Os Mercenários 2 – Crítica

Antes de falar desta sequência, deixe-me dizer algo sobre o primeiro Os Mercenários: sim! Eu gostei. Tenho certeza que o clima nostálgico ajudou, o belo verniz do tempo acabou relevando os problemas (que existem), deixando somente a satisfação de ver a épica união daqueles que fizeram nossas “Sessões da Tarde” valer a pena.

A estreia da franquia funcionou naquele momento em particular, principalmente por sua violência sangrenta e ignorante, que só mesmo Stallone poderia nos oferecer. Mas estranhamente, em Os Mercenários 2, nada disso aconteceu. Talvez pela falta do elemento surpresa, ou pelo hype altíssimo instaurado… Só sei que quando liguei meu olhar crítico e desliguei o de fã, o verniz corroeu. Fazer o que?!

A história começa de forma ensandecida, com uma grandiosa cena de ação em que braços e pernas humanas chovem ensanguentadas sobre as cabeças da inspirada equipe de mercenários contratada. Eles foram resgatar um camarada irrelevante, e de quebra salvaram o governator Schwazza. O local deste primeiro resgate, se minha memória não falha, ficava no Oriente Médio, se bem que em certos momentos parecia com uma selva tropical da América Latina… mas afinal, quem se importa?!

Depois dessa apresentação, começa a construção da motivação da missão principal do jogo…quer dizer… do filme. Ninguém gosta de ver um garoto herói passar por maus bocados né? Ainda mais se o cara quer abandonar a vida perigosa, se casar com a namorada e ser feliz eternamente. Quem mexer com este indivíduo terá de pagar com a vida, e se o mesmo tiver um exército particular para ser dizimado… melhor ainda.

Bem, o garoto acaba sofrendo! E nas mãos de um terrorista mercador da morte ainda por cima. Nomeado sabiamente como Vilain, o inimigo usa trabalho escravo (de forma cretinamente pouco eficiente) para aumentar seus recursos, se tornando assim altamente perigoso para o mundo (mundo = EUA). Ou seja, o mote principal da trama é retaliação: um trabalho dá extremamente errado e BOOM! Eles vão pra cima com tudo, usando como desculpa a periculosidade do malfeitor frente aos Estados Unidos, fato que apoia a vingança. Conveniente.

Só que o maior problema deste Os Mercenários 2 não é o roteiro precário, mas sim sua vontade em demasia de querer agradar. O filme em certos momentos parece buscar mais a gag do que a ação (sua oferta primordial), se tornando então uma caricatura dos filmes do gênero. Este humor almejado é uma marca do primeiro longa, mas aqui ele aparece de maneira forçada, pouco espontânea, sendo mais obrigação do que diversão. E para completar, as sequências explosivas simplesmente não convencem. Elas obviamente seguem uma cartilha didática onde o excesso é a regra principal, não o contexto. Tipo: dois milhões de tiros e no final manda uma facada na cabeça (pois isso é muito maneiro!).

Veja bem, a violência é linda de se ver – com bandidos sendo literalmente picados na bala -, mas as cenas não passam disso, sendo basicamente: foco no cara que atira, foco no cara que leva o tiro, e foco na explosão grandiosa e desnecessária (não vou nem falar da hora em que eles decidem derrubar um helicóptero com uma moto, ao invés de usar uma metralhadora ponto 50 que estava nas mãos deles). O ponto onde quero chegar é: a ação está lá, insana, explosiva, sangrenta, incoerente… mas ela não diz nada, não tem propósito, quer ser apenas visual, não se importando com o sentindo. Mas é isso que todo mundo quer não é? Visual e pouco sentindo? Nem todo mundo.

Mas pode ficar tranquilo que não vou falar (muito mal) dos atores. Os caras são lendas e tem o direito de fazer toneladas de besteiras: Chuck Norris rouba a cena por completo com sua voz fina e sua cara de tio gente boa que mata por prazer. Junto a Norris, também como destaque, temos Arnold Schwarzenegger, ressurgindo das cinzas após seu mandato de governador da Califórnia. Já uma participação que achei ridiculamente pequena foi a de Jet Li, que some depois do início e não aparece mais. Algo muito estranho mesmo. Fica a impressão que ele foi chamado só para constar no pôster.

Por fim, temos Sylvester Stallone e Jean-Claude Van Damme: protagonista e antagonista, tiozões do cinema brucutu se duelando em um confronto simbólico, que vai além das telas do cinema, além de suas caras acabadas, inchadas, botocadas, irreconhecíveis praticamente. Stallone parece que sofreu um transplante de rosto mal sucedido, e Van Dame não tira os óculos durante o filme todo – e quando tira é no escuro, por que sei lá, ele parece ter um litro de cachaça acumulado debaixo de cada olho). Seu Vilain é o malfeitor mais blasé de que se tem notícia nos últimos tempos.

No final, Os Mercenários 2 decepciona, e creio que o maior motivo disso foi Stallone não ter dirigido a obra (diferente do primeiro) – a missão ficou com Simon West (Con Air – A Rota da Fuga). O filme simplesmente se perde na sua proposta, esquece de entregar algo digno e se foca apenas em ser “cool” pra caramba, como se as referências das carreiras dos envolvidos salvassem qualquer coisa. Não empolga como gênero de ação, força nas piadas, e se torna um esteriótipo da loucura americana em sua total capacidade armamentista (isso ele automaticamente é né?! Mas o clima de humor mal sucedido acaba puxando tudo para um lado ainda mais “negativo” da coisa). É como diz a canção do épico “Team America”, de Trey Park:“America, FUCK YEAH! Coming again, to save the mother fucking day!” (veja isso aqui).

Como eu falei: o primeiro foi legal naquele momento. Mas agora…? Era preciso bem mais para segurar a onda.

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Os Mercenários 2/ The Expendables 2: EUA/ 2012/ 103 min/ Direção: Simon West/ Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jean-Claude Van Damme, Jet Li, Dolph Lundgren, Chuck Norris, Bruce Willians, Arnold Schwarzenegger, Terry Crews, Randy Couture, Liam Hemsworth

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  1. Artigo interessante. Precisei deixar o dicionário ao lado pra entender alguns termos. Mas amigo, você que é crítico de cinema, diz aí, na sua opinião, por que o Stallone nunca beija a garota no final?