Motoqueiro Fantasma: Espírito da Vingança – Crítica

Vocês são testemunhas de que eu realmente torci por esse filme. Mesmo com o primeiro longa-metragem sendo um total fiasco, postei aqui uma lista de cinco motivos para dar uma chance ao novo Motoqueiro Fantasma. Gosto demais do personagem, acho seu conceito geral muito criativo, portanto é natural a minha torcida. Após a estreia, quando começaram a pintar na internet as primeiras críticas desfavoráveis, eu ainda queria acreditar que seria capaz de curtir essa sequência. Esperava que pelo menos fosse uma produção B capaz de me divertir por duas horas com o cérebro desligado, um daqueles filmes ruins que ainda assim conseguimos gostar (como os títulos desse artigo aqui). Sendo assim, entrei na sala do cinema sem muitas exigências, disposto simplesmente a me entreter. Dei meus votos de confiança a Brian Taylor, Mark Neveldine, Nicolas Cage e ao herói que tanto gosto nos quadrinhos. Fiz isso, e me decepcionei completamente!

Motoqueiro Fantasma: Espírito da Vingança consegue ser pior que seu antecessor. Sério, é ruim a esse ponto. O filme carece de enredo, atuações convincentes, carisma, trilha sonora, cenas de ação empolgantes, fotografia, enfim, praticamente nada salva essa tremenda bomba. A única coisa que passa é os efeitos especiais. O motoqueiro e seu veículo ficaram bem feitos, bem melhor que a versão de 2007. A aparência do anti-herói é brutal e a moto não tem mais o visual de caveira chifruda (ufa!). Em contrapartida, Nicolas Cage entrega o pior trabalho de sua carreira. Seu Johnny Blaze está ainda mais canastrão e suas caretas já podem figurar na lista de maiores bizarrices do cinema. Seu desempenho como um todo causa vergonha alheia, mas o ápice está em duas cenas: a transformação enquanto dirige a moto em alta velocidade e a tortura psicológica pra cima de um bandido do submundo. Nesses dois momentos me bateu um sentimento de pena pelas pessoas que estavam na sessão comigo.

Como se não bastasse, Cage não interpretou apenas Johnny Blaze, dessa vez ele também “deu vida” ao próprio Motoqueiro Fantasma. E, pasmem, fez pior ainda. O Espírito da Vingança foi transformado em um imbecil que fica balançando a cabeça como cachorro confuso. Ele entra em ação, balança a cabeça por um tempo para intimidar os inimigos, agita suas correntes e mata todo mundo. Babaca e apelão. Todos são destruídos imediatamente ao serem atingidos pelas armas do personagem – menos o antagonista principal, é claro, esse não é eliminado a princípio (saída fácil de roteiro). Quando digo vilão principal me refiro ao discípulo do demônio (Johnny Whitworth), o cara que ganha poderes de toque da podridão e uma peruca loira. Sim, porque o demônio em si é risível. Já pudemos ver o diabo ganhar ares de idiota em outras produções de Hollywood, mas o desse filme superou todos os outros. Simplesmente o demônio mais sem graça que já vi até hoje (interpretado por Ciarán Hinds, coitado). Esse artigo publicado aqui no Pipoca e Nanquim precisaria ser atualizado.

Falando em cenas de ação, particularmente não me empolguei com nenhuma. Li na internet críticas que apontavam a perseguição na rodovia e a transformação da escavadeira gigante em veículo infernal como os únicos bons momentos da projeção. Não gostei de nenhum dos dois. Toda a ação é previsível e repetitiva, não consegue causar tensão e cai no lugar comum de outros filmes clichês: troca de carros em movimento, lanças-mísseis que aparentemente dão cabo do herói, veículos capotando, câmera lenta, etc. Taylor e Neveldine fizeram acrobacias com câmeras por nada. Que saudade de Adrenalina.

Claro, pior do que isso é falta de história. O básico do roteiro é: em troca de ser livrado de sua maldição, Johnny Blaze topa empregar seus poderes de Motoqueiro para resgatar um menino e entregá-lo à igreja. Esse garoto, chamado Danny (Fergus Riordan), é o filho do diabo, a peça chave em um ritual que visa ampliar os poderes de seu pai na Terra. Simples assim, mas repleto de furos e incoerências.

