Path of Exile é infinitamente melhor que Diablo III e é gratuito!

(Pronto, agora que eu conquistei sua atenção com esse título chamativo vamos para a resenha).

Há mais ou menos um ano atrás eu me deparei com um vídeo que mostrava um jogo extremamente similar a Diablo 2 (o estilo apenas, claro). Descobri que se tratava de um game ainda em desenvolvimento por uma produtora chamada Grinding Gear Games da Nova Zelândia. Como fã de D2, comecei a acompanhar todos os vídeos narrados pelos próprios criadores. Assim que o primeiro Open Beta Weekend surgiu, me inscrevi e comecei a fuçar todos os aspectos do jogo. Para um jogo gratuito, é simplesmente sensacional.

Path of Exile é um RPG que se passa no mundo desolador e obscuro de Wraeclast. Em exilo da sua terra natal, os jogadores se encontram nas margens deste continente aonde vão encarar os males bizarros juntos ou solo com a opção de seis classes (Marauder, Ranger, Duelist, Templar, Shadow e Witch.).  Cada classe conta com um visual muito bem elaborado e um estilo de luta que, ao mesmo tempo em que é bem particular de cada personagem, pode ser desenvolvida para qualquer estilo através da complicada, intrínseca e quase interminável “árvore” de habilidades. Por exemplo: o Shadow começa atribuindo suas habilidades certas como velocidade e destreza e depois pode começar a explorar o território de um bárbaro ou de uma bruxa, fica ao seu critério. É uma maneira única e muito gratificante de customizar seu personagem, balanceando muito bem a progressão do exilado com o nível de cada quest do jogo. Verdadeiramente inovador.

Para os que já acompanham (e jogam) Path of Exile, o rótulo de RPG-ação sempre surge nos fóruns e é recebido com várias pedradas, mas a origem do game é bem tradicional e também misturada com a liberdade dos seus contemporâneos, transformando o jogo em algo genuinamente especial. A clássica perspectiva isométrica transforma a jogabilidade em algo simples e ágil, um aspecto necessário nas batalhas mais populosas. O combate, claro, é uma enorme porção do jogo e a Grinding Gear Games fez um trabalho que beira a perfeição. Os criadores passaram inúmeras horas criando uma fusão bizarra e opressora entre fantasia e realismo, preenchendo os combates com sangue e tripas. O mesmo pode ser dito sobre os efeitos sonoros, perfeitamente executados.

O cenário é essencial para um RPG de sucesso e PoE acertou: os produtores criaram um universo onde o clima de abandono, desprezo, tristeza, ódio e desolação reinam. De calabouços arcaicos a praias repletas de navios abandonados e assombrados. Tudo isso solidificando a atmosfera pesada do jogo. Gráficos impecáveis.

Como de costume em RPGs, PoE é melhor ainda quando se joga em grupo. A dificuldade do jogo começa a crescer logo nos primeiros estágios de desenvolvimento do seu personagem. Sendo assim, quanto mais alianças forem formadas melhor suas chances de avançar no jogo e nas habilidades do seu personagem, o bom e velho “power leveling”.

Para um game que ainda encontra-se em sua versão beta, Path of Exile promete muito mais do que Diablo III. É uma alternativa mais cativante (e criativa) que os mais recentes RPGs do gênero sem desmerecer suas óbvias influências. Como um dos produtores mesmo disse: “Ainda estamos nos preocupando com os próximos 10 anos de desenvolvimento de PoE”. 10 anos! Em um ano de desenvolvimento beta, o jogo já é quase perfeito.

O game será oficialmente lançado e gratuito a partir do ano que vem. De qualquer forma, por míseros 10 dólares já é possível acesso imediato à beta key (isso quando vc não é sorteado com uma key, que ocorre diariamente). Path of Exile será um sucesso absurdo. Vale muito a pena fazer parte do universo sensacional de Wraeclast.

Diablo 3 – Resenha do game mais aguardado de 2012

Pouquíssimos jogos podem ser considerados catalistas de inúmeros clones como Diablo.  De fato, qualquer coisa que possua uma mecânica dungeon crawler/loot será comparada e automaticamente denominada como um jogo baseado na franquia. Com Diablo 3, a Blizzard retorna a sua fantasia obscura deixando para trás muito da jogabilidade e mecânicas tradicionais do RPG, recriando detalhes em seu próprio gênero.

