e sua presença é tão desnecessária quanto o romance entre ela e Rodman é mal construído. Um esforço um pouquinho maior é feito para desenvolver a relação entre pai e filho, o progenitor com a mente completamente deteriorada, o filho decidido a tomar medidas extremas para salvá-lo. Mas mesmo isso parece raso e superficial, um pouco exagerado e piegas. O diretor da empresa onde Rodman trabalha é caricato, assim como o dono do abrigo para animais em que César vai parar – desperdício de dois bons atores, respectivamente David Oyelowo e Brian Cox.

Em meio a tantos humanos caricatos, destaca-se com facilidade o macaco e, obviamente, o humano que está por trás da atuação: Serkis. Cada frame preocupa-se em desenvolver – e muito bem – a personalidade do chimpanzé, que ora luta contra o lado animal que ainda faz parte de si, ora o controla com temperança e inteligência. O roteiro é absolutamente parcial, e tal qual ocorre com Avatar e similares, não dificulta para que o expectador passe a odiar a raça humana inteira e torcer para os símios. O momento em que César assume seu papel de líder diante de todos os macacos é de arrepiar.

Todos, claro, sabem onde isso vai dar – afinal é um prelúdio. O mundo como conhecemos acabará e os macacos serão soberanos. A introdução do vírus que irá dizimar a humanidade é bem feita e providencial, pois evita uma dicotomia que poderia atrapalhar a empatia que parte do público sinta pelos macacos: no momento em que a guerra entre macacos e humanos começasse para valer, seria difícil tomar partido dos símios. Um vírus resolve isso fácil.

A mensagem chapa branca de “não mexa com a natureza” pode ser clichê e até meio piegas, mas da forma como é mostrada no filme, funciona sem torná-lo uma baboseira sentimental que apele para o sentimento “vamossalvar o mundo e corporações são o demônio”, o qual tomou conta de grande parte do público atualmente.

Essa revigorada da franquia vem no momento certo. O filme estreou bem e superou seu elevado orçamento de 93 milhões de dólares, aliviando os ânimos nos corredores da Fox, que está lavando a égua este ano, com vários bons lançamentos um atrás do outro. Resta saber se o estúdio irá dar continuidade a saga, o que a princípio parece desnecessário, mas se for para entregar longas com essa qualidade, que assim seja.

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  1. Meu, total vontade de ser um chimpanzé na hora da revolta geral e da melhor cena do filme, quando todo filme e sala de cinema escuta em silêncio a melhor pronuncia da palavra NÃO! Gostei muito, supera espectativas! Grande abraço pipocas!

  2. Tô muito ansioso pra ver esse filme. Acho que vai ser espetacular, apesar dos fãs da saga torcerem o nariz. Mas to ansioso!

  3. Meu comentário contém alguns pequenos SPOILERS:

    Eu vi o filme nesse sábado, foi muita felicidade ter visto o primeiro filme da série um pouco antes de ir no cinema, pois assim pude pegar certos detalhes, como o apelido da mãe de Cesar ser “Olhos brilhantes”, que era o mesmo jeito que os macacos chamavam Taylor no primeiro filme, ou a fala do personagem whatever “Me solte seu macaco imundo” antes de Cesar falar “NÃO”, frase que foi a primeira dita por Taylor após se recuperar da garganta.

    O fato de cezar ter sido colocado na mesma situação do héroi do primeiro filme, preso com criaturas como ele, porém menos inteligentes, os jatos de água, os maus tratos, foram sacadas muito boas.

    O filme é cheio dessas sutilezas, como o quebra cabeça em da estátua da liberdade que Cesar brincava em certo momento.

    Eu e meu amigo saimos da sala empolgadaços, conversando sobre a serie clássica, o que foi respeitado, o que não foi, chegando até a bons momentos de conversas falando mal do filme do Tim Burton, hehehe

    Porem lendo algumas críticas percebi que o filme é menor do que os meus olhos de fã viram na sala, os personagens humanos não muito inferiorizados, não são carismáticos ou complexos, o que acaba estragando um pouco a trama.

    Com tudo, assistir é um experiência muito válida. Vou acabar vendo todos os 5 filmes clássicos para depois ir ver o filme novamente no cinema.

    • Pra mim esse foi um dos melhores lancamentos desse ano. Como vc mencionou Rodrigo, eles colocam noticias sobre exploracao espacial tambem e outros elementos que realmente referem aos classicos.

  4. Ainda não tive o prazer de assistir aos primeiros filmes da franquia, o único que vi foi o último dirigido por Tim Burton, que não me agradou muito. Mas mesmo não conhecendo tanto dessa franquia, fiquei muito empolgado com o trailer e agora estou mais empolgado ainda depois de ver a “aprovação” do P&N.

    Abraços !!!

  5. Poxa achei que o “origem” nao tem nada a ver com o primeiro filme. O que o primeiro filme deu a entender nao tem nada a ver com o que foi proposto como sendo a origem do planeta dos macacos.

  6. é um dos piores filmes que já vi…
    Repleto de erros grotescos de continuidade e de é o filme com o maior numero de erros que já vi…cuidem, os macacos agridem e morrem na ponte, mas quando o cara pega o carro da polícia, não tem ninguém caído ou morto na ponte… a cicatriz de césar muda de lado do peito no decorrer do filme, os olhos dos chimpanzés não são como olhos de chimpanzés reais (no filme são olhos de humanos), e tem vários outros erros mais científicos…
    Filme lamentável.

    • cara faça ai um filme para ver se sai melhor…
      nem um roteiro, vc teria a capacidade de fazer…
      vc se formou em alguma coisa por acaso… se sim deve ser um profissional de merda…

      o filme e muito loko….

      uma dica … quando ir ao cinema , nao perca tempo vendo se a meia do cara mudou, isso nao importa, ve a historia, isso sim e importante.
       

      • sensacional seu comentário. O filme é simplesmente um dos melhores dos ultimos tempos, pois nos intimida  a reavermos nossos conceitos como seres humanos

  7. Eu achei o filme meio incompleto no final, como se estivesse faltando alguma coisa, ficou um vacuo no final do filme. mas fora isso o filme foi muito bom no seu desenrolar