Tenebre (Tenebrae, 1982) – Resenha

Tenebre (Tenebrae, 1982) – Resenha

No primeiro volume da coleção de caixas Giallo, a Versátil Home Video traz um dos filmes mais controversos da carreira de Dario Argento, assim como uma das mais importantes películas do sub-gênero. Tenebre (Tenebrae, 1982), junto com Seis mulheres para o assassino (Sei donne per l’assassino, 1964) de Mario Bava; O estranho vício da Sra. Wardh (Lo strano vizio dela Signora Wardh, 1971) de Sergio Martino; e O segredo do bosque dos sonhos (Non si sevizia um paperino, 1972) de Lucio Fulci, compõe a caixa que oferece ao espectador quatro dos filmes mais importantes da história cinematográfica dos Giallo’s.

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Em 1982, Dario Argento já contava com certo reconhecimento enquanto cineasta de “terror” no circuito italiano – e até mesmo em outros países. Tendo contribuído para a construção e estabelecimento do sub-gênero Giallo com sua trilogia de estreia enquanto diretor – O pássaro das plumas de cristal (1970), O gato de 9 caudas (1971) e Quatro moscas sobre o veludo cinza (1971) -, Dario havia iniciado sua segunda trilogia, no final dos anos 1970. Desta vez buscava realizar três filmes que compartilhassem de um mesmo universo, isto é, que funcionassem como capítulos independentes de uma mesma história – diferentemente da primeira trilogia, na qual cada filme era totalmente independente dos outros dois.

Suspiria (1977) abriu esta trilogia, articulando a fábula das três bruxas como a “cola” entre os filmes. Nesta segunda fase – terceira se considerarmos os filmes para TV – de sua carreira, Dario deixava com que suas inspirações no terror gótico sobrenatural, vindos, por exemplo, de Edgar Allen Poe, fluíssem por seus filmes. O sucesso internacional que veio através de Suspiria, foi-se com o fracasso comercial de A mansão do inferno (1980), resultado de uma série de problemas enfrentados em relação aos acordos de distribuição do filme. Sendo assim, a planejada “Trilogia da Bruxas” foi adiada e outra ideia tomou a cabeça do diretor. O retorno da maldição – Mãe das lágrimas, terceiro capítulo da trilogia foi terminado e lançado somente em 2007, dando espaço para este importante retorno ao Giallo na carreira de Dario Argento.

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Como é bem sabido este retorno ao sub-gênero está de alguma maneira relacionado à uma série de críticas, que com o passar do tempo tornaram-se ameaças nas quais o diretor era acusado de propagar a misoginia através de seus filmes. O período que vai do final dos anos 1960 até meados dos anos 1980 foram de grande produtividade e relevância no feminismo cinematográfico. Os movimentos feministas na crítica e teoria cinematográfica surgiram no pós-68, a partir de certo distanciamento do estruturalismo, do marxismo e principalmente da psicanálise – vertentes que dominavam a teoria do cinema desde as produções de Jean Louis Baudry nos anos 1970. Os livros Women and sexuality in the new film (Joan Mellen, 1973), Popcorn Venus (Marjorie Rosen, 1973), e From reverence to rape: The treatment of women in the movies (Molly Haskell, 1974) foram as primeiras manifestações da onda feminista na teoria do cinema, rejeitando a concepção progressista sobre o estatuto das mulheres no cinema, ou seja, a ideia de que o sexismo havia sido superado no cinema.

 Laura Mulvey em 1975 publicou um texto chamado Prazer visual e cinema narrativo, no qual faz uso da teoria psicanalítica (sim aqui há um retorno à psicanálise) para apresentar a hipótese de que as interpelações cinematográficas têm caráter de gênero. Para Mulvey, a atividade narrativa está sempre sustentada pelo masculino, enquanto o feminino é reduzido a um objeto passivo que serve ao olhar espectatorial e voyeurístico do homem. O prazer visual no cinema, assim sendo, está calcado em uma estrutura representacional binária em que o masculino olha e o feminino é olhado. Tal estruturação tem um efeito ideológico sobre os espectadores, sendo eles homens ou mulheres, que sofreriam o apelo identificatório com esta posição masculina como centro do universo diegético. Tanto os espectadores, quanto as espectadoras identificariam-se com a posição falocentrica do olhar masculino sobre o corpo feminino, resultando em uma obtenção de prazer.

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Dario fora acusado de misoginia principalmente por seus primeiros filmes, os quais teriam homens como personagens centrais da narrativa, enquanto as mulheres eram relegadas a posição de vítimas, tendo seus corpos seminus à mercê de um assassino em série. Porém, Argento também insistentemente em seus primeiro filmes, tanto nos Giallo’s quanto nos góticos sobrenaturais aprestou mulheres como vilãs. Esse tipo de representação foi bastante criticado por abordar certa potência feminina apenas através de personagens que seriam psicopatas, bruxas e maléficas. Para além de seus filmes, o cineasta em entrevistas e coletivas de imprensa, frequentemente fazia declarações realmente machistas. Certa vez, quando questionado sobre o motivo pelo qual “odiava as mulheres”, sempre optando por filmá-las sendo brutalmente assassinadas, Argento rebateu com a péssima resposta de que: “Eu gosto de mulheres, especialmente as bonitas; se elas tiverem um rosto e corpo bonito. Eu preferiria assistir estas sendo assassinadas ao invés das mulheres feias ou homens”.

