Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual – Crítica

(Medianeras – 2011 – Argentina)
Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto
Elenco: Javier Drolas, Pilar Lopes de Ayala, Inês Efron, Carla Peterson, Rafael Ferro, Romina Paula e Adrián Navarro.

A comédia romântica Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual, fala, de maneira divertida, sobre a incomunicabilidade na sociedade atual – ilustrando essa temática através de comparações entre as relações sociais e as irregularidades arquitetônicas da capital argentina.

Iniciando a projeção com diversas imagens de exemplos do crescimento descontrolado da cidade, com construções sem qualquer planejamento, a confusão da cidade é usada para ilustrar a vida dos nossos protagonistas, dois jovens que, devido as suas fobias, são completamente deslocados do mundo.

Nessa caótica Buenos Aires, Martín é um jovem programador com síndrome do pânico que vive isolado em seu apartamento com pouco, ou nenhum, contato com o mundo exterior. Sua vida resume-se a trabalhar (em casa), jogar vídeo-game, entrar na internet e, ocasionalmente, tentar a sorte em sites de relacionamento, o que raramente dá certo. Ao mesmo tempo, Mariana é uma bela arquiteta que nunca projetou prédio algum e ganha a vida decorando vitrines. Devido a sua fobia de multidões, ela também vive isolada em seu apartamento (localizado próximo ao de Martín) enquanto se esquiva de relacionamentos e compromissos.

São necessários apenas alguns minutos de projeção para percebermos que os dois são perfeitos um pro outro. Porém, há um problema: eles não se conhecem. Passamos então a acompanhar a rotina do “casal”, em meio a problemas pessoais e decepções amorosas, torcendo pelo momento em que eles finalmente se vejam. E para ajudar o publico a conhecer melhor a dupla, o roteiro acerta em cheio ao colocá-los como narradores da história.

Além de criar uma estrutura interessante – ao mostrar dois pontos de vista distintos de uma mesma história –, o recurso ainda faz com que criemos maior carisma pelos personagens (algo auxiliado pelas excelentes atuações e a ótima química entre eles), já que estamos constantemente dentro da cabeça deles, lendo seus pensamentos. E é nas próprias narrações que ouvimos algumas das melhores piadas do filme – a comparação entre um encontro as escuras e um Big Mac é a hilária.

O diretor Gustavo Taretto mostra-se bastante detalhista em sua concepção, auxiliado pela bela direção de arte de Romeo Fasce e Luciana Quartaruolo. Reparem como os apartamentos dos dois protagonistas refletem bem as suas personalidades: enquanto um é bagunçado e cheio de bonecos de super-heróis, o outro é pequeno, porém construído de maneira a otimizar o pouco espaço que tem (a utilização de um mezanino é uma idéia típica de uma arquiteta). Além disso, a direção de fotografia – feita por Leandro Martínez, que capricha principalmente nas cenas noturnas – também é bem aproveitada quando, em certo momento, a narrativa permite que a luz invada os apartamentos do casal, mudando completamente a ambientação dos lugares, tornando-os mais agradáveis.

Buenos Aires na Era do Amor Virtual consegue ilustrar de maneira divertida e cativante uma sociedade onde as pessoas, apesar de viverem próximas umas das outras, nunca estiveram tão afastadas. E se a cena da criança andando pra frente e pra trás numa pequena sacada simboliza a inocência e a busca por felicidade em meio ao caos, a explicação sobre as medianeiras do título ilustra melhor ainda o que se vê em tela até então. Uma história de amor moderna e atual, contando com participação ativa do Google, MSN e Youtube.

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  1. Olha só, já estava curioso para ver esse filme, agora com mais detalhes desta sinopse é certeza que verei =D

    O tema na verdade não é novo, esse ano mesmo na mostra internacional de cinema teve um curta europeu com uma proposta de tema parecida (assim que lembrar o nome posto rsrs), mas esse mesmo tem detalhes que o tornam único.

    Valeu por mais essa Pipoqueiros,

    abraços

  2. Esse filme é maravilhoso. Usa temáticas atuais para mostrar o que sempre existiu. É perturbador se pararmos para pensar no tanto de gente que poderíamos conhecer e nos apaixonar mas que não conhecemos. Tem uma cena em que eles se cruzam na rua que eu acho linda. Pensei em uma frase do Bukowski:

    “Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”