Infinitas recompensas, tesouros e side-quests para desbloquear é a essência em cada capítulo de Diablo. D3 permanece fiel a vários elementos do arrebatador Diablo 2 no que diz respeito ao seu formato e funcionalidade mas também adicionando mais flexibilidade à customização dos personagens, sem mencionar uma atenção impressionante aos detalhes gráficos.

O enredo nunca foi seu forte, mas continua acompanhando a história de Sanctuary através das melhores cutscenes no ramo. Trata-se de sequências que complementam as interações do seu personagem com as circunstâncias do jogo.  Todas as cavernas e demais localidades nos quatro atos do jogo são de um visual impressionante, mas podem ser rodadas em qualquer PC de potência modesta.

Você passará a maior parte do seu tempo em ação no mesmo consagrado ângulo de câmera onde a história se desenrola de forma quase que exclusivamente linear. Existem 5 classes: Wizard, Witch Doctor, Demon Hunter, Barbarian e Monk. Cada um com suas velhas e conhecidas habilidades. Mas a verdade é que, a classe do personagem, pouco importa: tudo pode ser ajustado para o seu estilo de jogo. Destrezas de ataque ou apenas suporte podem ser desbloqueadas com os pontos de experiência durante sua estadia em Sanctuary.  Como a Blizzard não perdoa na quantidade (e variedade) de inimigos lançadas contra você, ficar de olho em combinações de armas e habilidades diversas torna-se necessário. Aperfeiçoar seu personagem de acordo com a área que você explora ajuda sua quest de forma imensurável.

De qualquer forma, combinar destrezas e equipamentos e “clicar” nos inimigos até a doce vitória é apenas uma pequena porção de tudo que Diablo 3 tem a oferecer.  Constantemente você ira se deparar com novas ferramentas de batalha tornando essencial administrar seu inventário e escolher as habilidades certas.  Comparar buffs e especificações também é indispensável para decidir se alguns itens valem a pena manter em seu inventário, mesmo que raros. Existe um ciclo constante de recompensas que mantém você fatiando seu caminho pelos quatro atos do jogo: itens que aumentam sua chance de encontrar artefatos raros, ouro, ferramentas para construir novas armas e armadilhas ou simplesmente comprar mais XP para incrementar seu personagem.

Levando em conta que se trata de um jogo criado para que você sempre volte a jogar, motivos para isso é o que não falta. Equipamentos maiores e melhores é a grande recompensa por finalizar D3 nos níveis absurdos de dificuldade. No grau de dificuldade mais intenso, o jogo faz você implorar por misericórdia. O modo cooperativo é um dos aspectos que a Blizzard conseguiu adicionar, e não é muito difícil encontrar um companheiro de batalhas já que todos devem estar online para jogar o game em qualquer modo. A única desavença no modo cooperativo é que qualquer jogador pode desencadear eventos que fazem grande parte do enredo principal ou simplesmente pulá-los.

A porção online de Diablo 3 tem excelentes aspectos, mas a um preço: A obrigação de estar conectado à internet para experimentar qualquer parte do jogo. Inevitavelmente, é o tipo de ocorrência que causa ocasionalmente uma queda de servidores. Quem participou do Stress Weekend público, onde grande parte dos jogadores ficou sem poder realmente testar o jogo, sabe do que se trata. Quando não for um problema dos servidores da Blizzard, a verdade é que você esta à mercê da sua conexão. E vale lembrar: estamos no Brasil.

Com Diablo 3, a Blizzard juntou os melhores elementos do passado e criou um mix com os dados mais modernos no universo do RPG. Apesar da maioria das mudanças ficar por conta da customização e nivelação dos personagens, muito do que tornou Diablo 2 o grande sucesso que foi continua presente nesse novo capítulo. Apesar das leves discórdias, a Blizzard tem plena noção de como manter os jogadores sempre famintos por mais. Seja destruindo o Butcher no Inferno Difficulty com seus amigos ou simplesmente ficar babando com os cenários, Diablo 3 sempre vai fazer você voltar para ficar noite a dentro clicando incansavelmente o mouse.

Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm e Journey – Resenha dos Games

Review 1: Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm Generations

Há quase uma década a Cyber Connect 2 vem desenvolvendo a franquia Ultimate Ninja para o mundo dos consoles. Extremamente divertido e legitimamente único, Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm Generations é um jogo de luta com conteúdo beirando o inacabável que realmente não fica devendo para seus antecessores.

