Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Crítica

(The Dark Knight Rises – Aventura – EUA – 164min.)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine, Matthew Modine.

Grandiosidade! Essa é a palavra que melhor define Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. O capítulo final da trilogia do homem-morcego é, em todos os sentidos da palavra, grandioso. Se antes o vilão roubava um banco, agora ele sequestra um avião em pleno ar; se uma bomba ameaçava explodir um barco cheio de passageiros, aqui é a cidade inteira que corre perigo. E se o algoz do herói era alguém que no máximo se igualava a ele em força e velocidade, dessa vez ele é uma montanha de músculos cuja habilidade e a técnica são infinitamente superiores às do morcego. E é num grandioso e melancólico clima de despedida que o protetor de Gotham enfrenta sua derradeira aventura.

Na trama, passada oito anos após os eventos de O Cavaleiro das Trevas, Gotham City agora é uma cidade segura. Graças aos feitos do “herói” Harvey Dent, a lei finalmente se impõe na outrora perigosa metrópole. São tempos de paz, onde não há necessidade para soldados como o comissário Gordon e o mascarado Batman. Nessa nova realidade, Bruce Wayne (Christian Bale, ótimo como sempre) vive isolado em sua (restaurada) mansão, de onde não percebe a decadência da sua empresa – fruto de investimentos arriscados. Porém, quando o misterioso Bane chega à cidade, Bruce se vê obrigado a sair da sua aposentadoria para impedir os planos megalomaníacos do vilão. É nessa nova jornada que seu caminho se cruza com a igualmente misteriosa Selina Kyle (Anne Hathaway), uma experiente ladra de joias envolvida com as pessoas erradas.

A grandiosidade mencionada no início se reflete também na quantidade de personagens e subtramas. Temos o jovem policial investigando o passado do Batman; a dualidade da personalidade de Selina; o complô para tomar conta da Wayne Enterprises; o possível interesse amoroso de Bruce; as verdades vindas à tona; e muito mais. Com tanta coisa acontecendo, torna-se impossível desenvolver tudo de maneira apropriada. Sendo assim, enquanto alguns coadjuvantes crescem no decorrer da narrativa (Blake e Miranda), outros recebem apenas abordagens rasas (como a Mulher-Gato, cujo momento de maior destaque é quando anda debruçada na moto usando uma calça de couro); e outros, ainda, são simplesmente descartados quando não tem mais utilidade (Jen, a ajudante de Selina). Não só isso, mas quando chega a hora de finalizar as histórias, as soluções encontradas pelo roteiro soam precipitadas, estragando um pouco do que era esperado para o clímax (não vou entrar em detalhes para não entregar nenhum spoiler).

Apesar dos equívocos, o filme acerta em um quesito importantíssimo: a ameaça, que nesse caso, é muito maior. Não tememos apenas pela vida dos civis, mas, principalmente, pela vida do Batman. E isso se deve à excelente construção do papel do vilão. Se o Coringa de Heath Ledger era o Caos em pessoa, o físico e voz imponentes e os acessos de violência fazem do Bane de Tom Hardy a verdadeira personificação do terror. “Quando Gothan virar cinzas, aí sim você terá a minha permissão para morrer”, profere ele em certo momento da projeção, ilustrando não só o seu poder, mas também a crueldade de seus atos.

Ajudando a criar o clima sombrio que impera durante todo o longa, o design de produção de Nathan Crowley e Kevin Kavanaugh chama a atenção ao retratar, através dos cenários e objetos de cena, a personalidade de Bruce Wayne. Se por um lado sua mansão foi reconstruída após o incêndio do primeiro filme, a foto queimada guardada cuidadosamente em uma moldura serve como lembrança de que nem tudo é recuperável. Além disso, os extensos e escuros cômodos com quase nenhuma mobília apontam a solidão do personagem. Vale lembrar também da ótima (e funcional) ideia de utilizar os óculos de assalto da Mulher-Gato como as suas famosas “orelhinhas”.

Porém, é impossível falar de Batman sem falar também de Christopher Nolan. O gênio criativo por trás das aventuras do homem-morcego demonstra mais uma vez o seu domínio da linguagem cinematográfica, alternando bem entre cenas de ação e momentos dramáticos (seu uso de flashbacks foi algo que sempre admirei), sem medo, inclusive, de tomar decisões narrativas controversas – como, em certo momento, afastar o personagem principal do centro da trama. E se o resultado não é tão excepcional quando o dos filmes anteriores, ele também está longe de ser insatisfatório. Nolan entrega aqui um ótimo capítulo em uma excelente trilogia. Um final digno e, como não podia deixar de ser, grandioso.