Porém, Tenebre apresenta outra faceta do posicionamento de Dario, muito mais interessante e muito menos defensivo do que este tipo de afirmações pateticamente violentas. Na película, o escritor americano Peter Neal viaja à Roma para promover seu mais recente best-seller, o Gialli que se chama “Tenebre”. Assim que pisa em terrar italianas, uma série de assassinatos se inicia em Roma. Cabe destacar aqui que a Roma representada na película é um território sem identidade, isto é, para qualquer espectador é impossível reconhecer os cenários como sendo a cidade de Roma. Não há monumentos históricos, arquitetura, ou qualquer outro tipo de indicação que faça a menor referência a famosa cidade italiana. Na realidade, praticamente todas as locações de filmagem são lugares “entre-lugares” (ponte, aeroporto, quarto de hotel, etc.), ou seja, cenários que não indicam enraizamento nenhum.

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Também padece de identidade a figura do assassino, pois seus crimes não parecem ter uma motivação própria, já que os crimes estão associados ao livro de Peter Neal. Ao mesmo tempo em que os assassinatos seguem o roteiro de do livro “Tenebre”, o assassino deixa páginas do mesmo nas cenas dos crimes, além de enviar cartas e fazer telefonemas ao escritor. Assim sendo, Dario Argento cria uma espécie de Giallo-crítico, trazendo a questão da misoginia para a superfície do filme e não como pano de fundo. Em uma das cenas iniciais do filme, Peter Neal é entrevista por Tilde, uma jornalista feminista que ao entrevistar o escritor vai direto ao ponto:

Tilde: “Tenebre” é uma história sexista. Por que odeia… tanto as mulheres?

Peter: Sexista? Não, não creio que seja sexista.

Tilde: Mulheres como vítimas, dominadas… Homens heróicos com seus pelos machistas… Como pode dizer que não é?

Peter: Tilde, o que acontece com você? Me conhece há 10 anos quando estudava em Nova Iorque. Sabe muito bem que eu…

Tilde: Olha, estou aqui para falar da sua obra não de você.

Num primeiro momento, esta cena descontraída nos indica que Argento está tirando sarro da situação vivida por ele constantemente. Porém, Tenebre parece ser mais complexo e ter mais camadas do que seus filmes anteriores. Para além, da trama “whodunit?”, isto é, do bom e velho “quem é o assassino?”, há uma trama central que subverte o “whodunit?”. Subverte, pois incluí o próprio diretor Dario Argento como possível responsável pelos efeitos de sua própria obra. A intenção aqui não é advogar pelo diabo e “limpar a barra de Argento”, mas Tenebre indica que o diretor, no mínimo estava atento as críticas feministas. A pergunta que articula a narrativa da película é: “Podemos considerar Peter responsável pelos assassinatos inspirados em seu livro?”. Daí a inovação em se ter dois assassinos durante o filme. Mais uma vez, brincando com as acusações, o escritor do Gialli influencia um assassino, que por sua vez volta a influenciar o próprio escritor.

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As acusações de misoginia que emergem na metáfora produzida por Dario funcionam em alguns níveis que não são detectáveis e diferenciáveis para um olhar desatento. Temos um tipo de acusação que está endereçada ao cinema em geral e a problemática das formas de representação da mulher enquanto imagem. Laura Mulvey[1] aponta em seu artigo de 1973, Prazer visual e cinema narrativo, que a presença da imagem feminina no cinema joga com fantasias voyeurísticas do campo social, que definitivamente são efeitos dos status quo da ordem patriarcal falocentrica. Principalmente no cinema que tranquilamente compactua com a ideologia dominante (suposta), por exemplo, Holywood. A representação da mulher expõe a divisão estabelecida no prazer visual (escopofílico), entre uma atividade masculina e a passividade feminina.

Nesse sentido, Tenebre não é exceção. Há um destino comum para as mulheres representadas em sua narrativa: vítimas. Diferentemente das películas anteriores de Argento, Tenebre não trabalha com mulheres na posição de heroínas e/ou vilãs. Neste filme seus corpos estão a mercê do olhar masculino que as destina ao sexo e morte. Mas questão aqui é reconhecer que a objetificação da mulher como uma imagem à mercê do olhar masculino é intrínseco às estruturas cinematográficas e não apenas efeito de um filme x ou de outro y. Trata-se do imbróglio no qual a representatividade da mulher talvez tenha um limite para o cinema historicamente estabelecido, sendo ele de vanguarda ou dominante. Traz a tona a questão de que determinantes falocentricos e patriarcais encontram-se na própria maneira como as representações fílmicas se articulam à linguagem.

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 Há ainda um outro tipo de endereçamento das acusações de misoginia, subentendido no texto (do filme). Trata-se da acusação de que o gênero terror e principalmente ao sub-gênero Giallo são sexistas. Nesta perspectiva, o moralismo e principalmente o sexismo são os motores que desencadeiam os seguimentos de brutalidade, horror e aflição. Historicamente o cinema de terror estabeleceu uma forma que encontrou ao longo do tempo pouca ruptura, na qual o corpo feminino é o depositário ou o destino do horror ficcionalizado. Dos “monstros e as belas” até o “torture porn”, a nudez e tortura do corpo feminino são constantes no grande escopo dos filmes de terror – seja ele um blockbuster ou um filme amador. Aqui retornamos à crítica implícita na pergunta da personagem Tilde, quando infere que o livro “Tenebre” – isto é, o filme Tenebre – tem por efeito produzir ou sustentar a misoginia no campo social. Em outras palavras: Tenebre, o filme sobre um assassino misógino, que contém diversas cenas de belas mulheres sendo esquartejadas e torturadas é um produto ou produz o sexismo? Não sendo necessariamente um produto, nem produzindo, ainda sim, seriam estes tipos de filmes formas de manutenção do status quo da misoginia?

