Cinco motivos para você dar uma chance ao novo filme do Motoqueiro Fantasma

É unanimidade que Motoqueiro Fantasma (2007), dirigido por Mark Steven Johnson, é uma grande porcaria, fracasso de crítica e de bilheteria. O roteiro é fraquíssimo, o vilão principal é pífio e os capangas dignos de piada, o herói não sofre um arranhão sequer, as cenas de ação não empolgam, Eva Mendes – mesmo sendo linda – está apática em seu papel e o romance com Nicolas Cage não convence nem criancinha. Até mesmo os veteranos Jon Voight e Peter Fonda não atuaram pra valer. Enfim, nada salva esse filme que tão logo saiu de cartaz foi relegado ao esquecimento. Mas já dava pra adivinhar que seria assim, pois foi feito pelo mesmo diretor de Demolidor, outra bomba como adaptação de quadrinhos (pelo amor de Deus, que ninguém nunca mais deixe Steven Johnson fazer qualquer coisa com HQs).

Mesmo com um erro desses em mãos, a Sony tinha que tomar alguma atitude, afinal, se nenhum outro filme fosse feito os direitos de uso do herói voltariam para a Marvel. Então, para não perder a franquia, foi decidido continuar.

Em primeira instância qualquer pessoa tende a ignorar uma notícia dessas, julgando que vem por aí outra tranqueira. Sem qualquer expectativa sobre a produção, tanto por parte do público quanto do próprio estúdio, a responsabilidade depositada no blockbuster vai lá pra baixo e ele deixa de ser uma grande aposta para obter lucros com ingressos. O investimento diminui consideravelmente (cortaram US$ 60 milhões, quase metade da grana do primeiro) e os olhos executivos da Sony deixam as pobres almas criativas trabalharem em paz, indo podar asinhas de equipes de filmes com mais chances de mercado – como Homem-Aranha. Paradoxalmente, com isso surgem chances de dar certo.

Até agora as informações liberadas sobre a segunda aventura de Johnny Blaze agradaram bastante os fãs, inclusive fazendo bonito na apresentação da Comic Con 2011. Quero acreditar que o filme está no rumo certo, por isso coloco aqui cinco bons indícios que podem nos convencer a dar nova chance para Motoqueiro Fantasma nos cinemas.

1- NÃO É UMA HISTÓRIA DE ORIGEM

Nada de reboot do personagem, eles apenas querem entregar um bom filme com nova direção, renovando todo o elenco menos o astro principal. Basicamente o mesmo que a Marvel fez com seu segundo filme do Hulk, não ignorar a prequência e ao mesmo tempo desconsiderá-la para a continuação, materiais distintos que não precisam um do outro (bem que poderiam ir pelo mesmo caminho com o próximo Homem-Aranha). A continuação se chama Motoqueiro Fantasma: O Espirito da Vingança, só isso, sem o número 2 acompanhando o título (alguns sites brasileiros que noticiam entretenimento ainda não perceberam esse detalhe).

Livrar-se das amarras da cronologia e se preocupar apenas em contar uma boa história, máxima que todo estúdio de cinema e editora de quadrinhos deveria ter pendurada em uma placa no hall de entrada da empresa.

2- ARGUMENTO

O roteiro do filme é baseado em um argumento escrito por David Goyer, simplesmente o co-roteirista dos dois últimos filmes do Batman, do próximo Superman (ao lado de Christopher Nolan) e roteirista/produtor da trilogia Blade (ok, podemos relevar o terceiro). Poxa, o sujeito entende de adaptações de quadrinhos, já acertou em cheio quatro vezes e por isso está trabalhando na volta do maior super-herói de todos às telonas. Em seus depoimentos, ele diz que quer realizar o mesmo que Cassino Royale fez com James Bond, uma mudança de tom, algo bem mais adulto e sombrio que o anterior.

Goyer escreveu esse argumento 10 anos atrás, pensando em censura 18 anos. Os produtores resgataram o projeto e estão trabalhando para deixa-lo com censura 13 anos sem muitas alterações significativas, algo no limite. Segundo o próprio autor: “não podemos esquecer que Batman – O Cavaleiro das Trevas é um filme 13 anos, mas que testou os limites dessa classificação. Queremos obter algo assim. Obviamente vamos ter que amainar algumas cenas, mas nem tantas assim”.

3- DIREÇÃO

Esse personagem é um motoqueiro, vestido em couro negro, com uma cabeça de caveira flamejante, armado com correntes e comandando uma moto envolta em chamas! Um dos heróis mais badass motherfucker dos quadrinhos, sem sombra de dúvidas! Isso exige um diretor de mesmo nível. E porque não dois diretores tão pirados quanto ao conceito do personagem? A escolha de Brian Taylor e Mark Neveldine certamente não foi à toa, pois essa dupla é maluca. Eles são os responsáveis pela franquia Adrenalina, que contribuiu para consagrar Jason Statham como um ator brucutu de filmes de ação. Também dirigiram Gamer, com Gerard Butler, outro linha dura.

