Dredd – Crítica

Enfim, alguém teve peito para fazer um filme de super-heróis violentos como se deve. Digo isso por que os 3 filmes do Justiceiro deixaram a desejar, Demolidor (que também é um herói urbano) não se decidiu o que era e outros exemplares que deveriam ter sido ultraviolentos como Constantine e Conan, seguiram linhas completamente diferentes. Mas eis que o diretor Pete Travis (do excelente Ponto de Vista) respirou fundo e, trabalhando em cima do roteiro de Alex Garland, deve ter dito o seguinte: “Então as HQs desse cara são assim? Exatamente assim? Pois é isso que eu vou filmar!”.

Esqueçam o longa-metragem de Stallone de 1995; Dredd veio para arrebentar a boca do balão! Ele respeita toda a mitologia do personagem; conta brevemente no início onde estamos (para situar o expectador), o que é Mega City-1 e quem são os juízes. A seguir, parte para a pancadaria.

Honestamente, desde RoboCop (lá no distante ano de 1987) eu não era surpreendido por um filme por causa da sua excessiva dose de violência. Claro, se você vai assistir Jogos Mortais, sabe que irá receber altas quantidades de tortura, sangue e gritos, mas se está assistindo um filme de heróis, pensa que isso será de alguma maneira atenuado ou maquiado, como no caso dos filmes do Justiceiro citados ou, por que não, nos Batman de Nolan, em que sangue não aparece por causa da censura.

Dredd não tem esse problema. 18 anos? Que assim seja!

A história acompanha um dia na vida do juiz mais durão de Mega-City-1, uma metrópole onde moram mais de 800 milhões de pessoas, arremessada em uma onda de criminalidade incontrolável. Dredd precisa fazer a avaliação de uma nova recruta, a Juíza Anderson (Olivia Thirlby), que fracassou no teste para se tornar um juiz, mas está recebendo uma nova oportunidade por conta de suas habilidades psíquicas. O crescimento da personagem ao longo do filme é uma das mais gratas surpresas; ela começa como uma “menininha” e termina como uma baita juíza de responsa. Crédito para Olivia, que manda muito bem no papel.

A dupla escolhe um chamado para atender (dentre dezenas de outros), o que os leva ao covil da perigosíssima Ma-Ma (Lena Headey, sensacional no papel), responsável pela produção e distribuição de uma nova droga chamada Slow Mo, que está se espalhando por toda a metrópole como um câncer. Deste ponto em diante, acontece um negócio que é uma baita surpresa e que fará o espectador se remexer na cadeira e pensar: “Agora fodeu!!!”. E quer saber? Fodeu mesmo! Só que para os criminosos.

As sequências em que a droga Slow Mo aparece são sensacionais, conforme mostrada nos trailers. Infelizmente, não assisti a versão 3D, mas acredito que deva ser uma experiência que realmente vale a pena, devido ao grau de inventividade do diretor nessas cenas.

Karl Urban levou a sério sua missão como Dredd. Ele faz a voz certa. A postura corporal certa. A atitude certa. E, incrivelmente, apesar de estar de máscara o tempo todo, estudou a fundo as HQs, pois reproduz com a parte inferior de seu rosto exatamente as expressões do personagem nos quadrinhos. Ele ficou realmente muito casca grossa. Seu uniforme é sujo e desgastado, típico de um cara que fica 20 horas  por dia lutando contra o crime! Nada de floreios; o Juíz Dredd é a arma definitiva!

Não espere de Dredd algo que o filme não é. Não há críticas políticas e sociais em camadas escondidas, como no caso da trilogia de Chris Nolan; não há o humor latente de Os Vingadores; não há a suntuosidade épica do Superman de Donner ou da trilogia O Senhor dos Anéis. Dredd é seco, brutal, direto, visceral; uma ode à violência, uma mensagem quase fascista do tipo “E se Capitão Nascimento fosse um super-herói?”, que funciona muito bem para qualquer fã desse tipo de material. Recomendadíssimo!!!

 

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  1. AC (não de Assassin’s Creed) ótima critica! Fiquei empolgado de vê o filme, eu tenho o primeiro filme do Stallone na minha estante gostava muito dele quando era adolescente. Nunca li nem uma virgula do Juiz Dredd, mas gosto da mitologia por trás do personagem e algo que sempre gostei é de temas de mundo pós-apocalipse.

    Vale cara!

  2. Concordo ,, assisti vingadores e Batman com altas doses de expectativas, não me decepcionei mas foi pensando bem acho que gostei deles mais pela pilha que fiquei na epoca dos seus lançamentos do que pelos filmes enfim.Assisti Dredd no cinema as 14 ,30 como quem iria ver um filme de sessão da tarde, mas eis minha surpresa, melhor adaptaçaõ de HQ do ano

  3. onde eu acho os hqs do Juíz Dredd, e quais eu devo procurar em sebo
    muito boa a critica, to louco pra assistir
    um abraço
    pedro

  4. Ei, Callari, parece que você vibrou em todo o filme pelo que li dá sua ótima crítica (de alguém que esperava de ver alguma coisa diferente do que vemos ultimamente para um filme de ação, principalmente para um casca-grossa com Dreed) Vou assistir com certeza…

  5. Ótima crítica. Vimos o mesmo filme. Direto, sem mensagens bobas, sem perda de tempo, corajoso, uma porrada. Saímos eu e minha esposa do cinema citando Robocop e Tropa de Elite também.