Ambas as críticas precisam ser contabilizadas e refletidas, mas sua sobreposição demanda consequências que evocam fantasmas arriscados para as relações entre estética e política. Se o cinema[2] está estruturalmente mancomunado com a ideologia dominante e com o patriarcalismo em suas formas de linguagem estética e, principalmente se o gênero de terror trabalha a favor da potencialização da misoginia, filmes como Tenebre precisam desaparecer. Este argumento, de certa maneira, está implícito nas inferências de Tilde para com o escritor Peter. O cinema de terror tem por característica histórica a sustentação de uma posição política importante para história do cinema, na qual as imagens e narrativas esteticamente repugnantes devem vir à tona. Tudo o que há de horrível, desprezível, nojento, feio e mal encontra nos filmes de terror um espaço para o retorno enquanto experiência estética associada ao prazer escopofílico. Há neste ponto algo de extremamente subversivo ao status quo do campo social. Tal potencial subversivo foi detectado pelo partido fascista italiano, levando-os a proibir a produção de exibição de películas de terror durante seu domínio na Itália. Aquilo que hoje conhecemos como “ciclo italiano” de filmes de terror nas décadas subsequentes à Segunda Guerra Mundial contém consideravelmente as marcas do período da presentificação do horror real e da ausência do horror ficcional.

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Mario Bava, Lucio Fulci,  Joe D’Amato, Sergio Martino e Dario Argento, por exemplo, estiveram empenhados na produção de uma transformação estética do horror, buscando seu tensionamento com o belo. Consciente ou não desta problemática, Tenebre  é um filme que ao invés de contribuir com uma crítica moral ou até mesmo declaradamente política sobre o voyeurismo, por exemplo, opta por oferecer ao espectador, dentro de seu espaço identificatório, uma posição voyeurística complexa e impossível. A famosa sequencia dos assassinatos de Tilde e sua namorada, não tem o mesmo efeito de “espiar pelo buraquinho” – vai além. Insere o espectador na materialidade do edifício, com longas passagens em que só vemos concreto. O espectador identificado com a câmera flutua pelos arredores da casa, produzindo certa mistura de impaciência, estranheza, fascínio e suspense. Tal mistura tem definitivamente um efeito que se distingue do voyeurismo clássico, aquele escondido por detrás de uma trama em qualquer blockbuster de Holywood.

O mesmo se dá com a problemática da violência e da misoginia. Tenebre é um caso exemplar de como os filmes de terror escancaram aquilo que não deve ser visto, ou falam sobre as coisas que não devem ser ditas, mas também como podem incluir as acusações das quais são alvo, sem que isso acarrete na apropriação ideológica. Argento não se defende em relação às críticas de misoginia. Ele as aceita, recusando transformar seu filme em um terror pasteurizado e politicamente correto que teria por efeito a despolitização das críticas feministas através de uma apropriação de suas vozes. Dario insere a problemática e como pano de fundo trabalha a questão da identidade. Dario Argento escalou a atriz italiana Eva Robins para o papel da mulher que violenta o jovem Peter Neal. Eva é uma atriz transgênero famosa principalmente nos anos 1970 e 1980 por interpretar o papel de mulheres belas e sensuais. Dario oferece ao espectador identificado com a posição voyerística patriarcal o corpo de uma bela mulher para ser olhada, entretanto trata-se de um transgênero. Há um solavanco na pulsão escopofilica, que tem por efeito expor a polimorfia do desejo humano.

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O tema do recalque de memórias em detrimento de traumas sempre foi muito caro à Argento, o que permite a suposição de que as cenas relativas ao passado de Neal sejam lembranças distorcidas por uma memória que falha devido ao trauma sofrido. Assim sendo, da maneira como esta memória nos é apresentadas, podemos inferir que nela um grupo de jovens preparava-se para transar com uma mulher mais velha (Eva Robins) em uma praia deserta. Porém, Peter estapeia o rosto da mulher. O motivo pelo qual o tapa é desferido não vem a tona. Os outros jovens perseguem Peter, derrubando-o no chão. Na sequência, a mulher (Eva) lhe chuta repetidas vezes os genitais, para por fim lhe obrigar a engolir os saltos de seu sapato vermelho. Toda a sequência pode ter por efeito a explicação das causas do “ódio” de Peter Neal pelas mulheres que o levaram a ser tanto um escritor de Gialli, quanto um assassino começando por matar a mulher da praia anos mais tarde. Entretanto, esta cena se estrutura tal como o jogo de espelhos presente na metaforarização entre Argento-Neal, ou mesmo entre o livro “Tenebre” e o filme Tenebre. Com a escalação de Eva, Tenebre seduz o espectador a olhar para uns transgênero com os olhos de homem para uma mulher. Trata-se de uma pegadinha ou simplesmente de uma escolha arbitrária que em última instância indica que Tenebre é um filme preocupado com as questões de gênero, entretanto, sustentando que sua existência faz-se necessária para além do reconhecimento da misoginia presente em sua ficção.

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[1] O binarismo de Mulvey foi bastante criticado levando a autora a rever suas formulações posteriormente. Dentre as revisões, destaca-se principalmente a radicalidade de sua teoria quanto à impossibilidade das mulheres encontrarem lastros identificatórios em narrativas misóginas. A questão principal é a de que a subversão da lógica patriarcal precisa ser compreendida tanto no embate externo entre vanguarda e ideologia dominante, como também em embate interno, isto é, indicando e escancarando os códigos e fórmulas pré-estabelicidas no próprio discurso dominante.

[2] Com raras exceções.