Pra começar, não sabemos como o padre bebum (Idris Elba) ganhou conhecimento da presença do Motoqueiro na Europa, ele simplesmente sabe que o anti-herói está por aquelas bandas e que anseia se livrar dos poderes infernais. Danny ganha a simpatia de Blaze com dois minutos de conversa e uma voltinha na garupa de sua moto, isso basta para ambos criarem um laço fraternal. A mãe do menino (Violante Placido) aceita uma aliança com o caveira flamejante como se uma criatura assim fosse a coisa mais normal do mundo. Aliás, todos parecem reagir bem na presença do Motoqueiro, os capangas estão bem dispostos a enfrentá-lo de peito aberto, enquanto certamente o mais natural seria sair correndo apavorado (ok, eu assumo que esse é o menor dos problemas perante tantos absurdos, mas também incomoda).

O defeito mais gritante do enredo (pequeno spoiler à frente) é Johnny Blaze perder sua maldição de uma hora pra outra, sem qualquer explicação minimamente plausível. Da mesma forma, é claro, a recupera algumas horas depois. O filme todo é assim: sai de um ponto, faz uma volta em círculo e retorna a esse mesmo ponto. Como aquela cena em que o menino escapa do carro dos sequestradores e foge por alguns minutos até ser capturado de novo; uma fuga que nada acrescenta a trama. Tudo gratuito. O humor então, nem vale a pena mencionar, são diversas tentativas de fazer rir, enfiadas goela abaixo do público, mas poucas realmente logram resultado. Até a cena da mijada está lá pra isso, utilizada duas vezes.

Não poderia encerrar esse texto sem falar da fotografia e trilha sonora. Puta filme barulhento do caramba! Mais barulhento do que o novo filme do Conan, insuportável e sem sentido. E a fotografia… bem, que fotografia? Pra baratear a produção eles escolheram o lugar mais sem graça do mundo pra filmar. Pelo menos o primeiro longa contava com uns cenários legais.

Fuja de Motoqueiro Fantasma: Espírito da Vingança. Infelizmente, não deu certo. Cage já havia assassinado o personagem antes e agora o enterrou de vez. Como um fã confesso de quadrinhos, principalmente do Motoqueiro (ele ostenta uma tatuagem do crânio flamejante no braço esquerdo), o ator, principal responsável pela aprovação dessa sequência, devia sentir culpa em triplo.

Nota: pelo menos o filme serviu para a Panini lançar o excelente encadernado Estrada para Danação, e para nós do Pipoca e Nanquim aproveitarmos para falar dos quadrinhos do personagem (aguardem a notícia oficial).

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  1. Bem, eu também queria dar uma chance para o filme, mas assim que li a cena da mijada, entre outras cenas bizarras, eu achei melhor nem me dar ao trabalho…

    Essa crítica ainda reforçou minha impressão x)

  2. Amo esse herói , e achei bem legal o filme , não foi um “avatar” nem um “titanic” , mas é um filme pipoca que dê para se divertir bastante com ele , ou seja, um filme sem pretensão de ser um filme grandioso , mesmo assim achei o filme f*da ! Opnião é que nem c* cada um tem o seu =P

      • Existem duas coisas chamadas “opinião” e “gosto”.

        Pro gosto dele, Avatar e Titanic são bons filmes. Essa é a opinião dele.

        Difícil?

        • Existem gosto e mal gosto, tem gente que gosta até de quem ouve funk alto dentro de ônibus. Pra mim quem cita Avatar e Titanic como exemplo de filme bom está pedindo pra ser achincalhado. E ademais, eu não estava falando com vc. Fácil.

          • Avatar e Titanic n são filmes bons?

            Avatar – Maior Bilheteria da historia do cinema, nomeado à 9 Oscars incluindo o de MELHOR FILME e MELHOR DIRETOR, ganhador das categorias de MELHOR FOTOGRAFIA, MELHORES EFEITOS VISUAIS E MELHOR DIREÇÃO DE ARTE, precisa dizer mais alguma coisa.

            Titanic – Segunda maior bilheteria da historia do cinema, ganhador de 11 estatuetas do Oscar, incluindo o de MELHOR FILME e MELHOR DIRETOR, além de ser um clássico do cinema.

            Vocês devem ter merda na cabeça para dizerem isso.

    • João, juro por deus, tentei gostar desse filme, esperava que fosse uma sessão “pipoca” que só me proporcionase diversõ. Mas não deu, achei muito fraquinho. Mas é isso, gosto né..