Em breve publicaremos também a crítica dos apresentadores do Pipoca e Nanquim. Aguarde!

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  1. Só tenho elogios pra esse filmes. Simplesmente surpreendente, grandioso e primoroso. Fechou com chave de ouro a trilogia. Mesmo tendo fechado a trilogia, tomara que estes não sejam os últimos filmes do morcego. O personagem merece muito mais ainda.

  2. Batman é um filmaço, Bane é foda, realmente dá medo, mas o novo Batman, na minha opinião é inferior ao Cavaleiro das Trevas que lhe precedeu, assim como, Bane é inferior ao Coringa de Heath Ledger. De novo, não me entendam mal, é um filmaço, nota 10. Vou fazer uma pergunta, sei que a comparação não é justa pois os dois filmes são bons de diferentes maneiras, mas qual é o melhor do ano: Vingadores ou Batman?

    • Na minha humilde opinião, que não é a verdade inquestionável, achei esse Batman muito mais imersivo. Assistir aos Vingadores é querer dar boas risadas e aproveitar os melhores efeitos computacionais que se poderia colocar em um filme de herói, porém assistir Batman é querer fazer parte de algo, entender uma sequência que começou sem muita expectativa e terminou com uma força muito difícil de ser conseguida como foi no filme dos vingadores. Resumindo, Batman é mais profundo e isso ao meu ver é o grande diferencial.
      Abçs!

  3. Também preferi o segundo filme a este, onde poderia por alguns flashbacks do coringa ou ao menos mencioná-lo.. e comparar o Batman com os vingadores não faz sentido, estilos diferentes.. mas fico com o Batman pois gosto de filmes tensos.. por mim encerraria os filmes do Batman, pois será muito difícil superar esta trilogia.

  4. Excelente crítica!
    Tava me sentindo pequenininho ao me surpreender com tantos pontos observados neste texto e pensando como eu deixo tanta coisa passar quando vejo o filme… Mas aí vi o breve currículo do autor, vi que ele é especialista mesmo. Fiquei mais tranquilo e me senti normal.

  5. Muitas vezes, o desenlace de uma história até então monótona, genérica, ou sem nada de tão especial faz com que o espectador seja tomado, como que de súbito, por um insight que esclarece e abrilhanta de uma maneira surpreendente sob uma nova luz toda a narrativa (me senti exatamente assim com o Sexto Sentido, por exemplo). Por outro lado, há certas reviravoltas que fazem com que uma história até então espetacular, surpreendente, intrigante e original perca, subitamente, todo o esplendor, toda a novidade, tornando-se desinteressante e até mesmo algo facilmente esquecível (foi assim que me senti, de certa maneira, com A Vila, do mesmo Shyamalan). O desenlace de O Cavaleiro das Trevas provocou, pelo menos em mim, esse segundo efeito, fazendo com que tudo aquilo que havia de especial e único num filme que estava me proporcionando uma experiência incrível, emocionante, tensa e vibrante se desvanecesse como uma miragem.

  6. Acho que TDKR inferior ao TDK por vários motivos: TDK teve ótimas atuações e poucos furos no roteiro. TDKR: Batmans com a coluna colocada no lugar-que ideia mais idiota e que me tirou do filme. A moto horrível e ridícula que vira as rodas quando faz uma curva-poderia ser uma moto de corrida potente preta. Omorcego-que coisa ridícula e que também poderia ser um helicóptero normal preto. A morte de Bane -ridícula. O Batman/Wayne sendo enganado várias vezes- se fosse Ano UM tudo bem mas o experiente detetive. Os policiais correndo pra morte como idiotas – vi num blog que uns caras acharam o máximo essa cena ridícula que já ocorreu em outros tantos filmes com espadas e escudos- quer dizer que não dava tempo de procurar armas? Perderam todas quando ficaram presos ou comeram as armas por falta de alimento? Idiota no mínimo. A história do poço na prisão e os caras ali . Cadê os guardas. Qualquer um pode tentar fugir todos os dias e ninguém faz nada na pior prisão do mundo, deve ser a pior segurança do mundo. Batamn perdeu o cinto de utilidades dos filmes anteriores? Só tinha um estalinho de criança que ridiculamente jogou no Bane. Idiota demais.