Resposta à crítica: “O Frustrante Superman”

Neste últimos 5 anos como colunista aqui no Pipoca e Nanquim pude ver de tudo na sessão de “comentários”. Nas colunas, textos, artigos e notícias de nossa página recebemos pouquissímos comentários – em comparação com nosso canal do Youtube, por exemplo. Há diversos textos, tanto meus, quanto de outros colegas, que ao longos dos anos, apesar de uma visitação alta, não recebem comentário algum. É uma coisa com a qual a gente se acostuma, não dá para ficar esperando que os leitores  sempre tenham algo a dizer sobre o que acabaram de ler, ou mesmo que tenham, não dá para esperar que tenham paciência de elaborar algum tipo de comentário. Enquanto leitor, eu mesmo raras vezes deixei comentários em blogs, ou páginas de alguém que produziu um texto que acabei por ler. Nada anormal até aqui.

Apesar de ser um dado corriqueiro da atividade do escritor/colunista/crítico de sites – claro com algumas exceções -, com frequência esse “silêncio” dos leitores nos colocam em dúvida sobre os efeitos de nossos textos. Particularmente, muitas vezes, começo a sentir que estou realizando um compêndio de artigos, jogados às nuvens, para somente satisfazer certo desejo de expor e manter exposta minhas ideias – de maneira bem narcísica. Quando este “silêncio” incomoda, entendo isso como um bom sinal, pois indica que não sou regido apenas pelo narcisismo, mas também em certa busca por encontrar pessoas na outra ponta de meus textos – leitores.

Quando encontramos alguém na outra ponta, na maioria das vezes, esse alguém tem a forma bizarra de uma crítica violentamente indiferente. Nos dias atuais essa forma ganhou na internet o nome de “hater” – são comentários que buscam destruir ou neutralizar o conteúdo oferecido disparador deste “ódinho” – no meu caso, os textos. A estratégia não é atacar o argumento do artigo, ou trazer a tona inconsistências do que foi lido, mas por outro lado e na maioria das vezes atacar o autor. Com frequência não passam de 10 palavras articuladas em ofensas ou ridicularizações públicas do que foi lido. Nem preciso indicar como este tipo de forma-comentário afeta quem escreve.

Porém, algumas vezes somos surpreendidos por certos leitores e certos comentários, que considero exceção. Algumas pessoas, dedicam tempo para leitura e compreensão, assim como dedicam tempo para construir uma argumentação que fale sobre sua experiência de leitura, os pontos que concordou e os que discordou, enquanto constrói seu próprio argumento através de uma espécie de interlocução com o texto inicialmente lido. Esse tipo de comentário é muito raro, mas quando surge têm a potência de dar sentido à uma atividade que constantemente parece sofrer de sua escassez.  

Géssica da Rosa, uma leitora do Pipoca e Nanquim recentemente me enviou um comentário sobre um dos meus textos mais criticados: O Frustrante Superman. Neste artigo, argumento levantando a hipótese de a “frustração” poderia ser entendida como uma qualidade estética das narrativas do personagem Superman. Fui atacado de todos os lados: aqueles que acharam que eu havia chamado o filme Homem de Aço de “frustrante” me atacaram dizendo que eu não havia entendido o filme e que estava “falando merda”; do outro lado aqueles que acharam que o artigo elogiava o filme, me atacaram dizendo que eu era um “DCnauta” e que também estava “falando merda”.

Resolvi então postar a resposta de Géssica. Em primeiro lugar, porque acho que ela deve ser lida. De alguma maneira, dá sequencia aos meus argumentos do texto inicial, porém com várias ressalvas e críticas pertinentes, que fazem avançar esta discussão. Em segundo lugar, para reconhecer o trabalho investido por ela na resposta, na construção da argumentação e por não simplesmente sair alvejando comentários maldosos por aí!

Resposta à: O Frustrante Superman, de Diego Penha.

Olá! Li tua crítica de 2013 sobre o filme Man Of Steel no blog Pipoca e Nanquim. Até tentei postar o comentário lá, mas, talvez porque tenha ficado um tanto extenso, não consegui. Bem… achei que seria válido compartilhar por aqui então.

Concordo quando dizes que neste filme “o Superman não é o Superman”. E por isso Man Of Steel foi o filme do herói que mais me decepcionou. Mesmo na faceta Superman que, em princípio, uma história sobre ele deveria manter, ainda que não seja a única imagem que define o personagem (Clark Kent/Kal-El/Superman), esse é o aspecto que não aparece no filme. Talvez o intuito do filme tenha sido apresentar a terceira face do herói, Kal-El. Se era essa a intenção, tampouco acho que isso foi suficientemente explorado no filme (na minha percepção, a série Smallville traz isso de modo muito mais coeso), o que só piora a imagem e ideia que o filme me apresentou.

Quando dizes “É muito difícil afirmarmos que este personagem é Kal-El, antes de ser Superman ou Clark Kent, pois esta é a luta subjetiva que o próprio personagem enfrenta durante toda a sua “carreira”.”, esse é o aspecto que mais me atrai na história do Superman: a dialética ou contradição entre essas três imagens. E é disso que senti falta em Man Of Steel (fazendo-o ficar no último lugar da minha lista de filmes do herói), o que para mim descaracterizou completamente o personagem, tornando ele outra coisa à qual eu nunca esperava.

Quando assisti Superman Returns e, inevitavelmente, comparei com Superman e Superman II, me agradou muito a possibilidade da paternidade do Superman, como alguém que deixa um legado, assim como Jor-El, e pode “pendurar a capa” futuramente, ainda que seja praticamente invulnerável. Talvez pela concepção que sempre tive do personagem como um alienígena “demasiadamente humano”. Bem, só posso dizer isso com base no conhecimento que tenho do herói a partir do cinema e da televisão. Não li os quadrinhos, talvez um dia eu o faça, mas acho um tanto confusa a organização dos volumes e nem sei por onde começar (se puderes me dar alguma dica, ficaria muito agradecida). Minha história com o personagem se deu basicamente através do cinema, de brincadeiras com bonequinhos de um primo que, quando brincávamos, Superman era sempre o meu preferido, e na minha adolescência com o seriado Smallville.

