Bane, Coringa e Bronson

Inspiradíssimo pelo Podcast 60 – “Super-Heróis no cinema em 2012”, dos nossos queridos colegas do PN resolvi escrever este comentário. Porém, não vou comentar um filme de super-heróis, decidi comentar sobre um filme de 2009, chamado Bronson. Vou tentar esclarecer neste texto a minha total confiança no personagem Bane, que será interpretado por Tom Hardy no vigorosamente esperado Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, 2012. Tentarei através de meu comentário, convencer – os mais teimosos – que a escolha por Bane, e consequentemente por Tom Hardy, foi uma ótima escolha de Nolan, além de que esta atuação poderá se equiparar à genial obra-prima realizada por Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas.

O filme Bronson conta a história do notório criminoso inglês Michael Gordon Peterson. O enredo é a escalada de Charles Bronson (pseudônimo assumido por Michael) para o “sucesso”. Assim o filme segue duas linhas narrativas – uma em que os fatos de sua vida real são encenados e outra em que o próprio Bronson (Tom Hardy), conta sua história em um monólogo para um teatro lotado. Nas primeiras cenas somos surpreendidos por uma introdução que nos deixa sem palavras para descrevê-la. Minha tentativa aqui é insuficiente, mas se trata de Bronson preso e nu em uma solitária, fazendo flexões, treinando boxe e andando em círculos. Na sequência vemos um grupo de policiais vestidos como batalhão de choque entrando na solitária para retirar o prisioneiro da cela. Quando o batalhão de choque entra, Bronson derruba um a um, tirando proveito do espaço pequeno da solitária, humilhando os tão poderosos equipamentos da policia. A cena é realmente uma obra-prima, pois vemos um homem nu, desprotegido, enfrentado uma série de homens armados com cassetetes e capacetes, sendo que estes acabam todos no chão. A brutalidade do criminoso é assustadora, pois ele bate como se não houvesse amanhã, o ódio e a agressividade transbordam. Não pensem que o filme é exagerado não, Bronson apanha muito, mas o filme sutilmente insiste em nos mostrar que ele está gostando da situação. Entendemos rapidamente que ele está dominando a situação, os guardas são seus meros fantoches. Assim, de imediato podemos entender do que se trata o filme, porém a história, somente começa aí.

Quando a infância de Bronson nos é contada, vemos uma família comum, como a minha e a sua. O jovem se apresenta como um violento transgressor. Ele não respeita a hierarquia, muito menos às normas sociais. Bronson bate nos pequenos, nos valentões, nos professore e em qualquer um que passe na sua frente. Sem razão aparente e sempre com a mesma intensidade e frieza perturbadoras. Quando o agressor começa a socar, não para, são socos atrás de socos, atrás de socos – tal como máquina, não cansa, não para, até desfigurar o agredido. Resumindo, o jovem cresce sem limites para sua agressividade. Se casa, constituí família e é preso, por roubar 26 libras de uma agência de correio. O “vilão” utiliza o dinheiro para comprar um colar para a mulher. Quando preso Bronson se descobre. Não irei contar mais spoilers sobre o filme, acredito ter convencido que o filme e a história real do verdadeiro Bronson são interessantíssimos. Irei apontar apenas alguns fatos de sua história para reforçar meu argumento e de fato discutir o que pretendo.

A história de Bronson é impactante pelo fato de ele ignorar as convenções sociais. O criminoso mostrou para a Inglaterra o quanto qualquer sistema carcerário não passa de um ideal, que nós optamos seguir ou não. Ao ser preso Bronson afirmava se sentir em um hotel e toda noite espancava um policial até a quase morte. Os gastos com os seguros de vida dos policias estavam sendo maiores do que manter Bronson na prisão, assim o transferiam para um manicômio judiciário. No manicômio, cada vez que Bronson começava a ficar agressivo, o sedavam com fortes anestésicos. Porém, certo dia um pedófilo realmente o irritou, fazendo com que o criminoso o estrangulasse com tanto ódio que superou os anestésicos. Assim o enviaram para um manicômio judiciário de segurança máxima. Bronson incendeia a instituição, liberta os prisioneiros e sobe ao telhado do prédio em chamas para ser filmado pelos helicópteros jornalísticos. O hiperfamoso vilão chamou a atenção de toda Inglaterra e por tanto não poderia receber pena de morte sem pressão pública ao ministério. Os gastos para mantê-lo preso já eram astronômicos, por tanto, o gestor do presídio e os órgãos de segurança pública acabaram por declará-lo “são” e o libertaram.