  3. Cara… na boa, eu não quero ser chato até por que não vi o filme, mas acho que tu pega pesado pra caralh# com uma crítica de uma coisa que tu gosta.
    Tá o filme pode até ser uma [email protected] e ter um zilhão de defeitos, mas acho que todo esse negócio de crítico extrapolou um pouco ou tu é rigido demais por ser uma coisa que tu curte, por que “não serve nem pra se entreter” é rebaixar o filme a um nível de filmes do Van Damme dos anos 80 (ou de todos os tempos…)

    • Não Renan, nesse caso, como escrevi lá em cima, até tentei me divertir, juro, eu fiz força pra me divertir, mas não deu. Entretenimento é Thor, Capitão América, filmes medianos que conseguem pelo menos divertir. Motoqueiro Fantasma 2 assassinou algo que eu gosto, não tem como não ficar puto com isso e não pegar pesado. Eu torci, fiz um post pra que todos dessem uma chance ao filme, escrevi um livro sobre os quadrinhos do personagem, mas não posso fingir que esse filme vale a pena.

      • hm.. tá, uma amiga minha foi e viu e disse que o primeiro é melhor… começo a crer que vocês estão certos nisso… só faria um adendo, o Thor pra mim ficou passível de críticas pesadas, aquele eu digo que não me serviu muito. Quando finalmente acaba a enrolação do roteiro e eu penso que o filme vai começar a desenvolver ele tá no fim, sem contar os personagens (ou a falta deles). O único que realmente vale é o Loki. Só quero ver como vão ficar os Vingadores.

      • Gente que este1 sofrendo, que pega treas, quarto condue7f5es por dia pra escapar dos zumbis! choray!De1 pra ouvir claramente a voz do Datena narrando! hahahaMas que bom que teve um final feliz, ne9!

  4. Rebaixar a um filme estilo Van Damme? Queria esse filme divertir tanto quanto um Grande Dragão Branco. É ridículo, dá vergonha das loucuras de Nick Cage. É horrível…… Vergonha alheia total.

  5. Olha, concordo com a crítica. O filme é fraquinho, fraquinho… Mas o que me deixou constrangido mesmo foi o Nicolas Cage… deu muita vergonha!

    Nos últimos tempos, a pior adaptação de HQ que vi foi a do Jonah Hex (sacanagem com um puta personagem). Essa foi a única que perdeu para a do Motoqueiro Fantasma 2. E isso por que ainda não tive coragem de ver o novo Conan…

  6. Vi o Filme e achei uma Bosta…
    Q droga fui cheio de vontade…
    Acho q nunca mais vou ao cinema ver uma continuação parece q eles fazem de propósito fazem uma merda …
    so para vcs imaginarem …
    numa cena o Danny Pergunta como e ter vontade de fazer nececidades em forma de Motoqueiro…
    Aparece uma imagem do motoqueiro mijando…
    Imagina o motoqueiro mijando em forma de lança chamas…

  7. velho, eh bem isso mesmo….filme horrível, não vale nenhum centavo do ingresso…..estragaram um grande personagem, para conseguirem fazer um motoqueiro fantasma decente, teriam que começar do zero e esquecer o nicolas cage….não recomendo pra ninguém.

  8. Eu não sei que CG que o pessoal ta vendo melhor do que no anterior…me pergunto que conhecimentos essas pessoas tem para falar sobre isso, DESCONFIO que apesas estão reescrevendo o que leram em outro lugar.
    A caveira está anatomicamente INCORRETA, com combrancelhas em V , bonito em desenho animado, mas em filme é ridículo e infantil(para parecer mau).
    E a moto, simplesinha, nem se compara a anterior…

  9. Pôxa, eu fui ver esse filme porque acreditei que eles tentariam corrigir os erros do primeiro. Ledo engano… A crítica do Bruno pegou foi muito leve. Realmente foi revoltante pagar R$15,00 só pra sentir vergonha alheia.
    Mas poderia ser pior. Imagine se o menino tivesse perguntado como seria fazer o nº 2 em forma de motoqueiro fantasma?

  10. concordo com vc em relação ao filme, é ruim mesmo, mas a nova moto dele é uma bosta, o cara sai do inferno para andar em uma moto esportiva? de playboy? cadê a moto fodástica do primeiro filme? se continuar assim daki a pouco o motoqueiro fantasma vai aparecer em uma BIS ou CG 125.kkkkkkkkkkkkkkkk