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Sobre a questão da frustração, até ler teu texto eu não tinha pensado nesse aspecto como algo transversal em todo e qualquer produto relacionado ao personagem. Na verdade, resolvi ler a tua crítica porque o título me sugeriu a ideia de alguém que tenha detestado tanto Man Of Steel como eu detestei, se comparado aos que citei anteriormente (que são meus favoritos da série cinematográfica). Mas tua escrita trouxe uma visão muito mais interessante e complexa, que me fez perceber que sim, ele é um herói frustrante. Em Smallville, foram inúmeras as vezes que me senti assim, completamente sem compreender algumas coisas. Por exemplo: afinal, qual era o medo dele, o que o impedia de revelar suas habilidades ao que a série mostra como o seu grande amor juvenil, a Lana Lang? No segundo filme, a mesma sensação: por que diabos ele apaga da memória de Lois Lane o fato dela (re)conhecer as faces do herói, Superman/Clark Kent/Kal-El? Bom, aqui estou me restringindo aos aspectos afetivos das obras, é claro, mas que sempre me pareceram como elo central na relação super herói-humanidade.

Sobre a morte de Jonathan Kent: esse é outro ponto sobre o qual não tinha pensado. O clichê óbvio da morte do centro moral do personagem ou ainda a ideia de sacrifício, como tu sugeres no trecho em parênteses (“Clark sabe que pode salvá-lo, mas finalmente entende o sermão de Jonathan que é: “para ser o deus que você poder ser, terá que aprender a decepcionar os humanos”. Ou seja, terá de se privar dos benefícios de seu poder, e está fadado a viver uma mentira, tanto como Clark, quanto Supeman, quanto Kal-El. Não há lugar para um deus na terra.”) me parece explicar muito dessa frustração que tu referes como intrínseca ao personagem. O fato de não haver mais lugar para ele na cultura pop atual, como tu dizes, não estaria relacionado à questão da humanidade estar cada vez mais intolerável à frustração, como parte dos processos subjetivos?

Lanças questionamentos muito pertinentes (“O quanto este homem de aço pode aguentar? O quão humano ele pode ser? Na morte de Jonathan vemos que o homem de aço tem muito pouco de humano e muito mais de frustração.”), mas permita-me discordar da última frase: “tem muito pouco de humano e muito mais de frustração”. Explico: acho que justamente por ser tão frustrante, ele talvez seja o herói mais humano que tivemos. Aquele que tem de lidar com suas contradições e ainda assim ter força para assumir seu papel (ingrato, talvez) de salvador de uma humanidade interesseira e que só aceita sua diferença extraterrestre porque sua força a beneficia. Enfim, parabéns pelo texto!

Géssica da Rosa – 21/02/2016

Deus Branco (Fehér isten, 2014) – Resenha

Deus Branco (Fehér isten, 2014)

Ficha Técnica:

IMDB: 6.9

Diretor: Kornél Mundruczó

Nacionalidade: Hungria/Alemanha/Suécia

Dirigido por Kornél Mundruczó, Deus Branco concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015. A estatueta foi para Ida (2013), o que não impediu que a película de Mundruczó recebesse certo destaque e elogios ao longo da temporada de premiações em 2015. No Festival de Cannes de 2014, o filme ganhou a premiação Un Certain Regard, relacionada à mostra paralela de uma seleção de 20 filmes considerados mais “atípicos” naquele ano. Também em Cannes, os cães Luke e Body ganharam a prêmio Palm Dog de 2014 – premiação que só fui saber da existência agora. O filme estreia nos cinemas brasileiros dia 25 de fevereiro de 2016 e definitivamente irá dividir opiniões.

 O filme se passa na Hungria e conta a história de Lili (Zsófia Psotta), uma garota de 13 anos que devido a uma oportunidade de emprego de sua mãe, precisa morar com seu pai Dániel (Sándor Zsótér) por tempo indeterminado. Dániel é representado como um ex-professor universitário, no fim de sua meia idade, trabalhando como fiscal de qualidade em um frigorífico. As primeiras imagens que vemos do cachorro Hagen e Lili mostram ambos em um parque, enquanto disputam ludicamente um bicho de pelúcia em uma sequência idílica, composta por diversas cenas em câmera-lenta, contratadas pelo sol poente ao horizonte.

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O efeito de tal sequência é o estabelecimento da relação Hagen-Lili dentro de um espectro agridoce que antecipa todo o desenvolvimento da película. Como exemplo, podemos retirar desta sequência o que é o grande mérito de Mundruczó ao longo de toda a película. O diretor húngaro é extremamente competente para construir cenas e sequências que ao mesmo tempo em que jogam com um padrão estético convencional – fim de tarde no parque, panorâmicas de cidade vazia, perseguições em câmera-lenta -, conseguem aprofundar a narrativa, lançando-a para novas camadas de desenvolvimento narrativo. Esta sequência no parque, ao mesmo tempo em que traz ao espectador a ideia de que Hagen e Lili são uma unidade afetiva, mantêm a perspectiva crepuscular desta relação, que encontra seu “anoitecer” no horizonte da película. O entardecer presente na cena filmada antecipa o mergulho que o filme faz nos próximos minutos, adentrando o “drama” enquanto gênero.