A história não acaba por ai, e não darei mais spoilers. Apesar de esta história ser real e Bronson – que mais poderia ter sido um vilão do Batman – realmente existir, quero ressaltar a qualidade de Tom Hardy em interpretar este criminoso ‘invencível’. Quando Ledger interpretou o Coringa, as plateias ficaram pasmas, pois o personagem fere a lógica aristotélica que rege nosso pensamento racional. O “agente do caos” – como se autointitula o vilão – ficou assustador, por não sabermos o que seria possível sair de uma mente sem coerência como aquela. O Coringa sempre foi o principal nêmese do morcego, porém o que nunca faltou aos quadrinhos foram ótimos bat-vilões. Após a péssima notícia do falecimento de Ledger, as aposta sobre os vilões de um possível terceiro filme já estavam sendo feitas. Bane foi uma sábia escolha de Nolan.

Filho do criminoso Rei Cobra, Bane nasce em uma penitenciária de segurança máxima. A criança herda a pena do falecido pai e é criado na violência carcerária. Bane crescer frio, capaz de assassinar o seu tutor. Treina durante anos técnicas de luta corpo a corpo, além de passar horas estudando sobre Gotham City. Sua violência o levou a ser cobaia de uma nova droga. A história se desenrola e Bane, em liberdade se torna obcecado por derrotar o Batman (como sempre). Prevenido que um confronto direto com o vigilante seria inútil, Bane derruba as paredes do Asilo Arkham, liberando os criminosos mais perigosos de Gotham. Quando o cavaleiro das trevas esgota todas as suas energias para recapturar a maioria dos vilões, Bane ataca, dando a maior surra que o morcegão já levou. O fim, a maioria de vocês já sabe e os que não sabem, talvez descubram no novo filme.

Nolan não é tonto, naturalmente a grande interpretação de Tom Hardy como Bronson foi o grande motivador para a sua contratação como Bane. No filme Bronson, Tom Hardy É O BANE. O vilão tem tudo para dar certo nos cinemas e com certeza a trilogia será fechada com ‘chave de ouro’ ou seria ‘chave de braço’ ou ‘quebra-espinha’? A atuação de Ledger é insubstituível, mas acredito realmente que este Bane também será inesquecível – se bem que, se Ledger teve que superar Nicholson, Hardy terá que superar aquela merd… de boa isso eu garanto!

Que não viu Bronson, VEJA! Quem não leu A Queda do Morcego, LEIA!

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  1. Recentemente Tom Hardy partipou do filme Guerreiro, interpretando um lutador de MMA! O cara está brutal, o melhor lutador do filme. Certeza que vai intimidar muito como Bane. Vejam esse filme, é excelente!!

  2. Excelente artigo, parabéns! Quando soube que Tom Hardy interpretaria o Bane no fechamento da trilogia imediatamente fiz o link mental entre o Bronson e só tirei boas conclusões (In Nolan we trust). Alias, Bronson é um filme sensacional em todos os requisitos que vão de excelente atuação, direção fantástica, roteiro e sem mencionar a trilha sonora que insere a narrativa musicas erudita e pop. Já assisti inúmeras vezes e sempre recomendo!

  3. Bronson é muito bom mesmo, cinema bem diferente! Parabéns PIPOCA aqui o conteúdo é nota 1000!!!

    Taca fogo no jovem nerd…aquele site de criança!

  4. Depois que li esta matéria, fui atras do filme e realmente é muito bom, lembra muito Laranja Mecânica, Tom Hardy manda muito bem, é mais do que músculos o cara sabe atuar e leva o filme brincando, com certeza depois da estréia do Batman, as pessoas terão uma outra visão do Bane, vai subir no 1° escalão dos inimigos do Batman fácil, fácil…

    • Que bom que te incentivei à ver o filme Paulo!

      Não tenho dúvidas sobre a repercussão que a personagem irá ganhar. Imagina só se Tom Hardy morrer também… (não estou gorando)