Fã ou não, Ninja Storm Gen oferece uma enorme carga de lutadores de várias gerações seguindo o timeline do mangá/anime. Com mais de 70 opções, essa edição de Naruto é simplesmente massiva e até os fãs de carteirinha vão encontrar novos personagens para testar.  De qualquer forma, com um elenco desses, um pouco de redundância nos personagens é normal, como várias versões de Naruto em momentos diferentes de sua vida.

No fundo, Ninja Storm Gen permanece como o excelente jogo de luta que sempre foi. As arenas são cenários espaçosos e os controles são simples o suficiente para serem dominados. Batalhas são pura diversão seja online ou offline e os gráficos são uma maravilha a parte. Trata-se de um jogo em que assistir a uma luta (permitido dentro dos lobbies) é tão sensacional quanto jogá-la.

A possível tristeza para os fãs hardcore da franquia fica por conta das poucas opções no modo offline.  O single player trata-se apenas de uma longa jornada de batalhas interrompidas apenas por poucas cenas narradas. Pessoalmente eu gostaria de ver um enredo com mais detalhes e desenvolvimento fora da pancadaria. De qualquer forma, no modo single player existem várias recompensas como liberar personagens para serem usados nas porradas online.

Apesar do vacilo quando o assunto é enredo e conteúdo offline, Naruto Shippden: Ultimate Storm Generations é um dos melhores da franquia.  Visualmente arrebatador e empolgante, essa é a experiência perfeita para complementar a saga Naruto.

Review 2: Journey

Você, zero enrolação, pouco contexto e apenas uma luz distante no infinito deserto de seja lá onde for. O resto é praticamente sua decisão nessa estonteante aventura exclusiva para o PS3 Network (até agora).  A história de Journey é eloquente, simples e aberta a todo o tipo de interpretação, ainda mais quando se leva em conta o fato do jogo não possuir um único diálogo. De qualquer forma, o game é carregado de paisagens sensacionais. Com sua simples jogabilidade e um sistema multiplayer único, Journey é realmente uma experiência singular.

Simplificando ainda mais o jogo, trata-se de uma aventura em 3ª pessoa. Você “passeia” pelo deserto, paisagens congeladas e cavernas subterrâneas, praticamente sem direção, contando apenas com algumas dicas sutis largadas pelo jogo.

Seguindo seu apelo minimalista, Journey é livre de menus, barras de vida ou inventários. Você coleciona pedaços de cachecóis que encontra pela jornada, que lhe ajudam a planar cada vez mais pelos cenários. Essa é praticamente a mecânica primária do game. Os puzzles e as plataformas de luz fortalecem a leveza das explorações. Com seu objetivo sempre em vista (a luz) não tem como se perder se você se desviar do caminho.

A grande surpresa é o multiplayer. Uma variação do modo cooperativo “entra” e “sai” que lhe permite encontrar viajantes em busca do mesmo objetivo. Tudo no anonimato. Um feixe de luz vai lhe avisar que existe outro aventureiro perto de você em algum lugar. Você pode segui-lo ou ignorá-lo.  Formar uma dupla tem a vantagem de recarregar seu cachecol e, claro, um par de olhos a mais no caminho em busca da luz.

Mas, o mais interessante do modo co-op é um aspecto que você não vai achar em nenhum outro jogo: a comunicação esta limitada ao visual e sons que seu personagem emite, e isso deixa sua relação com seu amigo dúbia. A falta de um chatbox ou microfone torna sua relação com outros jogadores menos pessoal, o que em certos aspectos até se torna mais íntima também. Apesar de você não precisar de um companheiro de viagem, certamente é um aspecto que confere mais vida à experiência de Journey, tudo isso entrelaçado em uma trilha sonora indispensável.

Apesar de apenas 3 horas necessárias para completar o jogo (se você não curte muito explorar), Journey oferece muito mais do que grandes títulos do mercado.  Como outros jogos da That Game Company, Journey se arrisca em territórios que estão longe do convencional, mas é perfeito em cada aspecto. É uma viagem que vale a pena fazer. Se você, como eu, é um gamer desde o surgimento do bom e velho Atari, Journey é um jogo que não pode faltar no seu caminho, na sua história.