O espectador se surpreende com as transições entre gêneros e o adensamento não usual da trama que parte de um drama – aos moldes de Sempre ao seu lado (Hachiko: A Dog’s Story, 2009), Lembranças de outra vida (Fluke, 1995) e até mesmo Bud – o cão amigo (Air Bud, 1997) – para encerrar como um filme de terror, tal como Cães Assassinos (The Breed, 2006), Cão Branco (White Dog, 1982), naquilo em que estes filmes retomam o clássico Os Pássaros (The Birds, 1963) de Alfred Hitchcock. Entretanto, cabe antecipar, que não faz jus ao gênero de terror, denominar o que vemos na tela, quando assistimos Deus Branco, de “filme de terror”. Sua aproximação aos seus antecessores do gênero somente torna-se possível devido ao contraste com a primeira metade do filme – denominada aqui como “drama”.

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Imagino que Mundruczó não espera que os espectadores de seu filme fiquem impassíveis às suas transições, aceitando o deslizamento entre gêneros de maneira apática e sem contestação. Nestes pontos de transição, o filme pode potencialmente perder seus espectadores, já que o filme rompe com sua linearidade lógica e afetiva. Esta ruptura tem por efeito certo jogo com o improvável e quebra de realismo, o que por diversas vezes no filme parece ser mais acidental do que proposital. A película como um todo, mas principalmente a primeira metade da história é fundamentada no realismo enquanto escola, nos termos bazinianos de recusa à artificialidade.

Para exemplificar, há uma cena na qual o cachorro Hagen está caminhando tranquilamente, enquanto atravessa uma grande ponte. Do início ao fim, a sequência conta com apenas uma cena, sem utilizar o recurso de corte, montagem ou edição – o que neste caso é extremamente espetacular, pois se trata de um cão atuando, isto é algo consideravelmente mais difícil de ser realizado sem edição. A câmera está posicionada frontalmente de maneira que Hagen é centralizado na cena, deixando em perspectiva o parapeito da ponte, o rio e os barcos e navios que trafegam a distância e por baixo da passarela. Hagen faz seu trajeto com certa desatenção e tranquilidade quando é bruscamente assustado pelo buzina ressoante de um navio. O cão dá um salto medroso para frente e retorna direcionando-se corajosamente para o fundo do “cenário” olhando atentamente em direção aos navios. Sem que a cena seja alterada por um corte, Hagen retoma seu trajeto, agora um pouco mais atendo e ressabiado, até que a buzina novamente ressoa. Porém desta vez, o cão não se assusta, apenas olha em direção aos navios. A buzina ressoa novamente ele da uma olhadela para o lado, mas segue seu caminho sem dar muito importância ao ocorrido.

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Neste exemplo, vemos uma cena extremamente bem decupada e dirigida, na qual a atuação do cachorro é impressionante, assim como o efeito narrativo que antecipa o “amadurecimento” forçado que será imposto à personagem ao longo do filme. A transposição da visão de Mundruczó para a cena é impecável, demandando assim a tal famosa proibição da montagem, neste caso. O realismo presente na cena é intenso, a ponto de ser impossível especularizar sobre se Hagen realmente tomou um susto ou se fora tudo ensaiado ou artificialmente produzido. Se este tipo de construção imagética merece elogios, a facilidade com que o diretor opta por abandonar o realismo, provoca estranheza – que dificilmente pode ser lida como destreza.

Muitas críticas e resenhas buscaram reconhecer em Deus Branco uma referência à Cão Branco de Samuel Fuller – os próprios títulos parecem indicar isso: White God e White Dog. Porém, Mundruczó em entrevista afirmou que não conhecia o filme de Fuller ao realizar o seu, mas que após assisti-lo pôde reconhecer certas semelhanças. Mas talvez, a principal referência de Deus Branco esteja em outro lugar, principalmente no que diz respeito à sua estrutura narrativa. A inspiração de Mundruczó, para além da pequena historieta de ter visitado um canil, sentindo-se empático em relação aos cãezinhos, está em Melville e no leviatã branco – Moby Dick.

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O jogo entre realismo e fábula, da maneira como se apresenta em Deus Branco, encontra sua mais forte expressão no clássico de Herman Melville. Entretanto, como bem podemos confirmar, com Mundruczó, o trajeto ziguezagueado entre figuração e realismo tende para uma estranha azáfama no sentido de “alegorizar” a sociedade. Diferente do livro de Melville, o filme deixa-se tornar patético por diversas vezes – algo que destoa muito da perícia em dirigir certas cenas, apresentada pelo húngaro. Moby Dick é o exemplo perfeito aqui, pois que a baleia branca e a tripulação do Pequod sejam uma alegoria de alguma coisa qualquer, todo mundo há de concordar, mas dificilmente alguém consegue afirmar: “Melville quis dizer isso!” ou “A baleia branca representa X e não Y” – a partir de uma leitura singularizada. Mundruczó sabe o que quer metaforizar e subestima seu público ao deixar as alegorias claras de mais. Nesse sentido, o filme acaba sem “tom”, pois ao mesmo tempo em que se distancia do espectador ao deslizar bruscamente por gêneros, busca pegá-lo pela mão e indicar o que significa cada metaforazinha da película.

O filme vale enquanto experiência cinematográfica não usual, mas dificilmente convoca à uma segundo olhada. Apresenta algo digno das premiações e indicações recebidas, mas pode facilmente ser esquecido. Vale lembrar que segundo Mundruczó, o filme não conta com efeitos especiais de CGI, isto é, todas as cenas com caninos foram realizadas com adestradores e com cachorros reais – ao todo 241 cachorrinhos – uma proeza. Para finalizar, ao longo dos 121 minutos da película, fiquei pensando que o filme Cão de Briga (Unleashed, 2005) é muito mais efetivo em funcionar como alegoria do discurso social e político que em Deus Branco fora bruscamente injetado na narrativa do filme – só que sem utilizar cachorro algum.