Quem assistiu entende o que estou falando. Os dois sabem conduzir cenas de ação “estilosas” sem ficar incompreensíveis. Eles vão além da mera função de diretor e são como dublês no set, se colocam em situações de risco com a câmera na mão em busca de ângulos inusitados. Os caras são insanos e prometeram detonar e entregar um filme “punk rock em grande escala”, palavras de Brian Taylor. Promissor! Não levar o personagem tão a sério pode mesmo ser o melhor caminho, afinal ele é um Motoqueiro Fantasma!!

4- NICOLAS CAGE

Todo mundo ligado ao primeiro filme foi sacado desse segundo, exceto Cage. Muitos tem uma relação de amor e ódio com esse ator, dado seu envolvimento em pérolas como Caça às Bruxas, O Aprendiz de Feiticeiro e Perigo em Bangkok só pra citar alguns. Mas poxa, convenhamos, a balança do cara ainda pende mais pro lado positivo, ele não pode ser considerado o culpado pelo fracasso dessas produções – apenas teve o azar de estar nelas – e quando se envolve em coisa boa (maioria das vezes) seu desempenho é destaque, vide Kick-Ass, Adaptação, 8mm, Os Vigaristas e O Senhor das Armas. Inegável que se trata de um bom ator.

Nicolas Cage é fã confesso de histórias em quadrinhos e sempre quis estrelar o papel de um super-herói. Ele até quase foi o Superman (ainda bem que não aconteceu, não é a cara dele). No caso dessa continuação, ele está colaborando com tudo que pode para sair algo decente. Aceitou numa boa a queda de seu cachê devido ao corte de investimentos, não aceita dublês e interpreta tanto Johnny Blaze quanto o Motoqueiro e inclusive dá bons palpites no roteiro, tendo algumas de suas ideias incluídas no script original de David Goyer. Ele disse que o novo Motoqueiro Fantasma é “adrenalina alta” e “vai mexer com a cabeça dos fãs”.

Mais do que qualquer outro, Nicolas Cage merece muito uma segunda chance com o Motoqueiro Fantasma.

5- O PRIMEIRO TRAILER

Animal esse trailer divulgado! Não abalou a pouco confiança dos fãs, pelo contrário, deu forças! Comprova tudo que foi dito pelos envolvidos, está insano, tem o esperado estilo dos diretores Taylor e Neveldine, boas cenas de ação principalmente envolvendo a moto e uso das correntes, trilha impactante e efeitos visuais convincentes, melhores que os do primeiro eu diria, mesmo com o corte de gastos, e o motoqueiro está selvagem pra cacete! Esse trailer comprova a mudança de tom do filme, que não será levado tão a sério, do jeito que o personagem é. Aliás, muito bacana o contraste entre a música e os letreiros do começo com as cenas pesadas em sequencia.

Um único trecho me deixou com receio: a mijada de fogo. Putz, espero que isso seja um mero lance de divulgação e não uma cena real do filme. Tomara que os diretores não percam o fio da meada tentando parecer loucos demais.

Da mesma forma que fiz uma lista com aspectos positivos, muitos poderiam entregar o contrário e apontar coisas ruins e nos manter afastados da continuação. Eu prefiro ser otimista, adoro o personagem e vou manter as esperanças. Não estou dizendo ser fato que o filme será bom, apenas torço muito para que seja e até agora as circunstâncias me agradaram.

De qualquer modo, se houver uma segunda edição de Quadrinhos no Cinema, o livro do Pipoca e Nanquim, Motoqueiro Fantasma estará lá, dividindo páginas com Batman, Homem-Aranha, Vingadores e possivelmente Wolverine. Se você nunca leu nada de bom do personagem, será sua chance de conhecer as melhores histórias. E pode apostar que tem bastante.

Veja também uma matéria semelhante que publicamos aqui sobre Cowboys e Aliens.

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  1. Eu sou um eterno crente, que normalemnte quebra a cara. Mesmo assim sempre nutro grandes esperanças com produções para cinema de personagens da Marvel!!! Só podemos esperar!!!

  2. Na esperança que esse quebre a má fama do filme do Motoqueiro Fantasma. Adoro os filmes do Nicolas Cage, contudo ele teve uma decaída em suas interpretações nos últimos anos. 

  3. Acho que também é preciso citar “Vício frenético” do Herzog como um dos filmes recentes que Cage se saiu bem (inclusive com uma relação bem mais convincente e interessante com a Eva Mendez). Não gostei nada de “Gamer” (pra mim, o filme é um erro), mas assisto aos dois “Adrenalinas” direto e não enjôo – filmaço! No aguardo desse novo “Motoqueiro!”

  4. A mijada de fogo acredito que foi só marketing mesmo, afinal gerou bastante comentários sobre o trailer. Curti muito uma versão do trailer onde os diretores aparecem falando merda e zuando. Deu pra ver que os caras são crazy mothafuckers.
    O visual do Ghost Rider parece diferente, com a caveira cheia de testuras, meio queimada, ao contrário do primerio filme em que a cabeça parece escovada com sensodine