    Tem gente que fala e escreve que Nolan prima pelo realismo e pela direção primorosa. Vamos deixar de ser cegos e analisar de forma crítica e deixar de repetir apenas o que é dito. Vamos ter senso crítico e perceber que existe diferença entre filme GRANDE e filme GRANDIOSO. TDKR possui mais erros que acertos, isso percebi na saída do cinema vendo a cara das pessoas que esperavam mais do filme.

  7. Para mim foi uma merda, confuso, com muitas referencias sem necessidade, não gostei de nada no filme quando se espera algo grandioso de fato, um Batman como o das HQs, não de um filme que una de forma tão embasbacada vários “batmans” e fatos diferentes que não seguem uma cronologia nem dos outros filmes, pra mim foi perder tempo, devia ter assistido a Era do Gelo 4 ou aquele lá do Santoro.

  8. Acho que é a primeira crítica falando que Miranda Tate teve mais destaque que Selina Kyle ( não achei ela rasa, para mim seus motivos, trajetoria, e personalidade foi bem mais delineado do que Miranda -isso tirando a ideia da Talia, que bem era a reviravolta do filme, mas antes disso mal se ver ela-, e realmente gostei da selina), para mim Miranda foi colocada tão de escanteio e teve pouco tempo de projeção, mostranda basicamente só em conjunto com outros personagens (com rarissimas exceções e considerando a atriz adulta) e em poucas ocasiões e muitas vezes bem coadjuvante nas cenas, já Selina apareceu sozinha em algumas ocasiões, e como personagem “principal” em várias cenas (cenas de roubo, de luta, vendo a baderna na cidade, tentando fugir e etc).

  9. Agora entendo porque “BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE” está em primeiro lugar nas bilheterias. É um filme para a massa alienada que não consegue perceber a mensagem subliminar de que o poder só vai para as mãos do povo através de um usurpador que leva a cidade às ruínas por causa da nossa falta de competência para governar (a “bomba” explodiria em 5 meses). Por isso, é melhor deixar o destino do povo nas mãos dos corruptos e mentirosos, como é o caso do Comissário Gordon e do Batman, que transformam um assassino em ídolo por 8 anos. Torci para que o “garoto” Bane devolvesse o poder para o povo. Torci para que o covarde Gordan morresse e que o Batman explodisse junto com a corrupta cidade de Gothan City.
    Mais uma ferramenta estadunidense para controlar o mundo através do medo. PÉSSIMO!

  10. ‘Batman Ressurge’ é um épico recheado de cenas de ação, diálogos inteligentes, referências aos quadrinhos, história bem encadeada com os filmes anteriores, atuações excepcionais (onde destoa apenas a caricata Marion Cotillard que interpreta Miranda Tate), várias respostas e algumas perguntas. Superior a quase totalidade de filmes baseados em quadrinhos que desde o começo da década de 90, e com mais vigor na década passada, invadem os cinemas. Deixa o bom, ‘Vingadores’ envergonhado. Ensina a Zack Snyder (‘Watchmen’) a como dar tons reais a um mundo de fantasia e lobotomiza das nossas mentes o estupro praticado por Joel Schumacher e Gorge Clooney e sua armadura com mamilos e o batcartão de crédito.

    Crítica completa em: http://amahet.blogspot.com.br/2012/08/batman-dark-knight-rises-conlusao-de-um.html

  11. TDK realmente é o melhor,mas em interpretação. TDKR nos mostra a ação que faltava nos outros 2 filmes. Uma das melhores trilogias que ja vi, Nolan deixou Batman num posto em que realmente ele merece estar! Grandioso!

  12. Pimeiro lugar: em primeiro lugar, Bane nunca foi superior que Batman e suas habilidades, segundo lugar falto, como ja dito a cima, o cinto de utilidade de Batman, Terceiro onde estão os tubos pelo qual o nosso vilão alimenta suas forças?!?!?! Isso é o mais característico do vilão e não o puseram!!!
    Bem quando a primeira critica que coloquei a cima, porque não ser um pouco mais fidedigno a história verdadeira e colocar o Batman, cansado para lutar contra o vilão, porque na história real, Batman é pego de surpresa por Bane em sua casa, depois de colocar todos os vilões de volta as grades, que foram soltos pelo Bane, afim de cansar nosso herói.