  6. Estou muito curioso para ver esse filme. Mas já fico com um pé atras por que somente pelos trailers, parece que o diretor e o roteirista, não se importou em plagiar a premissa do filme, de The Raid Redemption (lançado no Brasil como Operação Invasão).
    Mas vou sim assistir esse filme nos cinemas depois de ler essa critica, e espero ver o que o personagem do Dredd realmente é, um personagem violento acima de tudo que ,quer manter a lei e a ordem através da força.

  7. Finalmente um filme a altura dos quadrinhos do Dredd! não aquele lixo de filme feito por silvester estalone…

  8. os filmes do justiceiro deveriam ser como esta obra violência é o que não falta não recomendo para pessoas com estomago fraco

  9. Saí do filme empolgadíssimo pra ler alguma hq do herói. Entrei fã do filme do Stallone e saí fã do filme do Karl Urban. Faltava esse tipo de filme no cinema atual!

  10. Fala galera do P&N,

    Vamos as minhas considerações e comentários sobre Dredd. Antecipo que sai do filme feliz, com sensação de missão cumprida e vontade de ver a continuação, mas…

    Assisti o filme ontem a noite (23/09) em um grande cinema de São Paulo, que estava abarrotado de gente e com filas homéricas. Havia comprado meu ingresso antecipado e para minha surpresa a sessão estava liberada meia hora antes e não tive de esperar para entrar. Pensei que ia sentar no chão, que havia perdido a fila de espera, mas sala estava vazia. Com o passar do tempo contei 15 pessoas antes dos trailers e mais 6 que chegaram atrasadas. Ao todo, apenas 21 pessoas compunham uma sala de cinema 3D de 200 lugares.

    Chegando em casa fui em busca de números, pois me preocupou a falta de interesse do público paulista pelo Juiz. As notícias são tristes, pois o filme que custou $45mi arrecadou $8mi em seu fim de semana de estreia nos EUA. Seria culpa da falta de publicidade, da censura, do personagem, do contexto cultural, do momento dos quadrinhos no mundo… Talvez a soma de todos esses fatores.

    Fato que Dredd é uma obra prima das adaptações de quadrinhos para o cinema, concordo com os pontos do Alexandre: Roteiro fiel e bem construído, fotografia invejável, ótimos efeitos visuais e a atuação de quem leu e entendeu os variados personagens. O 3D vale a pena, as cenas que envolvem o uso do Slo-mo foram pensadas dentro dessa tecnologia, além das quedas livres, chega a dar vertigem.

    Onde foi que Dredd errou?
    No Brasil sofremos a tempos com a falta de publicação desse título. Mesmo com a recomendações do Bruno Zago aqui no comentários, acho muito pouco para colaborar com a promoção do filme. Era para a Panini ou outra editora ter lançado umas compilações no modelo das Tartarugas Ninja (que vem vendendo muito bem, segundo os colegas da Comix), ou um encadernado digno.
    Nos EUA temos a questão da cota de salas para filmes europeus, que não favorece a distribuição. Além da falta de interesse latente sobre as HQs do velho mundo.

    Faço aquele apelo, vá ver Dredd, pois adaptações desse tipo tem ganhar folego.

  11. Caramba, ou meu comentário não foi postado, ou eu fui moderado sem explicação. Bom, se de qualquer forma, agradecimentos bom post do Callari

  12. Boa critica,eu estou louco pra ver mas infelizmente não esta passando em cinema nenhum aqui por perto da minha casa,e olha que eu moro a 20 min de São Paulo.Tirando isso eu vi que você agora é o editor de Batman e Robin que esta saindo na Sombra do Batman, parabéns Alexandre

  13. Meio hein?????
    Se era pra impressionar pela violência máxima, pelo PAVOR que o juíz Dredd provoca nos quadrinhos, pela fama de carrasco que ele carrega, achei mt idiota da parte do diretor ter colocado um ator tão sem graça!!!!
    Fera msm é a vilã. a Lena Heradey ‘matou a pau no papel da louca-psicótica traficante impiedosa!
    Achei a tal de Anderson até interessante, mas o juíz Dredd tinha que ser um The Rock, um Vin Diesel, sei lá, um cara GRANDEEEE…
    Filme até legal, caricaturado, mas, o principal não marcou..
    pena….

  14. numa época de violência disfarçada no cinema – só se mata alienígenas unidimensionais e robôs – DREDD é corajoso e sincero.
    mas dentre os comentários que li aqui e em outros sítios, ninguém comentou sobre o Stallone COVER!
    será que ninguém notou Karl Urban fazendo vozes e bocas do Stallone? parecia até que se ele tirasse o capacete iriamos ver Sylvester rejuvenescido! (isso não é defeito, mas é curioso!)
    BOA CRÍTICA (eu evitaria palavras como FODEU), excelente lembrança do filme Robocop!

  15. Nossa critica muito fanboy, deve ser um bom filme de ação.Mas estranha essa critica.Bom mas cada um com seu estilo!