Mass Effect 3 – O fim de uma excelente trilogia

Não é novidade que, mais do que nunca, criadores de games se esforçam ao máximo para nos apresentar  novos mundos e experiências que nos prendem aos personagens, jogabilidade e gráficos. Não é nenhuma novidade também que a Bioware consegue realizar essa tarefa com mais eficiência que o resto com a série Mass Effect. A empresa nos introduziu a Shepard, um personagem que já seguimos a três imensos jogos sem contar com as aventuras que podemos adquirir à parte. Dizer que a Bioware criou um universo praticamente interminável não faz justiça à realidade. Esse universo transborda com formas de vidas com as quais você constrói relacionamentos por toda a galáxia. Vale lembrar também que, se você jogou toda a franquia, deve se recordar de que tivemos que tomar decisões muito difíceis em relação aos personagens. Decisões que vão lhe ajudar (e atrapalhar?) em Mass Effect 3.

Mass Effect começou como um RPG com elementos de jogo de tiro e no segundo título da franquia se tornou um game mais voltado para ação, com algumas mecânicas de RPG. Aqui você se encontra na linha de frente de uma galáxia que esta prestes a ser destruída. A invasão dos Reapers, que dizimou a terra natal de Shepard, agora coloca em risco todo o universo. Seguindo os passos de Mass Effect 2, você não vai conseguir derrotar os Reapers sozinho. Aliados são essenciais (para quem não se lembra, Reapers são uma forma de vida alienígena que faz uma faxina geral no universo a cada 50 mil anos).  Apesar de você não estar exatamente escolhendo membros para sua equipe, começa a formar um exército galáctico para segurar essa ameaça.  Esse formato de manter o enredo em uma antecipação crescente não perdeu sua graça nessa transição de capítulos. A Bioware sempre forneceu um histórico massivo para cada raça alienígena que encontramos no jogo, mas não como em Mass Effect 3.

Mais uma vez, moldamos o caráter do protagonista Shepard através das inúmeras decisões que somos forçados a tomar. O que separa a franquia ME dos demais jogos que você arca com decisões é o impactante efeito no enredo do jogo: os personagens interagindo com você e com suas alianças formadas fazem desse game uma experiência na qual é fácil se relacionar em um nível humano.

Explorando a galáxia e seus inúmeros planetas com a Normandy acabam levando você a territórios extremamente hostis onde, se demorar demais, os Reapers aparecem para dar as “boas vindas”.  É uma adição modesta que oferece um sabor mais interessante ao (considerado por muitos) monótono “escaneamento de planetas”. Você, claro, será recompensado por sobreviver a esses ataques-surpresa: combustível para poder fuçar a galáxia em paz, tecnologia para armas e para Normandy e, claro, muitas missões extras. A customização de cada personagem em ME3 é o melhor da série.

Estar muito bem preparado para as aventuras a bordo da Normandy é essencial. Seu medidor de preparação para as aventuras está sempre disposto para consulta e indica, através de aliados que você faz, segredos conhecidos por Shepard entre outras peculiaridades que fazem valer a pena ou não entrar de cabeça na batalha final do game. Pela primeira vez, existe uma porção multi player no jogo.  Seja qual for o network que utilizado, você batalha contra inúmeras raças alienígenas no modo cooperativo que lhe rendem pontos utilizáveis em vários aspectos do jogo.

Para os fãs, ME3 tem um enredo imperdível, principalmente para os que deixaram salvo suas decisões nos capítulos anteriores. Para esses, ME3 vira uma espécie de livro que você simplesmente não consegue parar de ler. Caminhos tomados inevitavelmente podem levar a morte ou outro fim inusitado de um personagem que você aprendeu a considerar como um amigo. A história nunca foi problema para a franquia ME. Da vagarosa evolução dos personagens em ME1, típica de RPGs mais tradicionais, para a ação acelerada de ME2, ME3 é sem dúvida o que contém mais ação de todos.

Não se confunda, Mass Effect 3 não é nem de perto um jogo curto: entre diálogos gigantescos, missões duradouras, missões extras duradouras e o visual sensacional que faz você perder um pouco o foco da missão e apreciar as paisagens. De qualquer forma, trata-se de um jogo no qual o núcleo da jogabilidade se retém ao de tiro em 3ª pessoa. Para alguns, essa mecânica pode ser cansativa com poucas batalhas realmente ameaçadoras para quem já está familiarizado com a franquia ME. Mas esse ponto fraco fica mais evidente no multiplayer. A força da Bioware é o enredo.

