Capitão América: Guerra Civil – Crítica

Por Jefferson José

Capitão América: Guerra Civil é engenhoso dentro do Universo Cinematográfico Marvel e do gênero ação.

Partindo do ponto de vista dos próprios heróis (aprende Warner) e de que não há um vilão típico, os irmãos Russo são inteligentíssimos ao aplicar o conceito de mise-en-scène nos diálogos muito bem escritos em cenários condizentes com a narrativa – ressalto às atuações de Chris Evans e Robert Downey Jr. – como em desenvolver magistralmente a ação e mais uma vez surpreender o expectador com uma visão espacial de deixar qualquer um que aprecie o gênero de queixo caído – o que nos deixa curiosos para saber o que os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely criarão em Vingadores: Guerra Infinita. O feitio de explorar os combates individuais e locomover a atenção entre os conflitos exige uma direção impecável, a dificuldade aumenta quando os conflitos interagem e no centro da ação são os poderes de cada um que desenrola os eventos. Dá aquela rara sensação de que a ação tem propósito, o último a conseguir isso foi Mad Max: Estrada da Fúria. Ao mesmo tempo que Guerra Civil pinça referências da HQ homônima, o longa cria momentos antológicos como a batalha no aeroporto.

Hoje, grande parte dos melhores especialistas de Hollywood, dos roteiros à equipe técnica, estão envolvidos em filmes de heróis, então é lógico que esses filmes estão revolucionando e combinem tão bem efeitos especiais com sets práticos, e esse é o maior mérito dos diretores porque a interação dos personagens são bem trabalhadas entre si como os cenários que os rodeiam. É inegável o domínio de narrativa dos realizadores ao desenrolarem uma narrativa à partir de um personagem (Capitão) e durante a projeção incumbir o expectador de decidir em meio há cisão qual lado está certo, sendo que no fim ambos tens ótimos argumentos e nos deixam a dúvida de quem estaria ‘certo e errado’. Aqui está um conceito sociológico muito debatido no filme – e ainda tem gente achando que filme de herói é coisa de criança, Guerra Civil prova que diversão e reflexão podem coexistir.

De fato, para entender melhor todo o peso dramático dessa tensão entre heróis/amigos carece de informações passadas sobre os filmes da Marvel, todavia, essa árvore de acontecimentos que eles estão construindo já é revolucionária o suficiente pra influenciar todo o cinema de agora em diante – não é por menos que Batman Vs Superman tentou fazer isso num só filme e falhou. Cabe aqui uma ressalva, como Nick Fury foi um dos responsáveis por unir os Vingadores foi uma decisão ilógica deixa-lo de fora desse conflito.

Sê o êxito de criar relações interessantes entre os personagens já eram comuns, a Marvel faz questão de apresentar dois novos personagens nesse filme e mais uma vez dar aula de desenvolvimento narrativo e, a Casa das Ideias tem uma sensibilidade para o humor que nenhum outro estúdio tem para as adaptações. A adição do Pantera Negra condiz com à situação antes apresentada em Era de Ultron e serve como catalisador da trama, que por sua vez os roteiristas com toques sutis conseguem expressar através da personalidade dos personagens porque cada um decide escolher seu lado. O que nos leva ao Queens, em Nova York.

Sem dúvida o Homem-Aranha é o herói mais pop do planeta e este já estava farto de tantos filmes medianos na Sony. Após a Marvel realizar o acordo e trazer para si a responsabilidade criativa dos filmes do Aranha (eis outro paradigma quebrado, a Marvel não só uniu vários personagens de franquias solos como unificou a produção de filmes entre dois estúdios distantes) ficou a dúvida de como ele seria inserido nesse universo. Sendo assim, não só resolveram rapidamente o reboot como utilizaram do próprio universo já estabelecido para criar uma teia em que o Aranha se conecta com os outros heróis, especialmente Tony Stark, que claramente será o professor/tio do garoto.

O visual do Aranha remete fielmente ao criado pelo Steve Ditko e assim como nos quadrinhos seus diálogos, movimentos e interações fizeram todos os fãs se sentirem realizados em finalmente verem uma adaptação digna no cinema. Como também são fãs que estão fazendo os filmes (cabe aqui uma salva de palmas para o produtor condutor de tudo isso, Kevin Feige, esse merece respeito!) eles entendem o âmago do Aranha, o cerne que o torna fascinante. Também foram certeiros em escalar Tom Holland, ele tem o talento e o físico para começar uma franquia e envelhecer junto com o personagem. Eles sabem o que tem em mãos. O diálogo na casa de Peter em que ele diz ao Tony que não pode viajar porque tem dever de casa resume o quão humano ele é, pois o Aranha é identificável porque tem problemas comuns como os nossos apesar de ser um super-herói, eis o motivo que ele necessita de histórias minimalistas. Acertadamente Spider-Man: Homecoming se passará no colégio e terá o Abutre como vilão, o que a Sony com suas adaptações exacerbadas não entendiam é que é o Peter que move o Aranha, e não o Aranha que move o filme. Compreender o ‘monomito’ de Joseph Campbell é obrigação de um realizador cinematográfico, ainda mais nesse caso que o arquétipo de superação é o que move o personagem. O Aranha já é mito dentro e fora das páginas, em 2017 vamos ver sintetizado na tela porque o amamos tanto.

A beleza de Guerra Civil é que no fim continua sendo um filme do Capitão!

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  1. Grande Jeffinho, fazendo mais um excelente trabalho. Gostei muito da sua descrição através do seu ponto de vista sobre o filme, argumentando à nos, sobre um grande filme; Capitão América: Guerra Civil. Parabéns pela publicação!!!

  2. oloko pra mim vc é uns dos melhores CRITICOS DO brasil !
    eu ia fazer um comentario tenho nada q fala vc falo tudo !

  3. hoo loko comentario muito inteligente! como fala dessa critica só elogia não ha critica mais quem escreveu ela

  4. Mto bom seu comentário porem ainda acho estranho e meio fora do normal o stark ir na casa do aranha que pra mim quem tinha que ir e convence-lo a entrar no time seria o nick fury
    Mais tdo bem filme foi bom d+!!!