Os 10 melhores filmes de 2015 (lista do Cahiers du Cinéma)

A tradicional revista de cinema Cahiers du Cinéma listou os 10 melhores filmes de 2015. Como de costume, a edição de dezembro da revista francesa elencou aqueles que foram considerados pelo corpo de críticos e editores da revista como os melhores filmes que circularam pelos cinemas franceses de 17 de dezembro de 2014 à 17 de dezembro de 2015. É comum que os filmes nacionais, ou seja, franceses ganhem as posições de destaque nas listas da Cahiers – isso quando não conta com uma lista apenas com títulos franceses.

Desde a fundação da revista em 1951 por André Bazin, Jacques Doniol-Valcroze e Lo Luca, a Cahiers sempre teve grande apelo militante e bem justificado em relação ao cinema francês. Porém, ao longo de sua história, os colunistas e editores da revista reconheceram os cinemas estrangeiros, sendo o melhor exemplo disso a ambiguidade com a qual lidavam com Hollywood. Hora como lar da grande ideologia capitalista, moral e bélica, hora como lar dos grandes realismos e ficções de vanguarda. De qualquer maneira a Cahiers não tirava seus olhos do além-mar.

A novidade esse ano foi a inserção de Mad Max: Fury Road de George Miller na lista. Há algo novo aí. Pela primeira vez um filme hollywoodiano de ação, ficção e reboot (remake inventivo) entra nesta lista. O impressionante não é o reconhecimento da revista, mas talvez as mudanças de paradigma que estão efetuadas em termos de comunidade cinematográfica. Mad Max merece todos os louros por seu desempenho, independente de revistas especializadas de qualquer lugar. Entretanto a reverência realizada por uma das mais importantes revistas de cinema da história (talvez “a” mais importante), muda os termos do jogo. É diferente a inclusão de Mad Max e a inclusão de Inherent Vice nesta lista, por exemplo. Tradicionalmente, o Cahiers faz uma saudável divisão entre cinema hegemônico (blockbuster) e cinema de vanguarda (considerado arte). O feito mostra que Mad Max é mais potente e mais certeiro do que parece, já que faz crítica a ideologia dominante e consegue uma ampla difusão. De dentro do sistema da industria cultural cinematográfica, conseguiu balançar uma das comunidades mais endogâmicas da cinematografia: o cinema francês.

Veja a seguir a lista do top 10 e seus respectivos trailers – uma lista maneira para se assistir nessas férias:

  1. Mia Madre, Nani Moretti.

2. Cemetery of Splendour,  Apichatpong Weerasethakul.

3. L’Ombre des femmes, Philippe Garrel

4. The Smell of Us, Larry Clark.

5. Mad Max: Fury Road, George Miller

6. Juaja, Lisandro Alonso

7. Inherent Vice, Paul Thomas Anderson

8. Les Milles et Une Nuit, Miguel Gomes

9. Summer, Alanté Kavaïté

10. Vers l’autre rives, Kiyoshi Kurosawa

O beco dos artistas – Artist Alley na Comic Con Experience 2015

Quem acompanha o Pipoca e Nanquim há algum tempo sabe que nossa área favorita nas convenções de quadrinhos é o Artist Alley, vulgo, o querido “beco dos artistas”! Particularmente em minha opinião, essência de uma convenção de quadrinhos está nas mesas dos artistas independentes e das pequenas editoras. Logo menos no canal do Pipoca e Nanquim vocês poderão conferir quais foram nossas aquisições desta edição da CCXP, mas, por ora, compartilharei como vocês os quadrinhos e os artistas mais maneiros do “beco” este ano. Em 2014 o evento contou com 215 artistas em 125 mesas. Neste ano de 2015 haviam 163 mesas e aproximadamente 265 artistas. Isso sem contar os artistas que estavam sem mesa e ficavam pela área junto com os demais. Hoje é o último dia de Comic Con, se você ainda dará uma passada por lá, não esqueça de encontrar esse pessoal e garantir seu exemplar com um autógrafo bonitão!

O pessoal do O Miolo Frito, Adriano Rampazzo, Benson Chin, Breno Ferreira e Thiago A. M. S. estava lá com o lançamento do Miolo Frito volume 3, além das edições anteriores, camisetas, botons e muito mais. Adriano nos presenteou com o Miolo Frito 3, o qual vocês leitores farão bem em esperar uma resenha logo menos aqui no PN! O Miolo Frito já fez parte de um dos nossos Se Não Leu, Leia! de aquisições do FIQ. Confiram o vídeo na Se não leu, LEIA! #12 – Aquisições do FIQ (parte 1) | Pipoca e Nanquim #178.12333044_1141956569150325_231029451_o

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Quem também já esteve em outro de nosso Se não leu, leia! e pudemos encontrar no “beco”, foram Claudia Senlle e George Shall autores do sensacional Moschitto. Este eu já li, pois havia comprado na CCXP do ano passado. É uma história muito divertida sobre uma máfia de mosquitos! Não marque bobeira e garanta o seu!

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Do Márcio R. Gotland eu já sou fã. No Festcomix deste ano ganhei de presente dele o volume 1 de Greg: O Contador de Histórias. Tão sensacional que li no caminho de volta para casa (veja aqui o release do gibi). Na CCXP ele estava lançando o volume 2 da história, mas vale lembrar que Greg é também uma Webcomic que você pode conferir aqui: Greg: O contador de histórias.

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Gustavo Borges e Cris Peter estavam lançando o tão aguardado Pétalas. Há algum tempo atrás fizemos uma entrevista bem legal com a Cris, na qual ela nos contava de todos os seus projetos e outras coisas. Veja aqui: Pipoca e Nanquim entrevista Cris Peter.