Como a ação não foi o motivo pelo qual pessoalmente resolvi seguir a saga, a história era o que mais me prendia (e me preocupava), mas diferente de inúmeros fãs, eu não fiquei decepcionado com o final. Nem um pouco. Mass Effect 3 pega todas as melhorias de ME2 e as supera de forma magistral. Eu vivi todas as minhas decisões, com todas as suas consequências, e nunca voltei atrás para fazer diferente e ver o que teria acontecido se eu tivesse outra chance. A vida não é assim e resolvi jogar o game da mesma maneira. Isso é a grande beleza recompensadora de Mass Effect 3: minha experiência é minha e a sua será apenas sua. A palavra “sensacional” na da nem para começar a explicar como esse game e sua história são maravilhosos. Top 5 de todos os tempos. Indispensável.

Uncharted 3: Drake’s Deception – Um excelente roteiro faz um excelente game

Sejamos sinceros: O primeiro Uncharted parecia nada mais nada menos do que uma tentativa fraca de criar uma mitologia aos moldes de Tomb Raider. Já em Uncharted 2: Among Thieves, a produtora Naughty Dog conseguiu criar um universo de interatividade com o enredo que poucos alcançaram. Among Thieves é considerado “um dos melhores games dessa geração de consoles” (Gamespot). O enredo nos guiava através de personagens cativantes e os gráficos faziam juz ao poder do PS3. Foi, na verdade, um grande salto técnico para a franquia exclusiva. Com o terceiro capítulo da série, a Naughty Dog quer encravar de vez seu nome no universo dos games.

Com a grande diferença técnica entre o primeiro e segundo capítulos da franquia, não seria uma grande surpresa se a produtora não conseguisse igualar todo o avanço em Uncharted 3: Drake’s Deception. Como era de se esperar, todos os tipos de armadilhas estão presentes em U3. Mas é o progresso no enredo e no multiplayer que fazem valer o seu dinheiro. Vale à pena também mencionar que, mais uma vez, o visual e as sequências de ação vão deixar os gamers deslumbrados.

Nathan Drake e Victor Sullivan são um duo instantaneamente cativante. Mais uma vez a dupla de caçadores de tesouros se encontra em meio a uma jornada atrás de riquezas históricas. Dessa vez, terão que alcançar seu objetivo antes da adversária Marlowe. Amy Hennig (roteiro) deu aos personagens de Uncharted 3 uma personalidade mais pessoal, complexa e comprometida. O enredo é inteligente.

Na mesma medida que a história do jogo traz sagacidade, Uncharted 3 trás também muita beleza. De uma perspectiva cinematográfica, a jogabilidade é incrível! Encarar grupos de inimigos é algo que flui muito mais do que os outros capítulos da série com Drake usando e abusando dos cenários para dizimar seus adversários. É sem dúvida um dos pontos altos de Uncharted 3.

A porção multiplayer do game chama a atenção; depois de todo o alarde por conta de Uncharted 2, a Naughty Dog trabalhou incansavelmente  para aprimorar ainda mais a experiência online. A jogabilidade do multiplayer é centralizada no trabalho em equipe. O foco mudou do velho “matar/morrer” para um excelente modo de cooperação, principalmente nos segmentos cinematográficos de ação. Esses modos multiplayers podem ser jogados online ou offline com a tela dividida.

Apesar de parecer que o conteúdo adicionado em U3 é enorme, a lacuna não é tão grande em relação ao seu antecessor, o que não quer dizer que o game é apenas uma tentativa de capitalizar em cima do sucesso de Among Thieves.  Existem elementos aqui que todos nós já esperávamos: Drake dá seus pulos suicidas, diálogos com muito humor, escapadas impossíveis, etc., mas, de alguma forma, tudo parece mais polido.

A produtora Nauthy Dog prova mais uma vez que sabe criar continuações convincentes. Grande parte dessa convicção vem do excelente enredo que não precisa se desvalorizar e se garantir em cima de gráficos deslumbrantes. A história é mais satisfatória que o visual.  Você se importa com os personagens. O balanço entre a experiência cinematográfica e a jogabilidade estilo survival é impecável.  O tipo de jogo que força você a encarar as situações absurdas até o último segundo. E o final é extremamente recompensador. Nota 10.

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Leonardo Chacel é formado em Publicidade. Depois de cinco anos como livreiro, chutou o pau da barraca e virou tatuador e gamer porque jogar e desenhar é o que faz de melhor. Além de escrever sobre games para o PN escreve sobre música (só as boas) em seu blog Overdose Contínua.