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Do ladinho da Cris estava Ana Luiza Koehler vendendo e autografando o gibi Beco do Rosário. Ana tem “um dos traços mais maravilhosos dos quadrinhos nacionais”, segundo nosso querido Danielzinho Lopes. Confiram! 

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Camilo Solano estava por lá. Na minha opinião, um dos melhores quadrinistas que temos por aí! Estava lançando Desengano, gibi que dá sequência a sua “trilogia caipira” iniciada com Inspiração, seguida de Captar e fechada com com chave ouro pelo Desengano. Camilo é figura carimbada aqui no Pipoca e Nanquim. Já o entrevistamos sobre Desengano no Vlog do PN #98, já fizemos Resenha de Captar e o entrevistamos no FIQ no Vlog do PN #115. Camilo Solano é compra certa galera, pode confiar! 

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Falando em Captar não poderíamos deixar de mostrar a mesa do Thobias Daneluz, também autor de Captar. Thobias estava lançando seu Sketchbook, além de estar vendendo a mais sensacionais prints de todo o evento!

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Bianca Pinheiro estava lá também. Sua mesa não parava um só segundo. O tempo todo a garota estava autografando Bear e Meu pai é um homem da montanha. No FIQ deste ano foi anunciado que Bianca fará uma edição das Graphics MSP, nada mais, nada menos que edição da Mônica! Vejam só, não é pouca coisa não amigos!

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Luciano Salles estava lançando Limiar: Dark Matter. Mas o cara não é fraco não e tinha em sua mesa para vender: O Quarto Vivente, L’amour: 12oz e o print de Batman: O Cavaleiro das Trevas mais requisitado do evento. L’amour têm duas resenhas no Pipoca e Nanquim: Resenha – L’amour: 12oz e no Vlog do PN#43 – Review em vídeo: L’amour 12 oz. O Quarto Vivente também tem uma resenha imperdível no nosso site: O Quarto Vivente – Análise e Interpretação. Dark Matter também ganhou destaque no PN. Confiram a entrevista realizada no FIQ deste ano no Vlog do PN #118.

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Uma novidade que gostei bastante foi o gibi silencioso de Juliana Loyola. Sob o título de The Witch Who Loved o quadrinho parecia ser bem interessante. O trabalho dela pode ser conferido em sua página do Twiter (@loyola_ju) e no Instagram. 

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Há alguns anos acompanho a página Gnutcomics de Paulo Crumbim, este ano para a felicidade geral, sua mesa estava repleta de lançamentos relacionados ao projeto Gnut. Paulo estava lançando uma edição caprichadíssima de Gnut colorida e em 3D. Quem acompanha o Gnut sabe que a experiência dos óculos 3D neste caso não é puro fetiche. Reveja nosso Se não leu, leia! #4 em que indicamos Gnut pela primeira vez. Além do gibi, no pacotão do Crumbão tinha também um sketchbook e um livro contando sobre o projeto Gnut. Imperdível!

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Na mesa de Fernanda Nia você podia encontrar os humorados Como eu realmente: vol. 1 e Como eu realmente: vol.2. Os gibis compilam algumas das tirinhas de seu blog Como eu realmente…. Confiram o site e depois deem uma passada na mesa da carioca para comprar o seu exemplar!

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Estevão Ribeiro lançou na CCXP o gibi Da Terra à Lua, baseado no clássico de George Méliès e Júlio Verne. Ano passado na Comic Con eu havia comprado o Gibi Famintas, o qual gostei bastante e aguardo ansiosamente o segundo volume.

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Foi legal ver que mesmo que o CCXP tenha dimensões astronômicas, ainda há espaço para quadrinistas como Lívia Chauar. A garota me presenteou com Equinox, um mangá que ainda encontra-se em confecção. Na Comic Con, você pode adquirir o primeiro capítulo de uma história que está construído seu próprio mundo com referências internas. Vale apostar em Equinox!

 

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Lembram daquele gibi maneiro que adquiri na Festcomix deste ano, o Necro Morfus de Gabriel Arrais? Pois, bem a Comic Con é uma ótima oportunidade de você comprar o seu! Não sabe do que estou falando? Se liga na Resenha – Necro Morfus e não marque toca!

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Fran Briggs e Anna G. estavam com os lançamentos da Punpkin Hour Comics: Anima e Mercenários. Para quem gosta de histórias de magia e fantasia!

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Pedro Cobiaco estava com fome enquanto lançava Aventuras na Ilha do TesouroO magnífico gibi lançado pela editora MINO nasceu como Webcomics e agora encontra-se em um acabamento de fazer gente grande chorar. Cobiaco que já havia relançado Harmatã este ano, segue mostrando que é deveras talentoso e surpreendente!

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Meu favorito. Aquela surpresa boa da CCXP 2015. Aquele que não esperava ver por lá. Aqueles que eu aguardava ansiosamente desde que li o primeiro volume que adquiri na CCXP 2014.É, sim é ela: Catacumba volume 2 – Loiras Macabras. Catacumba volume 1 – Pavor de Escadas foi uma surpresa muito boa do ano passado. Um gibi de terror com uma premissa simples e muito divertida: elaborar algumas histórias que se interconectam apenas tematicamente. O volume 1 contava com três histórias que tinham como eixo articulador dos eventos uma escada. Já o volume dois sobre loiras macabras, lendas urbanas como a famosa “loira do banheiro”. O acabamento de Catacumba é sensacional apesar de simples.  Ver que Kiko Garcia está mantendo um padrão de publicação entre os volumes me deixou muito animado. Recomendo os gibis fortissimamente! Confira o site do autor em KikoComics.

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Este rapaz também estava por lá fazendo maior sucesso… mas não sei bem quem era… =/

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